Sou um cara paciente, observador e – regulamente – compreensivo. Sei que não é nada simples para quase nenhum gremista assimilar derrota alguma para o Tradicional Adversário. No entanto, a despeito do fato de nossa comissão técnica ser neófita em grandes clubes e de precisarmos entrosar muitas contratações, verifico que tanto o nosso plantel é insuficiente para poder nos oferecer alternativas como também perdemos em imposição física.
A escolha de Silas e da direção pelo investimento na técnica em detrimento da garra e da imposição física contrariam ainda mais aquilo que se falava de Celso Roth e Paulo Autuori no ano passado. Ao mesmo tempo, a troca da liderança do meio para a frente de Tcheco por Souza parece não melhorar o estado das coisas.
À medida que nosso jogo precisa ser mais tocado e mais veloz, é preciso resguardar a defesa simultaneamente à uma saída de bola organizada, a partir de passes e lançamentos precisos. Ora, se o futebol contemporâneo dá a prerrogativa do protagonismo aos centromédios, quando se tem as peças corretas para isso e elas são reservas de homens que não cumprem a função com um desempenho regular, a responsabilidade é toda do técnico.
Adilson é muito esforçado. Pelo lado esquerdo, no 442, assessorando um lateral e um meia velozes contando com a colaboração de um centromédio mais viril pela direita, até poderia funcionar (como já aconteceu sob a gestão Rospide). No entanto, assim como pensava sobre Tcheco – e também sobre Souza – quando as contratações seguem critérios CLAROS de escolhas técnicas, físicas e anímicas, um jogador como o simpático e tímido “alemão” não passaria de um reserva útil.
A “bruxaria” de Silas precisa acabar imediatamente: Ferdinando não é veloz, não é forte e, embora não cometa erros bisonhos, mantém um posicionamento incerto dentro de campo. Quando há vários jogadores ao seu redor tocando bem a bola (normalmente no primeiro tempo quando o time ainda não está cansado), pouco se percebem os buracos que ele deixa e a hesitação entre sair e ficar. Aplicação nem sempre se traduz sob a forma de inteligência tática.
Túlio é lento. Apesar de ser mais maduro e taticamente mais obediente, embora passe a bola e se posicione melhor do que Adílson e Ferdinando, ainda assim é menos viril do que o necessário e menos técnico do que o necessário. Só deve entrar quando o time estiver forte, em vantagem, para segurar o placar.
Descrevi os três jogadores da posição inicial da meia-canchaque mais tem atuado desde o início nas cinco primeiras partidas de 2010. Considero a titularidade de Adílson, Ferdinando e Túlio absolutamente insuficiente para as pretensões de um clube de ponta e tradição como o Grêmio, que anda carente e FAMINTO por um título importante em meio a tantos anos de sofrimento. Nosso último semestre impecável foi o primeiro de 2001, quando fomos tetracampeões da Copa do Brasil. Portanto, se a Série B (2005) foi apenas uma obrigação; se um terceiro lugar (2006) e um vicecampeonato (2008) brasileiros apontaram um caminho mas não foram capazes de garantir a CONTINUIDADE na ponta da tabela até conseguirmos novamente um título nacional; e se uma medalha de prata na Libertadores (2007) foi o possível contra um adversário absurdamente superior, é chegado o momento de darmos um SALTO DE QUALIDADE senão definitivo, que ao menos ofereça a perspectiva de nos manter nas cabeças por pelo menos cinco anos.
Tudo bem: falar é fácil. Não vivo o dia a dia do futebol do clube. Tampouco conheço Silas. Contudo, o trabalho da gestão direta do futebol (desde Rodrigo Caetano) e a brilhante e minuciosa atuação de Paulo Deitos, Mauro Rocha e Edson Aguiar na formação de atletas não pode JAMAIS ser subestimado ou – pior – desconhecido pelo técnico e pelos seus auxiliares. Caso contrário, tempo e dinheiro serão jogados no lixo.
Muito se discute em vários dos blogs gremistas (Alma da Geral, Sempre Imortal, Blog do Torcedor, Grêmio Libertador, Grêmio 1983, Grêmio 1903, Cão Uivador e tantos outros) que, se é pra no mínimo manter o mesmo nível de meses ou de até uma ou duas temporadas atrás em posições cuja maior virtude NÃO é dar espetáculo, que então se promova à TITULARIDADE valores garimpados nas categorias de base. Para essas posições, normalmente não deveria ser necessário gastar dinheiro para contratar.
Segundo o site atualizado do Grêmio, temos uma quantidade muito grande de centromédios (prefiro não chamá-los de volantes; pode parecer frescura, mas é uma escolha pessoal): Adílson, Ferdinando, Túlio (já citados e, devido à amostragem, insuficientes para o clube), Henrique, Fábio Rochemback (ainda têm MUITO a provar) e, finalmente, aqueles que podem assumir IMEDIATAMENTE a posição mais crucial para o futebol de hoje: FERNANDO e MAYLSON.
Percebam que não estou jogando a responsabilidade nos meninos mas, sim, endossando a sua OBRIGATÓRIA titularidade. Estou defendendo abertamente o trabalho das categorias de base em detrimento de preconceitos e suposições inseguras acerca do seu aproveitamento.
Creio que, em várias questões, o produto da base DEVE COMANDAR as ações do Departamento Profissional. E só quem pode pôr um basta em invenções claudicantes e em testes longos demais sobre jogadores que A MAIORIA percebe como diferenciados é a DIREÇÃO.
Se o técnico é empregado e se quem decide o jogo diretamente dentro do campo são os jogadores, mesmo que esse profissional deva possuir uma determinada autonomia, ainda assim é preciso que ele saiba quem dirige de fato a bodega.
Tenho muitas restrições a Adilson e Maylson. O primeiro, na minha humilde opinião, rende somente na primeira função.
Já Maylson, só pode jogar na segunda função do meio campo. Agora, de articulador, é muito difícil. Maylson sequer tem estabilidade física para se manter em pé enquanto tenta “pensar o jogo”.
De resto, muito bom texto. Reflete exatamente o que penso em relação à carência de títulos e as frustrações desta década.
[...] This post was mentioned on Twitter by Antonio Arles, Hélio Sassen Paz. Hélio Sassen Paz said: [G'10 5ª] INTERNACIONAL 1×0 GRÊMIO: Sou um cara paciente, observador e – regulamente – compreensivo. Sei que não é… http://bit.ly/aIZUaG [...]
Gremistada,
a polar vai dividir R$ 100.000 entre a dupla grenal. Quanto mais votos mais grana o clube leva. E o mais legal é que a cada voto no Imortal você “tira” R$ 1 do tradicional adversário.
Para participar é só colocar qualquer nome e idade nos campos de entrada e clicar sobre a moeda que o robozinho está segurando para entrar e votar quantas vezes quiser. E dá-lhe tricolor!
http://www.boladadapolar.com.br/
Divulguem!
Milton,
Eu gosto muito do alemão. Só que ele não consegue jogar bem pelo lado direito (como ontem) e, pelo lado esquerdo, só o Lúcio subia. Faltou o Hugo ali ou, então, o Souza, que caiu mais pela direita. Até o Fábio Santos joga melhor quando o Adilson está no lugar certo, possui um companheiro forte e bem posicionado à frente da zaga e há um meia caindo pela esquerda.
A novidade (que tira a titularidade do alemão) é que temos dois guris da base muito melhores: Maylson e Fernando. O Maylson é o Adilson melhorado do lado direito. E o Fernando cumpre, na posição do Adilson, aquilo que falta ao lado do Adílson: ficar mais, passar melhor e chutar de fora da área.
O T.A. ainda tem mais time porque tem uma defesa extremamente organizada. A qualidade lá na frente é até parelha. Porém, vocês tem mais alternativas. Como a bola não chega quadrada de Guiñazu e Sandro, muitas vezes o mais importante não é ter D’Alessandro ou Andrezinho (embora este último pra mim seja titularíssimo por ser mais eficiente e mais confiável do que o galinho filho do Foghorn Leghorn).
O PVC da ESPN Brasil tem razão: os volantes são a principal posição do futebol atual. Mas deve-se jogar com dois deles, não três ou quatro.
[]‘s,
Hélio
É estranho. Os colorados mais tranquilos — isto é, aqueles que conseguem ver qualidades no Grêmio — são admiradores de Adílson.
Eu, particularmente, acho que só lhe falta companhia. Tem todo o equipamento, inclusive o cérebro.
Abraço.