Este artigo foi adaptado do capítulo 6 (Procedimentos Metodológicos, pp. 79 a 102 da dissertação) para caber em um artigo científico com no máximo 15 páginas – contando resumo, palavras-chave e referências bibliográficas. Eliminei parte das considerações pessoais e as tabelas referentes aos cruzamentos das informações observadas nos blogs.
Parece complicado, mas cada critério foi – naquele momento – rigorosamente fundamental para a compreensão do contexto. Como a leitura deste artigo é impossível sem as tabelas correspondentes, baixe-as aqui. É interesssante abrir mais de um PDF ao mesmo tempo para poder compará-los: amplie e reduza-os à vontade na sua tela.
Isso justifica uma explicação inicial que dei no capítulo 1 da dissertação, onde justifiquei o porquê de não ter impresso as tabelas em anexo como novas páginas da pesquisa maior. ;)
Agradeço muitíssimo às professoras Sandra Montardo (FEEVALE) e Adriana Amaral (UTP) pela aceitação deste trabalho no simpósio III ABCIBER (São Paulo, 2009). Foi o primeiro momento no qual encontrei confiança e um espaço para poder submeter um trabalho acadêmico em nível nacional.
Já tuitei várias vezes o link, mas ainda não havia postado a dissertação aqui no blog. Em breve, meus dois artigos baseados em dois capítulos importantes do trabalho acima publicados nos anais de dois importantes congressos. ;)
BOA LEITURA! :)
Estou sempre disponível para discutir quaisquer aspectos desta minha primeira pesquisa acadêmica. Acho que pra quem nunca foi bolsista de iniciação científica; passou anos atrelado às práticas do mercado e já possui uma idade bastante avançada para os padrões atuais, este foi um começo promissor.
Enfim… Muito ainda está por vir. Daqui para a frente, a caminhada é ainda mais longa e difícil. Se é isso o que eu quero, vamos encarar! ;)
Acima, uma pequena palhinha do trabalho que eu adoro realizar. A flexibilidade dos fatores tempo, duração e tópicos dos eventos são definidos em função do público e do contexto.
Hoje, domingo, 17/01/2010 contra o modesto Siena pela Lega Calcio 2009/2010, o guri da Vila Nova voltou a repetir um nível de exuberância que estava incapaz de exibir há longos três anos e meio. As imagens acima não me deixam mentir: foi um show que o seu suposto rival pela posição na Seleção Brasileira e eterno bom-moço Kaká JAMAIS conseguiu dar.
Kaká joga muito, sim. Kaká sofre com uma série de lesões há um bom tempo, sim. Kaká inteiro é tão insubstituível quanto Ronaldinho, sim. Nem sei por que diabos estou comparando maçãs com bananas. Mas Ronaldinho é mais espetacular. Ronaldinho é mais contundente. Ronaldinho é mais desconcertante. Tendo os dois inteiros e sentindo que o time não produz bem com ambos na titularidade, se eu sou obrigado a escolher apenas um, fico com o gaúcho.
Falo isso sem gremismo e sem bairrismo algum: afinal de contas, jamais posso deixar ninguém esquecer de que não morro de amores pelo seu irmão mais velho, procurador e pais substituto. No entanto, é preciso fazer como um amigo recente a quem admiro muito, que sabe separar desentendimentos e descrenças em relação a determinadas pessoas: partindo do pressuposto de que Assis realmente influencia bastante as escolhas de clube do seu pupilo nove anos mais novo, é inegável que todas as escolhas clubísticas feitas para (e/ou por?!) Ronaldinho foram pontuais, precisas, bem-sucedidas e totalmente adequadas ao contexto em que o jogador se encontra(va).
Recapitulando: Ronaldinho deixou o Tricolor aos 20 anos, em meados do ano 2000. A despeito daquela presepada que o presidente da gestão ISL/Grêmio fez com aquela faixa ridícula (‘Não vendemos craques’ em inglês e português), tornou-se público o fato de que uma série de medalhões (inclusive os péssimos centroavante Amato, centromédio Astrada e zagueiro Nenê) ganhava mais do que um prata da casa com quase três anos de Seleção Brasileira profissional e mais uns dois na base, cobiçado por olheiros da nata dos clubes do Velho Mundo.
Hoje, analisando a questão friamente, percebo que Assis tinha razão, posto que a carreira de jogador pode ser abreviada por uma grave lesão antes mesmo de poder fazer o seu pé de meia. Imaginem se ele tivesse sido “quebrado” ainda vestindo a camiseta do Grêmio e se a sua cura se desse após a crise da ISL, após um ano sem jogar, precisando de pelo menos mais um ano pra voltar à forma física ideal. Ele teria ficado aqui até ser rebaixado em 2004 ou, então, teria sido negociado para um mercado ainda mais barato e menos expressivo do que o francês. Certamente, a tragédia teria sido bem maior para o Grêmio.
Caso o Grêmio não tivesse “chupado bala” e o tivesse valorizado devidamente, duvido que não tivesse renovado seu contrato por três anos. Ele teria saído do clube ovacionado pela torcida, idolatrado e reconhecido com o craque da Copa do Brasil de 2001. O teríamos negociado por muito mais do que o foram Kaká e Pato. Duvido que a Série B e o endividamento monstruoso pós-ISL tivessem batido à nossa porta com tamanha contundência. E Ronaldinho teria começado a sua jornada européia direto no Barcelona, ou no Real Madrid, ou no Manchester United, ou no Arsenal.
Assis jogou na França e na Suíça. Fala francês fluentemente e possui muitos contatos nesses países. O PSG é um clube de Paris, uma das metrópoles do mundo. Mesmo sendo um clube com poucas chances de dusputar grandes títulos, lá seria mais do que certo de que seu irmão se tornaria não uma estrela ainda menor dentro de uma constelação mas, sim, um deus. E, de fato, o foi.
Quando chegou ao Barcelona, chegou no momento ideal para ele e para o clube: Ronaldinho chegava em um momento de reconstrução logo após a séria crise financeira que acometera os blaugrana e no ocaso da primeira geração de “galáticos” do arqui-rival merengue. Clube maior, responsabilidade maior, mas ainda em plena juventude junto a um plantel que estava crescendo junto com ele.
Ronaldinho conquistou tudo o que podia ainda jovem demais. O único título importante que ele não possui é o de Campeão Mundial de Clubes. No mais, ele tem faixas de Copa América, Copa das Confederações e Copa do Mundo com a Seleção Brasileira; Campeonato Espanhol, UEFA Champions League com o Barça. Convenhamos: aos 22 anos, ele foi pentacampeão mundial com o Brasil; aos 26, campeão europeu.
Se ele jogou mal contra o Tradicional Adversário e não foi capaz de impedir que eles fossem campeões do mundo, isso não tem nada a ver com gremismo ou falta de. A torcida do Grêmio não pode ter raiva dele por causa disso. Quis o destino pregar-lhe uma peça depois do chapéu em Dunga. Querendo ou não, normalmente, o feitiço se vira contra o feiticeiro. C’esl la vie…
Daí em diante, ele virou pai. Não casou, não é apaixonado pela mãe de seu filho. Assumiu o menino, sente falta dele e o vê muito pouco. Isso pesa um monte na vida de qualquer um. Imagina ainda quando se perdeu o pai ainda criança e com o risco de ver seu rebento ser criado por outro. Há homens que levam isso numa boa. Mas será que, naquele momento, ele tinha maturidade suficiente pra segurar esse rojão?
O resto já sabemos: muito dinheiro, família superprotetora e uma enorme vontade de chutar o pau da barraca. Se é pra fazer outra comparação esdrúxula, diria que ele só não deve ter tido a personalidade de Adriano para sentir-se livre pra voltar a jogar bola na Vila Nova em Porto Alegre.
Eis que surge o interesse do Milan. Um país diferente, uma língua igualmente fácil de aprender. Porém, um clima mais frio no inverno e um futebol de marcação muito mais forte do que a “faceirice” espanhola. O Milan é a grande mãe brasileira da Europa (no bom sentido, é claro): lá, dificilmente um jogador brasileiro, por mais marrento ou ignorante que seja, passa desapercebido. Seja na titularidade, seja no banco, nossos patrícios costumam passar anos em Milanello.
Kaká é um bom coração. Ronaldinho, um boa praça. Até acredito que eles não possam jogar juntos porque o time fica capenga. Todavia, nunca houve uma insatisfação ou uma rivalidade clara entre os dois. Mas o ex-são-paulino estava de saída, enquanto o projeto era Ronaldinho renascer das cinzas como uma fênix. Não foi nada planejado, mas a ida do ex-ídolo rossonero para o Real Madrid veio bem a calhar. O fato de o jovem e inexperiente técnico brasileiro e ex-craque Leonardo ter assumido o controle do plantel milanista foi decisivo para que, aos poucos, Ronaldinho retomasse o interesse pela bola e voltasse a ambicionar novas conquistas.
Me desculpem os puristas que acham que, pelo Grêmio, todos os fins justificam quaisquer meios. Contudo, por mais paradoxal que seja, eu não quero que ele encerre a carreira no Grêmio. Porque, se vier para cá, é sinal de que ele estará gordo, desinteressado e decadente. Na última comparação despropositada deste post, afirmo que, independentemente do marketing e do meu gremismo, sou pelo bom futebol e pela preservação do ídolo. Então, digo que Adriano campeão brasileiro e goleador pelo Flamengo e Ronaldo campeão paulista e da Copa do Brasil pelo Corinthians são muito menos Adriano e Ronaldo do que foram um dia.
Pra voltar ao Brasil sem ser apenas para buscar uma recuperação física e/ou psicológica com o firme propósito de ficar por aqui em definitivo sem tratar o clube brasileiro como uma barriga de aluguel das mais ordinárias, um jogador dessa estirpe – podre de rico e multicampeão já em idade avançada – deveria aceitar jogar por não mais do que 200 mil. Talvez essa seja a única forma de evitar que se supervalorize um Maxi López da vida. Pois da forma como retornaram, apesar do marketing ter sido ousado, criativo e do retorno estar sendo muito acima do normal para o empobrecido futebol brasileiro, Adriano e Ronaldo estão agindo como quem rouba doce de uma criança ou a niqueleira de uma velhinha de bengala. É como aquele ditado: “em terra de cego, quem tem um olho é rei”.
Pois na Copa mais festeira de todos os tempos, aquele colorado grosso de Ijuí (que tem pesadelos com aquele chapéu da final do Gauchão de 1999 toda santa noite há mais de dez anos) vai ter que engolir o mais africano dos jogadores brasileiros.
E, ao final, os dois irão se abraçar longamente, com o técnico de cabelos espetados dando um beijo na testa daquele que está renascendo das cinzas.
Talvez ninguém ainda tenha percebido: mesmo que ele não tenha sido longevo, perene e nem tampouco incontestável dentro do Olímpico, Ronaldo de Assis Moreira é (e ainda o será durante décadas a vir) o maior orgulho desta cidade. É o conterrâneo portoalegrense e gaúcho mais famoso da história até aqui. Graças a ele, quando se diz o nome da nossa cidade, este pedaço de chão quase indo embora do Brasil é lembrado mundo afora.
Enfim… Estou tomado pela emoção: o novo Grêmio voltou a ter cara do meu, do teu, do nosso Grêmio. Minha seleção de Camarões voltou a jogar bem depois de muito tempo. São todos recomeços. O futuro é incerto, mas o momento é mais do que promissor: é repleto de confiança.
Com lágrimas de felicidade, me despeço por hoje pedindo para que entrem no site oficial de Ronaldinho, cliquem na bandeira do Brasil e acompanhem as imagens que se sucedem no lado esquerdo da página ao som da canção Nego Drama dos Racionais MC’s.
Os leões não são mais indomáveis. O time é excessivamente pragmático e jogou com muita morosidade ontem. Não é questão de desinteresse ou arrogância mas, sim, de atitude: afinal de contas, o futebol só funciona sem apatia.
Assisti a todo o jogo. A família Song definitivamente é inconfiável: o tio Rigobert, zagueiro e ex-capitão de 33 anos, embora não tenha comprometido ontem, já entregou a classificação para a 2ª fase na Copa de 2002 para a Alemanha e entregou o título da última edição para o Egito. Acho que chegou a hora de testar a gurizada.
O sobrinho Alex, por sua vez, já deu uma bola atravessada a curta distância (diria que bem pior do que a de Toninho Cerezo em 1982 contra a Itália no fatídico terceiro gol de Paolo Rossi) a um ou dois minutos do 1º tempo e o Gabão por pouco não abrira o marcador ali, mesmo. Aquela voluntariedade observada no Arsenal não se repete na sua seleção nacional.
Njitap (Geremi) não cobra mais faltas de longa distância com qualidade e tampouco avança frequentemente à linha de fundo.
Makoun, o outro centromédio, embora não comprometa na marcação, não chama o jogo para si e não distribui jogadas com a mesma competência com que o faz no Olympique Lionnais.
Eto’o, um dos melhores do mundo em sua posição, o grande líder e capitão da equipe, foi hiperbem marcado e apareceu muito pouco. Sua atuação foi pra lá de fraca.
Mbia fez algumas grandes jogadas. Porém, após um drible no qual deixou dois adversários para trás com uma jinga de calcanhar e avançou com uma velocidade espantosa para a conclusão na trave (um dos maiores pecados que eu vi recentemente), parece que se complicou.
Destaque para o uniforme mais lindo da CAN 2010: a Puma caprichou em Camarões. Até mesmo o lilás caiu muito bem no bom goleiro Kameni (um dos poucos que se salva entre os 16 titulares desta competição).
O Gabão conhece muito bem Camarões. Apesar da não-classificação à Copa de 2010 e das duas derrotas consevutivas para os mesmos Leões Indomáveis nas eliminatórias (Camarões 2×1 em Yaoundé e 2×0 em Libreville), a terra de uma das mais temíveis víboras do planeta e co-sede da próxima CAN em 2010 junto com a Guiné Equatorial, o ex-craque francês e grande parceiro do lendário Michel Platini, Alain Giresse, foi mantido como técnico dos gabonenses.
A continuidade e a seriedade de um time fisicamente parecido com o plantel desse tradicional adversário o faz disputar a fase final de grupos da principal competição africana depois de muito tempo. Em um grupo com Zâmbia (tradicional nas fases finais porém sem grandes conquistas) e Tunísia (pouco melhor do que a Argélia mas pior do que o Egito, com um estilo de jogo muito parecido), pode, sim, passar adiante sem que isso faça do Gabão uma zebra.
O resultado inesperado agora obriga Camarões a jogar a morrer. Pior: à exceção da África do Sul (fora da CAN) e de Gana (que ainda não estreou), todos os africanos classificados à Copa 2010 encerraram a primeira rodada SEM VITÓRIA.