CAMISETAS DO GRÊMIO 2010

Este post ficou muito comprido porque é resultado de uma série de comentários que fiz no aclamado blog SEMPRE IMORTAL e repassei ao sempre atento colecionador do CAMISAS DO GRÊMIO.

Estou fazendo alguns estudos, cujo conjunto de fotos pode ser visto AQUI. Postarei neste blog uma a uma das fotos do meu álbum no Flickr devidamente comentadas, detalhe por detalhe. Na próxima semana, deverei postar o esboço da programação visual da camiseta nº1 do Grêmio para o Conselho Deliberativo.
__________

“Estou em vias de terminar o esboço de uma programação visual para a camiseta do Grêmio. É um trabalho que não me foi pedido e que teria um custo bastante significativo, mas que estou oferecendo de graça para o clube.

Independentemente do fornecedor e de necessárias concessões aos designers de moda a fim de que haja um volume de vendas significativo ano após ano, há MUITOS detalhes que NÃO PODEM ser alterados. Isso independe do fabricante do tecido, da padronagem de moldes destinada à maioria dos clubes bancados pela mesma marca e, sobretudo, respeita a tradição do Grêmio e, ao mesmo tempo, estabelece uma média a partir dos padrões antigos utilizados em um maior número de temporadas.

Comprei a nova camiseta porque não comprava uma nova desde 2005. Da Puma, considero a 2ª menos pior. A menos pior (quase boa) é a de 2005.

Eu sou mais como o eterno presidente Hélio Dourado: prefiro o AZUL TESÃO, 100% ciano, sem nenhuma mistura com pigmentos magenta, amarelo ou preto (as cores primárias da impressão que, misturadas em diferentes concentrações, formam todo o espectro de tintas).

Listras de largura diferente?! NUNCA MAIS!!!

Agora… Da camiseta branca, gostei bastante. Só preferia que, pra ter mais graça, tivesse a manga direita azul.

Só quero saber quais serão as ofertas de design para a torcida escolher como 3º uniforme. Já tô com medo de preferirem preto. Preto, pra mim, é como pra ti, Josias: lindo pra passear. No jogo, fica horroroso tanto no estádio como pela TV. Aí, o problema não é da marca nem do modelo.

Alguém já reparou que somente times SEGUNDINOS possuem uniforme preto? Botafogo, Atlético-MG, Vasco, Ponte Preta…

Eu adoro a minha camiseta shadow. Mas não gostaria de um fardamento assim pra jogo.

Eu fotografei várias camisetas minhas e catei fotos por aí de várias que eu não tenho. Aí, pra não parecer engessado demais, estabeleci uma largura mínima e uma máxima para as listras; um tamanho fixo p/distintivo; espessura do traço do número e do fio do contorno (s/ contar número sempre branco e contorno sempre preto); meio da camiseta sempre dividido por uma listra branca (que dá sempre no bico de uma gola V ou pólo ou na parte mais baixa do arco de uma gola careca).

Medi uma camiseta tamanho M como base. Isso define também a quantidade de listras na frente e atrás.

Há alguns outros detalhes. Mas esses não são exatamente obrigatórios. Senão, ninguém mais vao comprar a camiseta por ser sempre igual. Por exemplo: sempre que o corte da manga NÃO ultrapassar o ombro, isto é, quando houver uma peça para a frente e uma para as costas, as listras da frente se encontram com as listras de trás na costura por sobre os ombros, como era antigamente.

sinceramente, não encontrei aonde aparece discriminado o tom de azul no Estatuto em alguma escala de cores de impressão (CMYK? Pantone? EuroMatch? Outras?!). Aliás, a própria seleção do Uruguai tem mudado bastante o tom de azul nos últimos 10-15 anos.

Eu ouvi do próprio Hélio Dourado que, em 1976, logo ao assumir a presidência, ele mesmo visitou as confecções de Santa Catarina (Sulfabril, Malwee, etc. – no Brasil, eram elas que fabricavam e só punham outras marcas, naquela época) e pediu um AZUL TESÃO. Nesses termos e de acordo com meus olhos e minha experiência de arte-finalista, diretor de arte e designer gráfico a partir de 1995 (embora tenha migrado para a web e tenha saído dela somente para a pesquisa e ensino acadêmico), digo que prevaleceu o 100% C, 0% M, 0% Y e 0% K.

Como conversei com a Michelle do MKT em novembro de 2009 sobre isso e ela me falou que “já estavam” (alguém: quem, como, aonde e se poderia conversar com eles, não perguntei) providenciando uma escala Pantone, me despreocupei. O Veronese da Grêmio Licenciamentos também mencionou para eu ter “calma” que iria rolar, via Twitter (nunca conversei com ele pessoalmente)…

…Porém, depois do lançamento da camiseta 2010 ontem, infelizmente passei a desconfiar da seriedade e da veracidade acerca dessa preocupação por parte deles e também do Cesar Pacheco. Acho que a política infame do “Idéias… Sabes quantas a gente recebe todos os dias?!” é o que predomina no Grêmio. E isso muito me entristece.

O Pacheco disse que estava cansado de ouvir reclamações e que não permitiria que a Puma viajasse novamente. Afirmou que o modelo 2010 seria mais “tradicional”. Aí, independentemente do tom de azul (mais claro assim era o antigo, pré-Dourado – aceitável, porém não chama a atenção e não torna o Grêmio ÚNICO), não apenas ele como outros conselheiros, membros do Conselho de Administração e até mesmo o presidente Duda devem ter aceito (…Aceite ou aceitado?!) esse modelo que, certamente, foi-lhe(s) apresentado meses atrás.

Um dos sócios da distribuidora Puma p/a Grande POA conheceu a ideia do fardamento do Grêmio e foi até a confecção que põe a marca Puma e usa os moldes da empresa dar uns pitacos pra evitar bobagens. Não sei exatamente o que ele sugeriu ou do que ele reclamou. Só sei que o distintivo tem um tamanho decente e que a sua irmã (minha amiga, que é sua sócia) disse que eles venderam muito menos em 2009, tamanha a reclamação com o modelo Pato Donald/Popeye.

Então, o Cesar Pacheco estava equivocado quando disse que as vendas das camisetas nº1 de 2009 estavam ótimas. Afinal de contas, quem distribui o carro-chefe da marca no RS e possui anos de experiência é quem melhor conhece o potencial de vendas do produto.

Tenho visto muita gente na Social (bem mais do que há dois ou três anos atrás) vestir as camisetas dos tempos da Olympikus, no início da década de 1980. Não, não são essas réplicas com tecido, tom de azul e fonte erradas que a Puma disponibilizou como “retrô” do Baltazar (1981( e do Renato (1983): são pessoas resgatando as originais, muito bem conservadas, por sinal – tecido, corte e tintas de altíssima qualidade, a um preço proporcionalmente mais baixo do que na atualidade.

Por último, também sei que o preço de custo de uma camiseta oficial de um grande clube no seu lançamento (seja ela do Grêmio, do Barcelona, do Liverpool ou do Boca; Adidas, Nike, Puma, Umbro ou Reebok) não chega a R$90,00.

Preço menor vende mais e reduz o comércio pirata. Ao invés de 169,90 (ou 149,90, na ‘promoção’da venda cega), tenho certeza de que poderia ser vendida a, no máximo, 119,90. Isso dá 25% de lucro. Uma margem enorme em quase qualquer mercado, não?

Além disso, não é todo ano que se lança um tecido de tecnologia superior. E, apesar de algum prejuízo com as sobras, é possível reciclar quase tudo. Portanto, a desculpa de manter um molde padrão pra baratear custos é MENTIROSA.

Vocês viram as camisetas do Flamengo no último ano de Nike? A atual camiseta nº2 (preta e branca listrada, a la Grêmio) do Corinthians? A nova camiseta nº1 (amarela) da Seleção?! SÃO TODAS TRADICIONALÍSSIMAS!!!

O tecido, o maquinário e a técnica de tingimento são atualíssimas. Porém, não há tecido diferente nas laterais do corpo e as costuras das mangas, dos ombros e das laterais do corpo seguem um padrão tradicional, que seria mais do que suficiente para que a camiseta do Grêmio se mantivesse como a maioria de nós esperava que fosse.

TECNICAMENTE, TUDO É POSSÍVEL!

Outra: ao longo do tempo, a tecnologia se paga e dá pra diminuir ainda mais o preço.

Finalmente, apesar do calendário europeu ser mais importante, NADA IMPEDE marca alguma de lançar um novo modelo no dia 01/01.

Aonde quero chegar?! O Grêmio é incompetente/desinteressado. Sempre foi. A Penalty manteve o corte, o distintivo grande e trouxe de volta o modelo celeste. A Kappa corrigiu o distintivo e usou o tom de azul correto.

Dizem que a Adidas paga pouco. Dizem que o contrato com a Nike ou com a Reebok (hoje de sua propriedade) é leonino. A Umbro é a marca mais cara. O contrato com a Puma é, em termos de volume de fornecimento de materiais e de liberdade de poder vender roupas licenciadas de outras marcas.

Mas eu pergunto: como se pode medir até que ponto o volume de vendas e a receita/lucro atualmente tidos como bem-sucedidos não seriam, na verdade, potencialmente bem mais baixos caso fosse possível vender dezenas de milhares de camisetas oficiais mais tradicionais e um pouco mais baratas a mais?!”

email
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...