O surgimento de uma Rádio Grêmio depende da autorização do Ministério das Comunicações e da aprovação do Congresso Nacional para obter a concessão de uma faixa do espectro das ondas de radiodifusão (que funcionam para a transmissão de programas tanto para receptores de rádio como de televisão, pois irradiam sons e imagens).
As ondas de radiodifusão estão no ar. E tanto as riquezas naturais do céu como as do subsolo pertencem à União. Após a comprovação do cumprimento de todos os requisitos técnicos e financeiros exigidos pela Lei das Telecomunicações, a partir daí o aspirante a concessionário passa a depender da agilidade (ou da falta de) da burocracia.
Ouvi falar (mas ainda não tenho a confirmação da certeza dessa informação) que o Grêmio já passou por essa etapa e hoje aguarda pela concessão.
Pessoalmente, eu quero entrevistas e narrações de jogos das categorias de base, programação que também privilegie a participação do associado e a recuperação do acervo histórico do clube. A linha editorial deve ter como tônica a emoção e é preciso defender os interesses do clube. Ela deve funcionar como um contraponto às críticas mal feitas ou às inverdades ditas contra nós.
Mas é preciso fazer uma ressalva: uma emissora do Grêmio, por mais necessária e bem-vinda que seja, também requer uma recepção criteriosa a partir do filtro subjetivo de cada um de nós. Naturalmente, essa rádio tricolor será chapa branca, pois toda a postura de assessoria de imprensa assim o é. Será criado um “campo de distorção da realidade”, no qual a crítica do clube será impossível de ser feita a partir do seu próprio veículo, que tenderá a fazer de conta que os piores momentos se parecerão com um “mar de rosas”. Ao se dar conta disso, ou a parcela mais truculenta da torcida poderá se revoltar contra o patrimônio e contra determinados funcionários e dirigentes com maior facilidade, ou se, por acaso o narrador, o comentarista e o repórter da rádio acusarem algum árbitro de agir contra o clube, haverá provas materiais de montão contra nós mesmos, pois a rádio seria a nossa palavra oficial.
Mas o problema maior será o de que a facção que estiver na Situação dificilmente abrirá o mesmo espaço para quem estiver na oposição poder falar. Da mesma forma, caso haja uma relação de empatia maior do pessoal da oposição com os jornalistas do clube, o que não irá faltar na programação será “fogo amigo”.
Portanto, ainda há tempo pra se pensar muito bem se vale mesmo a pena ter esse veículo a nossa disposição.
O homem é um ser comunicativo. Temos necessidade de ouvir, assistir, ler e de opinarmos acerca dos mais diversos assuntos. A mídia de massa é um formato discursivo que (quando utilizado com critérios transparentes, isonomia e plruralidade) possui o atributo técnico de traduzir discursos vicários dos mais variados campos sociais (jurídico, financeiro, empresarial, religioso, esportivo, acadêmico, político, militar, etc.). Ela nos mantém informados e ajuda a nos orientarmos no mundo em que vivemos.
Todavia, é impossível ser imparcial e é impossível não ser tendencioso: todo homem tem um lado, pois os valores que formam a personalidade de cada um determinam as crenças e as práticas de cada um. Seja por empatia, seja por didática, seja por volume, precisão e criatividade na hora de apresentar a informação, tendemos a acreditar sempre mais em uns e menos em outros. E, em casos extremos, nunca mais assistimos a alguns e acompanhamos apenas outros.
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