[B'10 14ª] GRÊMIO 2×0 GOIÁS II

Adorei o que o Renato [1] disse na coletiva: com outras palavras, São Portaluppi Encarnado em Forma de Treinador [2] afirmou que, apesar de muitos jogadores de nível de Seleção estarem empregados e de vários outros mais acessíveis já terem disputado sete jogos pela Série A do Brasileirão 2010, que ele bate no peito e assume a responsabilidade por todas as contratações de salários de 15 ou 20 mil, que ele garante que irão suas sangue azul.

Isso não é pra qualquer um. Mesmo que não dê certo, acho que a velha SINERGIA entre a arquibancada e o gramado vai voltar com tudo! :)

Houve garra. Houve disposição. O tempo de trabalho (apenas três dias) ainda é muito curto. Mesmo com muita margem e esperança para melhoras sensíveis e praticamente sem espaço para erros, o futebol do Grêmio de Renato deste primeiro verdadeiro jogo sob a gestão do Espírito Que Anda [3], já mostra diferenças topográficas assombrosas em relação ao trabalho de (ARGH!!!) Silas.

É isso mesmo: Enquanto Renato transmite um grau de compreensão e de respeitabilidade everestiano, Silas, que deixa muito menos saudade do que Paulo Autuori, Nestor Simionatto e Ernesto Guedes, era um profissional cujo trabalho encontrava-se na mais abissal marianês.

Por n razões, sabemos que – infelizmente – o momento não nos oferece a possibilidade de sairmos do Himalaia em um salto rumo ao tão sonhado hiperespaço. Não, a gestão Duda não foi feita para tanto. Porém, dos riscos de despressurização e de inundação da batisfera para uma escalada livre da perda dos dedos no verão tibetano, temos uma oportunidade e tanto.

Os jogadores falaram em várias entrevistas durante a semana e o Homem Santo também citou a palavra ATITUDE na coletiva que sucedeu esta primeira vitória desde o longínquo dia 03/06 (73 dias, 10 jogos – sendo oito oficiais, seis deles pelo Brasileirão, o único campeonato que pune com o rebaixamento e que premia com mais vagas à Libertadores).

Pois veio a atitude. E, com ela, voltou a energia e os cânticos da Geral entoados a plenos pulmões. O menino Neuton é um líbero de primeira linha: cobre seus companheiros de zaga com agilidade e é veloz e hábil com a bola nos pés – tanto é que quase marcou um gol antológico em um lance no qual invadiu a área a dribles. A boa cobertura e a manutenção de Ferdinando (muito contestado, tecnicamente limitado no passe, porém muito obediente taticamente) na cabeça de área ajudam a proteger melhor a dupla de zagueiros formada por Rafael Marques e Ozéia. O primeiro, normalmente afoito; e o segundo, normalmente lento, foram muito bem protegidos e fizeram uma partida segura, sem chances de gol claras para o Goiás durante todos os 90′.

Douglas ainda não foi um primor: iniciou vaiado e claudicante, sem entrar firme nas divididas e com pelo menos meia dúzia de passes errados que irritaram a Social. No entanto, ele cresceu muito e regeu os constantes ataques tricolores alternando cadência, velocidade e visão de jogo à bola. Saiu aplaudido pela torcida, agradou e teve participação em ambos os gols.

A nota especial vai para a recuperação da confiança e da qualidade técnica do ainda bastante jovem e sempre humilde Willian Magrão: a camiseta #9 fez tão bem ao menino que ele desencantou, marcando dois gols. O primeiro, em um rebote de voleio após cobrança de falta de Douglas na trave, que pegou toda a defesa esmeraldina vendida.

O segundo foi uma aula para Jonas, que havia perdido um gol fácil no 1º tempo, quando cabeceou fraco e de cabelo nas mãos do eterno goleiro Harlei (aquele que fecha o gol contra o Grêmio, entrega para os fragários e poderia estar jogando em qualquer torneio de Futebol 7 no HD): Magrão aparou uma cobrança de falta para a área com um testaço cheio de estilo, força e direção. Pra quem não se lembra, ele já fizera pelo menos um gol semelhante nos tempos de Bro Menezes, hoje selecionador.

Ainda há muito por fazer: Borges em forma é bem capaz de forçar Renato a alterar o esquema 3-6-1 para 3-5-2; afinal de contas, a exemplo da partida que não assisti por questões profissionais e que não quero nem lembrar contra o mesmo Goiás na última quinta-feira, Jonas, isolado no 3-6-1, é mais movediço e participativo, porém conclui e assiste menos.

Ainda acho que o alemão Adílson tem lugar nesse time. Talvez não no lugar de Ferdinando mas, sim, como alternativa a Souza em jogos contra times tradicionais principalmente fora de casa. E o experiente e boa gente vindo das Alagoas, apesar de falastrão e do seu excesso de franqueza, agora como capitão, terá também a responsabilidade de saber usar a sua matraca com mais sapiência.

E, por falar em franqueza, gostei demais do fato de aquele que é mais real do que Pelé, mais deidade do que Maradona e divinamente muito mais magistral do que Ademir da Guia ter dito que goleiro não pode ser capitão: Victor, THE ONLY ONE, THE WALL, O HOMEM-MORCEGO, é aquele que precisa ser preservado. Por mais privilegiado tecnicamente que seja e por mais competente que seja ao exercer a sua liderança discreta, só deve ser acionado quando o Bat-sinal for efetivamente necessário…

Semana que vem, tem mais – lá na terra da Thahy.

E DÁ-LHE GRÊMIO!!!
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NOTAS

[1] Algum herege cometeu o sacrilégio de ter sido pouco minucioso na atualização do verbete da Wikipedia: esqueceu-se da passagem do ídolo pelo Olímpico no 2º semestre de 1991 e não forneceu as estatísticas corretas acerca da sua passagem pelo Cruzeiro (de muito mais do que apenas 37 jogos, que foi anos-luz mais vitoriosa do que a sua passagem pelo Atlético-MG – desconfio seriamente que a quantidade de jogos e de gols por um clube mineiro e por outro tenha sido invertida), nem pelas suas últimas passagens por Flamengo e Bangu (inclusive fiz meu cunhado flamenguista e anti-vascaíno me levar pra assistir São Portaluppi atuar ao vivo como profissional pela minha última vez em São Januário contra o Vasco). Já como líder da casamata e do vestiário, também teve o seu recente trabalho pelo Bahia sumariamente ignorado. Caso encontre essas informações com fidelidade, prometo atualizar o verbete sobre ele na Wikipedia acima vinculado corretamente. Aliás, vale também citar que ele faz parte do livro “Os 100 Melhores Jogadores Brasileiros de Todos os Tempos” de Paulo Vinicius Coelho (ou PVocê – #lol) e André Kfouri.

[2] Este blogueiro (e a quem mais interessar possa) a partir deste post acrescenta ao Manual de Redação e Estilo Heliopaz® uma nova referência a Renato Portaluppi: ele eventualmente será referido também como SPEFT para economizar tempo e espaço ao invés de “São Portaluppi Encarnado em Forma de Treinador”. Tive essa ideia ao lembrar que, durante o infame período em que o medíocre cantor Prince não queria ser mais chamado de Prince, fazia questão de ser citado como TAFKAP ou, megalomaniacamente, apenas como “The Artist”.

[3] A analogia entre o eterno craque, ex-mulherengo e sempre irreverente e falível homem com o apelido do Fantasma, lendário super-herói dos quadrinhos é mui justa: afinal de contas, ele sempre paira como salvador e como implacável no imaginário tricolor e como eterno predador e corneteiro dos fragários [4].

[4] Mais um termo há muito não citado neste blog: o adjetivo ou gentílico fragário foi uma das primeiras expressões do Manual de Estilo e Redação Heliopaz ®. Ele é sinônimo de vermelho colorado, vermelho chimpanzé dos pampas, vermelho saci, vermelho macaco imitador ou, simplesmente, morango. A partir da taxonomia das espécies botânicas, deriva do gênero Fragaria, que identifica cerca de 20 espécies de morangos. Assim como a manga, a banana, a laranja, o abacaxi, o coco, o kiwi e o limão, está entre as frutas prediletas deste que vos fala.