[B'10 17ª] ATLÉTICO-PR 1×1 GRÊMIO

Há muito tempo, afirmo que Renato Portaluppi é um treinador meramente motivador; que não é um técnico tático; que não sabe falar outra língua; que não acompanha os campeonatos estrangeiros de ponta e que, por tratar-se de um mito, não poderia jamais ter a sua imortalidade maculada.
Renato já esteve diretamente envolvido em um dos rebaixamentos do Fluminense e também no do Vasco. Embora ache que o vice na Libertadores de 2008 e o título da Copa do Brasil de 2007 não tenham ocorrido por acidente, ainda assim ele não conseguiu superar um patamar mais baixo da carreira que decidiu abraçar fora dos gramados.
Ele está inventando quase tanto quanto Silas (aliás, pobre do meu cunhado e dos meus sobrinhos, que irão sofrer com ele no rubro-negro). Esse menino Gílson, que estreou completamente fora da sua posição, é um jovem imaturo que veio da Série B para um dos maiores clubes do hemisfério ocidental em um piscar de olhos, sendo posto na fogueira. Faltou sensibilidade ao nosso ídolo-mor. Uma falta de sensibilidade de deixar o lado ruim de Celso Roth corado de vergonha.
Assisti ao jogo twittando junto a vários associados, acompanhado da minha Lu, que passou o dia lendo a Odisséia de Homero (mesmo pra quem não é aluno de História Antiga do venerável prof. dr. Francisco Marshall no IFCH da UFRGS, recomendo!). Depois, fui até o blog Sempre Imortal para colher os comentários de vários amigos gremistas e, finalmente, assisti ao Bate-Bola da TV Com.
Claro que já tinha a minha opinião formada. Porém, um detalhe ou outro sempre escapa – e é aí que considero fundamental utilizar as mídias sociais na internet para colaborar com este fluxo contínuo de conhecimento gremista.
Da estreia de Gílson, já falei: o rapaz não pode ser avaliado por um erro crasso do treinador, que deu uma de prof. Pardal e só corrigiu o time ao pôr o sempre questionado “alemão” Adílson, que combate bem mas passa mal. Justiça seja feita, ele já foi muito pior em ambos os quesitos e ainda é jovem.
Como a minha Lu bem disse, é melhor um Roca que se joga sobre a bola mesmo de maneira atabalhoada do que um Douglas que entrega um contra-ataque aos 40′ do 2º tempo após um desnecessário passe errado de calcanhar. Isso é hora pra inventar?!
Mérito para Roca e para o Alemão Adílson que, apesar de seus erros, não desistem jamais. Quanto ao meia tido como habilidoso, bem… Render-se e desistir parecem ser as suas atitudes prediletas quando recebe um salário nababesco e vive a apenas a 1h de avião da sua São Paulo.
Outro erro de Renato: Souza e Douglas comprovam a cada rodada que não podem mais ser escalados juntos. Eles tornam o meio-campo um latifúndio improdutivo e sobrecarregam os volantes. Aí, não há zaga que resolva…
Ao mesmo tempo Souza + Douglas = garantia alguma de um ataque bem municiado, pois Jonas (que, movediço, parece uma barata tonta – aliás, sob a batuta de Renato, ele tem jogado cada vez pior) e Borges (na maioria das vezes isolado, apesar do bom chute de hoje na trave).
Tento entender o que leva qualquer técnico meia-boca (poderia ser Silas, poderia ser o próprio Renato, o auxiliar técnico de plantão ou qualquer outro entre Vágner Mancini e Hélio dos Anjos passando por Paulo Bonamigo e Péricles Chamusca) a manter Edílson e Fábio Santos na titularidade das laterais. A dificuldade de ambos os jogadores no trato íntimo da bola é pública e notória: nenhum deles está autorizado a chamá-la de algo mais familiar do que MILADY. Esses dois laterais têm uma grande dificuldade de entender a mecânica que envolve o posicionamento deles, o ritmo que devem trazer à cadência da bola e à relação disso com a movimentação de seus companheiros mais próximos.
Talvez Renato ainda tenha uma boa vontade com Leandro que eu não consigo mais ter. Eu só sei que ele não é lateral, zagueiro, goleiro e nem tampouco centroavante. Mas não sei especificar se ele é um volante movediço, um meia de ligação ou um atacante aberto. E se ele for tudo isso, na verdade, é de tudo um nada.
Bem lembrado por Maurício Saraiva que o Grêmio possui Saimon, o zagueiro e capitão da Seleção Sub-20; Pessali, um habilidoso meia também da Seleção Sub-20; e Maylson, tão contestado, que era o quarto jogador em importância no último Mundial Sub-20 que o Brasil sagrou-se vice-campeão nos pênaltis contra Gana. Melhores do que Maylson (titular e sempre útil) eram Walter, do Porto (ex-T.A.), Paulo Henrique Ganso do Santos e Giuliano do T.A. Portanto, esse menino não pode ser “queimado” nem tratado como “pouca bosta”.
Pois um único meia de ligação mais habilidoso e movediço e um outro meia que seja capaz de marcar e também de se aproximar dos atacantes formados nas categorias de base certamente são mais capazes de DAR O SEU SANGUE PELO GRÊMIO ao invés da má vontade dos multimilionários Souza e Douglas, dois preguiçosos em final de carreira que recebem por mês algo entre 3000 e 4000 vezes o valor que um sócio proprietário paga de mensalidade – R$60,00. Portanto, seria necessário quase lotarmos a Social a cada jogo pelo menos duas vezes por mês somente para pagarmos os salários desses dois, mais de Jonas e Rochemback, quando a solução está debaixo dos narizes da direção e do treinador!!!
A propósito: Oséia (lento e pesado) e Rafael Marques (excelente pessoa, profissional obediente, porém um jogador limitadíssimo) não podem ser titulares quando temos Neuton e Mário Fernandes. Apesar de ambos os meninos estarem momentaneamente fora de combate, isso só mostra o tamanho da dificuldade do Tricolor dos Pampas em montar um plantel o mais homogêneo possível em função das opções de compra, de dispensa e de salários definida por Luiz Onofre Meira e avalizadas pelo presidente Duda Kroeff, apesar dos inúmeros apelos do vice de Finanças, Irany Sant’Anna Júnior, e de tantos conselheiros que procuraram persuadir o presidente de trocar o comando do futebol muito tempo antes da consumação da sua troca.
Se isso não mudar, seremos rebaixados novamente. Pela terceira vez, estamos repetindo uma espiral viciosa que começa com derrotas para os ponteiros da tabela dentro de nossos domínios; derrotas para quem está no limbo fora de casa e empates contra os últimos. Nessa balada, jogamos melhor vários jogos mas não ganhamos, além de termos que nos conformarmos em ver os mesmos tipos de chutes fáceis errados por nossos jogadores serem convertidos em gol pelos pés da concorência.
Pobre do Grêmio e pobres de nós: envoltos em uma guerra eleitoral autofágica rumo a um futuro cada vez mais inseguro, o objetivo-fim deste clube de quase 107 anos de glórias está jogado às traças. Ou, melhor: enquanto o capitão e o imediato estão na taverna mais próxima enchendo a cara de rum, os ratos estão tomando conta da nau.
Triste. Muito triste…