GRÊMIO 2014: MELHOR DO QUE EM 2013, COM A FORÇA DA BASE

Ramiro, volante que sabe lançar, chutar de longa distância, cobrir o lateral e marcar: transição e posicionamento de área a área

 

Por ser adepto das estatísticas (desde que se saiba o que fazer com os parâmetros e índices obtidos no momento de interpretar todos esses dados), embora lamente o fato de – mais uma vez – “apenas” brigarmos por uma vaga à Libertadores 2014, já joguei a toalha para o título do Brasileirão 2013 enquanto ainda nutro alguma esperança na Copa do Brasil 2013.

Dizem que gremista não pode perder a esperança, que não pode se entregar… Tudo bem: sou muito cético quando o contexto não me indica o desfecho dos sonhos. Afinal de contas, certas “viradas” são mais difíceis do que ganhar sozinho três vezes seguidas na MegaSena ou que eu consiga comprar a ilha do Richard Branson com meu salário de professor na semana que vem.

Como prefiro projetar sem grandes elocubrações (meu sonho de termos um ataque com Cavani e Balotelli é apenas isso – um sonho), costumo quebrar a cabeça primeiro utilizando aquilo que a casa oferece. Primeiro, porque o Grêmio não tem a caixa-forte do Tio Patinhas. Segundo, porque não temos as maiores sumidades da história do futebol mundial em todas as eras e em todos os mundos por aqui.

A utopia possível (isto é, a de voltarmos a sermos campeões da América do Sul e do Mundo novamente) depende de profissionalismo, pragmatismo e de uma boa dose de sorte – que, normalmente, só ajuda aos bons. Como trabalhamos por isso, a esperança não é nada absurda. Mas isso só deverá começar a ser vislumbrado a partir de 2014.

Talvez eu mesmo crie uma resistência forçada pra não me decepcionar psicologicamente: então, acabo encarnando o Hardy Har-Har (a hiena depressiva e pessimista de Hannah-Barbera) para que, no fundo, seja surpreendido e acabe criando confiança a partir desses eventos – supostamente – inesperados a nosso favor.

De qualquer forma, 2013 está chegando ao seu final longe de proporcionar à imensa nação tricolor de 6,8 milhões de fãs o tão desejado retorno da grandeza dentro de campo…

MAS SERÁ QUE FICAMOS TÃO LONGE ASSIM?! Aposto que não, pois acredito piamente que

OS NÃO-TÍTULOS DE 2013 NÃO SE CONSTITUEM EM UMA DECEPÇÃO PELA PRIMEIRA VEZ EM VÁRIAS TEMPORADAS.

A troca de treinador; as alterações radicais no plantel; a mudança de estilo de jogo; as dificuldades financeiras que – ao contrário do que costumava ocorrer – não resultaram em um posicionamento melancólico em nenhum campeonato disputado no ano…

…E o surgimento de VÁRIOS bons jogadores em DIVERSAS posições, em TODOS OS SETORES do gramado, onde a TÉCNICA supera a força depois de muitos anos de meros quebradores de bola, maus passadores, jogadores lentos e de personalidade fraca, nos oferece homens de qualidade, cuja personalidade está sendo muito bem formada, graças a um decisivo sentimento de pertença, que gera a necessária identidade entre plantel, diretoria, comissão técnica e aqueles que interessam: os torcedores.

Retomo aqui a ideia central do post anterior, sobre a complementaridade entre a FANTASIA e a CONCRETUDE (ou, se preferirem, entre a EMOÇÃO e a REGRA, conceitos demasianos): Moneyball indica que não precisamos ter dois craques caríssimos rodeados por uma porção de nulidades mas, sim, que é mais provável que um time seja campeão se todos os boleiros disponíveis tiverem uma REGULARIDADE ACIMA DA MÉDIA EM CONJUNTOS COMPLEMENTARES DE VALÊNCIAS (técnicas, táticas, físicas e emocionais).

Pela primeira vez em muitos anos, vemos com CLAREZA a possibilidade de TRIUNFARMOS sem termos mais a mentalidade bonachona e não-especializada de Cacalo; a truculência de Dinho; a superlativa convicção de Felipão na negação do craque; a bagaceirice de Pelaipe; a enganadora soberba de Odone ou o TCHEQUISMO como referência de identidade, de técnica e de profissionalismo.

Temos o pequenino, fiel e ótimo Ramiro (ilustrado na foto de abertura deste post) e o promissor Matheus Biteco, que contam com Souza como um bom professor ao seu lado e um pós-doutor como Zé Roberto dentro (nem sempre) e fora de campo; o melhor lateral esquerdo do Brasileirão até aqui, Alex Telles (já com luz própria); Saimon, Gabriel e Bressanesi (todos ainda dependem de uma grande lapidação; felizmente, AGORA, estão cercados por Rhodolfo, um SENHOR zagueiro, que é experiente sem ser velho e sabe o que fazer com a bola no pé); Guilherme Biteco, como uma quase realidade justamente para o lugar que Zé Roberto ocupa por abnegação e técnica mas não devido ao seu preparo físico e a um posicionamento longe do seu ideal; Yuri Mamute e Paulinho, que ocupam o ataque que não terá Barcos e Kleber por muito tempo (pelo menos assim acredito).

O agora conselheiro Paulo Deitos lembra que, salvo o campeão da Copa do Brasil de 2001, todas as nossas demais grandes conquistas tiveram pelo menos 40% de titulares e algo entre 50% e 70% de jogadores cultivados em nossos canteiros.

Pois esta lógica está sendo redesenhada.

Parabéns à direção. Sigo esperançoso, porém, paciente, pois sei que projetos de longo prazo não podem ser rompidos ao sabor do amadorismo ou do fisiologismo de gestões sucessoras.

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