Sobre Hélio Sassen Paz

Professor e pesquisador em Ciências da Comunicação EDUCAÇÃO/CIDADANIA = arte + esportes + mídias sociais + ciberativismo = DEMOCRACIA EMERGENTE

DIDIER DROGBA: A DÍVIDA DO FUTEBOL COM O CRAQUE ESTÁ PAGA

Didier Drogba comemora a sua tão sonhada UEFA Champions League
Didier Drogba entre o início da comemoração e o choro mais alegre da sua carreira, logo após acertar o pênalti decisivo da final da UEFA Champions League 2011/2012 na Allianz Arena em München neste 19/05/2012.

Didier Drogba teve uma complicada infância de idas e vindas entre a sua terra natal e a França, para poder escapar da miséria na Costa do Marfim em meio a uma série de complicações familiares.

Logo no início da fase adulta, o craque tornou-se um pai precoce e o início de sua carreira foi marcado por uma quantidade absurda de lesões. Além de ele quase não ter tido uma formação técnica adequada durante o seu curto período nas categorias de base, mesmo após vários anos de muito êxito a partir da temporada 2003/2004 no Olympique de Marseille, sofreu algumas derrotas marcantes tanto pelo Chelsea quanto pelos Elefantes.

Em função de tantas oscilações e das vastas alegrias que ele segue a oferecer para o esporte, o mundo da bola tinha uma dívida com um obstinado homem que nunca desistiu de assumir as maiores responsabilidades para deleite de seus dirigentes, técnicos, colegas e fãs.

Abaixo, a prova de que existe, sim, justiça e sucesso para alguém que, além de ser um profissional e um pai exemplar, é também um pacifista engajado com a melhora da qualidade de vida da sua terra natal. Quem não cospe no prato em que comeu e procura resolver todos os problemas que pairam durante a sua jornada de maneira assertiva normalmente é recompensado. :)

Em 26 de abril de 2008, Drogba envolveu-se em uma grande polêmica após um choque com o defensor do Manchester United Nemanja Vidić. O zagueiro-central sérvio sofreu pontos em seu lábio depois de perder um dente no confronto. Houve muita discussão sobre se Drogba teve a intenção ou não de ferir o seu rival. O debate também recuperou um antigo incidente em 26 de Novembro de 2006, onde Drogba deu uma cotovelada em Vidić. O técnico Sir Alex Ferguson, do Manchester United, manifestou a sua preocupação com as cotoveladas na Premiership. [28]

Apesar das especulações da mídia, o cartão amarelo de Drogba para o confronto foi considerado como uma punição adequada pela FA. [29]

A controvérsia ainda perseguiu o jogador antes do jogo de volta da semifinal da UEFA Champions League com o Liverpool, quando Drogba foi acusado de ser “cai-cai” pelo treinador adversário Rafael Benítez. Benítez afirmou ter compilado um dossiê de quatro anos de ”mergulhos” de Drogba, mas o centroavante marfinense respondeu à altura para Benítez em entrevista. [30]

Em 30 de abril de 2008, Drogba marcou dois gols nessa partida pela semi da Champions contra o Liverpool,  que o Chelsea venceu por 3-2 em Stamford Bridge. Esta foi a primeira vez que o Chelsea havia vencido o Liverpool nas semifinais da Liga dos Campeões, tendo perdido seus dois últimos encontros para o rival. Isso também levou o Chelsea a atingir a sua primeira final.

Drogba se tornou o artilheiro geral do Chelsea em competições europeias: com os dois gols que ele marcou contra os Reds, alcançou os 17, batendo o recorde de 16 do lendário Peter Osgood. No entanto, Drogba foi expulso no minuto 117 da final da Champions League por um tapa no mesmo zagueiro Vidic, tornando-se apenas o segundo jogador a ser expulso numa final da Taça Europeia - depois de Jens Lehmann em 2006 - e o primeiro por conduta violenta.

O Chelsea perdeu a finalíssima para o Manchester United por 6-5 nos pênaltis, após um empate 1-1 no tempo extra. O assistente-chefe dos Blues, Henk ten Cate, revelou que Drogba seria o cobrador da quinta penalidade na série. Então, o capitão do time, John Terry, tomou seu lugar, mas errou a cobranca após escorregar. (fonte: uma porção de links em um verbete excepcionalmente bem referenciado da Wikipedia)

ARENA: TODOS OS 131 CAMAROTES DE R$220.000,00 ESTÃO RESERVADOS

Informações bastante positivas sobre a rentabilidade dos camarotes e das cadeiras Gold da Arena do Grêmio. Obrigado ao Bruno por compartilhá-las com os gremistas no Twitter. :)

O depoimento da visita do grande Bruno Saraiva à Arena hoje traz uma revelação importantíssima para levarmos em conta mais adiante: nem o Grêmio e tampouco a OAS tem do que se queixar em relação à ocupação dos lugares extra VIP negociados com empresas, não com os associados do clube. Dessa forma, podemos concluir que há, sim, uma margem muito significativa para trabalhar uma redução dos valores das cadeiras mais caras do estádio, sem que para isso seja necessário jogar tanto com a quantidade de cadeiras por setor em função dos 21M que adiantamos de receita à superficiária. ;)

TRANSIÇÃO À ARENA: DEPOIMENTO DE SÓCIO ESPECIALISTA EM MARKETING

O amigo tricolor @felipecb_ comentou sobre o post anterior:

“Está de acordo com tudo que eu penso. Essa projeção da OAS + Grêmio é fantasiosa! Tenho certeza que se basearam em dados “sócio-econômicos” sem fazer a distinção se as pessoas REALMENTE QUEREM IR NO JOGOS.

Também não vejo levarem em conta que nem todos que vão hoje continuarão indo. Duvido muito que a leva de torcedores novos que pagarão o preço alto irá superar as dos que não irão pagar.

As mensalidades praticadas são superiores a realidade européia! O Season Ticket mais caro do Manchester é 980 libras. E lá sabemos que o poder de compra deles é muito maior que o nosso.

O único lugar que vale a pena é o de 92 reais no nível do campo (sem cadeiras). Até porque com aquela área custando 92 e a do outro lado custando 183, só deixa uma mensagem: o custo de ficar sentado é de 91 reais.

O Grêmio “comprou” aquele espaço pra poder fazer um valor mais acessível aos seus sócios. Logo, fica evidente que a única parte do GRÊMIO do estádio é o quarto anel e a área da geral. O resto é da gestora… a receita da gestora PODE retornar ao Grêmio em um cenário de lucros… cenário esse que até onde eu vi a apresentação só começa a partir de 49% de ocupação do estádio.

Convenhamos, é sonhar muito alto esperar 30 mil pessoas. Talvez isso aconteça caso o Grêmio esteja na Libertadores e com um BAITA time. Sendo campeão em 2012 e engrenando de vez até o fim do ano.

Sem contar que os sócios diamante só terão seus descontos de 50% no quarto anel e na área da geral. No resto só 10% (e os Ouro é 10% em tudo). Imagina a LUTA pelos ingressos do quarto anel…

TRANSIÇÃO À ARENA: DEPOIMENTO DE ALGUNS REMIDOS

Como faço na maioria das noites de terça-feira, convivo com algo entre 10 e 30 gremistas bastante antigos. A maioria deles sequer ousou criticar os proedimentos da atual gestão do Grêmio FBPA e da Grêmio Empreendimentos Ltda. Também não posso jamais afirmar que a posição deles seria uma posição majoritária entre associados patrimoniais antigos, remidos, de título de Fundo Social, beneméritos, grandes beneméritos e por aí afora.

Detalhe importantíssimo: todos sempre foram entusiastas da Arena, conhecem muito bem o projeto e não irão largar o Grêmio. Vários deles já foram chamados para escolherem os seus devidos assentos na Arena do Grêmio. E as falas foram – via de regra – as seguintes:

Para alguns acima dos 70 anos, obesos ou não, altos ou baixos, mas já com alguma dificuldade de locomoção: “Só vai ter braço nas cadeiras Gold?! Mas eu não pago 360 nem 330…”

De alguns emprésários bem-sucedidos, com décadas de contribuição, sem nenhum interesse patrimonialista, assíduos no Olímpico e que querem permanecer sempre frequentando a Arena: “269 ou 220 pra assistir a dois jogos por mês?! Pô, é só futebol, não tem frescura: não tem problema ir pra um lugar parecido com o que a gente fica nas cadeiras do Olímpico por 120.”

De um outro grande empresário: “Pô… Eu pago quatro cadeiras. Vou migrar pras de R$120,00!”

Se houver um pensamento predominante entre os – ainda que relativamente poucos – sócios mais antigos que possuem alto poder aquisitivo no sentido que relatei acima, o Grêmio e a OAS tenderão a ter muito mais trabalho para vender as cadeiras Gold e as centrais do 1o anel que se possa imaginar.

Um outro problema surgirá para parte dos patrimoniais/proprietários e para os raros Sócios Torcedores que poderão pagar R$92 ou R$120: um percentual indefinido desses (que pode atingir algo entre 10% e 20% com pouca possibilidade de reposição ou substituição na mesma quantidade), infelizmente, terá que se contentar em EVENTUALMENTE fazer uma economia para poder frequentar somente jogos decisivos. Alguns patrimoniais/proprietários tendem a migrar para a modalidade Sócio Torcedor e outros fatalmente irão abandonar o clube.

MIGRAÇÃO À ARENA: FALTOU AO GRÊMIO ENTENDER O PÚBLICO DO GRÊMIO

Não sou nada favorável ao “terrorismo” e tampouco pretendo “melar” o negócio. Entendo, depois de muitas conversas com muitas pessoas, que a Arena TENDE (isto é, ainda não há como afirmar porque tudo gira ao redor de projeções) a dar bastante certo.

Por outro lado, é fundamental ser extremamente exigente e bastante atento para que haja o máximo de honestidade e para que o resultado seja o melhor possível. Dessa forma, avalio que a análise do INDG foi realizada muito em função da ideologia reinante nos executivos do Grêmio FBPA, da OAS, da Grêmio Empreendimentos Ltda. e da Arena Porto-Alegrense: no seu modelo de negócio, definiram-se por uma forte tendência a minimizar a importância da subjetividade. Portanto, nem o sentimento, nem a percepção e tampouco a estratificação econômica e social são fatores importantes para as suas análises de fundo.

De onde eu venho (das Ciências Humanas), as variáveis econômicas são tão humanas quanto matemáticas. Pois é a partir de uma visão HOLÍSTICA E MULTIDISCIPLINAR que deveríamos ter definido uma política de preços que proporcione o melhor retorno possível AO CLUBE sem perda de dinheiro, de simpatizantes e sem manchar a imagem da marca Grêmio – feitas as ressalvas para as necessidades contratuais da nossa sócia OAS.

O vídeo que o Marcos publicou (a coletiva de Eduardo Antonini no final da manhã da última sexta) apresenta um trabalho muito caro, realizado por pessoas muito competentes e a muitas mãos. Todavia, embora quem esteja no poder tenha as suas convicções e o direito de executar suas políticas como melhor lhe convir, entendo que a principal parte interessada não foi sequer consultada. E é tanto do respeito ao associado contratual e ao Estatuto do clube quanto da ética que – antidemocraticamente – o clube falhou.

Se houve algumas dezenas de cenários e simulações, estas deveriam ter sido apresentadas ao associado (e também ao simpatizante que ainda não se associou ao clube) para que ele entendesse melhor o que está por vir e demonstrasse o que ele esperava e até que ponto ele poderia (por ter ou não posses suficientes) ou quereria (isto é, mesmo tendo dinheiro, pode optar por não enxergar valor nem interesse no produto que lhe está sendo proposto) consumi-lo.

Em uma sociedade heterogênea composta muito mais por nichos multifacetados do que por uma massa de pensamento e de atitudes supostamente previsíveis e uniformes, não é nada óbvio supor que a paixão seria demonstrada por uma relação direta de consumo impulsivo – nem que, independentemente de qualquer coisa, pelo Grêmio valesse a pena fazer qualquer “sacrifício”. Afinal de contas, dentro da mesma região geográfica, pessoas com a mesma formação profissional, ética e moral podem pensar e agir de maneiras completamente diferentes em função de muitas outras variáveis capazes de definir os seus valores (igreja, clube, religião, etc.). A prioridade e a intensidade com que cada indivíduo convive com o e sente o Grêmio varia enormemente dentro da mesma residência. E isso ainda deve ser minuciosamente avaliado.

Na metodologia apresentada por Antonini, não houve qualquer menção ao uso de cartões de simulação com as principais possibilidades de preços; não se ressaltou a clareza acerca do percentual de valor que irá para a gestora ou para o clube; já deveríamos ter disponibilizada a oferta de um simulador virtual da visibilidade/distância/ângulo/serviços relacionados a cada setor da Arena, bem como a importante simulação do tempo necessário para percorrer a distância da esplanada para chegar a cada setor com o estádio cheio, tendo rampas, elevadores e escadas disputados por dezenas de milhares de corpos que – como diz a Física – não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo.

Também faltou pensar no uso do Google Docs (ferramenta gratuita), de anúncios nos sites oficiais do Grêmio e da Arena (com as devidas replicações para dezenas de blogs e centenas de perfis no Twitter e milhares no Facebook e no Orkut) e em mensagens SMS ou “torpedos” via telefone móvel ou “celular” para questionar e incentivar a resposta do máximo possível de componentes do universo de mais de 350.000 cadastrados no ex-Exército Gremista (o maior banco de dados de torcedores do país) acerca de todas essas questões.

Os mais autoritários, simplistas e conservadores podem dizer que custaria muito caro, ou que, caso se consulte as pessoas, elas irão optar sempre pelo mais barato porque são oportunistas e ignorantes. Há, ainda, aqueles que defendem que nada nunca precisou nem precisaria passar pela Assembleia Geral tanto em função dos argumentos da frase anterior como também pela arrogante e nada científica desculpa de que “se alguém não patrolar, nada será feito”.

Mas eu penso em um sentido muito mais amplo do que seria a necessária e tão vilipendiada democracia tricolor: penso em evitar perder dinheiro e – acima de tudo – em evitar perder tempo e ter que recuar caso a procura não seja tão acentuada para os lugares mais caros em função de uma lógica que os dados do IBGE e da FEE indicam que não sou eu e nem tampouco algum “colorado” que inventamos, já bastante exposta.