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Este post é o resultado da adaptação de um comentário inicialmente publicado no excelente blog Somos Andando, da Cris Rodrigues. ;)
Eu parto de uma perspectiva diferente daquela que resulta no modelo de utopia sobre a necessária e fundamental democratização dos meios de comunicação no Brasil normalmente discutida pela esquerda tradicional partidária e sindicalista. Afinal de contas, ano após ano, a lentidão e as pequenas quantidade e qualidade das conquistas discutidas com e contra qualquer governo recente demonstram que ela não consegue dar conta do entendimento do tipo de sociedade em que vivemos de uma maneira suficientemente ágil para atingir à classe média urbana.
Por que digo isso? Porque a discursividade que predomina nas discussões refere-se a conceitos e a demandas que não atingem a esmagadora maioria da população.
Se discute muito mais sobre como tentar reagir de formas que o sistema econômico, político, coercitivo e legal não permite porque quase todos aceitam o padrão institucional atual assim como ele é ao invés de pensarem e procurarem por em prática alternativas a esse modelo de representatividade chamado democracia representativa.
Uma alternativa é investir na prática, na teoria e na proposta de lei em algo próximo da democracia emergente proposta pelo professor e pesquisador Júlio Valentim.
Ao mesmo tempo, sem perceber, praticamente toda a esquerda, caso tivesse dinheiro e mídia, tenderia a ser totalitária e excludente em relação àqueles que detém a hegemonia do poder. Sob uma perspectiva derridaana, a desconstrução da inclusão e da exclusão não é plenamente possível quando o lado anteriormente excluído toma o poder, pois ele tende a excluir quem antes o oprimia, tornando-se, assim, um opressor às avessas.
O contraponto e a pluralidade só existem se houver uma tensão constante que faça com que se desvele tanto as virtudes quanto as contradições e as mazelas de ambos os lados. A tomada do poder é socialmente positiva a curto prazo, pois realmente provoca mudanças. E um erro pode fazer com que o velho sistema volte com ainda mais força, pois dificilmente poderá ser destituído a partir do uso da razão. Porém, com o passar do tempo, aquela força transformadora e revolucionária (no bom sentido) infelizmente perde a tesão e estabelece um novo regime conservador, de forma a exacerbar a burocracia, a tecnocracia, o apadrinhamento, a corrupção e o predomínio de medidas políticas e econômicas que privilegiem muito mais o capital que financia a casta que ocupa o poder político do que a maioria da sociedade.
Quando a situação chega a esse ponto, tudo o que outrora era objeto de reivindicação e de inconformidade do grupo hoje poderoso agora repete-se de maneira inversa: o panóptico, a vigilância e a punição coercitiva agora ocorrem para manter o status quo destes e não daqueles.
Como todos tem lado e esse lado não é uniforme (isto é, todos, sem exceção, são criativos, combativos e honestos para determinadas crenças e apáticos, covardes e corruptos para outros em diferentes graus), nem a alternativa de poder anterior (a direita neoliberal) e nem a atual (de centro, trabalhista e social-democrata) irão servir. Ao mesmo tempo, para certas demandas, contraditoriamente, ambas terão a sua serventia e legitimidade.
Isso se torna claro inclusive na blogosfera, pois a maioria das pessoas que discutem esses assuntos tem a mesma origem taylorista-fordista e marxista que – repito – hoje mostra-se pouco capaz de resolver problemas sociais e de tentar fazer a maioria da população pensar de uma forma mais solidária porque não condiz com a forma com que a classe média é capaz de assimilar, refletir e transformar o cotidiano.
O mundo não vai deixar de ser capitalista. O Brasil é um país neoliberal light e bem menos solidário do que deveria ser mesmo com o PT no poder. Essa é a prova da falência do modelo. E eu não posso convencer alguém a ajudar se eu disser que ele não deveria andar de carro se passou a vida inteira achando que um carro é sinônimo de liberdade e status. Não há como “educar” nem como “convencer” a tudo e a todos.
O problema da blogosfera (sobretudo a dita política e de esquerda) é que, salvo o período de eleição (com uma defesa ferrenha de seus interesses e da sua ideologia – diga-se de passagem, a meu ver, legítimos) e as denúncias de homofobia, sexismo, corrupção, etc., sobra opinião e faltam fatos.
Do ponto-de-vista jornalístico, tudo o que a esquerda reclama do PiG e dos blogueiros de direita pode, sim, ser dito na mesma moeda para a blogosfera de esquerda.
Por que isso ocorre? Porque o discurso, em geral, fala em classes, em luta e – salvo raríssimas e honrosas exceções – por mais que estude e observe as mudanças na sociedade, entende muito pouco o digital.
Infelizmente, ainda prevalece um pensamento predominante na esquerda brasileira (e não apenas aqui no país) de que só quem é meu companheiro tem a capacidade de me entender, de me aceitar, de pensar como eu e de tentar resolver problemas sociais como eu.
A direita também pensa e age dessa forma. Contudo, a esquerda tem a faca e o queijo na mão e não aproveita.
Enquanto não se entender que as pessoas se unem para satisfazer determinadas demandas individuais ou coletivas e que elas são muito diferentes entre si (sendo que, inclusive, há a possibilidade de a única coisa que vários indivíduos possam ter em comum seja essa única demanda) e se separam logo em seguida, será difícil produzir diferença na velocidade, com a quantidade e com a qualidade necessárias.
Não sei se tu conheces o http://portoalegre.cc . É uma iniciativa da Unisinos com a Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Não nos importa que a maior parte das pessoas que fazem solicitações, deem sugestões, tragam informações e registrem suas queixas sobre a cidade inicialmente sejam de classe AB. Não nos importa se a prefeitura é de centro-direita. O que importa é que algo precisa ser feito.
A nossa proposta tenta fazer com que a população entenda que pode e deve assumir as rédeas da cidade e que os vereadores não são representantes legítimos, dignos e competentes para deliberarem sobre qualquer assunto apenas porque receberam o endosso da maioria a partir do voto.
Nunca vi em nenhum encontro da esquerda tradicional (pelo menos no programa ou na pauta daqueles para os quais recebi convite e pude ou não comparecer) discussões acerca de questões como E-Governo, democracia emergente, emergência, multidão, cultura da interface, mídias locativas.
Iniciativas como a Avaaz.org e o Global Voices são muito mais assertivas e apresentam resultados muito maiores. Inclusive se gastou uma grana para a Blue State Digital do Ben Self na campanha da Dilma, mas parece que não se entendeu direito como ocorreu a vitória de Obama.
Por que isso? Porque comunicadores tradicionais, políticos tradicionais, publicitários e assessorias de imprensa tradicionais fizeram de melhor foi uma campanha na TV. Começou-se tarde demais na internet. E ocupou-se um espaço muito menor do que o que poderia ter sido ocupado. Mas o que mais complicou foi o fato de não ter sido feita uma pesquisa de opinião online (portanto, de custo baixíssimo) para entender que não importam conceitos de direita ou esquerda mas, sim, o que as pessoas pensam sobre religião, aborto, sexualidade, investimento, educação, saúde, etc.
É preciso entender que não há ferramentas e que o pensamento operário tende a ser luddita. Há preconceito e a crença de que a Rede é feita de máquinas e que os aplicativos são ferramentas quando, sob uma perspectiva macluhaniana e manovichiana, tanto o meio é a mensagem como as relações sempre entre pessoas (amizade, afeto, trabalho, lazer, estudo) hoje possui, em paralelo ao ambiente presencial, o ambiente digital, que não é virtual (porque virtual vem do latim virtus, falso) e não substitui o presencial mas, sim, funciona como um ponto de encontro que contém em si um desejo latente de quase todos os interagentes em realizar encontros presenciais.
Não existe militante de passeata nem militante de teclado e sofá: cada um milita aonde e como souber se comunicar, produzir e consumir informação melhor.
Não dá pra ser luddita. Não dá pra ser apocalíptico. O PNBL e o Creative Commons, para a democratização das mídias, são mais urgentes do que uma Ley de Medios à brasileira, pois a expansão da presença do ambiente digital certamente irá acelerar as discussões e pegar o PIG de saia justa.
Enquanto não houver prazer, fruição, hábito e sentido na convivência em ambientes digitais de informação, ainda estaremos no chão de fábrica. A questão vai muito além de simplesmente assistir a um tutorial, ler um manual ou assistir e ler matérias na mídia de massa sobre o que é blog, Facebook, Twitter, iPad, iPhone, etc.: o que vai trazer um salto de qualidade política e social quanto a todas essas discussões refere-se ao fato de VIVENCIAR os vários ambientes de interação.
Pra terminar, as perspectivas da crítica das práticas jornalísticas e publicitárias, da Economia Política da Comunicação e da análise do discurso não são suficientes para dar conta do quadro atual da Comunicação no mundo. As mídias de massa sozinhas não operam mais o que operavam antes da internet porque dela dependem e a ela fomentam pautas, assim como as mídias sociais e o pensamento em rede também dependem dessa convergência de uma maneira integrada e não-rival.
Enfim… Era isso! ;)
Antes de mais nada, preciso dar uma satisfação do “abandono” deste blog à meia dúzia de interagentes que me aturam. Nas duas últimas semanas, tive muito pouco tempo disponível para blogar. Garanto que foram causas nobilíssimas – tanto pela @comdig como pela @agexcom na minha prazerosa jornada pela @unisinos .
Houve também uma série de produções voluntárias bastante laboriosas pelo @gremioprata (principalmente o lançamento do novo site).
Antes de começar, confesso que tenho muita saudade do tempo em que podia analisar um montão de partidas de futebol. Ainda posso assistir a muitas delas. No entanto, sobra pouco tempo para ler resenhas em portais, assistir programas de debates e escrever.
Realmente adoraria poder escrever muito mais sobre o futebol dentro de campo e também poder fazer aqueles posts históricos, como os sobre o único grande craque austríaco na história (Mathias Sindelar) e sobre vários episódios e craques que marcaram o futebol africano (como, por exemplo, sobre a história do futebol em Gana) . Porém, a partir do aumento do meu engajamento político com o Tricolor dos Pampas, sinto-me na obrigação de falar mais sobre o @gremiooficial .
E, infelizmente, nem sempre sobre o jogo jogado dentro das quatro linhas.
Talvez alguns esperassem que eu fizesse deste ambiente de conversação um espaço mais político ou mais voltado à minha atividade profissional (ensino e pesquisa em mídias sociais). Todavia, a minha cachaça (futebol, educação, política e mídias sociais) dentro de menos de um ano deverá se transformar em foco total das minhas atenções sob uma perspectiva multidisciplinar e bem mais acadêmica – que, naturalmente, terá a maior parte da sua visibilidade percebida justamente aqui. ;)
É por isso que se torna bastante rico discutir sobre radicalismos e concessões: todos temos um norte (a esquerda). Porém, os caminhos e os nichos do conhecimento que cada um conhece, propõe e critica são bastante diferentes.
O Tsavkko defende muito o Plínio de Arruda Sampaio e a ideologia do PSoL como um todo. Diria que, em um grau diferente e falando de um outro lugar, o Guga Türck também tenha maiores semelhanças com o Tsavkko.
O Rodrigo Cardia argumentou sob um outro viés e acabou por mudar de opinião acerca da amplitude de forças que andariam com Plínio, além da questionabilíssima capacidade de o PSoL conseguir organizar quadros técnicos e políticos em quantidade e qualidade suficientes para poder exercer um governo que cumprisse com tudo o que criticaram no lulo-petismo e os fizeram criar uma nova sigla.
Em resposta a uma discussão iniciada no Dialógico, prossigo minha fala ao Eugênio Neves e à Cláudia Cardoso sobre uma visão interessante que o Guga Türck tem acerca do embate entre PSDB (direita liberal) e PT (centro esquerda socia-democrata): a partir de um post antigo no Alma da Geral (que não consegui recuperar para dar-lhe o devido crédito e indicar o seu link aos interagentes deste meu post), concordo que o lulo-petismo segue um modelo desenvolvimentista baseado no taylorismo-fordismo, na hierarquia rígida, no vigilantismo e em um intenso controle burocrático.
Então, como esse modelo pressupõe que o aumento exponencial do PIB brasileiro dar-se-á sobretudo via exportação de commodities com a consequente devastação do meio ambiente, mesmo que o incremento considerável do orçamento projetado para os próximos anos em função do Pré-Sal, a riqueza gerada ainda é refém do latifúndio, do sistema bancário e da energia não-renovável.
Por outro lado, considero inaceitável e inadmissível sob qualquer argumento complexo, culto, bem informado e honesto defender a gestão desses recursos por um modelo privatista, ultraconservador, reacionário, sectário, excludente e muito mais corrupto do que o modelo que temos hoje e que merece tantas críticas.
De volta à fala do Guga que não consegui encontrar, esse embate significa que, se correr, o bicho pega; e, se pegar, o bicho come: de um lado, o modelo de centro-esquerda social-democrata sangra o meio ambiente e traz condições reais de crescimento individual e coletivo sob todos os aspectos. E, por outro lado, o modelo de direita neoliberal devasta o meio ambiente e quase não distribui a riqueza.
Dessa forma, morreremos todos. Sob o modelo de centro-esquerda, lentamente; e sob o modelo da direita, de uma maneira cruel e avassaladora.
Embora eu tenha concordado com esse ponto do raciocínio do Guga, não concordei com parte dos argumentos e nem das escolhas eleitorais dele. E entendo que nem mesmo as pessoas de classe média não-reacionárias e não-conservadoras que tenham votado em Marina por causa da Erenice, do Mensalão ou porque o Governo Lula não privilegia o desenvolvimento ecologicamente sustentável conheçam um mínimo a respeito do significado prático de políticas públicas.
Por tudo isso, considero os votos nulo e em branco contraproducentes, socialmente ignorantes e absurdamente omissos e covardes. O protesto puro e simples baseado em fatos isolados não aprofundados com a devida seriedade e a conexão equivocada entre esses fatos ainda é fruto do voto na pessoa e não na ideologia, no programa ou nas consequências passadas, presentes e futuras das alianças eleitorais.
Nem mesmo uma escolha consciente pelo que seria o “menos pior” resulta de uma reflexão baseada no conhecimento e na investigação, pois as pessoas não têm tempo para essas articulações. Caso tivéssemos uma mídia corporativa mais pulverizada entre donos de diferentes origens e uma política muito mais rígida sobre as concessões públicas do espectro das ondas de rádio, creio que não haveria o que convencionamos chamar de “pensamento único”. Mas, ao mesmo tempo, a péssima qualidade das escolas em geral não investe no ensino da organização das instituições públicas e privadas, em noções de Direito Civil e cidadania. Com isso, a importante noção sobre o que são políticas públicas não é aprendida e nem tampouco discutida pela maior parte da sociedade.
Enfim… Toda a discussão acima nos traz ao seguinte ponto de insatisfação compartilhada por dezenas de milhões de brasileiros: assim como eles, eu também não quero mais delegar poderes a legalistas que não querem pensar e nem fazer diferente.
E, mesmo tendo uma opinião formada acerca do meu papel na sociedade e com qual visão de mundo me identifico melhor, eu não quero mais nem que uma determinada ala do maior partido de esquerda seja sectária, pois essa postura não fomenta a governabilidade e os isola. Seguindo a mesma linha de raciocínio, tampouco quero que uma outra ala desse partido majoritário de esquerda seja excessivamente boa, dócil e contemporizadora ao ponto de admitir o balaio de gatos do PMDB e o conservadorismo absurdo de gente que muito mamou durante a ditadura como o PP governando juntos sem uma identidade concisa e sem uma prática verdadeiramente includente que resida no cerne do programa desses partidos, acomapanhada pela prática dos seus quadros.
Pois bem: conforme já escrevi antes, considero o PT como uma superação do antigo trabalhismo de Brizola associado a uma adaptação à realidade latinoamericana do velho conceito europeu de social-democracia, ao qual chamo de “trabalhismo lulo-petista“.
Um parêntese: a social-democracia real e ideológica nunca teve absolutamente nada a ver com o nome, com o discurso e nem mesmo com o programa do PSDB que, no frigir dos ovos, é oligárquico e reacionário na mesma medida do DEM e do PP e tão populista quanto o PTB.
Tudo isso indica que chegou o momento de discutirmos seriamente a dócil aceitação do sistema de democracia representativa em vigor no Brasil e na maior parte do mundo ocidental ao invés de procurarmos por um modelo de democracia que traga maior responsabilidade ao cidadão, que o obrigue a envolver-se mais com todas as questões que definem a sua vida e passe a delegar menos poderes e a agir mais.
Nesse ponto, a iniciativa do PARTIDO PIRATA e a proposta de DEMOCRACIA EMERGENTE do prof. Júlio Valentim são um excelente ponto de partida.
Todavia, enquanto ainda não houver massa crítica nem vontade política suficientemente maduras, sistemáticas e continuadas no caminho dessa proposta, precisamos obedecer às leis vigentes no país. E isso implica na discussão sob moldes ainda arcaicos e pouco produtivos que privilegiam a questão dos partidos e das candidaturas individuais assim como elas são constituídas na atualidade.
E se eu ainda preciso me submeter a esse modelo de clivagem constituinte da minha representatividade, embora o ideal seja evitar argumentos meramente classistas ou individualistas, a polarização e o iminente risco da perda de tantas conquistas não me oferece uma solução melhor do que a de falar sobre como as políticas públicas do Governo Lula facilitaram uma vida melhor para mim e, sobretudo, para aqueles que precisam do meu trabalho.
Se não fosse pelo Ministério da Justiça/Pronasci/Territórios de Paz, eu não teria a chance de ajudar a melhorar a condição de algumas dezenas de jovens do bairro Guajuviras em Canoas/RS.
Se não fosse pelo ProUni/Reuni/Fies, eu muito provavelmente não teria o orgulho, o privilégio e a deliciosa responsabilidade de poder trabalhar na melhor universidade particular do sul do país, a Unisinos, no curso de Comunicação Digital.
Se não fosse pelo Ministério da Educação/Capes, eu não teria me tornado mestre e teria que me contentar em trabalhar única e exclusivamente como uma reles engrenagem dentro da máquina de moer carne taylorista-fordista das agências de publicidade e das agências digitais. Muito provavelmente, teria que me submeter a continuar como funcionário do PiG, como já fui em duas oportunidades.
Mas tudo isso – apesar de vários “nunca antes na história deste país” extremamente notáveis – ainda é muito pouco, pois trata-se de realizações que ocorrem em um ritmo demasiadamente lento, dependente de uma burocracia repeta de vigilância e de um controle absurdamente excessivo. Nesse mesmo ambiente que compõe aquilo que espero ver em um futuro próximo como um círculo virtuoso, verifico uma série de procedimentos bastante equivocados, que poderiam tornar todas essas conquistas ainda melhores sem muito estresse nem grande complexidade.
Com outras palavras, repito com mais ênfase algo que já escrevi há vários parágrafos acima: não vejo a menor capacidade e nem mesmo boa fé de um governo comandado por outra ideologia predominante melhorar ou sequer manter esses pontos ainda nascentes na nossa história política e administrativa.
De qualquer forma, jamais poderia achar nunca que qualquer política pública já esteja suficientemente boa ou concluída. Afinal de contasm só se sobe para o próximo degrau se houver vontade de subir. E, sem essa vontade, a tendência é a de descer, pois o corpo não consegue ficar parado.
Se não houver a crítica profunda, nenhum aparelhamento será positivo para a sociedade. Do contrário, irá prevalecer a escolha de companheiros por amizade, por tempo de partido e por causa da exigência dos parceiros de aliança. Aí, as conquistas começam a degringolar porque as pessoas erradas serão postas nos lugares errados e no momento errado, fazendo com que o político ocupe o lugar do técnico e vice-versa.
No fundo, é isso o que esculhamba o Poder Público, os Três Poderes e o funcionalismo público em geral, além de não estabelecer uma relação republicana entre o Estado e o meio empresarial.
As forças que compõem o nosso caldo social são muito complexas. E aquelas que se relacionam melhor certamente obtém maior quantidade de vitórias para a sua classe. O difícil é pensar em um país igualitário quando a maioria (sejamos francos: inclusive dentro da esquerda e do PT) só sabe falar sobre o seu nicho específico e defendê-lo com um nível muito baixo de conhecimento sobre as demais instâncias que interferem na sua realidade.
Então, ao puxar a sardinha para o seu assado, infelizmente, cada um acaba tornando a sardinha inacessível para o assado do vizinho.
Pra terminar este longo texto, apesar das imensas críticas à concessão de benesses nunca antes vistas aos latifundiários, aos banqueiros e à inadmissível troca de favores com outros partidos fisiológicos a fim de garantir a governabilidade, no 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas , o Luiz Carlos Azenha repetiu algo que o Luís Nassif já havia expressado anteriormente em seu blog: não há como o Brasil crescer em paz e convencer os conservadores a serem menos reacionários e a aceitarem que o bônus do seu enriquecimento exacerbado traz consigo o ônus de terem que dividir a sua fatia do bolo sem… Conversar com eles.
Por que? Porque o país é uno e indissolúvel. Uns precisam dos outros sempre. E, ao invés de estarmos separados por castas, estamos todos umbilicalmente conectados em rede.
Da pré-escola ao pós-doutoramento – ciclo completo educacional e acadêmico de formação das pessoas na busca pelo crescimento pessoal e profissional – consideramos que o Brasil encontrou o rumo nos últimos anos, graças a políticas, aumento orçamentário, ações e programas implementados pelo Governo Lula com a participação decisiva e direta de seus ministros, os quais reconhecemos, destacando o nome do Ministro Fernando Haddad.
Aliás, de forma mais ampla, assistimos a um crescimento muito significativo do País em vários domínios: ocorreu a redução marcante da miséria e da pobreza; promoveu-se a inclusão social de milhões de brasileiros, com a geração de empregos e renda; cresceu a autoestima da população, a confiança e a credibilidade internacional, num claro reconhecimento de que este é um País sério, solidário, de paz e de povo trabalhador. Caminhamos a passos largos para alcançar patamares mais elevados no cenário global, como uma Nação livre e soberana que não se submete aos ditames e aos interesses de países ou organizações estrangeiras.
Este período do Governo Lula ficará registrado na história como aquele em que mais se investiu em educação pública: foram criadas e consolidadas 14 novas universidades federais; institui-se a Universidade Aberta do Brasil; foram construídos mais de 100 campi universitários pelo interior do País; e ocorreu a criação e a ampliação, sem precedentes históricos, de Escolas Técnicas e Institutos Federais. Através do PROUNI, possibilitou-se o acesso ao ensino superior a mais de 700.000 jovens. Com a implantação do REUNI, estamos recuperando nossas Universidades Federais, de norte a sul e de leste a oeste. No geral, estamos dobrando de tamanho nossas Instituições e criando milhares de novos cursos, com investimentos crescentes em infraestrutura e contratação, por concurso público, de profissionais qualificados. Essas políticas devem continuar para consolidar os programas atuais e, inclusive, serem ampliadas no plano Federal, exigindo-se que os Estados e Municípios também cumpram com as suas responsabilidades sociais e constitucionais, colocando a educação como uma prioridade central de seus governos.
Por tudo isso e na dimensão de nossas responsabilidades enquanto educadores, dirigentes universitários e cidadãos que desejam ver o País continuar avançando sem retrocessos, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção, que estamos no rumo certo e que devemos continuar lutando e exigindo dos próximos governantes a continuidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis, assim como na ciência, na tecnologia e na inovação, de que o Brasil tanto precisa para se inserir, de uma forma ainda mais decisiva, neste mundo contemporâneo em constantes transformações.
Finalizamos este manifesto prestando o nosso reconhecimento e a nossa gratidão ao Presidente Lula por tudo que fez pelo País, em especial, no que se refere às políticas para educação, ciência e tecnologia. Ele também foi incansável em afirmar, sempre, que recurso aplicado em educação não é gasto, mas sim investimento no futuro do País. Foi exemplo, ainda, ao receber em reunião anual, durante os seus 8 anos de mandato, os Reitores das Universidades Federais para debater políticas e ações para o setor, encaminhando soluções concretas, inclusive, relativas à Autonomia Universitária.
Alan Barbiero – Universidade Federal do Tocantins (UFT)
José Weber Freire Macedo – Univ. Fed. do Vale do São Francisco (UNIVASF)
Aloisio Teixeira – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Josivan Barbosa Menezes – Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA)
Amaro Henrique Pessoa Lins – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Malvina Tânia Tuttman – Univ. Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Ana Dayse Rezende Dórea – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Maria Beatriz Luce – Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)
Antonio César Gonçalves Borges – Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Maria Lúcia Cavalli Neder – Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Carlos Alexandre Netto – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Miguel Badenes P. Filho – Centro Fed. de Ed. Tec. (CEFET RJ)
Carlos Eduardo Cantarelli – Univ. Tec. Federal do Paraná (UTFPR)
Miriam da Costa Oliveira – Univ.. Fed. de Ciênc. da Saúde de POA (UFCSPA)
Célia Maria da Silva Oliveira – Univ. Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Natalino Salgado Filho – Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Damião Duque de Farias – Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
Paulo Gabriel S. Nacif – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Felipe .Martins Müller – Universidade Federal da Santa Maria (UFSM).
Pedro Angelo A. Abreu – Univ. Fed. do Vale do Jequetinhonha e Mucuri (UFVJM)
Hélgio Trindade – Univ. Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
Ricardo Motta Miranda – Univ. Fed. Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Hélio Waldman – Universidade Federal do ABC (UFABC)
Roberto de Souza Salles – Universidade Federal Fluminense (UFF)
Henrique Duque Chaves Filho – Univ. Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Romulo Soares Polari – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Jesualdo Pereira Farias – Universidade Federal do Ceará – UFC
Sueo Numazawa – Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
João Carlos Brahm Cousin – Universidade Federal do Rio Grande – (FURG)
Targino de Araújo Filho – Univ. Federal de São Carlos (UFSCar)
José Carlos Tavares Carvalho – Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
Thompson F. Mariz – Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
José Geraldo de Sousa Júnior – Universidade Federal de Brasília (UNB)
Valmar C. de Andrade – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
José Seixas Lourenço – Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
Virmondes Rodrigues Júnior – Univ. Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
Walter Manna Albertoni – Universidade Federal de São Paulo ( UNIFESP)