De todas as tarefas, obrigações, prazeres, atividades e necessidades cotidianas que possuo hoje em dia (ComDig, Comunicação Cidadã e Grêmio), até o dia 31/11, neste blog e no Twitter, minha prioridade de conversação, diálogo, debate e pautas é, disparada, a eleição de DILMA PRESIDENTA. Entendam: demais assuntos serão necessariamente eventuais, quase fortuitos – com licença poética garantida para o TRICOLOR DOS PAMPAS.
Quem não se interessa e não concorda, pode simplesmente ignorem ou, para os mais exaltados e impulsivos, deixem de visitar o blog ou parem de me seguir no Twitter durante esse período.
Mas quem se interessa, bebam diretamente da fonte:
Jornalista bom não precisa ser formado em jornalismo: basta fazer bom jornalismo.
E é impossível ser imparcial ou isento, pois todos temos valores e referências.
Quem tem lado está protegido pela Constituição: ninguém pode coagir, corromper, agredir, prender, ameaçar ou demitir em função de ideologia ou credo.
Quem não quiser discutir, não discute. Quem não quiser se envolver, não se envolve. Mas ninguém pode calar ou constranger ninguém.
A mídia corporativa raramente faz jornalismo quando o assunto é política e economia. E eu encontro jornalismo de melhor qualidade na blogosfera.
A blogosfera tem gente que escreve muito mal, que é desinformada ou que age de má fé. Contudo, o contragolpe a essas práticas reside na colaboração e na investigação intensas sem hierarquias e sem a dependência de patrocinadores.
Quem faz por amor, faz melhor!
A VERDADE VAI GOLEAR A MENTIRA, ASSIM COMO A ESPERANÇA VENCEU O MEDO.
Mesmo pessoas do mesmo campo ideológico e amigas pessoais possuem maneiras diferentes de enxergar a complexidade do contexto social, econômico, político e cultural do país neste interstício entre o 1º e o 2º turnos da eleição presidencial de 2010 no Brasil.
É por isso que se torna bastante rico discutir sobre radicalismos e concessões: todos temos um norte (a esquerda). Porém, os caminhos e os nichos do conhecimento que cada um conhece, propõe e critica são bastante diferentes.
O Tsavkko defende muito o Plínio de Arruda Sampaio e a ideologia do PSoL como um todo. Diria que, em um grau diferente e falando de um outro lugar, o Guga Türck também tenha maiores semelhanças com o Tsavkko.
O Rodrigo Cardia argumentou sob um outro viés e acabou por mudar de opinião acerca da amplitude de forças que andariam com Plínio, além da questionabilíssima capacidade de o PSoL conseguir organizar quadros técnicos e políticos em quantidade e qualidade suficientes para poder exercer um governo que cumprisse com tudo o que criticaram no lulo-petismo e os fizeram criar uma nova sigla.
Em resposta a uma discussão iniciada no Dialógico, prossigo minha fala ao Eugênio Neves e à Cláudia Cardoso sobre uma visão interessante que o Guga Türck tem acerca do embate entre PSDB (direita liberal) e PT (centro esquerda socia-democrata): a partir de um post antigo no Alma da Geral (que não consegui recuperar para dar-lhe o devido crédito e indicar o seu link aos interagentes deste meu post), concordo que o lulo-petismo segue um modelo desenvolvimentista baseado no taylorismo-fordismo, na hierarquia rígida, no vigilantismo e em um intenso controle burocrático.
Então, como esse modelo pressupõe que o aumento exponencial do PIB brasileiro dar-se-á sobretudo via exportação de commodities com a consequente devastação do meio ambiente, mesmo que o incremento considerável do orçamento projetado para os próximos anos em função do Pré-Sal, a riqueza gerada ainda é refém do latifúndio, do sistema bancário e da energia não-renovável.
Por outro lado, considero inaceitável e inadmissível sob qualquer argumento complexo, culto, bem informado e honesto defender a gestão desses recursos por um modelo privatista, ultraconservador, reacionário, sectário, excludente e muito mais corrupto do que o modelo que temos hoje e que merece tantas críticas.
De volta à fala do Guga que não consegui encontrar, esse embate significa que, se correr, o bicho pega; e, se pegar, o bicho come: de um lado, o modelo de centro-esquerda social-democrata sangra o meio ambiente e traz condições reais de crescimento individual e coletivo sob todos os aspectos. E, por outro lado, o modelo de direita neoliberal devasta o meio ambiente e quase não distribui a riqueza.
Dessa forma, morreremos todos. Sob o modelo de centro-esquerda, lentamente; e sob o modelo da direita, de uma maneira cruel e avassaladora.
Embora eu tenha concordado com esse ponto do raciocínio do Guga, não concordei com parte dos argumentos e nem das escolhas eleitorais dele. E entendo que nem mesmo as pessoas de classe média não-reacionárias e não-conservadoras que tenham votado em Marina por causa da Erenice, do Mensalão ou porque o Governo Lula não privilegia o desenvolvimento ecologicamente sustentável conheçam um mínimo a respeito do significado prático de políticas públicas.
Por tudo isso, considero os votos nulo e em branco contraproducentes, socialmente ignorantes e absurdamente omissos e covardes. O protesto puro e simples baseado em fatos isolados não aprofundados com a devida seriedade e a conexão equivocada entre esses fatos ainda é fruto do voto na pessoa e não na ideologia, no programa ou nas consequências passadas, presentes e futuras das alianças eleitorais.
Nem mesmo uma escolha consciente pelo que seria o “menos pior” resulta de uma reflexão baseada no conhecimento e na investigação, pois as pessoas não têm tempo para essas articulações. Caso tivéssemos uma mídia corporativa mais pulverizada entre donos de diferentes origens e uma política muito mais rígida sobre as concessões públicas do espectro das ondas de rádio, creio que não haveria o que convencionamos chamar de “pensamento único”. Mas, ao mesmo tempo, a péssima qualidade das escolas em geral não investe no ensino da organização das instituições públicas e privadas, em noções de Direito Civil e cidadania. Com isso, a importante noção sobre o que são políticas públicas não é aprendida e nem tampouco discutida pela maior parte da sociedade.
Enfim… Toda a discussão acima nos traz ao seguinte ponto de insatisfação compartilhada por dezenas de milhões de brasileiros: assim como eles, eu também não quero mais delegar poderes a legalistas que não querem pensar e nem fazer diferente.
E, mesmo tendo uma opinião formada acerca do meu papel na sociedade e com qual visão de mundo me identifico melhor, eu não quero mais nem que uma determinada ala do maior partido de esquerda seja sectária, pois essa postura não fomenta a governabilidade e os isola. Seguindo a mesma linha de raciocínio, tampouco quero que uma outra ala desse partido majoritário de esquerda seja excessivamente boa, dócil e contemporizadora ao ponto de admitir o balaio de gatos do PMDB e o conservadorismo absurdo de gente que muito mamou durante a ditadura como o PP governando juntos sem uma identidade concisa e sem uma prática verdadeiramente includente que resida no cerne do programa desses partidos, acomapanhada pela prática dos seus quadros.
Pois bem: conforme já escrevi antes, considero o PT como uma superação do antigo trabalhismo de Brizola associado a uma adaptação à realidade latinoamericana do velho conceito europeu de social-democracia, ao qual chamo de “trabalhismo lulo-petista“.
Um parêntese: a social-democracia real e ideológica nunca teve absolutamente nada a ver com o nome, com o discurso e nem mesmo com o programa do PSDB que, no frigir dos ovos, é oligárquico e reacionário na mesma medida do DEM e do PP e tão populista quanto o PTB.
Tudo isso indica que chegou o momento de discutirmos seriamente a dócil aceitação do sistema de democracia representativa em vigor no Brasil e na maior parte do mundo ocidental ao invés de procurarmos por um modelo de democracia que traga maior responsabilidade ao cidadão, que o obrigue a envolver-se mais com todas as questões que definem a sua vida e passe a delegar menos poderes e a agir mais.
Nesse ponto, a iniciativa do PARTIDO PIRATA e a proposta de DEMOCRACIA EMERGENTE do prof. Júlio Valentim são um excelente ponto de partida.
Todavia, enquanto ainda não houver massa crítica nem vontade política suficientemente maduras, sistemáticas e continuadas no caminho dessa proposta, precisamos obedecer às leis vigentes no país. E isso implica na discussão sob moldes ainda arcaicos e pouco produtivos que privilegiam a questão dos partidos e das candidaturas individuais assim como elas são constituídas na atualidade.
E se eu ainda preciso me submeter a esse modelo de clivagem constituinte da minha representatividade, embora o ideal seja evitar argumentos meramente classistas ou individualistas, a polarização e o iminente risco da perda de tantas conquistas não me oferece uma solução melhor do que a de falar sobre como as políticas públicas do Governo Lula facilitaram uma vida melhor para mim e, sobretudo, para aqueles que precisam do meu trabalho.
Se não fosse pelo ProUni/Reuni/Fies, eu muito provavelmente não teria o orgulho, o privilégio e a deliciosa responsabilidade de poder trabalhar na melhor universidade particular do sul do país, a Unisinos, no curso de Comunicação Digital.
Se não fosse pelo Ministério da Educação/Capes, eu não teria me tornado mestre e teria que me contentar em trabalhar única e exclusivamente como uma reles engrenagem dentro da máquina de moer carne taylorista-fordista das agências de publicidade e das agências digitais. Muito provavelmente, teria que me submeter a continuar como funcionário do PiG, como já fui em duas oportunidades.
Mas tudo isso – apesar de vários “nunca antes na história deste país” extremamente notáveis – ainda é muito pouco, pois trata-se de realizações que ocorrem em um ritmo demasiadamente lento, dependente de uma burocracia repeta de vigilância e de um controle absurdamente excessivo. Nesse mesmo ambiente que compõe aquilo que espero ver em um futuro próximo como um círculo virtuoso, verifico uma série de procedimentos bastante equivocados, que poderiam tornar todas essas conquistas ainda melhores sem muito estresse nem grande complexidade.
Com outras palavras, repito com mais ênfase algo que já escrevi há vários parágrafos acima: não vejo a menor capacidade e nem mesmo boa fé de um governo comandado por outra ideologia predominante melhorar ou sequer manter esses pontos ainda nascentes na nossa história política e administrativa.
De qualquer forma, jamais poderia achar nunca que qualquer política pública já esteja suficientemente boa ou concluída. Afinal de contasm só se sobe para o próximo degrau se houver vontade de subir. E, sem essa vontade, a tendência é a de descer, pois o corpo não consegue ficar parado.
Se não houver a crítica profunda, nenhum aparelhamento será positivo para a sociedade. Do contrário, irá prevalecer a escolha de companheiros por amizade, por tempo de partido e por causa da exigência dos parceiros de aliança. Aí, as conquistas começam a degringolar porque as pessoas erradas serão postas nos lugares errados e no momento errado, fazendo com que o político ocupe o lugar do técnico e vice-versa.
No fundo, é isso o que esculhamba o Poder Público, os Três Poderes e o funcionalismo público em geral, além de não estabelecer uma relação republicana entre o Estado e o meio empresarial.
As forças que compõem o nosso caldo social são muito complexas. E aquelas que se relacionam melhor certamente obtém maior quantidade de vitórias para a sua classe. O difícil é pensar em um país igualitário quando a maioria (sejamos francos: inclusive dentro da esquerda e do PT) só sabe falar sobre o seu nicho específico e defendê-lo com um nível muito baixo de conhecimento sobre as demais instâncias que interferem na sua realidade.
Então, ao puxar a sardinha para o seu assado, infelizmente, cada um acaba tornando a sardinha inacessível para o assado do vizinho.
Pra terminar este longo texto, apesar das imensas críticas à concessão de benesses nunca antes vistas aos latifundiários, aos banqueiros e à inadmissível troca de favores com outros partidos fisiológicos a fim de garantir a governabilidade, no 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas , o Luiz Carlos Azenha repetiu algo que o Luís Nassif já havia expressado anteriormente em seu blog: não há como o Brasil crescer em paz e convencer os conservadores a serem menos reacionários e a aceitarem que o bônus do seu enriquecimento exacerbado traz consigo o ônus de terem que dividir a sua fatia do bolo sem… Conversar com eles.
Por que? Porque o país é uno e indissolúvel. Uns precisam dos outros sempre. E, ao invés de estarmos separados por castas, estamos todos umbilicalmente conectados em rede.
A publicidade e o jornalismo offline não têm correspondente discursivo nas mídias sociais. A formação não é adequada, assim como há um preconceito e uma ignorância gigantescos por parte de jornalistas antigos, enquanto os publicitários estão perdidos, pois a sua função dentro desta mídia é pouco relevante e não gera um faturamento satisfatório às agências.
O Azenha escreveu outro dia no Vi o Mundo que o PT errou feio ao continuar sendo pautado pelo #pig. Definitivamente, isso não faz sentido.
Steven Johnson, autor de dois livros seminais para a compreensão das mídias sociais e da sociedade em rede (A Cultura da Interface e Emergência) hoje não lê jornais impressos, não ouve rádio AM e quase não assiste TV: a vida dele não obedece a nenhuma grade de programação e tampouco é pautada por algum gatekeeper.
Michel Maffesoli fala em um dado momento de O Tempo das Tribos que a pós-modernidade é caracterizada (entre tantas outras coisas) pelo neotribalismo: apesar da sociedade de fluxos, da ubiquidade e da onipresença da informação que circula, que é apreendida e, depois, transformada e devolvida para a rede, o outro lado dessa dinâmica aponta para uma cultura de nichos.
A política partidária brasileira não entende a cultura de nichos porque – a meu ver – equivocadamente ainda pensa em povo e em massa quando, na verdade, deveria pensar em MULTIDÃO (Negri e Hardt).
70% da informação que Steven Johnson acessa vem da sua timeline do Facebook. No meu caso, todos os links que me chamam a atenção para ler ou assistir chegam muito mais até a minha timeline do Twitter (e acho que isso também tem ocorrido recentemente com grande parte dos internautas brasileiros).
O crescimento econômico do Brasil e o monstruoso crescimento das igrejas midiáticas são muito mais velozes do que o resultado cultural e educacional pelo qual a maioria dos beneficiados pelas políticas públicas do Governo Lula consegue atingir.
Por isso, o uso mais frequente do Orkut é para publicizar a própria vida ou para vincular-se a comunidades meramente identitárias ou de protesto frívolo (Amantes da Pastelina ou Eu Odeio Galvão Bueno) e o uso predominante do Twitter apresenta poucos links e chamadas e mais a exposição do sentimento ou do que o usuário faz naquele dado momento.
O e-mail e os fóruns de discussão atingem pessoas mais maduras e menos versadas no domínio da apropriação de cada mídia digital. É aí que atacam os panfletos apócrifos digitais.
A Igreja Católica Apostólica Romana e as igrejas protestantes consideradas tradicionais, mais éticas e mais sérias perderam muito terreno para essas vertentes “evangélicas” ou “pentecostais” que as superaram porque pregam na e para a mídia: a Igreja Universal do Reino de Deus, a Assembléia de Deus e outras menos votadas adquirem jornais, revistas, emissoras de rádio e de televisão e postam sermões na internet porque entendem que a igreja, a comunidade e a gramática da liturgia tradicional não atingem à maioria da população.
Quando comecei a dar aula na Agência da Boa Notícia Guajuviras (Pronasci, Territórios da Paz, Canoas/RS) http://guajuvirasterritoriodepaz.blogspot.com , me disseram que pegaria alunos que teriam que aprender a ligar o computador.
QUE NADA!!! Há 12 LAN houses regulamentadas e dezenas de LANs clandestinas no Guaju!!! Passei em algumas delas pra divulgar o projeto e vi PCs lotados de meninos bem pobres usando Orkut e MSN direto!
Outra coisa: lá, há mais de 70.000 habitantes e mais de 70 igrejas. Uma das minhas alunas baixa os hinos pra treinar, pois ela canta no coral da igreja que frequenta.
Mesmo que eles estejam conosco graças a uma política pública de governo baseada em um projeto de deenvolvimento que não pode ser repetido e que não será superado por Serra em função da índole da sua aliança, um menino já me disse que Dilma é terrorista e outro disse que ela havia dito que “nem Deus a venceria na eleição”.
E aí?! Eu tô lá pra ensiná-los a blogar, a tuitar, a falar sobre a realidade deles de uma maneira mais positiva do que a que o #pig utiliza pra apresentar o bairro, estou dentro de um projeto do PT e, como professor da Unisinos, não deveria incentivar discussões partidarizadas e nem tampouco questionar o credo deles.
Definitivamente, a coisa não é nada fácil. Mas o PT não soube usar o conhecimento do Ben Self e o Marcelo Branco (que é muito bom, porém não é comunicólogo nem sociólogo) não pensou em atacar a todos os nichos na internet – ainda mais para defender a candidatura de Dilma.
Este 2º turno é a última chance do #pig: se perder, então teremos a esperança de mudanças reais – apesar de grande parte do pessoal que faz a CONFECOM não entender patavina de mídias sociais porque eles só pensam em termos de emissor, receptor e mensagem ao invés de pensar em redes descentralizadas, bancos de dados relacionais, informação ubíqua e no papel dos interagentes.
Se aprendi algo relevante sobre política, aprendi que:
1) Infelizmente, a corrupção é um mal impossível de ser 100% derrotado;
2) Infelizmente, todos os partidos – sem exceção – misturarão cargos técnicos com cargos políticos e irão colocar os homens errados nos lugares errados e no momento errado em diversas pastas e instâncias do Poder Público;
3) Embora haja uma série de falhas humanas por erro ou por má fé, quem erra menos e quem realiza mais políticas públicas voltadas para o bem estar social (educação, saúde, segurança, previdência social, indústria e comércio, preservação do meio ambiente, redução do preconceito de gênero, cor, credo ou ideologia) com o intuito de equilibrar a renda e de incluir mais pessoas no mercado de trabalho e na sociedade de consumo precisa ser lembrado, respeitado e valorizado;
4) Não se vota em candidatos que não pertençam à mesma coligação: do contrário, por melhor que seja a intenção do eleitor, além da incoerência ideológica de se eleger pessoas que representam muitos interesses contrários, estará privilegiando a discussão vazia sobre pessoas ao invés de levar em conta o que interessa, que é discutir IDEIAS;
5) Finalmente, partidos nanicos insatisfeitos com algumas mazelas decorrentes da falibilidade humana que posam de defensores da moral, da ética, dos bons costumes e que pretendem realizar uma ruptura contundente com o status quo certamente irão levar o país a um golpe e à impopularidade;
6) Candidatos de um discurso só não possuem nem quadros em seus partidos, nem respaldo amplo da sociedade civil organizada para gerirem uma cidade, um estado ou um país contando com quadros técnicos alinhados às suas políticas (quando elas realmente existem) em quantidade suficiente para segurar o rojão.
Pra mim, votar em Plínio ou em Marina significa exatamente isso. E votar em Serra só por ser anti-PT é preconceito de classe e excesso de influência do PiG.
Ontem, mesmo, eu e @lubelskina estávamos conversando com a @claudiapoa do Dialógico sobre isso: a Cláudia acha (e a gente concordou) que o brasileiro ainda não aprendeu a votar, pois permanece discutindo pessoas ao invés de ideologias ou programas.
As pessoas ainda são muito conservadoras, egoístas e pensam com o bolso: o voto em @dilmabr é o voto de quem apenas compara a sua vida difícil de antigamente com o salto de qualidade que obteve nos últimos oito anos. Embora haja por tabela um certo reconhecimento das políticas públicas lulo-petistas, ainda não há a consciência de que o PT realizou uma enormidade de projetos decorrentes de pensamentos que precisam permanecer, ser aperfeiçoados e corrigidos sem uma ruptura. Caso @joseserra_ ou @silva_marina tivessem prometido algo melhor na mesma linha e não tivessem batido no Governo Lula e sem a chancela do PiG, muito provavelmente teriam tido chances reais de eleição.
Enfim… Ninguém é dono da verdade e ninguém pode ser gratuitamente taxado como ignorante ou como mal intencionado. Porém, a meu ver, o momento ainda não permite que tenhamos uma alternância respeitosa e não-patrulheira no poder, capaz de garantir um eixo de políticas públicas universalmente aplicadas, independentemente do partido, da coligação, da ideologia e, sobretudo, das pessoas.
Ao contrário do que muitos pensam, todo homem é político.
Todo homem é político porque é obrigado a fazer escolhas.
Toda escolha envolve a opção entre uma perda e um ganho, pois não se pode ganhar nem perder tudo: obrigatoriamente, deve-se abrir mão de uma coisa para poder ter outra.
A sociedade é coletiva: as pessoas não são iguais, mas compartilham o mesmo espaço e umas dependem das outras para sobreviver. É por isso que cada um tem uma habilidade diferente – para que a sociedade seja rica, plural, diversa, de forma que todos aprendam e, na medida do possível, dividam tarefas sem que a maioria precise ser sobrecarregada em benefício de poucos.
Por uma questão de sobrevivência, devemos tornar o ambiente pacífico. Para isso, é fundamental que as diferenças individuais sejam postas em segundo plano para que a prioridade represente um conjunto de ações e de normas que permeiem um interesse comum.
Mas que fique bem claro: a decisão da maioria não irá agradar a todos e nem tampouco resolver todos os problemas. Porém, é preciso ser respeitada sempre que for legítima.
E por falar em decisão, é sempre melhor que todos tenham direito de escolha do que deixar a decisão nas mãos de um ou de poucos. Afinal de contas, a decisão de uma minoria não raro consiste em uns poucos advogando em causa própria com o uso da boa fé da maioria.
Logo, é muito mais seguro ser representante de si e ter a consciência dos motivos pelos quais se outorga a representação da tua palavra a um punhado de escolhidos do que omitir-se de reivindicar e de propor algo diretamente.
A quem se considera “apolítico”, afirmo que vocês gostam e precisam de política o tempo inteiro. Sabem por que?
1) Porque a briga com o irmão menor pelo colo da mãe ou por um brinquedo e é mediada para evitar que um bata no outro é política;
2) Porque, independentemente do gosto pessoal na hora de optar entre um saco de feijão e um quilo de carne no supermercado, quando não se pode ter os dois em função da falta de dinheiro, essa escolha econômica tem origem na política que não permite que todos os cidadãos brasileiros tenham direito a comer nem mesmo os alimentos mais prosaicos;
3) Porque o governo que faz vista grossa para o tráfico de drogas aumenta exponencialmente a chance de te apontarem uma arma pra roubar o teu carro;
4) Porque a decisão de quem permite que se construa um arranha-céu defronte da tua casa impedindo o sol de alcançar a tua janela traz várias consequências ruins para a tua vida como, por exemplo: a) aumenta o teu custo com detergente pra limpar o mofo; b) aumenta os gastos com remédios e consultas médicas (pele, doenças respiratórias, alergias); c) te obriga a usar mais roupas e assim por diante.
Embora a propaganda eleitoral e os debates pouco expliquem as diferenças entre pessoas e partidos; e embora o noticiário da mídia corporativa sempre penda para o mesmo lado sem que tu percebas isso, independentemente das tuas referências, é muito importante que tu entendas que, do presidente da república ao vereador, é fundamental votar em pessoas da mesma coligação ou – de preferência – do mesmo partido.
Por que? Porque eles seguem um conjunto de crenças e de práticas permeados pela mesma linha de pensamento. E se tu acreditas que há uma forma de fazer com que a vida de todos melhore (não apenas a tua; não sejas egoísta, por favor – afinal de contas, ninguém ganha ou perde sozinho), desejo que tu te definas pela visão de mundo que mais se aproxima da tua.
Te informa.
Participa.
Não te omite.
Entendas tu que não há neutralidade nem isenção de lado algum e que, se tu não te definires; se tu não mostrares o que defendes e o que não defendes e por que, estarás deixando livre o caminho para que decidam por ti sem que tu tomes conhecimento sobre uma série de decisões que, no conjunto, jamais contribuirão para a melhora da tua vida e da vida da tua coletividade.
PENSA NISSO.
Eu tenho lado: o meu lado está no vídeo acima.
Tenho meus motivos pra acreditar nessa proposta. Mas não irei discuti-los neste post.
Também não me interessa fazer a tua cabeça. Afinal de contas, não mando em ti e não estou te julgando como alguém incapaz de tomar alguma decisão desse vulto.
No entanto, este blog está repleto de posts que mostram a minha visão política, econômica, social, esportiva e afetiva.
Eu não sou o dono da verdade.
Mas, caso tu me consideres como uma pessoa cuja opinião é válida, pode ser que tenhamos mais pontos em comum do que podemos imaginar. Afinal de contas, a afinidade aumenta a empatia.
Por outro lado, não faz o menor sentido eu te desvalorizar ou tu me desvalorizares caso pensemos a sociedade de uma maneira bem diferente.
Eu te respeito e tu me respeitas.
A única coisa que eu não posso fazer é me furtar de demonstrar por que eu acredito em A e não acredito em B. E, do meu lado, também não posso te negar o direito de expressares a tua posição.
Caso te interesse discutir essa questão comigo, poderemos levar essa pauta para um patamar mais alto: assim, ambos iremos expor as nossas visões de mundo sem xingamentos. Nesse instante, um procurará esclarecer o outro com fatos verdadeiros e detalhados.
Assim se faz política em alto nível.
E é assim que se aprende a conviver pacificamente com o oposto.
Contudo, é preciso saber que nem sempre se perde e nem sempre se ganha. E que, quando se perde, não se pode torcer contra o desenvolvimento da sociedade. Não se pode torcer para estar certo acerca das mazelas e dos erros que se vê no oposto vitorioso.
Não se pode deixar de propor, de acompanhar e de fiscalizar pra fazer patrulha e fofoca.
Afinal de contas, estamos todos no mesmo barco: se houver um rombo no convés, das duas, uma: ou afundamos todos juntos, ou todos ajudam a tapar o buraco.
Eu tenho lado e não me omito. Não te obrigo a te declarar, mas caso queiras tocar nesse assunto comigo, gostaria muito que deixasses bem claro:
– Em que acreditas e por que;
– Em que não acreditas e por que;
– De quais pontos dessa ideologia tu não abres mão;
– O que tu conheces sobre a minha ideologia e a partir de quais fontes;
– O que te faria mudar de ideia;
– Por que tu achas que vale a pena tentar me convencer sobre o teu ponto de vista;
– Até que ponto tu achas que podes me ensinar algo;
– Até que ponto tu achas que podes aprender comigo;
– Como tu achas que podemos conciliar os pontos em comum sobre as nossas ideologias diferentes?
O objetivo de toda esta longa conversa é podermos concordar integralmente acerca de determinados pontos. Mas para que isso aconteça, cada um de nós precisará ceder um pouco.
Infelizmente, não podemos resolver os problemas do mundo de uma vez por todas. Porém, só o fato de haver desprendimento e de um não querer impor suas ideias ao outro com o reprovável uso da desonestidade, da agressividade e do oportunismo significa que queremos verdadeiramente o melhor para a maioria.
Isso feito, saibas que às vezes, estaremos juntos. Mas, na maioria das vezes, não. De qualquer forma, respeito, admiração e solidariedade precisam ser os eixos que compartilharemos sempre.
Justamente por isso, não faz o menor sentido nos afastarmos. Afinal de contas, é mais do que certo de que precisamos uns dos outros – por menos que isso seja percebido no dia a dia…