À FAMÍLIA ARANHA

A pedido da sra. Sandra Aranha e de seu genro, desculpo-me publicamente e me retrato sobre uma informação equivocada que dei no blog Grêmio 100 Mil Sócios que causou-lhes uma comoção e poderia ter-lhes trazido algum prejuízo moral.

Houve um imenso equívoco de minha parte, pois confundi nomes. O genro da sra. Sandra havia entrado em contato comigo anteriormente e enviei-lhe um longo e-mail, pedindo-lhes sinceras desculpas, extensíveis à senhora, à sua filha e a todos os familiares, parentes e amigos.

Foi tão-somente uma confusão de nomes por pura falta de cuidado. Sinceramente, não gostaria que isso tivesse ocorrido. Assumo e admito o erro – sobretudo porque feriu algumas pessoas. Eu não tive uma atitude pequena. Muito pelo contrário: em primeiro lugar, não sou o moderador do blog. Eu teria respondido imediatamente caso tivesse sabido logo sobre o que se tratava. Demorei alguns dias para receber um retorno do moderador – que também não agiu de má fé em momento algum: ele apenas desconhecia nomes e o caso Guerreiro em si.

Logo, o caso Guerreiro, que prejudicou ao Grêmio em função do estelionato dos cheques enviados para a ISL amplamente divulgado pela imprensa e levantado por vários grupos de sócios do clube buscando fazer justiça, teve citado Martinho Faria e nunca o sr. Martim Aranha Filho, que não possui relação alguma com o caso e que possui um nome respeitável, probo e lembrado com bastante carinho.

Novamente, peço imensas desculpas pelo transtorno.

Com muito respeito e carinho,

Hélio Sassen Paz

O SONHO DOS JOVENS BRASILEIROS X O DISCURSO ANACRÔNICO DOS BLOGUEIROS DE ESQUERDA NO BRASIL

Sonho Brasileiro from box1824 on Vimeo.

A pesquisa Sonho Brasileiro é um projeto sem fins lucrativos e sem viés de consumo. Fomos para 173 cidades em 23 estados perguntando para jovens de 18-24 anos “Qual é seu sonho para a nossa nação?”

Ajude-nos a divulgar os resultados da pesquisa que sairá em junho com conteúdo 100% aberto e livre na internet.

Música deste vídeo gentilmente cedida por Lucas Santtana

Realização: BOX 1824
Patrocínio: Itaú e Pepsi
Parceiros: RED, Colméia e Aktuell

Apoio: Rede Globo

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O fato da minha rotina profissional e de boa parte do ambiente familiar serem partilhados junto ao público-alvo da pesquisa O SONHO BRASILEIRO (leiam-na inteira) me leva a crer que o caminho para uma verdadeira revolução cidadã no Brasil precisa passar por um discurso essencialmente assertivo, desinstitucionalizado, horizontal e – sobretudo – colaborativo. A solidariedade, o engajamento cívico e o reconhecimento do outro como igual dependem da aprendizagem coletiva cujo fruto será o de desfazermos o rótulo de alienação e egoísmo atribuído à nossa juventude.

Essa minha crença não põe em segundo plano a colaboração e os ensinamentos dos bravos heróis da resistência à ditadura militar no país. Porém, o discurso que a maior parte deles conhece e sabe professar via blogosfera segue um modelo linguístico familiar ao seu grupo de interesse, mas que não surte o mesmo efeito diante de quem não vivenciou essa triste realidade e não tem como imaginar um panorama antidemocrático.

Todo e qualquer blogueiro “progressista“, e-blogueiro e mais a galera da Teia Livre e da Rede Liberdade, a despeito de uma série de aprendizagens e de adaptações ao pensamento em rede, infelizmente ainda apresentam uma série de opiniões formadas acerca do mundo dos jovens que não coincide nem com o mundo de quando eram eles próprios os jovens, nem tampouco com o mundo de seus pais e avós, que, salvo raríssimas e honrosas exceções, sequer tem noção do que seja exílio, tortura, censura e prisões. O Brasil “livre” que herdaram está distante demais de poderem compreender o que era não ter direitos nem poderes para fazer quase nada.

Conforme a pesquisa, os jovens entre 19 e 24 anos da atualidade desejam transições tranquilas, sem rupturas. Em oposição aos jovens marginalizados vítimas de todas as nossas mazelas sociais, eles não são de briga e não creem que a solução esteja no embate partidário ou sindical. Essa característica predominante mostra que a maioria dessa geração é mais afeita a realizar algo pelos outros sem muitas delongas ao invés de discutir leis ou de participar de manifestações presenciais de massa.

Infelizmente, os ativistas mais experientes tendem a considerar essa atitude passiva ou, então, incorrem no equívoco de culpar as redes sociais na internet como responsáveis pela “alienação”. Contudo, os resultados da pesquisa mostram que o egoísmo, o consumismo, a ignorância, a alienação, a passividade e uma agressividade projetada sobre objetos distantes do exercício da cidadania são a exceção e não a regra. Portanto, trata-se de uma forma diferente de representar o seu envolvimento social.

De fato, a quantidade de militantes políticos antigos que se tornaram exemplos diretos de ativismo nas ruas, nas ONGs, nas escolas e nas comunidades carentes é muito reduzida: vários deles já morreram, outros desiludiram-se e eles próprios tiveram o privilégio de proporcionar melhores condições a seus filhos e netos. E a pesquisa aponta que, para a galera de 19 a 24 anos em 2011, eles tem como exemplos de vida pessoas simples com as quais convivem no dia a dia. Portanto, o herói urbano de hoje não é alguém que erga uma bandeira mas, sim, alguém que está disponível aqui e agora pra dar o exemplo, para ser um tutor, para deixar fazer de maneira anárquica, sem apresentar-se como uma autoridade.

Por outro lado, há uma contradição entre o espírito de luta que os antigos militantes apresentam de fato e entre a atitude que gostariam que seus filhos e netos tivessem no atual contexto: primeiro, que as gerações anteriores de ativistas não tinham como pensar nem realizar uma mudança social dialogada porque havia um abismo muito grande entre a liberdade e a violência. Isso posto, não havia (entre 1964 e 1979) como pensar em uma transição suave quando a maior parte desses grupos acostumou-se a conviver com um retrocesso que violentou pelo menos quatro gerações de brasileiros; segundo, que a quantidade de informação disponível é imensurável e cresce exponencialmente dia após dia; terceiro, que a sociabilidade que atravessa e é atravessada pelos ambientes digital e presencial torna as causas pelas quais os jovens resistem dissociadas no espaço e no tempo, isto é, para muitos, é mais importante investir $5.00 contra o apartheid israelense sobre os palestinos via AVAAZ.ORG do que ajudar o filho do vizinho a passar em Química.

Sinto desapontar grande parte dos meus queridíssimos e valiosíssimos AMIGOS de todos esses foruns que se amalgamam por um sentimento bonito e comum, mas até mesmo a solução de problemas locais que afligem os nossos jovens necessitam cada vez mais da experiência de quem vivencia barras semelhantes porém muito mais pesadas em lugares muito pouco aprazíveis por eles descobertas na internet. Ao discuti-las em comunidades virtuais, o excedente cognitivo que produzem gera uma economia não-rival que resulta na adaptação da solução encontrada n’além-mar para a nossa realidade sociocultural sem armas, sem conspirações, sem terem como base o marxismo. E esse mesmo excedente cognitivo é apropriado por jovens de outras paragens com o mesmo intuito: nunca foi tão verdadeira a afirmação de que a soma das partes é cada vez maior do que o todo.

Parte dos ativistas mais experientes que lutaram contra a ditadura ou de seus herdeiros ideológicos – que lhes enchem de orgulho por causa de um modus operandi muito parecido (senão igual) – precisam tomar o cuidado de não esquecerem de que a sua credibilidade está balizada em um ethos que prima pela justiça equânime, pela razão, por balizarem os seus argumentos em uma série de referências mais profundas do que aquilo que a mídia corporativa geralmente costuma oferecer e pela verdade. No entanto, a verdade precisa ser a verdade verdadeira e não a mera verdade que oculta o lado incompetente, burocrático, autoritário, preconceituoso e hipócrita de seus pares que hoje ocupam cargos no atual governo federal.

Por mais difícil que seja apurar, denunciar e serem tão implacáveis na multiplicação da informação contra os “seus”, o grupo político-partidário-sindical que apoiam em função da compatibilidade de afetos e das afinidades, crenças e valores também deve ser desconstruído com o mesmo peso que tem a desconstrução da direita.

Felizmente, sei que a maioria não pensa assim: blogueiros de esquerda de 40, 50, 60 e 70 anos sempre mostram-se bastante dispostos a conhecer ideias novas e a conviver com as gerações mais recentes, que precisam dos mais velhos.

Ambas as gerações possuem diferenças muito grandes acerca de como surge o embasamento teórico e as motivações que envolvem as práticas políticas e sociais de contingentes que não são concorrentes e nem mesmo antagônicos. Nessa questão, a lacuna mais importante a ser preenchida é a do entendimento de que não é porque vivemos em uma sociedade mais consumista, mais individualista, mais competitiva e menos intelectualizada que não é possível pensar e agir de maneira cidadã.

Pra refletir… ;)

POR UM DCE DECENTE NA PUCRS

O grupo dos Eblog – Blogueiros de Esquerda – apoia os estudantes combativos da PUCRS e repudia veementemente as agressões desferidas pelo Diretório Central de Estudantes (DCE) dessa universidade há mais de 20 anos. As agressões – físicas ou não – se repetem ano após ano, a cada eleição fraudada, ameaça ou via de fato, e a Reitoria da PUCRS, vergonhosamente, se omite, assim como o Ministério Público, deixando à própria sorte milhares de estudantes de uma das universidades mais importantes do país, mas que não consegue sequer garantir aos próprios alunos a segurança e o direito à democracia interna. Dessa forma, repudiamos não apenas as ações do DCE, mas as omissões dos diversos órgãos que deveriam proteger a liberdade dos estudantes contra uma máfia instalada desde a década de 1990. Ao mesmo tempo, manifestamos nosso apoio e solidariedade não apenas aos estudantes da PUCRS envolvidos nos recentes protestos, mas a todos os agentes e entidades sociais presentes nessa importante luta democrática, e os convidamos a usar nossos espaços da mídia independente e popular para publicizar e defender suas demandas.

Eblog – Blogueiros de Esquerda:
Alexandre Haubrich – jornalismob.wordpress.com
Lucas Morais – diarioliberdade.org
Thiago Miranda dos Santos Moreira – ruminantia.wordpress.com
Luka – bdbrasil.org
Renata Lins – chopinhofeminino.blogspot.com
Gilson Moura Henrique Junior – tranversaldotempo.blogspot.com
André Raboni – acertodecontas.blog.br
Rodrigo Cardia – caouivador.wordpress.com
Niara de Oliveira – pimentacomlimao.wordpress.com
Mayara Melo – mayroses.wordpress.com
Hélio Sassen Paz – heliopaz.com

CAMINHOS E DESCAMINHOS DESTE BLOG

Antes de mais nada, preciso dar uma satisfação do “abandono” deste blog à meia dúzia de interagentes que me aturam. Nas duas últimas semanas, tive muito pouco tempo disponível para blogar. Garanto que foram causas nobilíssimas – tanto pela @comdig como pela @agexcom na minha prazerosa jornada pela @unisinos .

Houve também uma série de produções voluntárias bastante laboriosas pelo @gremioprata (principalmente o lançamento do novo site).

Antes de começar, confesso que tenho muita saudade do tempo em que podia analisar um montão de partidas de futebol. Ainda posso assistir a muitas delas. No entanto, sobra pouco tempo para ler resenhas em portais, assistir programas de debates e escrever.

Realmente adoraria poder escrever muito mais sobre o futebol dentro de campo e também poder fazer aqueles posts históricos, como os sobre o único grande craque austríaco na história (Mathias Sindelar) e sobre vários episódios e craques que marcaram o futebol africano (como, por exemplo, sobre a história do futebol em Gana) . Porém, a partir do aumento do meu engajamento político com o Tricolor dos Pampas, sinto-me na obrigação de falar mais sobre o @gremiooficial .

E, infelizmente, nem sempre sobre o jogo jogado dentro das quatro linhas.

Talvez alguns esperassem que eu fizesse deste ambiente de conversação um espaço mais político ou mais voltado à minha atividade profissional (ensino e pesquisa em mídias sociais). Todavia, a minha cachaça (futebol, educação, política e mídias sociais) dentro de menos de um ano deverá se transformar em foco total das minhas atenções sob uma perspectiva multidisciplinar e bem mais acadêmica – que, naturalmente, terá a maior parte da sua visibilidade percebida justamente aqui. ;)

ESTE BLOG É “NORMAL”?!

Nunca pensei em estabelecer um critério rígido para postagens. Normalmente, os blogs de repercussão e audiência mais significativos possuem um tema específico e são voltados para um determinado nicho.

Porém, aqui, costumo tratar sobre uma ampla gama de assuntos. Percebo inclusive que, ao invés de alterná-los (Grêmio, futebol em geral, mídias sociais, ciberativismo e política – não necessariamente nesta ordem), alguns prevalecem sobre os outros em função do contexto socioeconômico, político e cultural das pautas que considero relevantes para serem tratadas.

De tempos em tempos, minha presença digital sofre com alguns conflitos existenciais. O mais dramático e recorrente desses conflitos se deve ao fato de que o meu tempo, os meus interesses e a origem dos links e das discussões que são “a minha cara” vêm das pessoas que sigo no Twitter. E isso reduz a minha capacidade de blogar como antigamente.

Também reconheço uma enorme dificuldade de escrever conteúdo significativo, relevante, de valor, que valha a pena para quem interage com o blog retransmiti-lo, comentar, escrever sobre.

Há, ainda, a gigantesca perda do potencial de multiplicação do conteúdo em função do fato de eu não dominar técnicas de SEO, de não blogar todos os dias, de não ter um foco: quando falo sobre o Grêmio, as pessoas da política me largam e vice-versa. Mas também não tenho aquele interesse todo em fazer deste blog um reduto acadêmico, blasé, teórico (o que talvez me rendesse pontos em um nicho para o qual não pretendo me exibir).

Por fim, perdi muito público quando decidi registrar o domínio próprio. Passei muitos dias com o blog fora do ar, deu trabalho para migrar o conteúdo e muitos interagentes relevantes já tinham o URL antigo em seus respectivos blogrolls.

Enfim… No dia em que parar de me preocupar com essas questões, acho que as coisas vão fluir como terá de ser…