CANSEI: VOU VOTAR NO SERRA!!!*

[IRONIC MODE ON]

Desculpem amigos petistas, mas vou votar no Serra. Sabem porque?

Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou e qualquer um agora se mete a comprar carne, queijo, presunto, hambúrguer, iogurte, etc.

Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa tranqueiragem.

Nos aeroportos, no tempo do PSDB era uma tranquilidade. Pouca gente pra encher o saco. Pouca fila. Agora, um mundaréu de gente viajando, nao tem aviao que chega, uma gentalha da classe media viajando pro exterior, deslumbradas com a viagem, com o aviao, com as aeromoças. Argh ! Nao aguento isso. Ai que saudades daquele sossego bom para nós, gente seleta… fina… nós os verdadeiros brasileiros.

Imagine esses babacas chegando na Europa, a imagem ruim que vão deixar por lá. Estamos preocupados com a imagem do Brasil no exterior. Transformaram os aeroportos brasileiros numa verdadeira RODOVIARIA !!! Mas que merda !

Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus celulares.

O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode isso ? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navegam…

Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de venda a juro baixo e longo prazo, todo mundo tem carro; até a minha empregada tem !!! ” É uma vergonha! “, como dizia o Boris Casoy.

Com o Serra os congestionamentos vão acabar, porque como em S.Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro. Isso coloca um freio nessa classe media e nos pobres ainda mais.

Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire, agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no Braz. Vergonha, vergonha, vergonha…

Cansei de ir em banco e ver aquela fila de idosos no Caixa Preferencial, todos trabalhando de office-boys.

Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do meu sítio agora virou “empreendedor” no Nordeste. Pode?

Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo,SBT,Band, RedeTV, CNT, Folha SP, Estadão, etc.). A coitada da “Veja” passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o fim da picada.

Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus, agora, vão assistir TV até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai cuidar da lavoura do Brasil? Diga aí, seu Lula…

Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria (73% da população, hoje, tem casa própria, segundo pesquisas recentes do IBGE). E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles?

Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora, qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha, aqui do prédio, vai passar férias no Exterior. É o fim…

Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as emoções fortes do governo de FHC. Chega dessa baboseria politicamente correta, dessa hipocrisia de cooperação. O motor da vida é a disputa, o risco… Quem pode, pode, quem não pode, se sacode.

Tenho culpa eu, se meu pai era mais esperto que os outros para ganhar dinheiro comprando ações de Estatais quase de graça?

Eles que vão trabalhar, vagabundos, porque no capitalismo vence quem tem mais competência. É o único jeito de organizar a sociedade, de mostrar quem é superior e quem é inferior.

Eu ia anular o voto, mas cansei. Basta! Vou votar no Serra.

Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido. Quero minha felicidade de volta. Os pobres e a classe media que se danem !

[IRONIC MODE OFF]

Infelizmente, o texto acima não é meu. E nem do meu querido amigo @edubernardon , que me repassou por e-mail.

Como diz na letra de um samba de enredo antigo: “Quá, quá, quá! / Você caiu, caiu! / É brincadeira / É primeiro de abril!”

O BRASIL INTEIRO RUMO AO BLOGPROG!

O I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas (sigam @blogueirosprog e acompanhem a timeline da hashtag #blogprog no Twitter) já causa uma enorme repercussão na web. No momento em que fiz a busca pelo nome do congresso no Google, já haviam sido registrados 63.200 links sobre o assunto.

Não apenas pela inspiração como pela organização incansável e também por uma repeitável fatia destinada aos subsídios que puderam fazer com que um cara como eu, um professor universitário horista iniciante, pudesse participar, agradeço enormemente à Maria Frô, à Conceição Lemes, ao Guto Carvalho, ao Luiz Carlos Azenha, ao Renato Rovai, ao Rodrigo Vianna, ao Paulo Henrique Amorim e ao Eduardo Guimarães, que foram incansáveis para organizar um evento que, por mais simples que seja, exige custos, logística e muita dedicação! :)

Como já falei em um post anterior, será fantástico poder conhecer pessoalmente quase todos os principais blogueiros independentes de esquerda em um evento de confraternização, aprendizagem e compartilhamento de ideias e de experiências. No final das contas, por intermédio de outros caminhos, aquela ideia inicial do Azenha trazida das suas vivências nos EUA como correspondente internacional de criar um blogring (o finado Sivuca que, de início, teve tanta serventia e foi tão inspirador que virou a base do meu objeto-tema na pesquisa da dissertação) finalmente concretiza-se presencialmente.

A mim, sempre interessou pesquisar redes sociais, emergência, política, blogs e crítica da mídia de massa (sobretudo a corporativa, relacionada a esportes e política). Porém, o que me interessa é fazer parte do grupo não como um mero espectador e nem tampouco como um pesquisador distante, frio e calculista.

A permeabilidade entre os ambientes de interação online (nas mídias digitais) e offline (isto é, presencial) é o que gera o verdadeiro sentido da sociabilidade aqui estabelecida. Todos temos muitos problemas relacionados à dificuldade de expandir ainda mais os nossos laços; de denunciar as mazelas da sociedade e de informarmos sobre aquilo que o jornalismo corporativo não informa; e de nos protegermos da patrulha e da censura, tanto a pretensamente legal como da ilegal.

Nós não somos as moscas que comem e espalham os coliformes: essas são as operárias mal intencionadas ou medrosas do PIG. Nós somos aquele outro tipo de mosca – mais poético, mais lúdico e mais consciente. Somos do tipo que pousou na sopa e que veio pra “zumbizar”, como diria o saudoso Raulzito! ;)
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Eis o release escrito pela queridíssima Conceição Lemes, talvez a melhor jornalista especializada em saúde do país, no Vi o Mundo (também já postado por tantos outros grandes blogueiros, como o Renato Rovai e o Guto Carvalho, por exemplo):

Tudo pronto para o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas

por Conceição Lemes

“A liberdade da internet é ainda maior que a liberdade de imprensa.” Ayres Britto, ministro STF.

Com esse lema, acontece na próxima semana o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Será em São Paulo, no Sindicato dos Engenheiros.

Show do grupo de Luis Nassif, na sexta às 20h,  abre o evento. No repertório, choro, samba e MPB.

No sábado,  as atividades da parte da manhã vão das 9h às 12h. Programação prevista:

9h, mesa de abertura: Rodrigo Vianna (SP, Escrevinhador ) e Leandro Fortes (BSB, Brasília eu vi) falam sobre os objetivos e a dinâmica do encontro.

9h30 às 12h, debate: O papel da internet e os desafios da internet, com Paulo Henrique Amorim (SP, Conversa Afiada), Luis Nassif (SP, Luis Nassif Online ) e Débora da Silva (Santos, blog do Movimento Mães de Maio). Moderadores: Rodrigo Vianna e Leandro Fortes.

No sábado à tarde, a partir das 14h, temas que envolvem o dia a dia dos blogueiros:

14h, painel: Ameaças à internet, neutralidade na rede e questões jurídicas, com  Túlio Vianna, professor da Faculdade de Direito da UFMG (MG, tuliovianna.wordpress.com), Paulo Rená  (BSB, Hiperfície ) e Marcel Leonardi, especialista em direito digital e professor da Escola de Direito da FGV-SP. Moderador: Diego Casaes (SP, Global Voices Online).

15h, painel: Como financiar a blogosfera, com Geórgia Pinheiro (Conversa Afiada)  e Leandro Guedes (Café Azul Agência Digital). Moderador: Renato Rovai (Revista Fórum).

16h, oficina: Narrativas na internet (blogs, twitter,tvweb), com Luiz Carlos Azenha (Viomundo), Conceição Oliveira (Maria-frô) e Emerson Luis (Nas Retinas). Moderador  Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania)

No domingo, as atividades também começam às 9h. O objetivo é a troca de experiências. Os participantes serão divididos em seis grupos. Cada um terá dois moderadores, que relatarão seus trabalhos, abrindo espaço para que outros blogueiros façam o mesmo, debatam e proponham sugestões.

Grupo 1: Altino Machado (AC, altino.blogspot.comBlog da Amazonia, da Terra Magazine) e Claudia Cardoso (Dialógico)

Grupo 2: Antonio Mello (RJ, Blog do Mello) e  Lola Aronovich (CE, EscrevaLolaEscreva).

Grupo 3:  Lucio Flávio Pinto (AM, Jornal Pessoal) e Carlos Latuff (RJ,
latuff2.deviantart.com)

Grupo 4: Leonardo Sakamoto (SP, blog do Sakamoto) e e Daniel Pearl Bezerra (CE, Dilma 13Desabafo Brasil).

Grupo 5: Emílio Gusmão (BA, Blog do Gusmão) e Cloaca (RS, Cloaca News)

Grupo 6: Helio Paz (RS, Helio Paz) e Rogério Tomaz Jr (BSB, Brasília-Maranhão).

Desde já, convidamos você a visitar esses blogs, para conhecer um pouco mais os nossos palestrantes. Tem de tudo: economia, política, direitos humanos, meio ambiente,  mulher, questões jurídicas, movimentos sociais, internet. No início da próxima semana, postaremos um texto com mais informações sobre eles.

Aliás, neste final de semana, postaremos a proposta inicial da Carta dos Blogueiros. Leiam, comentem e enviem sugestões para contato@baraodeitarare.org.br

HOSPEDAGEM E ALMOÇO GARANTIDOS; ESTUDANTES PAGARÃO 20 REAIS

Como dissemos desde o início, a comissão organizadora faria de tudo para garantir a participação de blogueiros de fora da capital paulista.

Pois – felizmente!!! – com as cotas de patrocínio vendidas esta semana, temos ótimas notícias.

Primeira:  vamos bancar a hospedagem dos blogueiros do interior de São Paulo e dos demais estados. Será no hotel Braston, da rua Augusta. São quartos com duas camas. O café da manhã está incluído no pacote.

Segunda: a comida está garantida. No sábado, será um almoço num restaurante próximo ao Sindicato dos Engenheiros. No domingo, haverá um superlanche, que incluirá frutas, sucos, lanches naturais. Ele será antes da plenária, quando serão lidos os relatórios dos grupos da manhã. Em seguida, será votada e aprovada a Carta dos Blogueiros.

Terceira ótima notícia: todo estudante pagará 20 reais. Atendendo à reivindicação de vários blogueiros, o desconto não será exclusivo aos alunos de comunicação. Quem pagou além, terá o dinheiro devolvido.

Importante: as inscrições devem ser pagas IMPRETERIVELMENTE até segunda-feira, 16 de agosto, na conta abaixo:

Banco do Brasil
Ag. 4300-1
C/C. 50141-7
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
CNPJ. 12.250.292/0001-08 (é necessário, caso a transferência seja eletrônica)

Por favor, envie o comprovante por e-mail  para contato@baraodeitarare.org.br ou via fax para (011) 3054-1848. Escreva no documento o seu nome, cidade e estado. É para consolidar a inscrição. Indique se precisará de hospedagem.

1º ENCONTRO NACIONAL DE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS

Quando o jornalista com J maiúsculo Luiz Carlos Azenha (Vi o Mundo) propôs aquilo que seria um condomínio de blogs políticos de esquerda (o Sivuca ou Sistema de Muvuca na Internet, hoje deletado da rede mas, felizmente, descrito inclusive com entrevistas do próprio idealizador nas páginas 31 a 47  deste trabalho), fiquei tão entusiasmado que acabei mudando de objeto de pesquisa para realizar a minha dissertação de mestrado: mesmo mantendo como eixo a permeabilidade das relações sociais online e offline, desisti de analisar as interações e os interagentes de um dado grupo de comunidades correlatas no Orkut (seriam esta, esta e esta) para efetuar o mesmo tipo de observação da sociabilidade online e offline a partir do potencial dos blogs como alternativa de expressão à mídia hegemônica. (p. 12)

Não tenho como hábito copiar e colar posts alheios. Prefiro prestigiar a informação original e o trabalho de redação, pesquisa, opinião e construção produsuária dos interagentes a partir de um link que lhes dê maior visibilidade.

Há muita gente boa com quem pretendo trocar ideias olho no olho com um forte abraço que estão muito distantes do RS. São jornalistas, professores, ativistas e militantes em geral de uma causa caríssima para aqueles que – como nós – defendem a democracia plena a partir da liberdade de publicação, circulação, documentação, troca e transformação de informações.

Citarei alguns nomes, pois a lista é enorme:

Maria Frô
Vi o Mundo
Conversa Afiada
Escrevinhador
Brasília, Eu Vi
Blog da Cidadania

A construção coletiva de uma sociedade mais plural depende prioritariamente da emergência de uma comunicação descentralizada e des-hierarquizada. Porém, quando muitos ainda defendem um modelo de Comunicação Social baseado em uma mediação industrializada e institucionalizada sob padrões tayloristas, fordistas e neoliberais, defende-se única e exclusivamente a voz dos patrocinadores dessa mídia ainda hegemônica, cujo objetivo principal é o de difundir valores que estimulem o consumo de seus produtos.

A possibilidade de publicar informação com um olhar próprio a respeito de realidades muitas vezes ignoradas, distorcidas e omitidas pelo pensamento único da mídia corporativa é uma dádiva: a partir dos blogs, podemos demonstrar, denunciar, propor e pressionar tanto empresas privadas quanto o poder público.

O maior desafio para o Brasil deixar de ser apenas uma eterna promessa consiste no empoderamento de comunidades carentes a partir do uso SÓCIO-POLÍTICO-ECONÔMICO E PEDAGÓGICO das TIC. Como escreveu o sociólogo espanhol Manuel Castells em A Sociedade em Rede, embora verifiquemos diferentes níveis de desenvolvimento dentro da mesma sociedade (desde o tribal passando pelo feudal até o industrial e o pós-industrial), apesar do atraso a que são relegadas enormes parcelas da população, estas podem queimar etapas no seu próprio desenvolvimento a partir do uso das TIC.

Uma visão pública e social de esquerda não necessariamente precisa ser partidarizada nem sindicalizada: afinal de contas, é a iniciativa, o domínio técnico e o incentivo constante que levarão alguém a fazer valer a sua voz.

Dentre as várias denúncias de blogueiros processados e presos mundo afora, eu espero poder divulgar as iniciativas dos nossos projetos ainda em fase de implantação na Grande Porto Alegre no Encontro.

Porto Alegre conta com muitos blogueiros combativos que precisam comparecer ao evento.

E eu estarei lá! :)

POSICIONAMENTO DO BLOG: A AGENDA PARA UM NICHO ESPECÍFICO

Assisti (online) à mesa de debates sobre blogs e política da Campus Party 2010. O tema me é caríssimo, pois considero-me (embora a academia não me considere enquanto não estiver disposta a me dar um lugar) um pesquisador iniciante na área.

Sempre vi os blogs como a maior possibilidade que o cidadão não-profissional e não-sindicalizado possui de tornar a sua opinião conhecida pelo público. Além disso, o olhar de quem descreve, elogia e denuncia está cada vez mais próximo do cotidiano do que as práticas usuais da mídia corporativa de massa. Defendo que a blogosfera é capaz de desconstruir o pseudoenvolvimento e o distanciamento nada sociológico e nada psicológico das reportagens e das opiniões de um sistema de comunicação que procura emitir uma única visão de mundo para todos.

A polarização partidária e ideológica restringe a credibilidade de temas e fatos que deveriam estar na boca de todos. A crítica à edição e à apuração baseados na distorção, na omissão, na supervalorização, na minimização, na escolha do que e como deve ou não ser dito (e, sobretudo, nas bandeiras levantadas a favor dos interesses econômicos dos financiadores da mídia corporativa) principalmente em relação a tudo o que envolve política, economia, lei e moral deve ser sempre denunciada e monitorada. Contudo, creio que a maioria dos blogs independentes erra feio ao fazer dessa pauta a sua principal (muitas vezes até mesmo a sua única) razão de existir.

Dentre os maiores erros da blogosfera política dita independente (porém, na verdade, altamente vinculada a ideários partidários e sindicais) é ainda crer que o mundo ainda é regido pela relação entre capital material e trabalho material e pela consequente “luta” de “classes” acima de quaisquer outros pressupostos que deveriam ser levados em consideração nesse atravessamento que vivemos entre dinâmicas sociais tão complexas e amalgamadas entre si.

É importante salientar que não vejo mais sentido algum em defender o modelo da democracia representativa, o voto obrigatório e ter que necessariamente “torcer” por um lado ou por outro. Obviamente, todos têm um lado e devem expressá-lo claramente. Afinal de contas, transparência e coerência são valores altamente desejáveis no mercado da credibilidade política em mídias digitais. Porém, não adianta nada possuir um vasto repertório intelectual e/ou uma vasta experiência de campo e de militância quando os modelos nos quais crêem apresentam-se como estáticos, ao passo que as misturas informais entre escolas não pode ser vista como má intenção ou incoerência.

Infelizmente, a população brasileira é predominantemente covarde e omissa. Os ricos, porque locupletaram-se desde o “descobrimento”; a classe média, porque tem os ricos como exemplos de sucesso e os pobres como a materialização do terror de perder o pouco que têm; e os pobres porque sempre foram bombardeados por práticas e mensagens que sempre visaram o sumo rebaixamento da sua autoestima.

Essas pessoas batem boca. Elas têm uma visão absurdamente simplista e incrivelmente genérica sobre tudo e sobre todos. Futilidades e reacionarismos à parte, todo brasileiro é médico, técnico de futebol, engenheiro, advogado, funcionário público ou empresário. A única forma de eles compreenderem algo de maneira mais complexa é sabendo produzir conteúdo posicionado, sim. Porém, não posicionado para o confronto: informação, opinião e ideologia, mas sem nenhum traço de evangelização.

A meu ver, uma sociedade covarde e egoísta se interessa mais pelo confronto sobretudo em duas situações que parecem bastante nítidas: ou quando o pivô do conflito está relacionado à sua vida cotidiana e afeta diretamente a sua qualidade de vida; ou, então, como uma forma de catarse e de desabafo em um ambiente agonístico e lúdico, porém competitivo.

Percebam nesta segunda situação a importância do esporte de alto rendimento: o campo esportivo é aquele cuja midiatização apresenta da maneira mais direta possível os conflitos e as virtudes mais comumente observados em todos os demais campos sociais: política, afetividade, sucesso, fracasso, doença, empreendedorismo, justiça, moral, religiosidade e assim por diante.

A seriedade do futebol define-se a partir da sua importância como elemento identitário, cultural e de pseudo igualdade social em um país extremamente desigual. No Brasil, a cultura oral suplanta a cultura letrada em um país de péssima escolaridade. Esse quadro favorece a fixação de lições de convivência e de modelos positivos e negativos de conduta social mais ou menos como uma fábula ou um conto. A diferença é que o cacique hoje atende pelo nome Televisão, o papa por Craque, a igreja por Estádio e as principais formas informais de transformação desse ecossistema atendem pelo nome de Mídias Sociais.

O problema-chave para mim desde que comecei a blogar politicamente é o seguinte: se eu não sou conhecido; se eu não sou jornalista, sociólogo nem cientista político e se eu não sou líder comunitário nem filiado a nenhum partido, de onde virá a minha credibilidade e a subsequente expansão da minha rede de interagentes?

A quantidade de entrevistas e de observações de campo é muito pequena. Portanto, não sou um repórter típico.

Procuro na blogosfera e nos portais uma série de opiniões e de notícias sobre os quais me interessa analisar. No entanto, se um jornalista possui uma visão limitada, densamente filtrada, generalista e – normalmente – bastante afastada de fatos e pessoas relacionadas a estes últimos, o que dizer da minha visão, que é a de quem faz a crítica da crítica e está regularmente afastado até mesmo de quem critica por estar distante?

Por isso, a visita sistemática a blogs que parecem ser mais críticos e mais jornalísticos e o uso do Twitter para disseminá-los me parece muito mais significativa do que eu escrever sobre as mesmas coisas. A minha participação como comentador nesses blogs parece ser muito mais legítima, crível e relevante do que se eu postar o mais do mesmo, ainda que de uma maneira só um pouco diferente.

Isso me traz à cultura de nichos: se eu gosto de política, do Grêmio e de esportes em geral, devo trazer a democracia emergente e a crítica das práticas da mídia corporativa para esse âmbito. Tudo o que eu tenho a aprender e a realizar dentro desse pequeno segmento em particular tende a trazer resultados mais relevantes para o ecossistema dessa coletividade em especial.

Todavia, essa opção de pauta não impossibilita – nem diminui o meu interesse – por outros assuntos. É como ter o Bovinão e a Libertadores pra disputar ao mesmo tempo: é preciso priorizar a competição que traz resultados mais significativos ao clube. ;)