VENHA PARA A COMUNICAÇÃO DIGITAL UNISINOS!

A minha trajetória pessoal e profissional me trouxe à UNISINOS. Sinto uma grande honra e um imenso orgulho pelo privilégio de poder aprender constantemente a partir da intensa troca de informações junto a professores altamente qualificados e a alunos curiosos, empreendedores, criativos, críticos, analíticos e dedicados. ;)

É nesse ambiente que se desenvolve a nossa graduação em COMUNICAÇÃO DIGITAL. Várias especialidades surgem dia a dia: arquitetos da informação, designers gráficos, designers de interface, desenvolvedores para várias linguagens de programação, profissionais de marketing digital, planejamento, atendimento, redação, produção e edição de conteúdo, pesquisadores…

O produto final sempre gira em torno da informação a ser produzida, utilizada, compartilhada, transformada e armazenada em suportes digitais cuja finalidade é fazer bens imateriais gerarem riqueza humana e material através de interações em rede.

Hoje, eu não saberia mais ser um publicitário. Tampouco creio que um jornalista seja capaz de viver dentro das especificidades fordistas que ainda mantém um alto grau de ortodoxia na profissão: rádio, TV, jornal, revista… Ora, a cultura digital força todos os profissionais a serem multitarefa, multimídia e transmídia: não é o suporte material o que realmente importa mas, sim, a assertividade, a conversação, a solidariedade, a iniciativa, a participação dentro de um ambiente ubíquo que resultará na importância sociocultural, econômica e política do uso da informação que muda de forma à medida que passa a circular por diferentes aparelhos (computadores, smartphones, tablets) e por diferentes interfaces (web sites, aplicativos móveis, games, bancos de dados por linha de comando, etc.).

Como motivar alguém a denunciar maus tratos em uma comunidade que não tem onde morar? Como tornar o processo de compra em lojas virtuais mais seguro, mais rápido e repleto de valor agregado? Como mobilizar uma sociedade a corrigir problemas sociais com a ajuda de pessoas do mundo inteiro? Como representar graficamente a comparação das vendas de lanches e do uso de material de higiene e limpeza dentro de um estádio de futebol?

É para responder a essas e a uma infinidade de outras perguntas que formamos nossos alunos e precisamos nos manter com o radar ligado para qualquer novidade ou tendência em um universo que não para de apresentar surpresas.

Vem pra cá! A gente vai adorar te receber! ;)

A PRIVATARIA TUCANA

A longa entrevista acima foi concedida pelo responsável pela maior investigação do jornalismo brasileiro no século XXI. Porém, antes de assisti-la, quero muito que @ amig@ interagente leia com muito carinho e atenção a este post. ;)

Mal posso esperar para por as mãos no livro A PRIVATARIA TUCANA, no qual o brilhante autor, o repórter investigativo Amaury Ribeiro Jr., desvenda, detalha, demonstra e comprova aquele que foi o maior saque ao patrimônio e ao serviço público no Brasil em todos os tempos. O livro vendeu tão rapidamente que sua primeira edição esgotou-se em menos de uma semana nas lojas de todo o país: foram 15.000 exemplares vendidos em um único dia (09/12/2011), além de uma nova edição de outros 15.000 ter sido impressa para esta segunda-feira dia 12/12/2011 e já estar quase esgotada.

Como “o povo quer saber” de tudo, não adiantou nem mesmo o próprio Serra tentar intervir de maneira arbitrária, ilegal e autoritária, pois a editora lançou a obra sem nenhum alarde.

O Eduardo Guimarães blogou uma tabela que consta no livro referente ao percentual de cada uma das principais corporações midiáticas do país na privatização das teles. Isso comprova que é impossível termos um jornalismo investigativo, detalhado, sem distorções e sem omissões em política e economia dentro dos grupos Folha, Abril, Estado, Globo e RBS (que mente MESMO). Apesar de conservadores, o SBT, a REDE TV! e a RECORD são menos inconfiáveis em relação a esses temas – mas apenas porque não participaram diretamente do saque.

Muito provavelmente, as quatro únicas revistas de circulação nacional que falam sobre o assunto são a CARTA CAPITAL (semanal), além da próxima edição da mensal CAROS AMIGOS, da LE MONDE DIPLOMATIQUE BRASIL (semanal) e da FORUM, do meu querido amigo Renato Rovai, que pôs um link para a leitura do 11o capítulo do livro. Afinal de contas, todas as outras (Veja, Época e IstoÉ) estão alinhadas com o neoliberalismo e com a oligarquia coronelista, corrupta e entreguista, sendo que Veja nem jornalismo faz mais: é um reles panfleto criminalizador e acusatório que não comprova seus factoides e, de quebra, ainda forja provas.

É importante, ainda, salientar o post do cineasta Jorge Furtado no magnífico blog da CASA DE CINEMA DE PORTO ALEGRE, com suas considerações acerca do que leu.

No Observatório da Imprensa, o jornalista Luciano Martins Costa tocou em um ponto que, particularmente, me é muito importante: a repercussão do livro nas mídias sociais tem sido muito mais ampla e as discussões tem sido muito mais ferrenhas do que nas centenas de veículos da mídia corporativa majoritária e de seus dezenas de sócios e parceiros espalhados por todos os rincões desta nação continental de mais de 8,5 milhões de Km2 de área e quase 200 milhões de habitantes. Em função do que o Edu expôs (aqui, de novo, o link para o seu post), é mais do que natural que a verdade dos fatos não seja a história editada ao gosto do dono da mídia, de seus financiadores e de seus amigos. Na mesma linha, a jornalista Maria Inês Nassif publicou na AGÊNCIA CARTA MAIOR sobre o “silêncio” da mídia corporativa em relação a essa pauta que, caso fosse contra pessoas ligadas ao PT, já teria virado n edições com mais de cem páginas a pipocar pelas bancas do país.

No site do JORNAL DO BRASIL (que já foi o melhor jornal de circulação nacional do país e perdeu bastante espaço por não ser propriedade de nenhum banco multinacional ou por não ter sido comprado por nenhuma corporação hegemônica), o jornalista Jorge Lourenço cita o fato de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ter sido o único peessedebista a manifestar-se sobre o assunto. Afinal de contas, aos 81 anos de idade e relegado ao ostracismo, sem nenhuma ambição política e repleto de incompetentes como seu herdeiros políticos, nem o serrismo e tampouco o aecismo foram capazes de se defender publicamente – sem contar que o telhado do próprio FHC é de vidro por pelo menos duas razões: esta e mais esta

De qualquer forma, o livro de Amaury também cita o deputado estadual do PT-SP Rui Falcão e o ex-ministro Antônio Paloci por relações de envolvimento com parte desse esquema. Por isso, Falcão proce$$a o jornalista.

Ontem, no Twitter, amigos de esquerda não-alinhados ao Governo Dilma e – em sua maioria – descrentes na política partidária e no atual modelo de democracia dita representativa comentavam comigo algo em que concordo: apesar do tamanho da gravidade do fato e de ser impossível que não haja ninguém do PT envolvido em uma série de outros escândalos (ainda que, num montante aparentemente menos vultoso e muito menos danoso ao erário do que os promovidos pelos neoliberais de fato), em política, não se deve torcer para nenhuma personalidade e por nenhum partido ou coligação como se torce por um time de futebol. Não se deve ter nenhuma reverência a ideologia alguma, seja ela pura ou híbrida, como se fosse uma religião. Mas, principalmente, não podemos JAMAIS tornar essa crença ou essa torcida algo hipócrita, preconceituoso ou revanchista em relação a nada nem a alguém. Afinal de contas, o sistema não dá mais conta da multiplicidade de demandas da sociedade e, ao invés de alterá-lo para melhor, quem antes clamava por mudanças infelizmente tornou-se um intransigente defensor de um legalismo injusto que perpassa a necessidade de, à luz do debate, procurarmos implementar uma nova legislação, aí, sim, legalmente mais justa.

Se alguém quiser me dar um presente de Natal que me faça pegar ainda mais nojo do que de pior há em termos de antidemocratização da Comunicação brasileira, será aceito de muito bom grado. ;)

POR UM NOVO DISCURSO SINDICAL

 

Tenho me preocupado bastante com o uso de linguagens assertivas para comunicar ideias que façam com que os cidadãos de todas as idades ajam presencialmente para aperfeiçoar cada vez mais o mundo em que vivemos. Muito embora a realidade indique que as revoltas em cascata que permeiam os ambientes online e presencial neste ano de 2011 decorrem do abandono do estado e da especulação liberal que acarretam na precarização do trabalho, percebo que o discurso partidário e sindical está desencaixado de quase todos os demais setores da sociedade, que não possuem o menor interesse em abraçar qualquer causa política sob esses termos.

Os sindicatos são fundamentais para garantir direitos trabalhistas que protejam o cidadão. Diria que eles são muito mais importantes do que os partidos. No entanto, eles precisam atualizar o seu discurso, a fim de voltá-lo para uma parcela da população que não os conhecem, ou os tratam com preconceito e criminalização.

Embora eu mesmo viva cometendo a grave falha de discutir política sob condições hoje tidas como antiquadas porque envolvem muita raiva e muita paixão, procuro verificar nos discursos jornalístico e publicitário voltados para as mídias sociais digitais alguma solução capaz de atingir à classe média urbana e de trazer aquela energia da juventude à tona.

A publicidade e o jornalismo ensinam muito a todos os que conseguem compreender tecnicamente a produção e o objetivo voltados à satisfação dos interesses de quem encomenda cada peça ou cada matéria. Em função dessa faceta comercial e ideológica, a mídia corporativa e as agências que atendem as contas dos anunciantes hegemônicos desenvolvem produtos que, de maneira subliminar, apresentam objetivos que vão muito além da compreensão média daquilo que chamamos de senso comum.

A questão de fundo refere-se à processualidade e ao cotidiano das práticas jornalísticas e publicitárias submetidas a uma indústria que atravessa e é atravessada por uma lógica socioeconômica e cultural de preservação do status quo protagonizada por uma minoria hegemônica. Portanto, tratar toda a publicidade e todo o jornalismo como a encarnação do “mal” é um erro crasso: primeiro, porque a divulgação de uma ideia qualquer a partir de um discurso que sempre visa o convencimento do público nem sempre está a serviço do neoliberalismo e do consumismo; segundo, porque a sutileza e a subjetividade (com ou sem o uso de mensagens subliminares) nem sempre são artifícios voltados para enganar as pessoas e para esconder a verdade; terceiro, porque não é nada fácil prospectar clientes para viver por conta própria e as vagas dentro dos veículos e das agências consolidadas são escassas mesmo em temos de economia crescente; e quarto porque é preciso entender que o dono, o editor, o diretor de criação e o marqueteiro não são exatamente desonestos porque não creem que o sejam; e, finalmente, em quinto lugar, é fundamental lembrar-se que os funcionários subalternos de várias áreas dentro do jornalismo e da publicidade obedecem ordens, memorandos, diretrizes, manuais e briefings não como pequenas cobras criadas nem como seres ingênuos mas, sim, como profissionais que vendem a sua força de trabalho, a sua produção técnica e intelectual. Infelizmente, nem todos possuem o empreendedorismo, a oportunidade, aptidão ou talento para criarem um coletivo de comunicação que funcione como uma cooperativa.

Sem querer generalizar mas já generalizando, os sindicatos são estruturas burocráticas que, mesmo atuando em defesa do trabalhador e possuindo informação correta sobre questões políticas, econômicas e jurídicas além da sempre importante crítica da mídia corporativa, pecam por defender partidos e por tentarem manter uma atitude purista em termos ideológicos.

E é para sair desse purismo que insisto na necessidade de aceitar que é preciso ter um discurso mais espetacularizado, voltado ao consumo de suas ideias expostas de maneira simplista e bombástica, porém assertiva. É preciso descomplicar para buscar atingir a classe média urbana sem exatamente confrontá-la com as suas aspirações neoliberais nem com o conservadorismo que a caracteriza. É preciso investir em um padrão técnico-estético contemporâneo, mais dinâmico, de cortes secos, de imagens frenéticas, de músicas de fundo com batida forte, com o uso de um vocabulário mais jovem.

Cada público e cada contexto socioeconômico e cultural demandam diferentes discursos. A sociedade não é mais de massas mas, sim, de nichos que, ao aglomerarem-se eventualmente para a consecução de demandas bastante pontuais, torna-se uma multidão. A multidão é multifacetada e não necessariamente segue os mesmos valores ou sente a necessidade de manter o mesmo nível de envolvimento para demandas diferentes. Segundo Negri e Hardt, a multidão diferencia-se bastante da massa, do povo e da classe operária: a massa seria uníssona; o povo seria homogêneo e a classe operária não possui mais um papel hegemônico nem protagonista como organizadora das formas de luta e de resistência em uma sociedade eminentemente urbana. Afinal de contas, o mundo contemporâneo move uma economia do capital social, do mérito, dos commons e da solidariedade não-ideologizadas cujo produto/moeda de troca é essencialmente o trabalho imaterial.

Dessa forma, vejo como fundamental a inserção do sindicalismo nas mídias sociais como um ator conversacional, dialógico e interagente, que precisa ler, ver e ouvir não mais o seu público-alvo direto (o operariado) mas, sim, buscar a compreensão da sociedade como um todo para as suas causas legítimas, que são deslegitimadas não apenas pelos donos dos meios de produção mas, sobretudo, por uma sociedade que não se identifica com o sindicalismo.

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NOTAS

[1] V. págs. 80 a 84 item 3.2 “A Legitimação do Campo Jornalístico”; págs. 84 a 86 item 3.2.1 “A Esfera Pública” e págs. 86 a item 3.2.2 “Campos Sociais” (baixe aqui)