TORRES: STEVIE G PARA MELHOR DO MUNDO

Honestidade, humildade, franqueza, respeito e reverência são atitudes nobres que, infelizmente, são pouco vistas no futebol brasileiro. Depois do triste exemplo de ignorância, de arrogância e de espírito de porco que o infeliz e imaturo goleiro Bruno do Flamengo fez ao referir-se ao auxiliar técnico ANDRADE (que dispensa comentários – foi o maior centromédio que eu vi jogar ao vivo, pois não tive o prazer de assistir CLODOALDO e considero FALCÃO um jogador de outra posição, embora também tenha sido genial), só mesmo um BOM exemplo vindo do que a Europa tem de melhor.

O frio, eficiente, habilidoso e velocíssimo centroavante espanhol FERNANDO TORRES afirmou o seguinte sobre seu capitão e colega STEVEN GERRARD:

clipped from globoesporte.globo.com

Torres até entende que outros times se interessem
no futebol do inglês. Porém, Gerrard ficará no Liverpool até se
aposentar.
- Não existe time no mundo que não o queira em seu
elenco. Tem um talento especial e é o melhor jogador com quem já
atuei. Se a equipe está mal, aparece e chama o jogo para si. Só
quem pode fazer isto são os grandes. Facilmente ele poderia ser
o melhor do mundo – finalizou.
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GRÊMIO, CONTEXTO, TÉCNICO, PLANTEL, FINANÇAS, 2009

Talvez eu seja um dos raros gremistas que nunca nutriu nenhum sentimento negativo em relação ao técnico Celso Roth, embora admita que suas convicções teimosas e o seu tempo no mercado tornam qualquer campanha imprevisível, já que é comum ele acertar quando menos se espera que ele acerte ou, pelo contrário, que Roth erre quando a maioria acha que ele iria acertar.

O Paulo Vinicius Coelho (é sem acento, mesmo), o PVC da ESPN Brasil e colunista da Folha, pra mim, é o melhor comentarista do país porque ele trabalha sempre baseado em estatísticas. O cara é uma enciclopédia ambulante da história e das escalações de todos os times lendários do país, não apenas os do eixo Rio-São Paulo. Ele deve ter uma biblioteca monstruosa e uma quantidade de contatos gigantesca, além de uma memória privilegiadíssima.

Ano passado, ele falou duas coisas que me marcaram bastante:

1) Roth nunca fez uma campanha pior do que 58% em nenhum campeonato que tenha participado. Isso garante vaga na Sul-Americana e, dependendo da temporada, pode também garantir um 4º ou 5º lugar e vaga na Libertadores. Quando seus times não chegaram a essas posições, foi porque ele chegou no meio da temporada pra apagar algum incêndio, isto é, pra salvar do rebaixamento;

2) O São Paulo tendia a dar poucas chances para o Goiás na última rodada porque jogava pelo empate e jogaria pela 11ª vez com o mesmo trio de zagueiros (Rodrigo, Miranda e o outro não lembro) que não havia perdido nenhuma partida. E, até aquele momento, o São Paulo não dava mostras de nervosismo, pois seu número de cartões e de expulsões estava abaixo da média.

Parece bobagem, já que o futebol é apaixonante justamente por ser um dos raros esportes em que o favorito nem sempre ganha (os outros considero os esportes a motor, que dependem de máquina e clima). Contudo, esse detalhe, que parece uma preocupação “americanizada”, é superimportante, pois determina uma TENDÊNCIA MUITO FORTE, com uma margem de acerto muito alta (acima de 80%).

Então, eu parei totalmente de ouvir rádio, só dou uma passada de olhos no Correio do Povo e não assisto mais a programas de debates entre comentaristas gaúcho. Sinceramente, eles são muito amiguinhos de alguns dirigentes (Fernando Carvalho, que os recepcionava com churrascos em seu escritório) e jogadores e “inimiguinhos” de outros (Celso Roth, por não submeter-se com sangue de barata às suas inquisições inócuas) pra serem levados a sério. Podem até ser senhores de respeito e profissionais tecnicamente corretos. Porém, a postura, o vocabulário, o tipo de análise e, finalmente, o fato de defenderem e valorizarem o Gauchão, que não leva nem os times do interior a lugar algum, me afastam desse tipo de discussão.

Se era pra trocarmos de técnico, isso teria que ter sido feito no verão, logo após o término do Brasileirão. Mas era justo que se tentasse manter Roth, apesar do time ter entregado o título, em função de sua posição inédita e da melhor campanha do GRÊMIO em um Brasileirão de pontos corridos. Dada a supremacia econômica do São Paulo, do Palmeiras, do Cruzeiro e do Internacional; ao trabalho profissional realizado pela parceria do Fluminense com a Unimed; à estabilidade nas contas do Santos e, finalmente, ao fato de que o Flamengo (mesmo em crise) possui um plantel parelho com o do GRÊMIO, considero que fizemos milagre em função da nossa penúria financeira, que nos impede de contratarmos jogadores experientes, porém não-bichados; com boa qualidade técnica E atitude. Por isso, nosso capitão é uma pessoa boa, porém instável emocionalmente e ele transmite um certo medo ao restante do grupo.

Insisto mais uma vez: aquele time campeão da Série B não teria mantido o GRÊMIO na Série A. O nível de exigência é muito diferente. Prova disse é que o pessoal da ESPN Brasil (principalmente os chefes de reportagem e principais comentaristas, PVC e Mauro Cezar Pereira – é com Z, mesmo) não duvidam, porém acham difícil que o Corinthians seja capaz de classificar-se à Libertadores 2010. Se nada mudar na janela de verão (europeu), com muita garra e uma dupla iluminada (Ronaldo e Dentinho), eles deverão garantir uma vaga na Sula. Pra Libertadores, o furo fica bem mais embaixo.

Não tenho o hábito de cuspir no prato em que comi. Eu relembro a história, reverencio ídolos, reconheço o trabalho competente que deu saudade e valorizo muito a contribuição de quem já passou pelo nosso GRÊMIO. De qualquer forma, apesar da regularidade e de uma certa surpresa com o 3º lugar em 2006 recém voltando da Série B, o GRÊMIO tinha, sim, um plantel um pouco mais qualificado do que os de 2007 (vice-campeão da Libertadores) e, mais ainda, do que em 2008. Hugo e Diego Souza entrariam com um pé nas costas nesse time, além de Pereira ser um jogador regular que não poderia ter sido excluído do clube. Lucas, Carlos Eduardo… Comparem: Roth só tem de melhor do que Mano à sua disposição os dois laterais.

E, de maneira geral, a maioria de nossos jogadores não tem COJONES pra chamar a responsabilidade pra si. Quando o fazem, o fazem com medo de errar. A única frase do prof. dr. Luxerlei Vanderburgo que considero interessante é: “O MEDO DE PERDER TIRA A VONTADE DE GANHAR”.

Por fim, como já falei em um recente post em vídeo, apesar das proporções serem quase incomparáveis (um técnico e 60% de um plantel tricampeões brasileiros, muito dinheiro e muito poder político), a campanha do São Paulo no Paulistão é praticamente igual à do GRÊMIO e nunca ninguém falou em mandar técnico e jogadores embora. Não se enganem: o SPFC põe muito dinheiro fora com contratações caras que não dão certo. Além disso, o Muricy já cansou de ser muito mais estúpido com a imprensa do que o Roth e já cometeu erros crassos em jogos.

Isso posto, por mais que eu queira, não vou cobrar da direção nem do plantel ou do técnico algo que, quase com certeza, infelizmente eles não tem condições de proporcionar à torcida do GRÊMIO em 2009: uma vaga à Libertadores 2010.

Contudo, mesmo que se mude de técnico após uma eliminação na Libertadores 2009 (a não ser que cheguemos pelo menos à final), irei torcer até o fim, elogiando o que tiver que elogiar e criticando o que tiver de criticar.

Ainda assim, em função de alguns jogos na altitude e da dificuldade de ganhar fora de casa, o percentual médio de Roth (58%) é mais do que suficiente para ser campeão da Libertadores – e bem.

Com tudo isso, não quero defender demais a quem não precisa de advogado de defesa, nem atacar com exagero e má vontade a quem não cometeu erros suficientemente graves para merecer ser tratado dessa maneira. Ao mesmo tempo, o fato de eu insistir na falta de atitude deste plantel (o que provavelmente irá levar o GRÊMIO a uma ‘cucana botafoguização’) e na penúria financeira (na qual ninguém mais fala) tem como objetivo evitar que a torcida se iluda. O trabalho é o POSSÍVEL, de acordo com nossos bolsos quase raspados. A farra da ISL quase acabou com o clube, que ainda demorará cerca de uma década de trabalho quase perfeito fora de campo para se estabelecer no mesmo patamar do SPFC, do Cruzeiro e dos fragários.

Por hora, o melhor que temos a fazer é apoiar, alentar, torcer, valorizar, respeitar. Mas, acima de tudo, criticarmos com uma certa compreensão desse contexto desfavorável. No fundo, o que eu quero não é me conformar mas, sim, SER SURPREENDIDO NOVAMENTE.

PORTO ALEGRE: OU MUDA AGORA, OU ACABA DE VEZ

O custo em eletricidade para iluminar e bombear água em prédios e a diminuição da sociabilidade tornam o porto-alegrense mais frio, menos politizado, indiferente, passivo e pouco participativo

O altíssimo custo em eletricidade para iluminar e bombear água em prédios; a diminuição da sociabilidade; a mega produção concentrada de lixo e de esgoto e as doenças respiratórias cada vez mais comuns em função da poluição gerada pelo excesso de pessoas que trafegam sozinhas em seus automóveis tornam o porto-alegrense mais frio, menos politizado, indiferente, passivo e pouco participativo

Fonte segura me informou sobre algo muito grave que, infelizmente, não foi e nem será veiculado na mídia corporativa com o devido destaque.

O deputado federal ELISEU PADILHA (PMDB, senhor feudal do Litoral Norte que, conforme meus pensamentos mais descrentes na falta de inteligência e de politização dos gaúchos em geral, deverá ser, dentro de no máximo 12 anos, governador do RIO GRANDE DO SUL) foi incumbido pelos intere$$e$ da construção civil a fazer lobby junto ao ministro da AERONÁUTICA em Brasília para que seja liberada a construção de prédios de até 82m de altura em PORTO ALEGRE. O argumento do pouco competente e nada técnico ex-ministro dos transportes de FHC foi na seguinte linha: caso as construtoras possam fazer quase tudo o que quiserem na cidade, seriam gerados 30 mil empregos na construção civil.

Esse papo faz com que os sindicatos dos operários ou inocentes úteis (contratados com salário mínimo e que dificilmente ganham hora extra ou buscam seus direitos) apoie incondicionalmente essa iniciativa tanto por necessidade como por ignorância. Então, a contrariedade técnica, política, simbólica, ideológica e afetiva representada pelos movimentos sociais, pelas ONGs, pelas associações de bairro e por uma multidão de classe média quase excluída das entrevistas, das colunas e dos comentários não é vista pelos consumidores mais conservadores do noticiário regional. Dessa forma, os empresários da construção civil, que representam uma das parcelas mais significativas dos anunciantes corporativos dos veículos impressos da RBS (juntamente com bancos, montadoras de automóveis, operadoras de telefonia móvel, grande varejo e o agronegócio monocultor, extensivo, transgênico, latifundiário, exportador e comoditizador) são blindados pelo discurso 100% favorável a seus intere$$e$ por essa mídia hegemônica.

Enfim, é ASSIM que a coisa funciona…

A falta de liberdade e de descentralização nos meios de comunicação alija-nos de um dos direitos mais importantes registrados na CONSTITUIÇÃO DE 1988, que é o direito à comunicação, isto é, de sermos bem informados, da maneira menos imparcial e mais massiva possível, com democracia e pluralidade de opiniões, a fim de ajudar a sociedade a DEBATER, DISCUTIR, ENVOLVER-SE com a política econômica, simbólica e partidária que, queiram ou não, definem, sim, grande parte de nosso futuro como habitantes de uma urbe cuja preservação, evolução, planejamento e salubridade depende, mais do que nunca, da SUSTENTABILIDADE que NÓS MESMOS somos capazes de definirmos a partir de um AGIR SOCIAL voltado para o BEM COMUM.

Segundo o Ministério da Aeronáutica e a ANAC, o ângulo mais agudo possível em termos de segurança para aterrissagens e decolagens em função da distância dos supostos espigões comerciais e residenciais do entorno da ‘arena’ permitiria, “estourando a tanga” (como diria o filho da minha noiva), 64m – o que já é um absurdo.

Até onde se sabe, a animação que ainda não transformou-se em um projeto suficientemente formal a ponto de poder ser apreciado por técnicos competentes (biólogos, engenheiros civis, arquitetos urbanistas e advogados). No entanto, a intenção é construir prédios de 72m.

Para vocês terem uma idéia, moro em um prédio construído em 1972 no bairro Petrópolis. Na época, era o prédio residencial mais alto da cidade, assim como o prédio vizinho também da mesma época e com um projeto quase igual, executados pela mesma construtora, que é (ou era, não sei mais se existe) de São Paulo. Cada um desses dois condomínios possui 15 andares e mais as torres dos elevadores com antenas de operadoras de telefonia móvel, totalizando aproximadamente 50m cada.

Como ambos ficam no início da descida de uma colina em uma avenida muito movimentada e há uma série de outros prédios (os menores com quatro, os maiores com 12 andares) até o pé da colina, todos lado a lado em uma curva aberta, forma-se um paredão que, no inverno, é responsável pelo encanamento e pelos uivos de ventos fortes e gelados em função do atrito com os cantos das fachadas dos prédios. Dada a sombra desses prédios sobre a calçada, a sensação térmica e a dificuldade de evaporação da umidade no inverno são terríveis.

Quando viemos morar aqui há quase 15 anos atrás, podíamos enxergar até mesmo os veículos trafegando na Av. Carlos Gomes. Hoje, quase não se consegue enxergar além da primeira quadra paralela à Av. Nilo Peçanha naquela direção.

Naquela época, eu pegava sol durante grande parte do dia nas calçadas de quase todas as ruas nos quadriláteros compreendidos entre Anita Garibaldi, Carlos Gomes, Carlos Trein Filho e Nilo Peçanha e também entre Carlos Gomes, Nilo Peçanha, Carazinho e Protásio Alves. Atualmente, apenas os privilegiados moradores da feia e triste paisagem formada pelos prédios com 15 anos ou menos de construção e pelo menos oito andares de altura que dizimaram no mínimo 80% das casas dessa região recebem insolação durante boa parte do dia. Mesmo assim, dentro de seus apartamentos de R$250.000,00 a R$1.200.000,00, localizados em “pombais de luxo”. Nas calçadas das ruas que não tangenciam a direção que o sol faz do nascente ao poente, o que antigamente era sinônimo de qualidade de vida agora tornou-se um ambiente menos salubre.

A população de Porto Alegre, no censo de 1980, apresentava pouco menos de 1.300.000 habitantes. Hoje, passadas quase três décadas, é a capital que apresentou o menor crescimento vegetativo de sua população, não chegando ainda a 1.500.000 segundo a última estimatica do IBGE.

Então, COMO JÁ FALEI, a supervalorização dos imóveis muito acima da inflação, do dólar e das necessidades do CUB e a construção desenfreada de prédios que empilham famílias umas sobre as outras é MUITO SUSPEITA: muito MESMO. Em termos de qualidade de vida, a segurança – ao contrário do que o uso incompetente e a dilapidação do patrimônio e do corpo funcional da Polícia militar por parte de um estado que mente o tempo inteiro sobre uma suposta solvência de suas pesadas dívidas – é resultado de educação, saúde e respeito à diversidade das pessoas que compõem a nossa paisagem. Não é passando o tempo inteiro dentro de casulos móveis poluidores e enclausurados dentro de fortalezas (in)violáveis com grades e pesados custos condominiais com a contratação de portaria e segurança que a situação irá melhorar. É importante salientar, ainda, que as empresas particulares de vigilância estão também entre os grandes anunciantes da mídia. O resultado desse investimento publicitário que sustenta a mídia é o aumento sensacionalista da proporção da violência urbana a fim de disseminar o medo entre a parcela mais conservadora e inculta da classe média, aquela mais egoísta e que menos se mistura com o povo a qual chamo carinhosamente de CLASSE MÉRDIA.

O que inibe a ação dos criminosos é a presença maciça de pessoas NAS CALÇADAS, nas PRAÇAS, nos PARQUES. O que atrai os criminosos é o fato da maioria das pessoas preferirem trafegar dentro de casulos dos quais dificilmente tem como escapar de uma ação violenta vinda por trás ou pelos lados.

A falta de preocupação com a qualidade do ar, com a biodiversidade e com o risco de aumento de doenças respiratórias sobretudo durante o inverno facilitaram a construção desses monstros, abrindo o precedente para que a região mais nobre da cidade entre o Centro e a zona norte (São João, Higienópolis, Auxiliadora, Petrópolis, Bela Vista, Mont Serrat, Três Figueiras, Chácara das Pedras, Independência e Rio Branco) fosse, com o tempo, tornando-se cravejada por esses prédios residenciais.

É por isso que eu, como todo bom apocalíptico, penso sempre no pior antes de pensar no melhor, já que esta é a única maneira de nos prevenirmos ou de modificarmos radicalmente o estado das coisas. A pressão feita pelo pessoal do FÓRUM DE ENTIDADES é fundamental, engajada, esclarecedora, madura e, acima de tudo, honesta e altruísta. Todavia, se não houver uma pressão real da CLASSE MÉRDIA (egoísta, IGNORANTE e DESPOLITIZADA) que se cala e deixa que decidam tudo por ela, PORTO ALEGRE vai acabar, pois já possui traços marcantes DO QUE DE PIOR EXISTE EM SÃO PAULO E NO RIO DE JANEIRO.

Enquanto a mídia corporativa e a maioria das pessoas não se conscientizarem de que o excesso de concreto, cimento, tijolos, vidro e o aço propagam calor piorando a sensação térmica do verão e que esses materiais não funcionam como substitutos do equilíbrio térmico proporcionado pela evapotranspiração da terra nua, das árvores e das plantas em geral, PORTO ALEGRE está caminhando para a beira do abismo.

Conheço as capitais de 16 estados brasileiros. Só não tive o prazer de visitar as capitais das regiões norte e centro-oeste, além de Teresina e São Luís. Posso afirmar sem medo de errar que, em termos de pior qualidade de vida, São Paulo é a primeira e Porto Alegre é a segunda, seguida de perto por Curitiba e Goiânia.

Não por acaso as cidades onde a construção civil deita e rola.