O MAL DO GRÊMIO É O MAL DO FUTEBOL BRASILEIRO

A análise de dois comentaristas de futebol da mídia corporativa hegemônica (Luís Zini Pires e Wianey Carlet) constata pontos óbvios sobre o Grêmio de 2013. Contudo, nenhuma delas atinge o cerne da questão: para o primeiro, nos falta ambição; para o segundo, paira a dúvida sobre se somos limitados ou covardes.

Em vários grupos de sócios tricolores no Facebook e nas aparições de vários parlamentares tricolores na mídia local, todos relatam que a falta de ambição, a limitação técnica e a covardia estão diretamente relacionadas.

Penso que tanto a análise superficial e meramente objetiva dos jornalistas e a visão um pouco mais aprofundada via torcida estão corretas, mas não se limitam a isso: afinal de contas, se os problemas do futebol refletissem uma mera relação entre causa e efeito, todas as soluções seriam simples e rápidas.

Política de gestão clubística à parte, o ponto que qualquer dirigente precisa combater com urgência refere-se à economia predatória que une jogadores, técnicos, agentes e maus dirigentes.

O futebol de ponta não é diferente do meio empresarial em relação às contratações: quem tem melhor currículo e se sobressai nos indicadores intelectual, acadêmico, prático, técnico, analítico, observador, físico, tático, emocional, afetivo e/ou comunicacional custa mais caro e pode escolher aonde deseja trabalhar.

Porém, há uma diferença essencial entre o funcionário do futebol e funcionário corporativo: nas empresas, se o funcionário não atingir a meta e for constatada a sua responsabilidade como protagonista para o insucesso no resultado esperado, ou ele é demitido, ou ele é deslocado para uma função de menor responsabilidade. Consequentemente, ele se desvaloriza.

Já no futebol, as consequências do mimo de uma estrutura paternalista baseada no lobby e no jabá são devastadoras para o desenvolvimento do esporte no país. Por exemplo:

– O jogador rapidamente perde a paciência necessária à aprendizagem técnica;

– O tempo de maturação necessário de treinamento e de repetição de jogos sob a mesma mecânica de jogo e com os mesmos colegas é podado pela raiz: com isso, não se aprende a valorizar os resultados;

– Os 15% na mão do jogador a cada transferência e a possibilidade de transferir-se de clube duas vezes por ano criam nômades dinheiristas, mas não produzem JOGADORES PROFISSIONAIS de futebol;

– Os “empresários” (agentes) aumentam a pedida do salário dos jogadores porque ficam com um percentual dos vencimentos, combinado contratualmente com os pupilos. Sempre que um dirigente aceita pagar um montante extra que não se justifica pelo histórico do atleta, cria-se um monstro: o clube não tem garantia nenhuma de que o jogador irá atingir ou superar a meta porque contrata apenas para evitar que o rival o contrate, ou – pior – considera como símbolo de grandeza o fato de divulgar que irá pagar X ao boleiro bem assessorado.

Portanto, a maioria dos clubes da Série A do Brasileirão obriga-se a proporcionar a ira de seus torcedores, arriscando perder sócios e dificilmente mantém uma boa média de ocupação de suas arquibancadas porque criou o seguinte círculo vicioso:

– P/manter os preguiçosos de vida ganha e sem ambição cujo nome (marca) irá vender algumas dezenas de milhares de camisetas durante alguns meses, paga-se no mínimo o triplo do que cada um deles realmente vale;

– Como a esmagadora maioria dos guris das categorias de base vem de fora trazida por agentes, ela não possui identidade nem afeto pelo clube, pois é ensinada desde cedo a pular da barca com a primeira dificuldade que surge (desentendimentos, excesso de carga de exercícios, promessas não-cumpridas, etc.).

Assim, os clubes acabam sequer possuindo um percentual decente nos direitos federativos no momento da revenda; quando algum medalhão não dá certo, sem mercado para venda, precisam emprestá-los reforçando adversários diretos pagando ainda parte de seus salários.

Infelizmente, a única forma de terminar com essa SURUBA é o surgimento de uma verdadeira LIGA, com rendimentos de patrocinadores e direitos de imagem idênticos para todos os clubes, que diferenciar-se-ão uns dos outros financeiramente a partir da quantidade de sócios, simpatizantes e consumidores.

E que todos os clubes estabeleçam um teto salarial, um prazo padrão de duração do contrato dos jogadores vinculado à idade e a requisitos facilmente mensuráveis de condição física, bem como salários menores para quem vem de fora e salários maiores para quem é formado em casa, com cotas de produtividade para todos.

No entanto, sempre irá faltar maturidade e sobrará ganância e falta de visão sistêmica.

email

A MAIOR LIÇÃO DE FUTEBOL QUE JÁ APRENDI NA VIDA

Há exatamente uma semana atrás, completei 40 anos de vida. E tal efeméride suscita uma série de reflexões. Existencialismo, família, afetos e profissão à parte, é hora de aprender a usar melhor o cérebro inclusive quando se pensa o futebol com seriedade.

Hoje, aprendi que não é ADULTO nem PROFISSIONAL dizer que jogador, técnico ou dirigente A, B ou C do clube X, Y ou Z, com ou sem amostragem anterior de sucesso ou insucesso seja “amarelão”, “pé-frio” ou que “tenha/não tenha a ‘cara’ do clube”: afinal de contas, cada momento reflete um único instante, que presume prêmio ou castigo a partir não do conjunto da carreira nem de lembranças evocadas pelo passado…

…E esse instante é fruto da confiança, da insistência, do trabalho e também do acaso. Pode acontecer com qualquer um. Victor foi culpado pela perda de um reles Gauchão por Vanderlei Luxemburgo. Chiquinho Cersósimo, treinador de goleiros, foi para o mesmo Atlético-MG. Hoje, Galo, semifinalista da Libertadores pela primeira vez desde 1978 (quando perdeu para o River Plate), e Corinthians, atual campeão da América do Sul e do mundo, contam, cada um, com quase meio time oriundo de Grêmio e do Tradicional Adversário. Pergunto: será que a ESQUIZOFRENIA, a IMATURIDADE, a PRESSA e o DESESPERO de uma rivalidade cada dia mais INSANA entre os dois grandes do RS, que contamina dirigentes, comissões técnicas, imprensa e torcidas não contribuem para que o que dá certo aqui dure tão pouco e o que não dá certo perdure por tanto tempo?! O amadorismo (na pior assepção da palavra) impera.

Salvo aqueles POUCOS (muito poucos, poucos mesmo, escassos, raros, raríssimos) fãs do esporte bretão que não caíram na tentação de procurar pêlo em ovo e de arranjar um bode expiatório para as mazelas muito mais graves pelas quais passavam (e ainda passam – pelo menos até o próximo título relevante) tanto o GRÊMIO como o nosso Tradicional Adversário, todos nós devemos nos envergonhar de como tratamos o goleiro VICTOR, que foi do céu ao inferno em nosso clube por culpa única e exclusiva da nossa passionalidade absurdamente pueril, que aflora sempre da pior maneira possível quando decidimos, por livre e espontânea vontade, empalarmos a nós mesmos com o que deveria ser a nossa maior virtude nos momentos de crise – o uso da razão.

Não podemos dizer que Victor foi vilipendiado por culpa da imprensa: não em seu caso. Quem o desrespeitou, quem dele suspeitou, fomos nós. Que vergonha, que vergonha! Ah, como eu odeio ser injusto com quem não merece…

E CUCA?! Gente, quando ele passou pelo TRICOLOR DOS PAMPAS, recém havia feito um excelente e promissor trabalho pelo São Paulo. Ele chegou em um momento no qual estávamos paupérrimos, desorganizados, fracos, incapazes. Depois, ele passou muito tempo em um Botafogo que, após décadas sendo escorraçado por tudo e por todos no Rio de Janeiro, obviamente não tinha como não ser influenciado por aquela “vibe” de “bad trip” em loop eterno.

Ronaldinho e Bernard dão pau. Réver é um zagueiro contemporâneo: veloz, de excelente passe, goleador. Richarlyson briga, mesmo não sendo lateral-esquerdo; Bruno Rocha é um estupendo lateral-direito. Pierre e Leandro Donizete são volantes que sabem o que fazer com a bola (por favor, parem com essa criancice de “volante brucutu”). Jô e Tardelli, mesmo quando não aparecem bem, oferecem espaço para outros se apresentarem no ataque.

E a torcida?! Que vontade, que ansiedade, que aflição de uma gigantesca massa que sonha com a sua primeira Libertadores! Que festa linda! Ah… Ainda há quem diga que a torcida do Grêmio, assim como aquele sentimento retrógrado de “RS melhor em tudo”, sempre apóia, sempre faz a melhor festa, a melhor coreografia…

Aconteça o que acontecer, é infantilidade, espírito de porco, inveja, ódio, rancor e estupidez secar o Galo mineiro apenas porque o técnico é Cuca, porque seu craque é Ronaldinho ou porque o Clube Atlético Mineiro não conquista um Brasileirão desde 1971 e uma Libertadores desde nunca: não é preciso torcer pelo Atlético. Basta apenas APRECIAR o bom futebol, RESPEITAR o trabalho correto e VALORIZAR algo que há muito tempo anda perdido no futebol brasileiro: a capacidade de alguns conseguirem enxergar que precisamos aprender e nos readequarmos tática e tecnicamente na montagem de planteis mais completos, montados com critério para os maiores desafios.

Assim como o norte do futebol mundial deixou de ser o Barcelona para ser o Bayern, o norte do futebol brasileiro deixa de ser Cruzeiro, T.A., São Paulo, Flu ou Corinthians para ser o GALO FORTE VINGADOR.

OBRIGADO POR TUDO, VICTOR. E, POR FAVOR, ME PERDOA!

Enfim… Para entender o Grêmio, é preciso gostar de FUTEBOL. Fechados no casulo da arrogância, não iremos a lugar nenhum – nem que a Arena renda 100 trilhões de euros por minuto.

POR QUE O GRÊMIO NÃO ANDA

Acredito piamente que o principal objetivo de qualquer gremista é o de concentrar o que cada um possui de mais positivo, de acordo com suas possibilidades, para que o Tricolor dos Pampas vença e convença – de preferência, obtendo títulos relevantes e em um espaço de tempo cada vez menor.

Por isso, mesmo, sempre defendo e apóio todos os jogadores e técnicos que passaram, passam e passarão pela nossa história de quase 110 anos.

Posso discordar e criticar publicamente dirigentes cujas decisões e cuja postura me desagradem. Posso não votar neles, demonstrar que tenho lado e os motivos pelos quais apóio outros. Mas eu quero que eles ganhem tudo. E eu não me importaria muito em vê-los sendo reeleitos ou elegerem seus herdeiros políticos – caso o Planejamento Estratégico passado seja obedecido e caso as necessárias revisões desse esboço de governança corporativa sejam atualizadas no seu devido tempo. Afinal de contas, é o Grêmio (o passarinho) e não os dirigentes, jogadores e comissões técnicas (que passarão) o que realmente importa.

Também falei sobre o processo político (1, 2, 3, 4 e 5). Sei que a verdade dói pra quem acredita (ingênua ou de maneira oportuna) em “paz e amor”, “terceira via”, “jurássicos”, “noviços”, “Grêmio Vencedor (a chapa, não o movimento)”, “Renova, Tricolor!” ou “Avançar Juntos”: afinal de contas, são todos termos ou desqualificadores, ou meramente publicitários.

O negócio é trabalhar: quem está no poder, executa. Quem não está, deveria prontificar-se a ajudar. E quem está no poder tem a OBRIGAÇÃO de ouvir a todos.

O que mais me arrependo é de ter pensado certas coisas de cabeça quente e também de ter defendido demais os do “meu” lado e de desconfiar de pessoas do “outro” lado só de ter ouvido falar, sem muito conhecimento. De qualquer maneira, o ambiente é tão esquizofrênico que essa louca prática tem sido predominante de parte a parte há cerca de quinze anos.

Partindo do pressuposto de que todos são honestos e pensam no bem do Grêmio, a desconfiança e as “panelas” demonstram que não estamos em condições de agirmos com sinceridade nem com clareza de propósito quando pregamos a união.

Essa etapa precisa ser superada rapidamente. Porém, são tantas as ofensas e as intrigas que torna-se realmente difícil saber em quem se pode de fato confiar.

O Grêmio tem um passado grandioso. O Grêmio possui um estádio novo e imponente. Mas o Grêmio está perdendo a sua alma e compromete o seu futuro: em um ambiente cercado por olhares que, quando chega um outro gremista, parecem querer dizer “Mas que diabos esse cara está fazendo aqui?!”, não iremos a lugar algum.

POR QUE QUERO VALDIR ESPINOSA DE VOLTA AO GRÊMIO

Não é por ser fã nem por saudosismo: apoiamos realmente a volta de Valdir Espinosa ao comando técnico do Grêmio. Leiam e entendam. ;)

Agora que a Libertadores já era, o Grêmio precisa reduzir consideravelmente a folha de pagamento. Por isso, os emprestados já estão de saída. O que precisamos é dar mais oportunidades para os guris das categorias de base e ver se eles “darão liga” rapidamente.
Não é nada fácil administrar uma crise dessas: e, queiram ou não, infelizmente, sim, trata-se de uma séria crise. No entanto, como não é uma crise de relacionamento nem dentro do ambiente de trabalho, nem política e tampouco com a torcida (não em termos de mau relacionamento), sua solução tende a ser mais administrativa, técnica e conceitual.
O que não se pode dizer é que a direção não tenha feito a vontade da torcida (manteve o técnico conforme clamor público) e nem que não se tenha dado os jogadores que o treinador pediu. Também viajamos mais cedo em várias oportunidades pra aclimatar o plantel mais rápido (pena que não deu certo, mas é isso o que se faz).
Quanto à Arena, o pessoal está trabalhando muito pesado pra tentar reduzir o alto custo e trazer retorno para o clube o mais rápido possível. E isso não é nada fácil.
O que torna tudo isso pior é que qualquer plano de marketing agora vai se tornar muito difícil de vender e o clube precisa muito de dinheiro.
Enfim… Apesar de considerar quase insustentável o custo de rescindir o contrato com o Luxemburgo, se ele for demitido, eu teria uma fortíssima crença de segurança e de retomada de um ambiente plenamente positivo dentro e fora de campo caso decidam trazer VALDIR ESPINOSA de volta: tenho insistido MUITO nisso, pois entendo pelas demonstrações práticas e teóricas que Roger ainda não está pronto e precisa de um nome forte na história do clube que seja inegavelmente um profundo conhecedor da “aldeia”, com um curículo multicampeão. Seria a transição perfeita para um monento em que não contamos com a tradicional possibilidade de que haja algum técnico do interior ou da base realmente confiável.
Pessoalmente, acho que Roth já está saturado, bem como Muricy, Felipão e outros estão bastante superado.
A lembrança por causa dos Aflitos e do Corinthians é o bom Mano Menezes. Todavia, apesar de ter obtido a façanha de levar um time com Patrício, Sandro Goiano, Tcheco e Tuta a uma final de Libertadores e de ter galgado postos desde a Série B passando por alguns Gauchinhos e um surpreendente terceiro lugar no Brasileirão da volta à Série A, nunca me agradou a postura dos times dele fora de casa – uma acadelada trincheira léguas atrás da linha da bola em moldes tão dramáticos quanto aqueles em que Luxa nos armou nas decisões desde que aqui chegou.
Insisto: o velho Espinosa (velho em idade, pois é jovem de espírito e jamais deixou de praticar intercâmbio de ideias com outros técnicos daqui e do exterior), ao contrário da maioria, está muito atualizado, conhece a aldeia e tem muita vontade de voltar. Ele só não está empregado porque não tem empresário marqueteiro, da moda, e não gosta de pagar a comissão que esses caras pedem.
Basta acompanhar o videoblog dele: ele assiste a todos os jogos e demonstra a mecânica de jogo de todos os principais times do Brasil e do exterior. Querem currículo? Ora… Os mais novos que não o conheceram e que dele duvidam, que leiam esta poderosa lista.
Quando falo em Espinosa, não estou evocando nenhum “pensamento mágico”. Quando fiz campanha por um Conselho de Administração liderado por Fábio Koff, não caí no “mito do eterno retorno”: primeiro, porque a história nunca se repete, nem mesmo quando as mesmas pessoas porventura igualam ou superam seus momentos mais bem-sucedidos; segundo, porque o presidente, seus vices ou o nosso Departamento de Comuicação e Marketing JAMAIS PROMETERAM OFICIALMENTE O TÍTULO DA LIBERTADORES EM 2013. Desafio qualquer gremista, secador ou jornalista a me trazer alguma declaração clara nesse sentido.
Finalmente, acredito que precisamos retornar às nossas raízes, mas de maneira atualizada, pois o futebol não está mais no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, nem estamos em um ambiente propício para reprisar tecnicismos que não tem dado certo em lugar algum do planeta.
Quem me conhece, sabe que sou suficientemente pragmático e defendo a ciência aplicada, que é a teoria que estuda as práticas a fim de aperfeiçoar a técnica, a rotina e os relacionamentos de trabalho.
Após a confirmação de mais um fracasso na vida tricolor, mais do que nunca, assim como eu já havia falado nisso no final do ano passado, quando recordei as nossas desclassificações e o que faltou para que tivéssemos sido no mínimo vicecampeões brasileiros, a hora é de apostar na base, reforçar com jogadores de atitude e técnica, trazer motivação não apenas ao plantel profissional, mas a TODO O GREMISMO.
Tenho plena convicção de que a volta de Valdir Espinosa nos proporcionaria uma relação custo-benefício que, consequentemente, elevaria o grau de envolvimento do sócio e do fã em geral com o nosso Grêmio. Esse quadro nos traria um final de 2013 bastante feliz, com uma perspectiva bastante otimista para 2014.

[CBL'13 G8 5ª] GRÊMIO 0×0 FLUMINENSE

O difícil jogo de ontem na Arena foi uma montanha russa de emoções. Conforme havia concordado com o César Augusto Fernandes do Grêmio do Prata, o escrete luxemburguês iniciara o cotejo repetindo o contraproducente padrão de marcação passiva.

“Mas como funciona essa tal marcação passiva? E se existe marcação passiva, logo, deve haver também uma marcação ativa…”

- Marcação passiva: sem chegar junto ao adversário, apenas acompanhando-o de frente. Só tenta dar o bote caso haja alguma pressão corpo a corpo;

- Marcação ativa: encurta o campo, posiciona todo o time em diagonais bastante próximas que podem ser rapidamente cobertas pelo colega imediatamente mais próximo na matriz da linha de baixo.

Pois bem: o time que morde corre com inteligência, ocupa os espaços com agilidade e procura sempre os espaços livres para ocupar território até que a velocidade e a técnica superem os adversários até a bola estufar os cordéis da cidadela oponente.

Não podemos dizer que o Grêmio não faça uma marcação ativa. Contudo, ela somente é acionada após passarmos por algum sufoco.

Todo o povo tricolor quer saber do Luxa por que ele prefere fazer o time se poupar dessa perigosa maneira. Afinal de contas, não é só porque a Libertadores é peleada ou porque tivemos Cris INJUSTAMENTE expulso que escolheu-se marcar à distância – confirme iniciei o texto, este estranho hábito foi verificado sob as mais variadas circunstâncias: com o time completo; com desfalques; em casa; fora; após longas viagens; ao longo de uma semana inteira em casa; no Gauchão ou pela Libertadores.

Não quero que o Grêmio recorra novamente a fórmulas exaustivamente testadas e reprovadas. No entanto, cabe compararmos a diferença de tratamento da maior parte da mídia local para com o reprovado pela maioria Celso Roth em relação ao incensado Vanderlei Luxemburgo da Silva…

Como quem inventa é inventor, cansamos de ver Roth experimentar repetidamente uma miríade de variações táticas incoerentes, inoperantes e pouco treinadas. O melhor do técnico era a prevalência da marcação ativa e um feijão com arroz que eliminava quaisquer chances de sermos goleados ou rebaixados.

Com Luxa, felizmente, ainda não corremos esses riscos. Porém, já perdemos vários jogos bisonhos e nos desclassificamos de competições com um perfil similar ao da Libertadores: a Copa do Brasil para o Palmeiras e a Sul-Americana para o Millonarios.

Ok: naquela época, tínhamos um time inferior e era início de trabalho. Porém, se a gente só tem garfo e faca, não é com esse tipo de talher que iremos comer sushi: GARFO E FACA É PRA COMER… FEIJÃO COM ARROZ!

Pois mesmo com o plantel mais qualificado de 2013, ainda assim temos um banco deficiente, pois Luxa prefere os contratados meia-boca no banco ao invés de ter inscrito pratas da casa como o ótimo Guilherme Biteco (bastante superior a Marco Antônio e uma alternativa séria para substituir Elano ou Zé Roberto) ou os bons Matheus Biteco e Misael (ao invés de contarmos somente com Adriano para o lugar de Fernando ou de Souza).

Cabe ainda lembrar que o título que entregamos de mão beijada a quem nos superou na base do feijão com arroz o levou a entrar em um grupo mais fácil na nossa competição predileta. Como se isso não bastasse, com outro técnico e com um time modestíssimo, já está classificado às oitavas com uma rodada de antecedência, fazendo a sua torcida muito mais feliz do que a nossa.

O que dizer então dos colombianos que nos tiraram da Sula Miranda, que morreram na primeira fase de maneira bisonha?!

Some-se a esses fatos a incompreensível covardia e a inoperância que nos tiraram o vicecampeonato brasileiro no Grenal de “despedida” do lendário Estádio Olímpico Monumental e percebemos que, apesar de ser impossível prever o nível da oponência, perdemos uma terceira chance de entrarmos na fase de grupos em um grupo mais fácil.

O Grêmio de 2013 até pode deslanchar no segundo semestre no Brasileirão, campeonato onde Luxa sabe melhor o que fazer. Nem a classificação e tampouco o título da Libertadores estão descartados. Todavia, não podemos nos fiarmos no ingênuo mito de que “se não é difícil, não é Grêmio”…

Precisamos de um Luxa menos Roth na invenção e de um feijão com arroz melhor do que o de Roth, com molho de pimenta Tabasco e um tiquinho de azeite de oliva.

É tudo o que eu peço… ;)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...