[C'10 8ªs] ESTADOS UNIDOS 1×2 GANA

 

Uma das primeiras democracias africanas é a grande potência futebolística do continente.

A união das Estrelas Negras poderá levar a África à sua primeira semifinal

Não escondo de ninguém a minha predileção pelas seleções africanas. Reconheço que, na atualidade, eles precisem muito de dinheiro, de ligas nacionais fortes, de técnicos nativos com boa formação, da não-intromissão de seus governos no esporte, de federações com gestões competentes. Admito também que a precocidade da ida de seus principais valores para a Europa tornou-os menos criativos e menos alegres.

Todavia, algo que a grande maioria dos jogadores oriundos da África Negra (na qual Gana se destaca) não perdeu foi a identidade: até prova em contrário, ainda não vi nenhum dos principais expoentes desse continente esquecido pelo esporte até o final da década de 1970 cuspirem no prato em que comeram. Hoje, posso dizer sem medo de errar que Gana, Camarões, Nigéria, Togo, Senegal, África do Sul, Zâmbia, Benin, República Democrática do Congo e Costa do Marfim não jogam um futebol pior do que o das seleções europeias de segunda ou terceira linha que costumam superpovoar as Copas do Mundo.

Apesar dos goleiros pequenos e frangueiros e da seriíssimas falhas de comunicação e da quase ausência de empatia de jogadores africanos junto a técnicos europeus de terceira ou quarta categoria, França, Inglaterra, Itália, Dinamarca e Eslovênia teriam perdido ou empatado jogos contra outras seleções africanas além daquelas que eles enfrentaram na primeira fase. O insucesso futuro dos africanos diante de seleções melhor organizadas aí é outra conversa.

Bem… Era apenas uma questão de tempo para que um país que possui uma história futebolística mais rica do que a de Camarões e que produziu Abedi Pelé e Anthony Yeboah viesse a conseguir uma presença mais constante nos mundiais adultos além dos mundiais juvenis onde costumam brilhar. Em duas Copas consecutivas, já conseguiram a proeza de representar o continente sozinhos a partir das oitavas de final.

Em duas Copas consecutivas, venceram os EUA por 2×1. Desta vez, o mérito foi ainda maior, pois a conquista deu-se em um mata-mata, levavam todo o peso de um continente inteiro em suas costas contra um adversário que havia complicado a vida de Inglaterra (na 1ª fase) e do Brasil (para quem perderam de virada na última Copa das Confederações, em 2009), além de ter eliminado a Espanha nessa mesma ocasião.

Gana não conta com o seu principal jogador: o lesionado Michael Essien – cérebro, categoria e força – infelizmente assiste ao Mundial do lado de fora. E pesa muito o fato de que quatro meninos campeões mundiais Sub-20 contra o Brasil no ano passado compõem este grupo de 23, sendo três deles titulares.

Agora, é o Uruguai – outra grata surpresa, cuja garra e talento são maiores do meio para a frente, os orientais não contem com a mesma força física dos ganeses.

Espero um jogo sensacional. E vai doer muito ver uma das duas seleções caírem fora.

 

[WC'10 G 2ª] BRASIL 3×1 COSTA DO MARFIM

O gol de punhobol de Luís Fabiano foi ilegalmente assinalado. Todavia, ele superou – de longe – tanto em plasticidade como na dificuldade de sua feitura o gol do então menino Pelé em 1958 contra o País de Gales. Confiram abaixo e comparem:

Após cinco confrontos do superpoderoso Brasil contra seleções africanas em Copas do Mundo sem que a Seleção sofresse um gol ou perdesse um ponto sequer, neste sexto embate contra um adversário tido como experiente, vigoroso, unido e bem treinado (coisa rara entre as seleções do continente negro), pensei que veria uma evolução respeitável – tanto é que apostei em um digno 1×1 que, diga-se de passagem, não ficaria ruim nem  para o Brasil.

Porém, os meus queridos Elefantes me decepcionaram: salvo os grande jogadores consagrados em clubes de ponta da Europa, pelo menos metade daqueles que atuam por clubes menores abusou da violência quando o Brasil já havia praticamente resolvido o placar a seu favor. Por ser um assíduo entusiasta da CAN (Copa Africana de Nações), fui surpreendido por uma agressividade mal intencionada, gratuita e injustificável que JAMAIS havia visto em 10 campeonatos ao longo de 18 anos.

Não estou postando análises sobre todos os jogos porque não tenho tempo. Mas, até aqui, o grande nome do Brasil tem sido Robinho: mesmo que não marque gols e que não seja o responsável pela maioria das assistências, não faz mais aqueles dribles gratuitos: ele é um jogador maduro e bastante participativo que tem feito tudo o que se espera do caríssimo Kaká, que até deu uma assistência e algumas belas estilingadas (de bola, não falo da sua velocidade, que ainda está severamente prejudicada pelas suas más condições físicas até o momento), mostrou a sua importância.

O mais importante foi a reabilitação de outro importante jogador que apresentou-se à Seleção lesionado: o goleador Luís Fabiano, que foi o homem do jogo.

Como disse um fã de esportes dos canais ESPN por e-mail no Bate-Bola 2ª Edição após o jogo por e-mail: “O gol de Luís Fabiano foi a pintura de Pelé em 1958 com a mão de deus de Maradona!”

[CAN 2010 D 1ª] CAMARÕES 0×1 GABÃO

Os leões não são mais indomáveis. O time é excessivamente pragmático e jogou com muita morosidade ontem. Não é questão de desinteresse ou arrogância mas, sim, de atitude: afinal de contas, o futebol só funciona sem apatia.

Assisti a todo o jogo. A família Song definitivamente é inconfiável: o tio Rigobert, zagueiro e ex-capitão de 33 anos, embora não tenha comprometido ontem, já entregou a classificação para a 2ª fase na Copa de 2002 para a Alemanha e entregou o título da última edição para o Egito. Acho que chegou a hora de testar a gurizada.

O sobrinho Alex, por sua vez, já deu uma bola atravessada a curta distância (diria que bem pior do que a de Toninho Cerezo em 1982 contra a Itália no fatídico terceiro gol de Paolo Rossi) a um ou dois minutos do 1º tempo e o Gabão por pouco não abrira o marcador ali, mesmo. Aquela voluntariedade observada no Arsenal não se repete na sua seleção nacional.

Njitap (Geremi) não cobra mais faltas de longa distância com qualidade e tampouco avança frequentemente à linha de fundo.

Makoun, o outro centromédio, embora não comprometa na marcação, não chama o jogo para si e não distribui jogadas com a mesma competência com que o faz no Olympique Lionnais.

Eto’o, um dos melhores do mundo em sua posição, o grande líder e capitão da equipe, foi hiperbem marcado e apareceu muito pouco. Sua atuação foi pra lá de fraca.

Mbia fez algumas grandes jogadas. Porém, após um drible no qual deixou dois adversários para trás com uma jinga de calcanhar e avançou com uma velocidade espantosa para a conclusão na trave (um dos maiores pecados que eu vi recentemente), parece que se complicou.

Destaque para o uniforme mais lindo da CAN 2010: a Puma caprichou em Camarões. Até mesmo o lilás caiu muito bem no bom goleiro Kameni (um dos poucos que se salva entre os 16 titulares desta competição).

O Gabão conhece muito bem Camarões. Apesar da não-classificação à Copa de 2010 e das duas derrotas consevutivas para os mesmos Leões Indomáveis nas eliminatórias (Camarões 2×1 em Yaoundé e 2×0 em Libreville), a terra de uma das mais temíveis víboras do planeta e co-sede da próxima CAN em 2010 junto com a Guiné Equatorial, o ex-craque francês e grande parceiro do lendário Michel Platini, Alain Giresse, foi mantido como técnico dos gabonenses.

A continuidade e a seriedade de um time fisicamente parecido com o plantel desse tradicional adversário o faz disputar a fase final de grupos da principal competição africana depois de muito tempo. Em um grupo com Zâmbia (tradicional nas fases finais porém sem grandes conquistas) e Tunísia (pouco melhor do que a Argélia mas pior do que o Egito, com um estilo de jogo muito parecido), pode, sim, passar adiante sem que isso faça do Gabão uma zebra.

O resultado inesperado agora obriga Camarões a jogar a morrer. Pior: à exceção da África do Sul (fora da CAN) e de Gana (que ainda não estreou), todos os africanos classificados à Copa 2010 encerraram a primeira rodada SEM VITÓRIA.

[CAN 2010 B 1ª] COSTA DO MARFIM 0×0 BURKINA FASSO

Post com atraso em função da indisponibilidade de imagens do jogo no YouTube a tempo.

Bem… A incensada Costa do Marfim não disse a que veio em sua estréia. A despeito do medo das ameaças sofridas pelos marfinenses na sede de Cabinda e apesar do fato de que a maioria das seleções negras com presença frequente na CAN (ou, então, que terminem seus grupos eliminatórios para a Copa do Mundo em terceiro lugar) costumam não ter ido adiante por um mero detalhe, os burquinenses não possuem absolutamente nenhum título ou final e tampouco incluem-se entre as seleções africanas que disputam os mundiais Sub-17 e Sub-20 seguidamente.

Não posso falar bem nem mal de Burkina Faso. Afinal de contas, foi uma seleção atacada o tempo todo e que não teve quase nenhuma situação de gol durante os 90 e poucos minutos de ação em campo. Se o objetivo deles era não perder para uma seleção classificada para a Copa do Mundo, estão de parabéns e só.

Então, vou criticar a atuação da Costa do Marfim, pois conheço a maioria de seus jogadores muito bem.

Gervinho (Lille) é goleador da Ligue 1. Porém, vi apenas um driblador que não conseguiu completar uma jogada sequer.

Didier Drogba (Chelsea) foi obrigado a sair da área, pois os cruzamentos não eram precisos. O zagueiro Kolo Touré (Manchester City) parece ter deixado a calibragem do seu pé direito no belíssimo estádio City of Manchester. Mesmo assim, como zagueiro, era estranho vê-lo como lateral.

Bakari Koné (Olympique de Marseille) teve várias chances de gol. Pelo menos duas delas perdidas sozinho, na cara do goleiro adversário. na França, ele jogava mais aberto.

Não vou me estender para falar bem ou mal do resto do time, que teve 20 chances de gol contra uma do adversário e uma posse de bola muito alta. Lembrou muito aquele Grêmio 0×0 Universidade de Chile pela estréia tricolor na Libertadores de 2009: um jogo de meia-linha, onde o dono da casa pressionou horrores.

Agora, Costa do Marfim x Gana tornou-se um jogo decisivo: imaginem se os Garanhões resolverem aprontar pra cima dos Estrelas Negras assim como fizeram com os Elefantes?!

[CAN 2010 C 1ª] BENIM 2×2 MOÇAMBIQUE

Não assisti ao jogo (que não foi transmitido para o Brasil). Mais uma atuação patética de um arqueiro põe um resultado a perder…

Infelizmente, a África carece de uma profunda reformulação na formação MENTAL de seus goleiros. Em termos de força física, obediência tática e técnica, as cinco ou seis principais seleções do continente não devem nada para NENHUMA seleção sul-americana ou européia de nível médio. Aos poucos, as duas ou três melhores seleções do continente estão se aproximando dos melhores do Novo e do Velho mundos.

Porém, o furo ocorre exatamente na posição de máxima retaguarda: eles não sabem que coragem e arrojo são irmãos da parcimônia e que são eles que influenciam se o comportamento da zaga será mais ou menos sereno, inclusive diante da pior pressão possível.