
Obino, Facchin, Dourado, Koff, Odone e Cacalo são antigas referências políticas para todo o gremismo. Independentemente da época, fosse quando ainda não haviam eleições diretas para os Conselhos Deliberativo e de Administração ou após a necessária abertura democrática, a falta de personalidade e a incapacidade administrativa de uma imensa maioria de conselheiros e ex-conselheiros prefere rodeá-los e deixá-los decidir ao invés de agirem com independência.
A despeito dos títulos inesquecíveis nas gestões de alguns e da construção do Olímpico Monumental e de raras e já antigas benfeitorias no estádio realizadas por outros, todos – sem exceção – cometeram um gravíssimo e comprometedor pecado para o futuro da instituição: nenhum deles jamais se interessou em formar sucessores capacitados em gestão nem na difícil política do meio futebol.
Cada um a seu tempo, juntos e separados, Dourado e Koff foram os melhores de uma época que não volta mais – quando ainda não haviam a Lei Pelé, as arenas multiuso (que precisam ser rentáveis em cada cm2 construído). Era um período histórico em que as categorias de base eram formadas por meninos garimpados no RS, onde ainda não havia o forte assédio dos agentes FIFA e de seus empregados (muitos deles atuando como insiders dentro dos clubes)…
Além das duas Libertadores, do Mundial, de uma Copa do Brasil, de um Brasileirão e de uma Recopa Sul-Americana, Koff foi inestimável para o Grêmio em incontáveis adiantamentos da verba da TV via Clube dos 13. Ele também trouxe para dentro do clube o verdadeiro mentor do condomínio de credores, que nos salvou da insolvência. Porém, foi incapaz também de liderar uma LIGA de verdade, na qual os clube deveriam ser concorrentes e adversários única e exclusivamente dentro de campo, como ocorre nas ligas profissionais dos EUA. Entendo que ele enfrentou um complô entre a Rede Globo e vários presidentes de clubes, mas ele deveria, SIM, ter jogado tudo no ventilador. Essa é a minha opinião.
Não podemos esquecer também que até mesmo os mais capazes são falíveis: Koff e Cacalo apoiaram a indicação do ex-(des)governador e ex-controller da Azaleia Antônio Karan de Britto Filho, a exemplo de Paulo Odone. Desconheço a posição dos mais desacreditados entre os próceres (Facchin e Obino) e admiro a postura de Hélio Dourado, que foi o único dentre os mais lendários ex-presidentes a rechaçar com veemência essa possibilidade.
Enfim… No atual contexto, o melhor papel que Koff melhor pode desempenhar para o Grêmio é o de articulador político e econômico EXTRA-GRÊMIO, não mais intra-Grêmio. Acho nocivo ao clube manter um montão de conselheiros e ex-conselheiros incompetentes e/ou fisiológicos que vivem de beijar a mão de Koff. Convenhamos: ele deve odiar isso. Mas sabe que pode precisar desse constrangedor séquito para alguma coisa mais adiante.
O problema é que os presidentes dos movimentos precisam ser verdadeiramente PRESIDENTES para cortarem esse mal pela raiz: feliz ou infelizmente, “vão-se os aneis, mas ficam os dedos”. Afinal de contas, quem não possui formação técnica nem vivência política para tocar altos cargos dentro do clube deveria fazer o imenso favor de largar o osso pelo BEM MAIOR, que é o GRÊMIO FOOT-BALL PORTO ALEGRENSE. Isso independe da idade, da profissão, da religião, do tempo de Grêmio ou de onde estudou, onde mora ou do percentual do PIB gaúcho que carrega consigo em seu bolso.
Mas há algo ainda pior do que essa súplica quase pueril pela volta do maior presidente de todos os tempos (que é, assim como para muitos, meu ídolo e alguém a quem adoraria poder conhecer): é a espera de um gesto seu por semanas – e até mesmo meses. Perder tempo para ouvir e acatar a sua decisão sobre se concorre ou não ou sobre quem irá receber a sua “bênção” ou não para ser o novo presidente do clube é muito pior do que a espera pela mudança da cor da fumaça na escolha do Sumo Pontífice.
Koff possui duas funções absolutamente decisivas para o clube: ou na Grêmio Empreendimentos, ou muito ligado ao Conselho de Administração, mas sem cargo formal atuando como um superconselheiro.
Chegou a hora de pararmos de pensar em um Messias, em um “salvador”. As alianças entre amigos que não sabem pensar um modelo de gestão profissional que compõem uma quantidade exagerada de movimentos estraga qualquer combinação possível dentro de uma nominata, quer seja para o Conselho de Administração, quer seja para o Conselho Deliberativo.
O Grêmio Sempre postou um artigo sobre o perfil do candidato a presidente do Grêmio. Na minha mais modesta e extremamente pessoal opinião, só há dois homens que contém exatamente aquelas características e mais dois capazes de aprendê-las rapidamente. Todavia, eles precisam se definir. Ou ao menos um deles. E que a maioria aceite em um consenso positivo e absolutamente desprovido de fisiologismo esse candidato, que deverá necessariamente decidir por si o seu Conselho de Administração, sem ratear um vice para cada movimento aliado nem tampouco deixar que cada movimento escolha os seus nomes, pois esse candidato a presidente tem, sim, conhecimento suficiente para delegar poderes aos mais competentes em uma relação 100% profissional e de confiança.
Que me perdoem os amigos a quem considero altamente competentes e com serviços relevantes prestados ao clube durante décadas, mas ou eles deixam de concorrer junto e de arranjar “boquinhas” para seus confrades, ou não iremos a lugar algum nem mesmo sob as perspectivas mais otimistas que circundam o Projeto Arena.
Para o Grêmio voltar a crescer seriamente, é FUNDAMENTAL, VITAL e OBRIGATÓRIO seguir o Planejamento Estratégico: só a partir de um eixo temático de governança corporativa é que teremos direção, objetivo e metas para uma política de formação de jogadores, de modelo técnico-tático, de contratações, em finanças, marketing, jurídico, comunicação, etc.
Ou temos coragem de reunir OS MELHORES para um trabalho difícil, que será o de manter a relação com a OAS sempre favorável ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, ou seremos engolidos pela construtora.

