PROMESSAS NÃO-CUMPRIDAS E O FUTURO DO GRÊMIO

O vídeo acima indicado pelo meu amigo @marcosalmeida72 é extremamente elucidativo: o atual presidente do Grêmio até 2012 e deputado estadual pelo PPS até 2014, Paulo Odone, aponta os caminhos que o clube deveria seguir durante este seu quinto biênio no poder.

No dia 12/12/2010, teve início a gestão do Conselho de Administração encabeçado pelo político. A atual cúpula diretiva do clube foi indiretamente homologada por um Conselho Deliberativo (este sim, democraticamente eleito pelos poucos sócios politizados e engajados no dia 11/09/2010 e que tomou posse dois dias depois).

Salvo se houver alguma (a meu ver, necessária) alteração do período eleitoral na próxima possibilidade de reforma estatutária em 2013, infelizmente prevalecerá a tendência de intromissão da política na atuação do futebol e nos demais departamentos do clube.

Dentre os 300 conselheiros + 60 suplentes eleitos nos dois últimos triênios com mandato intercalado (isto é, 150 + 30 entram a cada três anos e permanecem no Parlamento Tricolor por seis) podemos somar uma bancada inicial de pelo menos 85% de apoiadores de Odone.

Atualmente, o Movimento Grêmio Independente, em função da “fritura” que seus três dirigentes do futebol sofreram, ainda não posicionou-se explicitamente sobre a sua manutenção ou não dentro da aliança chamada de G4, composta ainda pelos movimentos Grêmio Novo, Grêmio Sem Fronteiras e Grêmio Democrático.

A composição do G4, até onde o sócio pode conhecer a partir dos sites dos respectivos movimentos, indica o seguinte quadro:

– Independente: 20 titulares  + 2 suplentes (2007-2013) e 35  + 7 suplentes (2010-2016). Total: 55 + 9 = 64;

– Novo: 16 titulares (2007-2013) e 26 titulares (2010-2016). Total: 42 titulares. Não há informação sobre suplentes no site;

– Democrático: os 7 integrantes da diretoria do movimento foram eleitos em 2010, além de mais um nome que conheço pessoalmente e não consta no site. Não há informação sobre quantos mais entraram no CD, nem sobre quais são titulares e suplentes, mas entende-se que o movimento não possui apenas 8 conselheiros no total;

– Sem Fronteiras: 58 conselheiros, sem discriminação no site de quantos entraram em 2007 e quantos entraram em 2010, nem quantos são suplentes.

Todos os sócios devem entrar nos sites dos respectivos movimentos e solicitarem maiores esclarecimentos sobre tudo o que a mídia veicula e sobre o funcionamento da gestão do clube, bem como sobre o seu posicionamento acerca das ações que não conseguem executar, bem como por que.

Temos também a aliança outrora hegemônica, composta pelo G7, hoje com pouquíssimos conselheiros, cujo mandato vence em 2013, além da antiga Terceira Via (Sócios Livres e Grêmio do Prata) e, provavelmente, também de um movimento surgido da Geral e prováveis desdobramentos, fusões e o surgimento de novos atores nos próximos anos.

O ideal seria que aqueles com mandato em vigor tivessem um blog institucional vinculado ao site oficial do clube sem nenhuma dependência de seus respectivos movimentos, a fim de que haja uma interação direta junto aos sócios. Enquanto isso não ocorrer, não saberemos ao certo a posição de ninguém. Afinal de contas, não é por terem sido eleitos juntos que todos irão concordar com tudo o que é feito nesta gestão extremamente desastrosa no futebol e nas relações institucionais intra-movimentos.

É importante que o associado com direito a voto lembre-se sempre em quem votou, seja para definir-se ideologicamente, seja para conhecer melhor a quem entregou a responsabilidade de representá-lo na vida do clube.

PAREM BELO MONTE!!!

A necessidade da obra da usina hidrelétrica de Belo Monte é altamente questionável sob todos os aspectos. Na hipótese menos desonesta, menos agressiva e mais inclusiva possível, este blogueiro pós-moderno condena veementemente a manutenção de políticas que consideram a industrialização taylorista-fordista como a principal forma de desenvolvimento.

Mas me preocupa ainda mais a questão humana, animal e vegetal: quem diz que não haverá perdas significativas ou está mentindo, ou está muito mal informado. Para mim, a natureza finita precisa de um manejo sustentável do ponto de vista socioeconômico e cultural.

CHEGA DE POR O HOMEM ACIMA DE ANIMAIS E PLANTAS. AFINAL DE CONTAS, DEPENDEMOS DELES PARA SOBREVIVER.

US NOW: SOCIABILIDADE, PARTICIPAÇÃO VOLUNTÁRIA,POLÍTICA E ECONOMIA NO ESPAÇO PÚBLICO DIGITAL

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AMPLIANDO A DISCUSSÃO SOBRE AS PRIORIDADES BRASILEIRAS

O Brasil está em uma encruzilhada e precisa ser firme em seus próximos passos.

"Entender o passado, vivenciar o presente e projetar o futuro": mas em que ritmo?

Esperava há muito tempo por poder me sentir razoavelmente competente para voltar a discutir questões de fundo macroeconômico. Embora não seja economista nem lide com comércio exterior, acredito que possa sair dessa sem ser superficial nem ignorante. ;)

O @eduguim cantou a pedra em seu post sobre a forma com que a China está dominando o mundo. Não estou aqui para discordar dele mas, sim, para ampliar um pouco mais as possibilidades de o Brasil evitar o risco de se ver em um beco sem saída.

O @realjosedeabreu, por sua vez, chama a atenção para uma não menos excelente análise da conjuntura que nos envolve feita pelo @emirsader na @cartamaior.

Do alto da simplicidade da qual disponho por não ter conhecimento suficiente para sofisticar o meu discurso nesta área, para alguns, irei chover no molhado. Mas acho que vale a pena insistir…

Enquanto não pudermos ser produtores abundantes de ciência, tecnologia e produtos de alto valor agregado, o Brasil* seguirá correndo sérios riscos em sua política macroeconômica. Por que? Porque as nossas escolhas de acordos comerciais internacionais não são exatamente as mais justas para conosco.

Obviamente, é muito melhor trabalhar com mercados megapopulosos (China e Índia) e teraendinheirados (Oriente Médio) do que com aqueles que estão quebrados. Refiro-me aos EUA (onde estourou a crise do mercado subprime) e ao Japão (que é a potência econômica mais ligada aos EUA), além da sempre parcimoniosa União Europeia (cujas contradições multiculturais e a eterna lembrança de uma indesejável guerra sempre a fazem puxar o freio de mão – diga-se de passagem, Alemanha, Grécia e Portugal tem sofrido bastante os reflexos da crise de 2008, sendo que, em alguns lugares, a trolha resolveu explodir muito depois).

Sabemos que o mundo está intimamente interconectado e que os laços reforçam-se à medida que deixamos para trás um passado eminentemente periférico. Vimos uma política de relações exteriores deixar de ser submissa e tratar de reforçar outros laços anteriormente tênues. Enfim… Foram medidas louváveis do Governo Lula que – oxalá – tenham continuidade e um bom aperfeiçoamento agora no Governo Dilma.

O Brasil tem condições não apenas de dividir espaço ou de apenas ser parceiro dos demais integrantes do BRIC mas, sim, de fomentar o crescimento pelo menos da África do Sul (Rússia, Índia e China possuem mão-de-obra, commodities e tecnologia bastante competitivas). Dessa forma, o nosso protagonismo em nível mundial tenderia a crescer.

Por mais que já tenhamos melhorado muito em termos de poder de barganha e influência a partir de relações ganha-ganha junto ao Mercosul e à África, precisamos fazer muito mais do que vender carnes para o Oriente Médio. E, em relação à Europa, a saída é investirmos fortemente em educação, em segurança e em infraestrutura, a fim de atrairmos para cá uma massa cada vez mais numerosa de turistas.

No frigir dos ovos, o que mais me preocupa é o estado de dilapidação da educação no país. Apesar dos custos e de termos evoluído bastante desde que Lula assumiu, ainda assim o resultado que temos até o momento é muito lento tanto em quantidade como em qualidade: a formação escolar é risível, pois o desenvolvimento cognitivo, motor, humanista e o fomento à criatividade e ao empreendedorismo dos jovens brasileiros é assustadoramente lamentável.

Me parece que o Governo Dilma determinou que se tirasse o pé do acelerador nos investimentos em saúde e educação (de maneira, a meu ver, inaceitável e injustificável, pois deveria fazer os ricos sentirem nos seus próprios bolsos) por causa dos generosos financiamentos do BNDES para a construção civil especulativa que hoje toma conta das cidades-sede da Copa do Mundo, além da Olimpíada, em um país no qual – paradoxalmente – temos um déficit de 10 MIL quadras esportivas baratinhas, simples, de cimento, nas escolas públicas pelo país afora. E aonde os professores de Educação Física e de Artes (Música, Teatro e Artes Plásticas) são deixados para o último lugar nos PPPs (Projetos Políticos-Pedagógicos) como se fossem “o cocô do cavalo do bandido”.

Ora, está mais do que provado que, em uma sociedade fomentada pelo individualismo, pelo consumismo, pela despolitização e pela alienação, a máxima greco-latina “mens sana in corpore sano” colabora de uma maneira absolutamente fantástica para o fomento da solidariedade, de uma competitividade sadia na qual o adversário não é visto como inimigo, para o respeito, para a criatividade e para a sensibilização do corpo e da mente, abrindo caminhos antes inimagináveis para crianças e adolescentes. Nesse sentido, há OSCIPs que substituem o papel do Estado que, nesta seara, tem-se demonstrado incompetente.

Porém, outra fonte que parece ter baixado substancialmente de nível em seu reservatório é a da Petrobras: o Governo precisa gastar muitos bilhões antes de começar a explorar os poços do Pré-Sal – seja parte por conta própria, seja por parte dos acionistas estrangeiros, que – salvo raríssimas e honrosas exceções – exigem resultado ou certas garantias para liberarem o seu dinheiro para nós.

Por fim, as obras do PAC (algumas aceleradas, outras lentas, algumas sustentáveis, outras não) tem consumido uma significativa alocação do dinheiro disponível no país.

O quadro é bastante complexo e perigoso: afinal de contas, tudo o que deveria passar primeiro pela EDUCAÇÃO iniciou-se pela infraestrutura que, em função dessa escolha, também se vê prejudicada, pois o país tem um déficit de mais de 22000 engenheiros.

Porém, sem Sociologia, sem Filosofia, sem Psicologia, sem História, sem Geografia, sem Português, sem Inglês, sem Espanhol, sem Direito, sem Administração, sem Teatro, sem Música, sem Artes Plásticas e sem Educação Fïsica DESDE O ENSINO MÉDIO, não há sensibilidade, não há humanismo, não há uma percepção mais clara acerca do mundo que cerca cada indivíduo e cada comunidade. Não há o entendimento de que a vida é muito maior do que gastar dinheiro e viver restrito ao seu – normalmente – restrito círculo de conhecidos.

Pior: a ética e o compartilhamento de ideias e de sensações ficam altamente comprometidos. Sempre irão existir e sempre haverá um crescimento para melhor. No entanto, sem essa fundamentação básica, valores como o da HONESTIDADE serão ainda mais comprometidos.

Não basta apenas garantir o alimento, o vestuário, a energia e um ambiente salubre para descansar, estudar e trabalhar: é preciso ter como objetivo formar CIDADÃOS melhores.

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*Por sinal, o nosso portal governamental está muito melhor do que era até poucos meses atrás – hoje, pelo que tenho acompanhado, só perdemos para EUA e Reino Unido; clique aqui e aproveite parte deste feriadão para conhecer melhor as nossas políticas públicas, a hierarquia das nossas instituições e o nível de feedback até agora disponível ao cidadão.

DESAFIO DA ESQUERDA: VIVENCIAR O AMBIENTE DIGITAL

Este post é o resultado da adaptação de um comentário inicialmente publicado no excelente blog Somos Andando, da Cris Rodrigues. ;)

Eu parto de uma perspectiva diferente daquela que resulta no modelo de utopia sobre a necessária e fundamental democratização dos meios de comunicação no Brasil normalmente discutida pela esquerda tradicional partidária e sindicalista. Afinal de contas, ano após ano, a lentidão e as pequenas quantidade e qualidade das conquistas discutidas com e contra qualquer governo recente demonstram que ela não consegue dar conta do entendimento do tipo de sociedade em que vivemos de uma maneira suficientemente ágil para atingir à classe média urbana.

Por que digo isso? Porque a discursividade que predomina nas discussões refere-se a conceitos e a demandas que não atingem a esmagadora maioria da população.

Se discute muito mais sobre como tentar reagir de formas que o sistema econômico, político, coercitivo e legal não permite porque quase todos aceitam o padrão institucional atual assim como ele é ao invés de pensarem e procurarem por em prática alternativas a esse modelo de representatividade chamado democracia representativa.

Uma alternativa é investir na prática, na teoria e na proposta de lei em algo próximo da democracia emergente proposta pelo professor e pesquisador Júlio Valentim.

Ao mesmo tempo, sem perceber, praticamente toda a esquerda, caso tivesse dinheiro e mídia, tenderia a ser totalitária e excludente em relação àqueles que detém a hegemonia do poder. Sob uma perspectiva derridaana, a desconstrução da inclusão e da exclusão não é plenamente possível quando o lado anteriormente excluído toma o poder, pois ele tende a excluir quem antes o oprimia, tornando-se, assim, um opressor às avessas.

O contraponto e a pluralidade só existem se houver uma tensão constante que faça com que se desvele tanto as virtudes quanto as contradições e as mazelas de ambos os lados. A tomada do poder é socialmente positiva a curto prazo, pois realmente provoca mudanças. E um erro pode fazer com que o velho sistema volte com ainda mais força, pois dificilmente poderá ser destituído a partir do uso da razão. Porém, com o passar do tempo, aquela força transformadora e revolucionária (no bom sentido) infelizmente perde a tesão e estabelece um novo regime conservador, de forma a exacerbar a burocracia, a tecnocracia, o apadrinhamento, a corrupção e o predomínio de medidas políticas e econômicas que privilegiem muito mais o capital que financia a casta que ocupa o poder político do que a maioria da sociedade.

Quando a situação chega a esse ponto, tudo o que outrora era objeto de reivindicação e de inconformidade do grupo hoje poderoso agora repete-se de maneira inversa: o panóptico, a vigilância e a punição coercitiva agora ocorrem para manter o status quo destes e não daqueles.

Como todos tem lado e esse lado não é uniforme (isto é, todos, sem exceção, são criativos, combativos e honestos para determinadas crenças e apáticos, covardes e corruptos para outros em diferentes graus), nem a alternativa de poder anterior (a direita neoliberal) e nem a atual (de centro, trabalhista e social-democrata) irão servir. Ao mesmo tempo, para certas demandas, contraditoriamente, ambas terão a sua serventia e legitimidade.

Isso se torna claro inclusive na blogosfera, pois a maioria das pessoas que discutem esses assuntos tem a mesma origem taylorista-fordista e marxista que – repito – hoje mostra-se pouco capaz de resolver problemas sociais e de tentar fazer a maioria da população pensar de uma forma mais solidária porque não condiz com a forma com que a classe média é capaz de assimilar, refletir e transformar o cotidiano.

O mundo não vai deixar de ser capitalista. O Brasil é um país neoliberal light e bem menos solidário do que deveria ser mesmo com o PT no poder. Essa é a prova da falência do modelo. E eu não posso convencer alguém a ajudar se eu disser que ele não deveria andar de carro se passou a vida inteira achando que um carro é sinônimo de liberdade e status. Não há como “educar” nem como “convencer” a tudo e a todos.

O problema da blogosfera (sobretudo a dita política e de esquerda) é que, salvo o período de eleição (com uma defesa ferrenha de seus interesses e da sua ideologia – diga-se de passagem, a meu ver, legítimos) e as denúncias de homofobia, sexismo, corrupção, etc., sobra opinião e faltam fatos.

Do ponto-de-vista jornalístico, tudo o que a esquerda reclama do PiG e dos blogueiros de direita pode, sim, ser dito na mesma moeda para a blogosfera de esquerda.

Por que isso ocorre? Porque o discurso, em geral, fala em classes, em luta e – salvo raríssimas e honrosas exceções – por mais que estude e observe as mudanças na sociedade, entende muito pouco o digital.

Infelizmente, ainda prevalece um pensamento predominante na esquerda brasileira (e não apenas aqui no país) de que só quem é meu companheiro tem a capacidade de me entender, de me aceitar, de pensar como eu e de tentar resolver problemas sociais como eu.

A direita também pensa e age dessa forma. Contudo, a esquerda tem a faca e o queijo na mão e não aproveita.

Enquanto não se entender que as pessoas se unem para satisfazer determinadas demandas individuais ou coletivas e que elas são muito diferentes entre si (sendo que, inclusive, há a possibilidade de a única coisa que vários indivíduos possam ter em comum seja essa única demanda) e se separam logo em seguida, será difícil produzir diferença na velocidade, com a quantidade e com a qualidade necessárias.

Não sei se tu conheces o http://portoalegre.cc . É uma iniciativa da Unisinos com a Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Não nos importa que a maior parte das pessoas que fazem solicitações, deem sugestões, tragam informações e registrem suas queixas sobre a cidade inicialmente sejam de classe AB. Não nos importa se a prefeitura é de centro-direita. O que importa é que algo precisa ser feito.

A nossa proposta tenta fazer com que a população entenda que pode e deve assumir as rédeas da cidade e que os vereadores não são representantes legítimos, dignos e competentes para deliberarem sobre qualquer assunto apenas porque receberam o endosso da maioria a partir do voto.

Nunca vi em nenhum encontro da esquerda tradicional (pelo menos no programa ou na pauta daqueles para os quais recebi convite e pude ou não comparecer) discussões acerca de questões como E-Governo, democracia emergente, emergência, multidão, cultura da interface, mídias locativas.

Iniciativas como a Avaaz.org e o Global Voices são muito mais assertivas e apresentam resultados muito maiores. Inclusive se gastou uma grana para a Blue State Digital do Ben Self na campanha da Dilma, mas parece que não se entendeu direito como ocorreu a vitória de Obama.

Por que isso? Porque comunicadores tradicionais, políticos tradicionais, publicitários e assessorias de imprensa tradicionais fizeram de melhor foi uma campanha na TV. Começou-se tarde demais na internet. E ocupou-se um espaço muito menor do que o que poderia ter sido ocupado. Mas o que mais complicou foi o fato de não ter sido feita uma pesquisa de opinião online (portanto, de custo baixíssimo) para entender que não importam conceitos de direita ou esquerda mas, sim, o que as pessoas pensam sobre religião, aborto, sexualidade, investimento, educação, saúde, etc.

É preciso entender que não há ferramentas e que o pensamento operário tende a ser luddita. Há preconceito e a crença de que a Rede é feita de máquinas e que os aplicativos são ferramentas quando, sob uma perspectiva macluhaniana e manovichiana, tanto o meio é a mensagem como as relações sempre entre pessoas (amizade, afeto, trabalho, lazer, estudo) hoje possui, em paralelo ao ambiente presencial, o ambiente digital, que não é virtual (porque virtual vem do latim virtus, falso) e não substitui o presencial mas, sim, funciona como um ponto de encontro que contém em si um desejo latente de quase todos os interagentes em realizar encontros presenciais.

Não existe militante de passeata nem militante de teclado e sofá: cada um milita aonde e como souber se comunicar, produzir e consumir informação melhor.

Não dá pra ser luddita. Não dá pra ser apocalíptico. O PNBL e o Creative Commons, para a democratização das mídias, são mais urgentes do que uma Ley de Medios à brasileira, pois a expansão da presença do ambiente digital certamente irá acelerar as discussões e pegar o PIG de saia justa.

Enquanto não houver prazer, fruição, hábito e sentido na convivência em ambientes digitais de informação, ainda estaremos no chão de fábrica. A questão vai muito além de simplesmente assistir a um tutorial, ler um manual ou assistir e ler matérias na mídia de massa sobre o que é blog, Facebook, Twitter, iPad, iPhone, etc.: o que vai trazer um salto de qualidade política e social quanto a todas essas discussões refere-se ao fato de VIVENCIAR os vários ambientes de interação.

Pra terminar, as perspectivas da crítica das práticas jornalísticas e publicitárias, da Economia Política da Comunicação e da análise do discurso não são suficientes para dar conta do quadro atual da Comunicação no mundo. As mídias de massa sozinhas não operam mais o que operavam antes da internet porque dela dependem e a ela fomentam pautas, assim como as mídias sociais e o pensamento em rede também dependem dessa convergência de uma maneira integrada e não-rival.

Enfim… Era isso! ;)