35 DIAS DE GRÊMIO 2012

Victor está bem, mas precisa corrigir imediatamente o seu maior defeito: a bola baixa no canto esquerdo. Do contrário, o excelente Marcelo Grohe terá todas as condições de superá-lo.

O Grêmio não tem zagueiro titular NENHUM. Por incrível que pareça, o único que prestaria para ser reserva pelo lado esquerdo seria o já negociado Rafael Marques e o único aceitável para a reserva pelo lado direito é Saimon. Nenhum que subiu dos juniores serviu e Douglas Grolli não apresenta fundamentos. Não se contrata jogador que não aprendeu na base.

O Grêmio possui um estupendo lateral-direito titular (Mário Fernandes), um reserva faceiro (Gabriel) e outro que marca pior que o primeiro e melhor que o terceiro e apoia pior do que os dois (Edilson).

O Grêmio possui um bom lateral-esquerdo, razoável na marcação e ótimo no apoio (Júlio César), mas possui um reserva horroroso em todas as valências (Collaço) e um faceiro encostado (Lúcio).

O Grêmio tinha um volante (Fernando), um experiente que não tem velocidade (Gilberto Silva) e dois raçudos que erravam demais (Adilson e Roca). Hoje, tem apenas um único volante (Fernando).

O Grêmio não possui meia algum: nem para titular, nem para a reserva. E emprestou Pessalli, que é o único que não é lento e sabe lançar e cruzar (mesmo que esteja longe de ser craque). Nas CNTP, seria um excelente reserva.

O Grêmio possui um atacante estupendo (Marcelo Moreno) e um bom, porém “pancada” (Kleber). André Lima é um reserva apenas razoável e não temos outro.

Pode por José Mourinho que não ganha nem 1º turno de campeonato de botão com um plantel desses.

Odone e Pelaipe seguem sendo os mesmos de sempre: os reis da política do “cobertor curto”: afinal de contas, o que esperar de quem achava que poderia ter ganhado uma Libertadores com Patrício, Sandro Goiano, Tcheco e Tuta?!

Quem é o volante Flávio do Vasco, que não deu certo nem no Gauchão da Europa, que é Portugal?! Quem é Facundo Bertoglio, que nunca jogou bem em lugar algum e já teve lesões graves que o afastaram dos gramados por muitos meses?!

Aonde estão os investidores que pagariam uma fortuna por Giuliano?!

Aonde está o dinheiro do adiantamento (sim, foi um adiantamento, mesmo que o presidente tenha sido malcriado com um conselheiro que o questionou a respeito em uma reunião recente do CD) da Rede Globo?!

Por que se paga mais de R$500.000,00 de salário por um jogador sem passagens pela seleção brasileira adulta, sem títulos relevantes em sua carreira e em uma idade na qual não poderá ser vendido porque não tem mercado nesse patamar?!

Por que se oferece R$550.000,00 por um meia que não trouxe absolutamente nada ao Grêmio durante um ano e meio de preguiça e de lentidão?!

Por que o presidente e o diretor remunerado mentiram para o sócio em relação a várias das questões levantadas acima?!

Isso não é secar e nem tampouco ser pessimista: é ser realista, é observar, é analisar o contexto extra e intra-Grêmio.

SEJAM SOCIALMENTE INDISPENSÁVEIS!

Sobre o insucesso no vestibular, o que eu posso dizer aos jovens bem nascidos porém criados em um ambiente egoísta e competitivo (no pior sentido da palavra) que vivenciam intensamente o consumismo, a lei da selva e as tendências mais reacionárias?

Pra começo de conversa, todos nós possuímos forças e fraquezas: é impossível haver uma pessoa 100% forte e outra 100% fraca. Portanto, não se achem o máximo e também não se mixem! ;)

O xis da questão é encontrar o estímulo externo e a iniciativa interna capazes de levá-los a realizarem-se a partir de suas verdadeiras vocações. A vocação não surge devido à pressão familiar, à escolha bem-sucedida de alguém que sirva de inspiração ou, simplesmente, devido a uma maior possibilidade de passar em algum concurso público.

A vocação não pode vir meramente pelo status, já que nenhuma profissão honesta, socialmente includente, economicamente justa e legalmente digna é “melhor” ou “pior” do que as outras. E a vocação tampouco surgirá pelo fato de o “mercado” oferecer uma demanda maior por certas áreas (isto é, mais vagas e maiores salários).

A verdadeira busca deve ser pelo prazer de aprender, pelo prazer de ajudar, pela gratitude de sentir-se útil, neessário e de poder orgulhar-se do resultado de tornar as pessoas que solicitam a nossa ajuda mais felizes.

Sobre dinheiro: ele não é o começo e nem o fim. Ele é um MEIO. Um meio importante, claro. Mas quando de meio se torna uma meta, o que realmente importa perde a importância. E não é nem de exploradores e muito menos de explorados que o mundo precisa.

Quando se chega a esse ponto, as derrotas serão muito mais doídas: quando se quer o troféu pelo troféu, o prestígio pelo prestígio, a fama pela fama e o dinheiro pelo dinheiro, a ganância toma o lugar da ambição. E, quando isso acontece, vocês se desumanizam – passam a ver os outros ou como ferramentas, ou como ralé. Então, vocês ficam sem rumo: não sabem nem porque ganharam e tampouco por que perderam. Sem saber o que os levou a um resultado ou a outro, repetem os erros e esquecem-se dos acertos. Logo, passam a ganhar menos e a perder mais.

Tanto na vitória quanto na derrota, é tudo com vocês: quem estudou ou deixou de estudar; quem fez as provas; quem sentiu-se tranquilo ou nervoso, foram exclusivamente vocês, não os seus pais, professores, ou “concorrentes”. Quando a culpa ou a esperança recaem sobre deus, o governo e/ou os cotistas, vocês elegem vilões imaginários e, aí, perdem completamente a razão.

Não, vocês são melhores do que isso! E, francamente, faltou-lhes algo mais para passar na UFRGS ou para obter uma nota minimamente decente no ENEM: ponham a mão na consciência e reflitam comigo…

– Vocês são oriundos de escolas particulares e caras com amplo acesso à informação. Portanto, munidos de tempo, dinheiro, espaço, tutoria qualificada e tecnologia suficientes para treinar bastante e com liberdade. Devido a todos esses fatores, a chance de vocês terem algum deficit cognitivo é mínima. Logo, vocês não tem desculpa nenhuma por não terem passado;

 – Pressões emocionais são muito mais impingidas por vocês mesmos do que pela família. O acesso aos resultados dos anos anteriores e às dicas dos professores de cursinho e dos colégios sobre o que cada questão exige de vocês é amplamente divulgado. Conclusão: faltou, sim, maior esforço foco, interesse, prazer e estabilidade emocional. A verdade é que tudo o que vocês fizeram não foi o suficiente. Não desta vez.

Ganhar é sempre bom. Diria mais: a vitória é um importante passo para a autoconfiança. Contudo, a competição mais árdua não é pelo troféu, pelo prêmio em dinheiro e muito menos para demonstrar supremacia exclusiva diante dos pares: essa tende a ser o resultado do egoísmo, da busca pelo glamour, da falta de um interesse social mais amplo. A real competição – sadia consiste na incessante busca por ser cada vez melhor em si mesmo.

Esfriem a cabeça: chegou a hora de esforçarem-se para serem PESSOAS MELHORES.

Ser melhor em si mesmo não é agradar à família. Não é agradar ao patrão. Não é ser arrogante, nem mesmo demonstrar uma falsa humildade servil. Ser melhor é aprender com os próprios erros e aperfeiçoar a si mesmo em todos os sentidos.

Não roubar, não matar, respeitar e saber ouvir não são virtudes e nem mesmo o suficiente para que vocês sejam considerados bons: isso não é mais do que a obrigação.

Ser melhor em si mesmo é valorizar a hora certa, o lugar certo e as pessoas certas. É não esperar por ajuda e não culpar a absolutamente nada nem ninguém nem pelos seus sucessos, nem pelos seus fracassos.

A pior coisa que uma pessoa pode fazer por si mesma é achar-se auto-suficiente: afinal de contas, o falso entendimento de que ela sabe tudo a fará ignorar ou desrespeitar a crítica construtiva e o conselho sincero – exatamente aqueles que ajudam a queimar etapas e vem do coração. É vital compreender que todos precisam de todos, pois não existem pessoas munidas nem da completa sapiência, nem da utilidade máxima para todas as situações.

Enfim… Para atingir-se a um determinado objetivo, em primeiro lugar, cada um deve munir-se do maior repertório técnico, teórico e prático possível, a fim de poder concentrar-se nos esforços socioeconômico, cultural, psicológico e cognitivo necessários. Em segundo lugar, é absolutamente fundamental dominar todas as regras legais, entender corretamente o funcionamento social do grupo ao qual se deseja pertencer. Por último (mas não menos importante), deve-se seguir a própria intuição no momento crucial de definir se tal atividade é mesmo aquela que cada um deseja seguir durante muito tempo como a mais importante para si e – acima de qualquer fator – para a sociedade.

O umbigo de vocês não é o mais bonito e o problema de vocês está longe de ser o mais difícil. E, por tudo isso, não desistam jamais: o verdadeiro sonho é aquele que une a fantasia e a concretude.