DESIGN + MARKETING SOCIAL = PROJETOS IMATERIAIS APARTIDÁRIOS

Graças à popularização da edição do conteúdo de blogs, a dinâmica das interações gera conversações em vários ambientes simultâneos dentro de um mesmo espaço [1][2].

Um serviço online voltado para a conversação e para a troca consiste num lugar virtual de compartilhamento de conteúdo e de relacionamento. Cada serviço apresenta um design específico, a fim de diferenciá-lo dos demais a partir de um projeto de atribuição de sentido baseado no posicionamento, na interação, na estética e na funcionalidade [3] dos elementos multimídia contidos nesse espaço.

Esse projeto, cuja estética e função são usualmente propostas por um projetista profissional, também pode definir-se via apropriação coletiva e des-hierarquizada de produção e criação, independentemente dos interesses e dos propósitos sob diferentes graus de domínio sociotécnico [4].

Dentro da blogosfera, temos como identificar diferentes ambientes de conversação. Os mais comuns são os links dentro do próprio post; os comentários (com ou sem adição de conteúdo audiovisual externo); a lista de links recomendados (o blogroll) e as citações do post de um blog dentro dos posts ou comentários em outros blogs [5].

O hipertexto possibilita a convergência de várias mídias digitais, que potencializam a disseminação de uma determinada informação. Extrapolando o atravessamento entre os ambientes contidos em um ou mais blogs, surgem como outros ambientes paralelos de interação mediada por computador as interfaces do Twitter (que pode ser dividida em links twittados no tuíte, em tuítes dialógicos, em tuítes declaratórios; na lista de seguidores; na lista de seguidos; nas listas feitas pelo tuiteiro em questão ou onde esse tuiteiro está listado, etc.), do Facebook (no status, nos comentários do status e em n outros ambientes internos ao FB), do You Tube, do Flickr e de várias outras mídias sociais.

Isso posto, projetos de financiamento social em rede (crowdfunding) como o Catarse.me; ou de resgate da memória, denúncias e sugestões de melhorias urbanas e sociais e um vislumbre de como projetar o futuro de uma dada cidade como o Porto Alegre.CC e de conscientização, debate e aprendizagem política sob a dinâmica da nova sociedade como, por exemplo, a Rede Liberdade e a Teia Livre, constituem em tentativas exploratórias com algum resultado prático: coletivamente, cada um desses projetos representa – para os seus respectivos nichos – um espaço de discussão repleto de ambientes nos quais as pessoas se atravessam. Todos produzem afetos e tensionamentos, de forma que a aprendizagem e a intenção de colaborar sejam constantes.

Não existe perda de dinheiro nem tampouco desperdício de tempo: o desprendimento, o comprometimento e a capacidade de difundir a informação ali compartilhada multiplicam o valor de cada uma dessas redes. Ao longo do tempo, essa dinâmica certamente resultará em uma superação do modelo gráfico, de arquitetura da informação e de usabilidade ora existentes, inclusive aperfeiçoando a simplicidade da interação desses sites com várias redes sociais.

Uma tendência é a de internacionalizar o processo, de forma que, apesar das suas particularidades e das questões socioculturais inerentes à realidade da maioria de seus interagentes, venhamos a formar um híbrido entre o Ushahidi, a The Real News Network e o Global Voices.

Dentro desse espectro, destaco como atores importantes a Coolmeia, que tende a estar mais próxima da realização não-burocrática com resultados sociais mais rápidos do que os proporcionados pelo Estado; o Gabinete Digital do Governo do Estado do Rio Grande do Sul (via @tarsogenro), por ser uma iniciativa em rede diferenciada articulada pelo Poder Público com o intuito de tentar radicalizar a democracia representativa e a CUFA (Central Única das Favelas), como fator de inclusão social, econômica e de reconhecimento da cidadania. Finalmente, em termos ideológicos e de excelência na prática do compartilhamento de trabalho imaterial, há, ainda, a riqueza imensurável da comuidade do Software Livre como o fio condutor sociotécnico e ideológico de uma rede cuja união e multiplicação depende prioritariamente do apartidarismo formal.

Todavia, a convergência sociotécnica e os exemplos a serem pinçados das iniciativas desses atores precisam necessariamente tomar o caminho da DEMOCRACIA EMERGENTE.

Considero extremamente importante que as formas de agregação e de convergência tenham como base para discussão os três projetos acima, que são bem-sucedidos e longevos. Isso pode nos aproximar mais da necessidade de atrair a classe média urbana e o jovem para o centro da discussão.

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[1]  No início do conceito que desenvolvi, chamo o blog de espaço autoral. Na sequência, proponho, dentro desse espaço, uma divisão em três ambientes distintos que caracterizam tipos de interação e de conversação em função da colocação de seus autores e dos atravessamentos gerados por esses relacionamentos. Tal decisão surgiu após a necessidade de observar que as relações estabelecem-se ora dentro de cada um desses espaços, ou circula entre eles. Portanto, ora encontramos cruzamentos de conversas entre diferentes compartimentos, ora as conversas restringem-se a um desses espaços em particular. (v. PAZ, H.S. 2009a, p. 27). 

[2] Se defendo o motto macluhaniano-johnsoniano-manovichiano da Comunicação Digital de que “o meio é a mensagem”, da cultura da interface, da emergência e de que vivemos em um mundo no qual grande parte das nossas relações pessoais e da nossa produção e transformação da informação se dá em grande parte através da interação de, com e para com os bancos de dados em rede, logo, entendo que não posso chamar aplicativo e software mediador de afetos, de trabalhos e de lazer compartilhado de “ferramenta”. Isso traz ao meu discurso uma conotação pós-moderna e não moderna, já que o que importa mais a mim é a fluidez e a organicidade das relações e não o formão, a tinta, o martelo ou o serrote que constroem as peças da casa. Afinal de contas, a sua existência material só faz sentido a partir do uso funcional e afetivo que seres humanos fazem desse espaço. Portanto, o meu lugar na pesquisa não se refere ao código, ao número, ao comando, ao algoritmo e à programação mas, sim, `a apropriação eminentemente social do produto.

[3] O Prof. Dr. Wilton Azevedo entrou em contato comigo reclamando por ter suposto que eu teria me apropriado indebitamente do conceito de design que esse excelente pesquisador cunhou em seu livro “O Que é Design?” na seguinte coluna que eu tive a honra de ver publicado no WebInsider. Declaro categoricamente que essa JAMAIS foi a minha intenção. Eu tão-somente cometi o equívoco de ter dado a ele os devidos créditos naquela ocasião. Já me desculpei pessoalmente, mas lamento muito pela abordagem nada assertiva que recebi. Por outro lado, hoje, meu trabalho ainda incipiente na EDU (sigam @designunisinos) e a leitura de algumas apresentações do prof. dr. Gustavo Fischer  (sigam @gusdf) ampliaram o meu conhecimento. Hoje, creio que, além do conceito do prof. dr. Wilton Azevedo (design = estética + funcionalidade agregadas a produtos), percebo que design é projeto e que esse projeto também pode ser voltado para produtos e serviços imateriais.

[4] v. SHIRKY, Clay, 2011 p. 70-80, sobre a questão da estética, do trabalho e do modo de produção amador em rede. O autor define o atual momento histórico como “a cultura da participação“, na qual a motivação e o resultado de um esforço coletivo empreendido em rede não precisam ser nem estética e nem funcionalmente brilhantes, desde que sejam suficientemente divulgados e possuam um apelo suficientemente forte a ponto de que tal produto produza alguma diferença para a sociedade.

[5] Blog: unidade potencial de construção, manutenção, reforço e abandono de relações contida em um espaço autoral individual ou coletivo que espalha-se na rede através do diálogo, da conversação, da discussão e do debate proporcionados por três ambientes – blogroll; posts (links, citações e conteúdo próprio)e comentários – que caracterizam o lugar desse ser e a sua forma de interagir em um ambiente marcado pela remediação. (PAZ, H.S. 2009a, p. 27). 

Sábado é dia de feira!

Todo sábado, perto da rótula do Papa na Av. Cascatinha, há uma feira de produtos orgânicos. Minha tia, que mora ali perto, sempre vai. Ainda bem que eles aceitam Banricompras. Senão, teria que levar dinheiro vivo e seria uma baita confusão.

Imagina comprar um maço de aipo de um feirante por 35 centavos, meia dúzia de laranjas por 87 centavos e por aí afora… Haja bolso pra carregar tantas moedas!

[CB'10 SF V] PENSANDO EM SANTOS x GRÊMIO

Dada a amostragem das atuações no decorrer deste semestre a partir da observação das combinações mais gritantes de erros e de acertos, o meio de campo ideal do Grêmio não deveria ser

ADILSON, ROCHEMBACK, MAYLSON E DOUGLAS?

O quebra-cabeça se daria na defesa, pois é nítido que não temos laterais-esquerdos. Desconsidero Bruno Collaço e deixo de lado os lesionados Fábio Santos e Lúcio. Também entendo que Edílson só pode atuar pelo lado direito.

Não considero os jogadores da zaga em geral como insuficientes. Em condições ideais, acho que não há discussão sobre Mário Fernandes pela direita DA ZAGA e Rodrigo pela esquerda. Até mesmo o anteriormente contestado (pelo menos por mim) Rafael Marques tem tido um bom 2010, assim como o tamanho e o posicionamento de Ozéia têm-me surpreendido.

Porém, considero difícil escalar Ozéia e Mário do lado esquerdo da zaga.

Em uma situação extrema como a de ontem, prefiro escalar Mário Fernandes como lateral-direito típico, com direito a apoiar (jamais como terceiro zagueiro – o 3-5-2 precisa ser censurado e punido no Olímpico) e, do lado esquerdo, o jogador improvisado deve ser Joílson e jamais Edílson pelo lado esquerdo.

De maneira geral, o tempo para treinar alternativas está se tornando cada vez mais escasso à medida que acumulam-se viagens e rodadas de meio e de fim de semana. O período da Copa do Mundo seria bom para poder tanto contratar e suprir essa carência quanto para Silas poder testar uma hipótese que pode dar certo: em caso de emergência, deslocar Adílson para a lateral-esquerda e colocar Willian Magrão em seu lugar.

Diria que as contratações mais essenciais seriam de dois atacantes. Roberson e Bergson simplesmente não possuem a menor qualidade sequer para serem reservas do Grêmio.

Pode ser cruel afirmar um veredicto tão taxativo sobre meninos tão jovens. Porém, penso que as oportunidades que já tiveram ao longo do tempo não foram insuficientes.

[CB'10 SF I] GRÊMIO 4×3 SANTOS

O MAIOR ESPETÁCULO TRICOLOR DOS ÚLTIMOS 40 ANOS

Outro dia, contabilizei que, apesar de ter vindo a apenas um punhadito de jogos em 1979, outro em 1980 e de não ter ido à semifinal de 1981 contra a Ponte Preta (maior público da história do Grêmio, impossível de ser igualado ou superado), à final do Brasileirão contra o Flamengo em 1982 e à final da Libertadores de 1984 contra o Independiente e, finalmente, de ter passado seis meses em 2000 e um mês e meio em 2001 fora de Porto Alegre, se pusermos uma média de – digamos – apenas 32 jogos em casa por ano, salvo de uma a quatro faltas por ano (sendo os anos de um ou dois jogos ausente os mais comuns na última década), Devo ter mais ou menos 600 jogos ao vivo em casa.

Não posso dizer que o de ontem foi o de um Grêmio perfeito. Também não posso dizer que foi o mais pegado em termos anímicos (brigas, expulsões) e nem tampouco o mais polêmico (arbitragem quase nota 10; diretorias, técnicos e atletas com respeito mútuo e constante). Mas, disparado, foi o jogo mais agradável da minha vida em termos de alternâncias de placar favoráveis a nós e de um futebol verdadeiramente técnico, tático, bonito e de qualidade, no qual os erros foram muito mais pontuais e imperdoáveis de parte a parte do que em função de alguma suspeita incompetência, falta de combatividade ou de liderança.

Para os gremistas que têm e ainda terão filhos e netos, que passem adiante a história dessa partida. Desde já, sintam-se gratificados, maravilhados e – mais do que tudo – OBRIGADOS a relatar, mesmo que de maneira épica e romanceada, o que viram ontem à noite no nosso Monumental.

Por respeito ao ambiente como um todo montado em função desta tão sonhada semifinal de Copa do Brasil, ninguém merece aplausos individuais, nem a culpabilidade personalizada. Nem de Grêmio, nem de Santos. As virtudes e o conjunto da obra foram muito superiores às falhas. Para os jovens que não tiveram o prazer de ver Renato ao vivo e para os não tão velhos que não puderam ver Pelé, ontem tivemos um clássico entre o Mosqueteiro portaluppiano e o Peixe pelezino que, de tempos em tempos, incorporam nos jogadores atuais para nos brindar com o melhor o futebol que o Brasil pode oferecer.

Hoje, ao contrário de muitas ocasiões nas quais prevalece em mim o pessimismo crítico fruto da forte influência que sofro dos pensadores franceses, enxergo o copo meio cheio ao invés de meio vazio. O que vi ontem me dá uma esperança real de que, independentemente de que venhamos a vencer o Santos novamente na Vila ou que, tragica e inesperadamente, soframos um sonoro 7×0, vejo muita esperança no restante de 2010  – muito em função da visão preponderante de que o Santos é quem errou e não o Grêmio é que teve qualidade e frieza para reagir a tempo. Até parece…

O jogo de ontem serviu para mostrar não aos gremistas corneteiros e incrédulos que não merecem pisar no fétido estrume do cavalo da Brigada parado no Largo Patrono Fernando Kroeff; nem aos desesperados e patéticos secadores estabelecidos na várzea do Lago Guaíba e tampouco para dar satisfação a uma mídia que só demonstra qualificação nas vozes e nos teclados de muito poucos profissionais dispostos a fazer jornalismo e não fofoca imparcial.

Ainda, tudo o que fizemos ontem não se destina simplesmente a mostrarmos a nossa cara ao centro do país que concentra 40% da economia e da população do país e a esse público e a esses patrocinadores superdimensiona os feitos de seus clubes: o que o Grêmio fez contra o Santos na inolvidável noite de 12/05/2009 no Estádio Olímpico Monumental foi a demonstração mais clara de que não existe garra sem técnica. Não existe arte sem doação. E que aqueles que dão carinho, boa alimentação, preparo físico, elevam a auto-estima e alentam aos nossos jogadores formam um conjunto indissociável de energia pulsante.

A ilha de Lost é aqui: o campo eletromagnético que emana do gremismo suga a rigidez dos metais de quem se atreve a nos desafiar. Quem cai aqui dificilmente consegue sair: a prova maior desse fato foi o aplauso que o jogador Robinho, ídolo-mor do Santos atual e – injustamente – apenas o único jogador de ambos os melhores times brasileiros do primeiro semestre de 2010 convocado para a Copa do Mundo da África do Sul prestou como reverência à nossa Geral. Quando parece que os invasores estão começando a dominar o terreno, nós – os Outros – primeiro os subjugamos para, depois, atrairmos os visitantes já ambientados para o nosso lado.

Se alguém ainda não entendeu o que é viver o Grêmio, que o breve relato deste texto ajude a incitar amor, paixão, doação, entrega, loucura, euforia e inteligência a todos aqueles que precisam – e muito – dessas sensações para sentirem-se cada vez mais vivos.

Pra quem ainda teme pelo jogo de volta, tenho um motivo muito particular pra acreditar que o Grêmio irá passar por mais este desafio. Mas esse eu guardo pra mim!

GRÊMIO CAMPEÃO GAÚCHO DE 2010

Vou falar agora sobre o que interessa, que são os dois grenais. Não sobe cada jogo individualmente mas, sim, sobre as escalações e organizações táticas que fizeram com que as duas partes de uma mesma decisão que coroou a vontade maior do Grêmio fossem tão diferentes.

Começo por ontem: sinceramente, não vejo como ruim, constrangedora e nem tampouco vergonhosa a derrota para eles ontem em casa, em meio a uma festa preparada.

Eles tiveram uma única chance real de gol e não conseguiram forçar o suficiente a ponto de fazer com que o Grêmio errasse ainda mais do que errou. Bem ou mal, a dupla de zaga funcionou. Por outro lado, os nossos dois laterais – a meu ver – fracassaram. Porém, isso não se deu por falhas individuais gritantes mas, sim, pelo fato de não ter havido uma cobertura mais sólida a ambos.

O plantel do Tradicional Adversário é, sim, de muita qualidade. A eles, falta um centroavante de área, pois o pivô movediço tão perigoso e eficiente quanto o nosso satisfatório e perigoso Borges é Walter. A eles, falta alguém equivalente ao Jonas (por favor, não comecem de novo), isto é, alguém veloz porém consciente na hora de prender a bola e eficiente nos cruzamentos e tabelamentos.

Mesmo que Ozéia tenha jogado direitinho ontem e que também tenha correspondido às expectativas no Maracanã diante do Flu, ainda assim o entrosamento de Victor aos volantes (setor predominantemente defensivo), é notável o desentrosamento gerado pela ausência de Mário Fernandes.

Como se isso não bastasse, não foi apenas a falta de um único titular incontestável que fez a diferença no posicionamento, no tempo da bola e na decisão sobre a iniciativa de exercer a carga sobre o adversário X ou Y mas, sim, o retorno de um antigo titular cujo futebol só funciona em uma curtíssima faixa do campo, pois ele não é alto, não é veloz, não é habilidoso e é menos forte do que sua posição normalmente exigiria de um jogador. Falo de Ferdinando.

O retorno do volante ex-Avaí prejudicou severamente a movimentação tricolor: afinal de contas, ele é uma peça que altera – e muito – o posicionamento e a movimentação de quase meio time. Ficou claro que o único volante que conseguiu sair jogando com poucos erros e com bastante efetividade foi o “alemão” Adílson. Willian Magrão esteve totalmente perdido, pois sua única postura eficiente foi ao fechar a entrada da área pelo meio, a fim de evitar novos arremates de longa distância.

Se Magrão não conseguia progredir nem permanecer em uma faixa do campo mais ou menos determinada, isso interferiu também no aproveitamento de Douglas: faltou ao nosso meia de ligação verdadeiramente habilidoso a necessária parceria capaz de fazer com que o time obtivesse mais espaços para municiar Jonas e Borges mais frequentemente.

Aí, chegou no segundo ponto de desarranjo no meio-campo: Leandro, que não é meia de ligação nem atacante, que possui habilidade mas que não possui nem uma posição definida, nem é capaz de flutuar livremente com uma boa coordenação associada à dinâmica da movimentação de todos do meio para a frente.

Isso posto, considero imprescindível hoje a presença de – pasmem – Fábio Rochemback no lugar de Ferdinando e de, na impossibilidade do titular absoluta Maylson, Hugo.

Hugo foi o nome do Grêmio no 2º tempo: ele alterou o jogo a nosso favor, pois minimizou muito a forte marcação exercida pelo gigante Sandro sobre Douglas.

Voltemos à escalação do T.A. ontem: eles não escalaram a “reba” ou a “baba” mas, sim, homens que proporcionaram um conjunto de opções táticas e técnicas bastante diferentes, como uma tentativa de nos surpreender. Comparem com outros clássicos: por acaso alguém viu alguma lógica quando o Mano Menezes inventou aquele 3-6-1 apenas com Rômulo no ataque e a invenção do lateral Alessandro naquele grenal em que Diego Souza destruiu com eles no Aterro? Lembrem-se de que, até então, Alessandro vinha sendo contestado, pois era um lateral que não apertava na marcação e que não apoiava decentemente.

Todos os reinos (animal, vegetal, mineral, etc.) estão carecas de saber como eles jogam com Andrezinho e/ou D’Alessandro e com Guiñazu: leveza do meio para a frente sem marcação na saída de bola do adversário, cruzamentos perigosíssimos pingados entre a marca do pênalti e a pequena área (exatamente no ponto onde é quase impossível um goleiro conseguir sair) e muitos chutes de fora da área. Reparem também na grande diferença de estatura que o Grêmio enfrentou ontem: foi um T.A. bem mais alto em todos os setores do campo, exceto pela opção por Taison.

Ronaldo fez um bom Brasileirão. E ele é bem mais jovem do que Índio, Bolívar e Fabiano Eller. Se é mais fácil destruir do que construir, ao invés de atuar num 4-4-2 com a iniciativa de atacar como o fez no Beira-Rio, Fossati optou por um 3-5-2, sabendo que precisava experimentar jogar no contra-ataque superpovoando a defesa com medo de Jonas e Borges, além de tentar brecar a qualidade de Douglas.

Apesar de ter inventado o desesperado 4-2-4 nunca treinado ao final do clássico anterior e também contra o Banfield, vocês poderão até me jogar ovos (não, não façam isso: há muita gente faminta e essa brincadeira não tem graça!), mas considero Fossati um bom técnico, sim.

Mesmo que tenha entrado apenas ao final da partida, o meia Tiago Humberto, também foi muito bem no hoje Grêmio Prudente (ex-Barueri). Foi uma tentativa válida de tentar mudar o toque e a cadência da bola, pois eles precisavam de outro gol e a marcação do Grêmio foi bem-sucedida, principalmente no 2º tempo. Felizmente, também não deu certo.

Eu vi Sandro e Giuliano em todos os jogos do Mundial Sub-20 no ano passado. A maturidade e a qualidade técnica de ambos sobra. Hoje, diria que são muito mais jogadores do que Andrezinho e D’Alessandro (no caso de Giuliano) e que, a exemplo da possível intromissão de um jogador menos qualificado do que outro em uma posição adjacente, diria que, sim, o idolatrado Guiñazu atrapalha – e muito – os movimentos de Sandro.

O Grêmio celebrou o fato de que – aparentemente – a ausência dos meias de ligação considerados titulares (D’Alessandro e o injustiçado 12º jogador colorado, Andrezinho) não nos ameaçariam. Por desconhecimento do vasto plantel vermelho, não houve, por parte da nossa comissão técnica, uma rápida percepção acerca da dinâmica completamente inesperada posta por Jorge Fossati em campo ontem no Olímpico.

Após muito tempo de críticas às vezes até injustas, passei a perceber que Silas costuma arrumar melhor o time no intervalo. E, como de costume, assim o foi: Hugo fez Jonas (muito, muito marcado) jogar um pouquinho mais, assim como também colaborou com uma aparição mais perigosa de Borges (este, uma peça diferenciada em nível nacional). Douglas, por sua vez, ainda deixava a desejar, graças à atuação de Sandro. Porém, Hugo trouxe ao Grêmio uma presença ofensiva maior e uma posse de bola que poupou a nossa zaga dos erros e de um desgaste físico maior ao final da partida.

Neuton não foi surpreendente nem ofensivo como o fora no Beira-Rio. Também não foi notado dentro de campo como ocorrera no Maracanã. Contudo, não atuou mal: embora não tenha a mesma velocidade nem o estupendo tempo de bola do Mário Fernandes, foi excelente ao impedir que Taison conseguisse ser veloz e perigoso.

Enfim… Conquistamos nosso 36º Gauchão em nossa 13ª decisão direta contra eles e, a exemplo dos tempos de Dorinho, eles ganharam o último clássico sem uma vantagem suficientemente capaz de retirar o nosso título.

Hoje, começa uma nova caminhada: os quatro primeiros meses do ano, que significaram a adaptação de uma porção de novos atletas e de uma nova comissão técnica à cultura do clube, da mídia e da nossa sociedade, acabou. O torneio que representa a primeira etapa em um processo de desenvolvimento físico, técnico e tático contra adversários pouco expressivos agora retorna somente em 2011.

Silas pediu reforços. Ele sabe que outros meninos além dos dez que ora são profissionais precisarão ser maturados e que o nosso celeiro de craques tende a nos trazer novas revelações quase na metade do segundo semestre. Também ficou claro que alguns dos jogadores trazidos para compor o grupo são insuficientes para a exigência do Brasileirão. Como se isso não fosse uma exigência suficientemente forte, também estamos diante da primeira Copa do Brasil em vários anos cujos oito remanescentes hoje à espera da partida de volta das quartas-de-final são todos times de Série A. Como há muito não se via, há um Atlético-MG com um plantel experiente, com um Luxa motivado e com uma massa ávida por um título após o pesadelo da Série B. Como há muito não se via, há um grande clube carioca procurando mudar a sua maneira de pensar o futebol buscando dar um salto de qualidade (o Fluminense de Muricy) e, finalmente, como há muito não se via, há um time muito chato, veloz, insinuante, correndo como franco atirador, que irá incomodar muita gente durante o resto do ano (o Atlético-GO, de Geninho).

Os Meninos da Vila, que formam o time de futebol mais ofensivo, bonito e assustador do país, estão no caminho do Galo, assim como o Tricolor das Laranjeiras está no nosso. Fora esses, vimos, com a final do Gauchão, que não se pode tirar o Tradicional Adversário para compadre sob hipótese alguma. Há ainda Mano Menezes tentando se consagrar com um Brasileirão em um clube que investiu muito neste ano d centenário, assim como a manutenção da espinha dorsal do São Paulo dos últimos anos.

Ainda não estamos prontos. Mas o nosso norte é, após muito tempo, bastante nítido.