A FORMAÇÃO DE JOGADORES SUBSTITUÍDA PELO MARKETING

Jamais seria louco de remar contra a maré e de negar a necessidade e a importância do marketing esportivo. Tampouco nego que – atualmente – o jogador precise ser uma empresa repleta de assessores para agenciar a sua carreira (os mais promissores e os já consagrados contam com assessoria de imprensa contratada, media training para não falarem muitas bobagens, estilista pessoal, marca própria, etc.). Afinal de contas, ele é um componente-chave dentro de uma cadeia produtiva.

Contudo, a recente contratação de um jogador chinês pelo Corinthians e as falhas da Lei Pelé nocivas aos clubes põem em sério risco a priorização da formação de jogadores nas categorias de base por parte dos grandes clubes brasileiros.

Apesar do fantástico exemplo do Barcelona – cujo investimento em La Masia é crescentemente recuperado dentro e fora do campo (inclusive no Brasil e na Argentina) – temos, no Brasil, um fator limitador: os clubes só podem firmar um contrato profissional com jogadores a partir do dia em que eles completarem 16 anos de idade. Antes, eles são agentes livres – podem sair gratuitamente para qualquer lugar, sem que a instituição formadora seja minimamente ressarcida.

A partir da Lei Bosman na Europa, as leis trabalhistas passaram a impedir os clubes de ter aquilo que chamávamos antigamente de “passe” – apesar da multa rescisória pela negociação anterior ao prazo definido nos ora ditos “direitos federativos” resultar quase na mesma condição anterior. Além disso, por uma questão de isonomia e para evitar qualquer jurisprudência trabalhista nesse sentido, seria injusto com outras categorias profissionais ou flexibilizar, ou tornar mais rígida a condição do atleta profissional. Portanto, a solução precisa de um outro mecanismo – mesmo que seja necessário abrir uma exceção jurídica, o que nossos amigos da área do Direiro podem ajudar a operar com as devidas salvaguardas para evitar o risco da jurisprudência. Se não agirmos nesse sentido, casos de aliciamento como o deste triste exemplo irão minar o interesse dos grandes clubes em seguirem bancando as categorias de base.

Se o que interessa é expandir o universo de consumidores e de fãs, apesar de o nosso país ser demograficamente vasto, a fidelidade, a identidade regional, a tradição familiar e a necessidade de faturar cada vez mais para contratar e reter talentos são limitadores do crescimento do público de um clube. Apesar de a globalização levar à procura rumo aos mercados superpopulosos e financeiramente prósperos da Ásia, a pesquisa da Pluri Consultoria sobre o torcedor brasileiro aponta para uma maior proximidade do fã para com a sua respectiva identidade regional.

Mesmo assim, demográfica e culturalmente, não posso afirmar, hoje, que haja – demográfica e culturalmente – certeza de que a maioria dos jogadores que poderão vir a proporcionar frutos valiosos para o nosso Grêmio em um futuro próximo repliquem a mesma lógica que permeou a maioria de nossas equipes multicampeãs (isto é, a de jogadores predominantemente gaúchos feitos em casa). Todavia, a forma com que os agentes (insisto: mal denominados como “empresários”) prospectam, oferecem e adquirem os meninos como mercadorias faz com que eles circulem de maneira muito precoce por mercados aos quais a maioria deles terá imensa dificuldade de adaptação.

Paralelamente, temos um exemplo bastante próximo do RS no Uruguai, onde a AUF, sob o comando do técnico Óscar Tabarez, tem obtido resultados extremamente significativos dentro de campo e – mais do que isso – contribui para um culturamento formal mais amplo, reduzindo a chance de os jogadores serem descartados como qualquer bem de consumo material de obsolescência programada. A intenção uruguaia é bem diferente da brasileira, que é uma réplica do que ocorre na maioria dos grandes centros europeus: enquanto nossos vizinhos cisplatinos investem na formação do cidadão, do homem culto, politizado e autônomo em relação ao seu futuro, sabedor da sua identidade sociocultural, aqui se tem muito medo de que os jogadores deixem de ser as ovelhinhas preferidas por muitos técnicos e dirigentes.

A formação uruguaia traz consigo um gigantesco bônus para o futebol: ao invés de seguidores, líderes; ao invés de alienados e/ou semianalfabetos, profissionais capazes de se manifestar como formadores de opinião qualificados; ao invés de respostas evasivas, de polemizações desnecessárias e de um falso bom-mocismo, entrevistas mais francas e mais repletas de significado, com as quais a mídia e os torcedores terão muito a aprender.

Em função de todo esse contexto, precisamos urgentemente de uma verdadeira UNIÃO dos clubes para que as comissões + cessão ou divisão dos direitos federativos de todo e qualquer menino das categorias de base para agentes FIFA não ultrapasse os 30% e que, neste caso especialíssimo – o dos atletas em formação – o primeiro contrato profissional possa ser firmado aos 12 anos.

Finalmente, que todo e qualquer clube dito profissional deva necessariamente manter e desenvolver sempre TODAS as categorias de base, a fim de manter-se federado e presente em ligas competitivas. Isso garantiria a geração de empregos em todas as instâncias do futebol e tornaria a ação dos agentes mais transparente.

Contudo, há um fortíssimo entrave para a concretização desse modo de trabalho: a poderosa articulação entre dirigentes e patrocinadores que faturam alto com as constantes transações e agentes que funcionam ora como mecenas, ora como agiotas. E se esse tipo de relacionamento promíscuo ocorre até mesmo no seio dos clubes (eventuais diretores de escolinhas inescrupulosos, conselheiros que tormaram-se agentes e o costumeiro constrangimento que impede que conhecidos e partidários desses entes revelem a verdade).

Na área da Administração, costuma-se incentivar o empreendedorismo afirmando-se que, para toda a ameaça, surge uma oportunidade. Eis, portanto, o meu, o teu, o NOSSO desafio para, ainda que lentamente, possamos alterar esse estado de coisas que é comprovadamente nocivo ao Grêmio.

ENTREVISTA DE ANTONINI À RBS: MIGRAÇÃO DE SÓCIOS PARA A ARENA

Faço votos para que as últimas frases de um dos vice-presidentes do Conselho de Administração do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e presidente da Grêmio Empreendimentos Ltda., o engenheiro Eduardo Antonini, sejam amplamente vistas com muito carinho e seriedade pelos profissionais da Sociedade de Propósito Específico (SPE) responsável pela organização de eventos e pela gestão da ocupação, do uso e do consumo da e na Arena do Grêmio.

35 DIAS DE GRÊMIO 2012

Victor está bem, mas precisa corrigir imediatamente o seu maior defeito: a bola baixa no canto esquerdo. Do contrário, o excelente Marcelo Grohe terá todas as condições de superá-lo.

O Grêmio não tem zagueiro titular NENHUM. Por incrível que pareça, o único que prestaria para ser reserva pelo lado esquerdo seria o já negociado Rafael Marques e o único aceitável para a reserva pelo lado direito é Saimon. Nenhum que subiu dos juniores serviu e Douglas Grolli não apresenta fundamentos. Não se contrata jogador que não aprendeu na base.

O Grêmio possui um estupendo lateral-direito titular (Mário Fernandes), um reserva faceiro (Gabriel) e outro que marca pior que o primeiro e melhor que o terceiro e apoia pior do que os dois (Edilson).

O Grêmio possui um bom lateral-esquerdo, razoável na marcação e ótimo no apoio (Júlio César), mas possui um reserva horroroso em todas as valências (Collaço) e um faceiro encostado (Lúcio).

O Grêmio tinha um volante (Fernando), um experiente que não tem velocidade (Gilberto Silva) e dois raçudos que erravam demais (Adilson e Roca). Hoje, tem apenas um único volante (Fernando).

O Grêmio não possui meia algum: nem para titular, nem para a reserva. E emprestou Pessalli, que é o único que não é lento e sabe lançar e cruzar (mesmo que esteja longe de ser craque). Nas CNTP, seria um excelente reserva.

O Grêmio possui um atacante estupendo (Marcelo Moreno) e um bom, porém “pancada” (Kleber). André Lima é um reserva apenas razoável e não temos outro.

Pode por José Mourinho que não ganha nem 1º turno de campeonato de botão com um plantel desses.

Odone e Pelaipe seguem sendo os mesmos de sempre: os reis da política do “cobertor curto”: afinal de contas, o que esperar de quem achava que poderia ter ganhado uma Libertadores com Patrício, Sandro Goiano, Tcheco e Tuta?!

Quem é o volante Flávio do Vasco, que não deu certo nem no Gauchão da Europa, que é Portugal?! Quem é Facundo Bertoglio, que nunca jogou bem em lugar algum e já teve lesões graves que o afastaram dos gramados por muitos meses?!

Aonde estão os investidores que pagariam uma fortuna por Giuliano?!

Aonde está o dinheiro do adiantamento (sim, foi um adiantamento, mesmo que o presidente tenha sido malcriado com um conselheiro que o questionou a respeito em uma reunião recente do CD) da Rede Globo?!

Por que se paga mais de R$500.000,00 de salário por um jogador sem passagens pela seleção brasileira adulta, sem títulos relevantes em sua carreira e em uma idade na qual não poderá ser vendido porque não tem mercado nesse patamar?!

Por que se oferece R$550.000,00 por um meia que não trouxe absolutamente nada ao Grêmio durante um ano e meio de preguiça e de lentidão?!

Por que o presidente e o diretor remunerado mentiram para o sócio em relação a várias das questões levantadas acima?!

Isso não é secar e nem tampouco ser pessimista: é ser realista, é observar, é analisar o contexto extra e intra-Grêmio.

[G'12 TP 5ª] GRÊMIO 2×2 T.A.

Jogamos com o nosso time “C”, sem uniforme e sem técnico. Mesmo assim, vocês não conseguiram nos ganhar! CORRÊA, A.

O Grêmio encerra a quinta rodada do 1o turno do Gauchão 2012 com apenas 7 pontos ganhos em 15 disputados.

Até aqui, foram 7 gols a favor e 5 contra.

Apesar do saldo positivo, a média de gols sofridos é alta: 1 gol por jogo. Contra clubes que sequer disputarão divisão nacional alguma.

A quantidade de gols pró é baixa para o nível do certame: apenas 1,4 gol por partida. Contra planteis cuja folha salarial completa é inferior ao salário de Kleber.

Se levarmos em conta que os poucos adversários fortes neste baixo nível de competitividade disputarão a lastimável Série D do Brasileirão, apesar de o Tricolor dos Pampas estar com uma equipe em formação e de ter tido uma curtíssima pré-temporada de apenas 8 dias, a situação do Grêmio não é nada suave. Afinal de contas, o nosso plantel segue a política do “cobertor curto”: temos um ótimo goleiro, laterais muito bons, um estupendo volante e dois bons atacantes. Mas a boa qualidade no time titular restringe-se apenas a eles.

A falta de opções minimamente confiáveis no miolo de zaga; ao lado de Fernando na volância; em ambas as meias e na reserva imediata de mais de 60% das posições (para a dupla de zaga, para todas as volâncias e meias e para a posição mais movediça do ataque) mostram que o menos culpado deste início de ano apavorantemente claudicante é o técnico paranaense Luiz Carlos Saroli, o Caio Jr. – um homem intelectualmente acima da média do nosso meio futebolístico, que foi jogador dos vitoriosos Adalberto Preis e Saul Berdichevski na gestão do saudoso presidente Irany Sant’Anna.

Ontem, o Grêmio deixou de vencer até com facilidade ao fraco escrete misto do Tradicional Adversário: eles apresentaram uma dupla de zaga que batia cabeça e “isolava” a pelota com pavor ao invés de sair jogando quando não havia nenhuma pressão na continuidade de nossos lances de ataque.

Os atacantes do T.A. foram inoperantes durante praticamente todos os 95 minutos de jogo. Por outro lado, o primeiro tempo mostrou uma ampla superioridade do Grêmio e, no 2º, mesmo quando “eles” chegaram a ter um volume de jogo superior ao nosso durante o terço intermediário da etapa, os contra-ataques em velocidade e a maior proximidade de movimentar o placar estiveram conosco.

O que tivemos de mais positivo foram as breves atuações em alto nível de ambos os laterais, a atenção frequente do nosso goleiro, o trato fino da bola, a conclusão de longa distância e uma combatividade firme porém leal do nosso volante extraclasse.

A mensão honrosa fica para a única contratação cirúrgica e valiosa feita pelo nosso péssimo Departamento de Futebol: o atacante Marcelo Moreno, que cobrou uma penalidade máxima com segurança e precisão, cabeceou, esteve quase sempre no lugar certo, serviu bastante aos companheiros, demonstrou habilidade e é um jogador jovem e simpático, que precisa ser muito bem aproveitado pelo nosso marketing.