Havia MUITO tempo que eu não chorava de ORGULHO por causa do nosso Grêmio. Desde alguma vitória importante dentro do Olímpico contra algum dos ponteiros da tabela durante o Brasileirão 2009, presumo.
Ressalto que o Tricolor dos Pampas não é – hoje – o melhor time do mundo. Também fica claro que não temos tanta velocidade nem tanta habilidade como a atual versão dos “Meninos da Vila”. Todavia, não há por que temermos NENHUM clube brasileiro da Série A seja aonde for. Este é um sentimento que, apesar de ainda ser bastante incipiente e de apontar para um destino incerto, supera em vários níveis a confiança que tinha quando fomos líderes do Brasileirão 2008 e acabamos com o vice-campeonato. Afinal de contas, hoje tendemos a crer que o futebol do Grêmio vem num crescente e pressupõe que (salvo alguma catastrófica onda de lesões ou de negociações de vários atletas importantes de uma só tacada) ele está longe do seu auge.
O Grêmio superou ontem três fantasmas: 1) o do péssimo retrospecto recente no Maracanã; 2) o do “acadelamento” do time fora de casa e 3) o do reconhecimento sincero e bastante respeitoso por parte da mídia do centro do país e também do exterior, como nos mostra o site da FIFA:
“Estivemos boa parte do tempo com um jogador a menos, em um campo pesado, com torcida contra, cansaço físico… Então acho que foi um resultado excelente. O Grêmio está no caminho certo para conquistar títulos” (Victor)
Hoje, ouvi de um grande colorado, o prof. Sílvio Alves, colega na @comdig @unisinos, que ele preferia que o Tradicional Adversário tivesse contratado Silas ao invés de Fossati como técnico. Essa opinião contesta o que eu mesmo pensava a respeito do nosso comandante de campo há até bem pouco tempo atrás.
O fato é que todos os gremistas esperaram ansiosamente por um longo verão de estiagem de bom futebol e de resultados significativos para poderem voltar a fazer o Velho Casarão (valeu, Bonatto, via Minwer) “botar gente pelo ‘ladrão’” não uma mas, sim, duas vezes consecutivas e em um início de mês. Foram duas vitórias acachapantes e insofismáveis contra dois adversários respeitabilíssimos: primeiro, aquele que nasceu da nossa costela e que teima em se achar mais sábio do que o pai, que é diabo por ser velho (ou seria velho por ser diabo?!); e, ontem, sobre o time carioca que joga o melhor futebol e possui a melhor estrutura daquele estado.
Não tenho como descrever o jogo melhor do que a nossa testemunha ocular, a consulesa adjunta tricolor na Cidade Mais do que Maravilhosa (parafraseando o saudoso compositor e poeta Vinícius de Moraes, Porto Alegre que me perdoe, mas beleza e calor são fundamentais) Annie Fim. Mas posso dizer que O IMORTAL VOLTOU!!!
Voltou porque Mestre Jonas conduziu com maestria a bateria tricolor para o recuo: o nosso samba não foi corrido, pois manteve a harmonia intacta e voltou retumbante à castigada avenida Maracanã após uma aplaudida paradinha. E Douglas foi o intérprete que sacudiu a arquibancada!
Percebam a coincidência: matamos dois terríveis tabus com uma única cajadada. Em duas árduas jornadas fora de casa debaixo de incontáveis pingos de amor, primeiro, voltamos a vencer o T.A. em uma decisão dentro de seus domínios desde 1993; depois, retomamos o gosto pela vitória no templo sagrado do futebol mundial, símbolo maior do amor e da inveja que os gaúchos têm pelos cariocas e vice-versa.
Seremos, somados, cerca de 80.000 gremistas. A Geral voltará a vibrar e a torcer como jamais deveria ter parado de fazer. O meio da Social não terá argumentos para seguir na mal-amada e contraproducente “corneta”. E nenhum de nossos próceres correrá o risco de “pagar mico” junto a seus convidados nas tribunas de honra. A mídia nacional honesta e da melhor qualidade mover-se-á para a capital de todos os gaúchos, pois o melhor futebol da próxima semana concentrar-se-á todo aqui: duas vezes o Grêmio e uma vez o Banfield, que deseja nos oferecer a deliciosa especiaria portenha Pato a la Naranja.
E que venham a taça do Bovinão e ou os meninos da Vila, ou o nosso amigo “prof. dr.“!
Pra terminar: como é bom saber reverenciar um adversário valoroso. É isso o que mais me enche de orgulho!


