O cidadão com C maiúsculo Fernando Nunes (sigam-no no Twitter) disponibilizou o seu precioso tempo para colaborar com a nação em uma disputa que deveria ter sido sempre pautada pela politização.
Um brasileiro, simples, negro, maduro, expôs a sua posição e solicita à maioria da população negra do Brasil para que vote em @dilmabr .
Mas por que os negros deveriam digitar o 13 na urna eletrônica no próximo domingo dia 31/10?
Por um argumento tão simples quanto irrefutável veiculado no vídeo acima:
– SE O NEGRO NÃO SERVE PARA SER ELEITO PELO PSDB (pelo menos para a Câmara dos Deputados, para o Senado e para governador), ENTÃO O VOTO DO NEGRO TAMBÉM NÃO PODE IR PARA O PSDB!
Pra ninguém dizer que eu sou sectário, que tenho uma visão míope da sociedade brasileira ou que politizo absolutamente tudo o que eu vejo e falo, decidi prestar uma homenagem à grande parcela dos meus contatos (muitos deles inclusive fraternos) que irão MESMO votar em @joseserra_#serrarojas#boladepapelfacts .
Cada um tem a sua opinião. E o mundo é bem melhor com democracia, diversidade, pluralidade e liberdade de expressão. Mas, já que a coisa chegou a um tom meio pesado, proponho uma pequena trégua: prometo que, até às 17h do dia 31/10/2010, não irei incomodar nenhum leitor da Bíblia.
Às vezes me pergunto se, como professor e cientista principiante, deveria ou não me manter como militante – sobretudo porque atuo em uma instituição privada de ensino superior e de pós-graduação.
Porém, há uma tradicional predominância de intelectuais de esquerda dentro das Ciências Sociais Aplicadas – ramo do conhecimento no qual se inserem as Ciências da Comunicação.
O curso onde trabalho, de Comunicação Digital, possui um intercâmbio muito forte com o mercado. E o âmbito socioeconômico e cultural da classe dirigente e do pensamento médio do executivo é de direita – ou de centro-direita. De qualquer maneira, com o perdão dos demais professores, alunos e parceiros que pensam de maneira diferente da mim, me vejo no direito de me manifestar neste espaço, que é meu.
Contudo, @tarsogenro e @dilmabr já acenaram diversas vezes para a realidade de um compromisso que é mais do que necessário para a viabilidade da sociedade brasileira: o respeito, a colaboração, a solidariedade e o diálogo franco e, acima de tudo, honesto entre todas as ideologias, credos, gêneros, etnias, categorias profissionais, áreas do conhecimento e necessidades econômicas específicas para cada nicho social e para cada região geográfica.
O Brasil não pode – de maneira alguma – tornar-se um país sectário. Os danos aos avanços sociais mediante políticas públicas de inclusão social baseadas em notáveis incrementos quantitativos e qualitativos no emprego, na educação, na saúde, na infraestrutura, em energia, nos transportes e nas relações diplomáticas e comerciais com o mundo inteiro seriam irreparáveis em caso de uma derrota de Dilma.
Não prego o terror nem procuro ameaçar ou assustar a quem quer que seja. Porém, por atuar no mundo acadêmico, percebo uma série de avanços que sabemos que serão interrompidos pelo que de pior a direita pode apresentar. Exemplos de avanços observados no meu meio:
– A @unisinos tem contratado muitos professores. Hoje, é considerada pelo MEC como a melhor universidade privada do sul do Brasil e a terceira melhor do país pelo segundo ano consecutivo. Recentemente, o nosso Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação confirmou a sua nota 5 pela quarta vez consecutiva na avaliação trienal da CAPES. E os PPGs em Educação e em Direito da nossa querida Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Grande Porto Alegre) receberam distinção de qualidade internacional com a nota 6;
– Independentemente do fato de a Unisinos ter feito um trabalho interno absolutamente sensacional de reconfiguração das suas finanças a partir de uma forte revisão nos seus objetivos, desde 2004, muito desse sucesso se dá pelo fato de a CAPES e o CNPQ do Governo Lula estarem liberando verbas para bolsas de iniciação científica, de mestrado, de doutorado e também para projetos de pesquisa sérios e bastante extensos como nunca antes na história deste país;
– A graduação e o PPG em Geologia da Unisinos não eram muito conhecidos em nível nacional até o estabelecimento da parceria com a Petrobras. Não é uma mera transferência ou um privilégio receber dinheiro e trocar experiências com engenheiros, físicos, químicos, técnicos e geógrafos de uma das maiores empresas do planeta (e, certamente, a maior empresa pública do mundo): a Unisinos devolve para a sociedade brasileira os resultados de pesquisas que ajudarão o país a economizar dinheiro, lucrar mais, preservar melhor o meio ambiente e gerar cada vez mais empregos;
– As faculdades de Fïsica, Química, Geologia, Engenharias, Administração e Arquitetura da Unisinos têm muitos professores de Cálculo. Há dezenas de turmas somente dessa disciplina em todos os cursos de Ciências Exatas. A carga horária de todos está ocupada e novos foram contratados. A Unisinos cresce nessa área porque, no Brasil, há uma demanda reprimida gigantesca em função do aumento da classe média, que precisa estudar para se qualificar e produzir.
Não exatamente todas as ações da Unisinos dependem da política partidária ou do predomínio de uma determinada ideologia no poder vigente. Afinal de contas, há o talento, o esforço e a capacidade de articulação e de diálogo de uma série de atores notáveis que me enchem de orgulho de fazer parte desta família.
Contudo, é preciso salientar que todas as conquistas recentes são fruto da valorização da função do Ministério da Educação: a @lolaescreva postou o depoimento de uma menina que estuda Biologia na UFRN que descreve o quanto a sua universidade pública, gratuita e de qualidade tem crescido desde que ela passou no vestibular. E eu sou do tempo em que a biblioteca da FABICO/UFRGS (Collor, Itamar, FHC) passava QUATRO ANOS sem renovar a assinatura de uma revista; que a verba repassada pelo Ministério da Educação da direita e rateada por prioridades definidas por reitores de centro-direita destinava à então pobre FABICO dinheiro suficiente apenas para consertar uma máquina de xerox!
Enfim… Não poderia julgar as pessoas sem uma análise etnográfica de cada ambiente e sem recorrer a autores consistentes para embasar a minha opinião. Mas acho que, diante de tantas evidências, não há como um cientista ou um estudante que passa pela universidade para deixar a sua marca e para inebriar-se do espírito do ensino, da pesquisa e da extensão acadêmica contestarem os fatos descritos neste post para justificar um voto (a meu ver, autofágico e movido por valores conservadores que não condizem com aquele que considero o verdadeiro espírito universitário) no atraso líquido e certo que a extrema direita representa para o Brasil.
*Há classe média e classe mérdia. Antes que alguém sinta-se ofendido, entenda: classe mérdia é quem age e pensa assim. ;)
Há alguns anos, acho que todos vão se lembrar, no Rio de Janeiro, quatro rapazes de classe média alta estavam voltando de carro da “balada”, bastante animados com a farra, quando viram uma mulher parada num ponto de ônibus. Pararam o carro, desceram e começaram a se divertir batendo nela. A moça resolveu prestar queixa na delegacia, e disse que era uma empregada doméstica. Os rapazes foram convocados a depor. Em sua defesa, alegaram que não tiveram a intenção de agredir uma doméstica – eles pensavam que era uma prostituta.
Até aí já teríamos elementos suficientes para uma grande discussão. O que leva mauricinhos de “boas famílias”, que tiveram “de tudo”, a sentir prazer em espancar uma pessoa? E o que leva a pensar que, se fosse uma prostituta, tudo bem, prostitutas são seres humanos que merecem apanhar?
Para piorar, vieram os pais, empresários, com seus carrões dirigidos por motoristas particulares, chegando na delegacia com seus advogados cheios de termos técnicos. Um dos pais não parava de dizer que seria um absurdo colocar aqueles jovens, de boas famílias, de berço, que faziam faculdade, na prisão, junto com os marginais. Iria acabar com a vida dos coitados. Só porque bateram numa empregadinha qualquer…
O que está em jogo aí? Muito mais do que a ação de jovenzinhos ricos cujo prazer é bater nos outros, de preferência mulheres, sozinhas, e pobres, e sabendo que serão protegidos pelo dinheiro dos pais. Estão em jogo os valores das pessoas, as mentalidades. Gente que acha que existem seres humanos melhores que outros. Que nas favelas estão os marginais que merecem a prisão. E nas “boas famílias” da gente “bacana” estão pessoas de bem, de berço, que vão à missa e até fazem caridade, e que infelizmente de vez em quando cometem um deslizezinho ou outro, como espancar domésticas ou (se lembram disso?) queimar índios e se defender dizendo que achavam que eram mendigos.
Pois agora, em época de eleição, vivemos novamente um choque de valores, de mentalidades. Está em jogo muito mais do que a escolha de um ou outro candidato. Vemos isso não tanto pelas propostas dos próprios candidatos – mas pelos spams e correntes espalhados pelos eleitores na internet e os argumentos usados para a decisão do voto.
Vamos a eles. O primeiro, mais importante, são os vários e-mails que falam de Lula como o analfabeto, o ignorante, que nem sabe falar direito. Tais críticas são o espelho perfeito do pai do mauricinho que escapou da prisão. Trata-se de um pensamento que considera um absurdo que uma pessoa pobre, que veio do nordeste, que foi operário, ocupe a presidência do país. É o típico pensamento daqueles que dizem que não são racistas, e justificam dizendo que tratam muito bem o porteiro, a empregada doméstica. Tratam muito bem, sim, desde que eles fiquem no lugar deles – nada de tentar fazer faculdade, de tentar conseguir um emprego melhor, quererem ser chefes. Em suma: a ideia de que existem seres humanos melhores do que outros, independente dos seus atos.
Segundo: gente que diz que Dilma é terrorista. Bem, quem diz isso deve conhecer muito pouco de história. Sabem quem mais já foi definido como “terrorista”? Mandela! Podem conferir na wikipedia. Gandhi! Se a palavra existisse antes, provavelmente os romanos teriam chamado Jesus de terrorista também. Por outro lado, sabem quem já foi denominado “inimigo dos terroristas”? George Bush! Os ditadores militares que ocuparam a presidência do Brasil e de outros países da América Latina e instituíram a tortura como prática comum. Até Hitler! Ou seja, ao vermos alguém ser chamado de “terrorista”, é importante saber quem está chamando e o que realmente a pessoa fez. O regime vergonhoso do Apartheid identificou como terrorista um homem que lutou pela igualdade, justiça e paz. O mesmo fez a ditadura brasileira com os militantes que lutavam por um outro Brasil.
Mais um? O pessoal que agora inventou uma corrente a favor da liberdade de imprensa. Tenha dó! Quer dizer que alguém acha que vivemos numa plena liberdade de imprensa, em que algumas poucas famílias são donas das emissoras de TV, rádios, jornais e revistas? Os jornalistas todos sabem que, dentro das redações, é proibido dizer certas coisas, ferir interesses dos anunciantes, denunciar a corrupção de certas empresas… Essa semana tivemos um bom exemplo. A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida do Estado de São Paulo após escrever um texto em que apontava pontos positivos do Bolsa Família.
Na verdade, o que vem ocorrendo é o contrário. Nunca houve tanta liberdade de imprensa, para se denunciar e divulgar atos corruptos. É tão engraçado ver as pessoas falando de mensalão como se fosse uma razão para não votar no PT. Esquecem que o tal mensalão teve origem no PSDB de Minas com o Eduardo Azeredo. E mais: alguém acha mesmo que antes não havia corrupção e só agora é que há funcionários do governo e políticos corruptos? Por favor! Na época da ditadura a corrupção andava solta, só que ninguém podia divulgar nada. E mesmo agora. O Estado de São Paulo se declarou, num editorial, a favor de Serra. Alguém acha que esse jornal tem interesse em divulgar fatos contrários ao interesse do PSDB? Pior faz a Veja, que posa de “imparcial” e tem uma equipe de redatores que reescreve todas as matérias, eliminando qualquer coisa que possa ser positiva para o governo Lula ou o PT. Na Veja, até eclipse solar é culpa do PT! Grande liberdade de imprensa…
Algumas pessoas, nessa época de eleição, alegam que querem argumentar. Pois vamos argumentar! Vamos comparar os indicadores da economia, da educação, da saúde, da distribuição de renda, da estabilidade do Brasil e sua visibilidade no exterior. Em tudo isso, o governo Lula vence o de FHC. Aí começam a aparecer esses outros argumentos: que Lula é analfabeto, Dilma é terrorista e lésbica, só no governo Lula houve corrupção e a liberdade de imprensa está para acabar. Não são argumentos relacionados com competência para conduzir um país nem com propostas de governo. Antes, são manifestações do mesmo tipo de mentalidade de quem acha que os coitados dos meninos de classe média alta não podem agora perder a vida só porque exageraram um pouquinho e espancaram uma doméstica. Uma doméstica! Foi mal! Era para ser uma prostituta. Dá um dinheirinho para ela para compensar e a coisa morre aqui…
Carlos Alberto Ávila Araújo
Em resposta aos vários e-mails que tenho recebido com pedidos para não votar em @dilmabr (e piadinhas “inocentes” sobre Lula e o PT).
De todas as tarefas, obrigações, prazeres, atividades e necessidades cotidianas que possuo hoje em dia (ComDig, Comunicação Cidadã e Grêmio), até o dia 31/11, neste blog e no Twitter, minha prioridade de conversação, diálogo, debate e pautas é, disparada, a eleição de DILMA PRESIDENTA. Entendam: demais assuntos serão necessariamente eventuais, quase fortuitos – com licença poética garantida para o TRICOLOR DOS PAMPAS.
Quem não se interessa e não concorda, pode simplesmente ignorem ou, para os mais exaltados e impulsivos, deixem de visitar o blog ou parem de me seguir no Twitter durante esse período.
Mas quem se interessa, bebam diretamente da fonte:
Jornalista bom não precisa ser formado em jornalismo: basta fazer bom jornalismo.
E é impossível ser imparcial ou isento, pois todos temos valores e referências.
Quem tem lado está protegido pela Constituição: ninguém pode coagir, corromper, agredir, prender, ameaçar ou demitir em função de ideologia ou credo.
Quem não quiser discutir, não discute. Quem não quiser se envolver, não se envolve. Mas ninguém pode calar ou constranger ninguém.
A mídia corporativa raramente faz jornalismo quando o assunto é política e economia. E eu encontro jornalismo de melhor qualidade na blogosfera.
A blogosfera tem gente que escreve muito mal, que é desinformada ou que age de má fé. Contudo, o contragolpe a essas práticas reside na colaboração e na investigação intensas sem hierarquias e sem a dependência de patrocinadores.
Quem faz por amor, faz melhor!
A VERDADE VAI GOLEAR A MENTIRA, ASSIM COMO A ESPERANÇA VENCEU O MEDO.