A pré-temporada de verão no futebol brasileiro é um período vazio de notícias relevantes. A janela de contratações para a segunda metade da temporada européia é muito menor, o que, normalmente, resulta em contratações mais baratas e menos bombásticas por parte dos times europeus e em repatriações menos expressivas para o nosso mercado.
O atento e criativo Alexandre Perin no seu blog ALMANAQUE ESPORTIVO é mais um dentre tantos que utiliza o período para o exercício da comparação entre jogadores do mesmo clube entre o ano passado e o momento atual de remontagem dos plantéis.
Ninguém pode negar que tal operação tem lá o seu valor. É divertida. E, até certo ponto, existe um grau de confiabilidade em tais comparações. No entanto, é inevitável cair no erro de tomar como verdade a comparação do incomparável a fim de querer justificar o injustificável. Esta é a grande armadilha em torno das comparações.
Digo isso porque nem eu, que vou a pelo menos 95% dos jogos do GRÊMIO por ano em casa há quase três décadas, chego mais cedo para acompanhar as preliminares, tenho conhecidos que trabalham no clube e, sempre que tenho um tempinho, ainda acompanho torneios como o Brasileirão SUB-20 e a Copa São Paulo de Futebol Júnio, sou capaz de afirmar o quanto essa gurizada que está subindo agora para o grupo profissional é verdadeiramente “boa” ou “ruim”.
O máximo que posso ter são breves IMPRESSÕES. Nem mesmo os setoristas do clube (repórteres que vivem dentro do Olímpico) ou os próprios dirigentes (do presidente ao coordenador das categorias de base) tem certeza de que jogadores que foram apenas aplicados mas que não se sobressaíram tecnicamente serão apenas jogadores medíocres quando se derem conta de que, a partir da sua promoção, tornam-se HOMENS ao invés de meninos.
Em princípio, prefiro criticar os dirigentes por cornetas, bate-bocas e má condução de negócios mais vultosos com agentes, jogadores e dirigentes de outras paragens e também pela contratação de um jogador ou outro que já deram mostras suficientes de que sua índole e sua qualidade técnica e física são muito baixas para a exigência de um clube centenário multicampeão e conhecido no mundo todo.
Me abstenho de criticar a utilização massiva dos “pratas da casa” porque, simplesmente, a amostragem do que eles já apresentaram em brevíssimas participações no grupo profissional é quase nula.
Como maior exemplo de injustiça eu cito o bom lateral-esquerdo Bruno Teles. Em 2006, com o time em alta, ele teve que jogar deslocado como volante contra o Paraná, em um dos jogos mais difíceis do GRÊMIO em casa pelo Brasileirão daquele ano. Jogou muito mal, o TRICOLOR DOS PAMPAS saiu perdendo e teve uma dificuldade gigantesca para virar o resultado, em um final muito sofrido. Aquela impressão foi péssima. Porém, mais adiante, ele, na lateral-esquerda, demonstrou grande maturidade, vitalidade, excelente posicionamento na marcação e, se não foi brilhante no apoio ao ataque, pelo menos foi prudente em apenas subir “na boa”, sem correr o risco de dar as costas para o contra-ataque. É muito mais jogador do que Hidalgo ou do que as outras opções disponíveis neste começo de 2008 enquanto não estiver recuperado.
Não posso comparar Jhonatan a Everton. O primeiro jogou tão poucas vezes que não há como saber se ele é tão inseguro quanto o segundo, que já teve várias oportunidades e não correspondeu. Da mesma forma, hoje eu não sei dizer se o Itaqui é aquele que mal entrou contra o Esportivo no Ruralito de 2007 e entregou um gol na única derrota que sofremos no Olímpico na campanha do bi e que, mais adiante, sempre que chamado ocupou posições discretas de marcação ou se o Itaqui profissionalizado será mais próximo do capitão, cobrador de faltas e de escanteios e por quem passavam todas as jogadas do time semifinalista do Brasileirão SUB-2o.
Melhor conferir in loco hoje à tarde para termos uma prévia. Mas é uma prévia ainda repleta de possíveis perdões, já que a única certeza que temos é: o time ainda está desentrosado, o grupo ainda está incompleto, a musculatura de todos os jogadores ainda enrijecida em função dos pesados treinos físicos em Bento Gonçalves, há a tensão, a expectativa e o nervosismo da estréia, o público será pequeno em função das férias e, finalmente, o gramado estará pesado porque passou por uma reforma recente e chove em Porto Alegre.
Se eu vir muita raça, erros que não comprometam a defesa e uma capacidade ofensiva maior do que a média de 2007, considerarei o jogo contra o 15 de Novembro de Campo Bom uma estréia aceitável.