Estava tão frio e a patroa recém havia chegado do trabalho. Não me dispus a tuitar este jogo como o fizera com os quatro anteriores. Mas o acompanhei atentamente – até porque me interessava bastante.
Pois na tarde brasileira e na fria noite da África do Sul no estádio Royal Bafokeng em Rustenburg, me senti enganado.
Pensei que a Inglaterra seria bem melhor do que ela mesma em todas as Copas que assisti desde a primeira, em 1982. Ela ainda poderá evoluir. Porém, a amostra que deixou na estreia foi muito, muito fraca.
Por que tamanha esperança na Inglaterra? Aponto três motivos: 1) o estilo felipônico do técnico italiano Fabio Capello, multicampeão com Milan, Juventus e Roma; 2) a tranquilíssima classificação inglesa à Copa 2010 – fato que não costuma ser muito habitual e 3) a qualidade de seus jogadores que observei em muitas temporadas como entusiasta da Premiere League.
Fiquei desapontado com a imensa dificuldade que a Inglaterra demonstrou hoje contra o taticamente disciplinado time dos Estados Unidos.
A mídia corporativa e aquela crueldade tipicamente adolescente criaram polêmica em cima do frango do goleiro 12 Green, que consagrou o meia estadunidense 8 Dempsey. No entanto, o mesmo Green salvou um chute do jovem e perigoso 17 Altidore, que já havia mostrado os seus dentes na Copa das Confederações em 2009 contra nós e contra a Espanha.
Green (que, além do nome, jogou todo de verde), também teve estrela: levou uma bola na trave do mesmo Altidore.
Pra mim, que estou acostumado a ver 8 Frank Lampard destruir os adversários com dribles desconcertantes, passes e lançamentos precisos e conclusões mortais pelo Chelsea (e o mesmo vale para o meu ídolo e autor do gol inglês, o capitão 4 Steven Gerrard), é muito difícil entender por que não é possível vê-los JUNTOS jogando bem pelo English Team ao mesmo tempo. Capello é o terceiro ou quarto técnico a utilizá-los juntos e eles não conseguiram produzir bem com nenhum deles.
Em 2006, Gerrard ainda jogou direito. Lampard foi mais fraco. E a mesma proporção de dívida para com o torcedor manteve-se hoje, quatro anos depois da despedida contra Portugal nas quartas-de-final da última Copa, na Alemanha.
Nos EUA, um destaque especial para os laterais direito 6 Cherundolo e esquerdo 3 Bocanegra (capitão): nenhum deles chega a ser nenhum primor nos cruzamentos. Porém, ambos são dois leões na marcação. E tanto o lateral-direito inglês 2 Glen Johnson como o esquerdo 3 Ashley Cole jogaram menos do que deles se esperava.
A dupla de zaga estadunidense começou bastante assustada, dando balões para o alto naqueles primeiros 10 minutos de pressão inglesa no início do cotejo. Porém, no decorrer da partida, o 15 Jay Demerit e o 5 Oguchi Onyewu contiveram com muito êxito em quase todas as oportunidades tanto o craque 10 Wayne Rooney, que foi obrigado a buscar o jogo lá longe da área e só conseguiu dar um único chute perigosíssimo de fora da área na 2ª etapa. Nem o veterano 21 Emile Heskey e tampouco o substituto 9 Peter Crouch foram capazes de furar o ferrolho gringo.
Os EUA contam com um meia muito experiente que, apesar de não ser nenhum craque, retém muito bem a bola e conhece muito bem os segredos do tempo certo de acelerá-la e desacelerá-la. Falo do 10 Landon Donovan, que é sempre um bom termômetro. Além de tudo, ele também marca no meio. Diria que ele é um Tcheco melhorado.
O grande nome do jogo foi o goleiro dos EUA, 1 Tim Howard, que foi quase tão notável quanto o 1 Enyeama da Nigéria contra a Argentina horas antes. O apagadíssimo 8 Lampard teve uma única chance, aos 17′ do 2º tempo: um chutaço de fora da área, que Howard espalmou para escanteio.
Amanhã será dia de acompanhar Argélia x Eslovênia. Inicialmente, pressupõe-se que ambos serão os eliminados do grupo C. Todavia, lembro que muitos argelinos jogam na Inglaterra e na França e que a sua seleção tão pouco falada eliminou o poderosíssimo arquirrival Egito nos estertores da morte do jogo extra disputado em campo neutro.


