HELIOPAZ (ARTIGO) MODELO DE CRUZAMENTO DE CONVERSAÇÕES ONLINE E OFFLINE A PARTIR DOS AMBIENTES DOS BLOGS E DO ENCONTRO PRESENCIAL

2009_heliopaz_abciber_artigo

Este artigo foi adaptado do capítulo 6 (Procedimentos Metodológicos, pp. 79 a 102 da dissertação) para caber em um artigo científico com no máximo 15 páginas – contando resumo, palavras-chave e referências bibliográficas. Eliminei parte das considerações pessoais e as tabelas referentes aos cruzamentos das informações observadas nos blogs.

Parece complicado, mas cada critério foi – naquele momento – rigorosamente fundamental para a compreensão do contexto. Como a leitura deste artigo é impossível sem as tabelas correspondentes, baixe-as aqui. É interesssante abrir mais de um PDF ao mesmo tempo para poder compará-los: amplie e reduza-os à vontade na sua tela.

Isso justifica uma explicação inicial que dei no capítulo 1 da dissertação, onde justifiquei o porquê de não ter impresso as tabelas em anexo como novas páginas da pesquisa maior. ;)

Agradeço muitíssimo às professoras Sandra Montardo (FEEVALE) e Adriana Amaral (UTP) pela aceitação deste trabalho no simpósio III ABCIBER (São Paulo, 2009). Foi o primeiro momento no qual encontrei confiança e um espaço para poder submeter um trabalho acadêmico em nível nacional.

O original encontra-se aqui.

[B'09 34ª] GRÊMIO 1×1 SÃO PAULO

Pra quem já se acostumou comigo, desta vez os comentários serão bastante curtos:

1) TCHECO: chega. Cansei. Foi o único que jogou mal quase o tempo inteiro;

2) THIEGO: um menino que é o segundo melhor zagueiro que temos depois de Réver está sendo queimado na lateral por falta de opções;

3) LÚCIO: 25 minutos de ótima marcação, falta força física e seus cruzamentos foram bisonhos. Ainda bem que Fábio Santos está de volta;

4) TÚLIO: finalmente atuou como jogador de futebol, apesar de sua lentidão e das constantes fugas do seu posicionamento original;

5) MAXI: caso tivesse feito um gol, teria sido sua melhor atuação pelo Grêmio. Porém, não tem cintura e seu passe é um tijolaço. Útil, mas não vale nem metade do que ganha: apesar do tamanho, não é finalizador nem possui bom índice de acerto nos cabeceios;

6) DOUGLAS COSTA: não sai mais do time;

7) AUTUORI: foi suficientemente inteligente pra acertar a defesa com Fábio Santos, deslocar Thiego para a zaga, inverter Rafael Marques (que, apesar do gol, assustava atrás) e Réver e, finalmente, puxar Thiego para o meio de campo sempre que Adílson e Túlio saíam jogando. Perea e Herrera foram tentativas de abafa. Porém, nenhum dos dois joga absolutamente nada.

UM ÚLTIMO RECADO: FORA MEIRA!!! FORA MAURO GALVÃO!!!

GRÊMIO LUTA SÓ PELA SUL-AMERICANA

O Grêmio está melhorando fora de casa e, com os jogadores disponíveis, não pode mais atuar no 3-5-2 nem que queira. No entanto, as deficiências no ataque, nas laterais e na meia-armação tornam-se mais explícitos do que nunca sempre que atuamos fora de casa.

Porém, em função do resultado negativo de hoje contra o São Paulo, salvo uma agradável e inesperada surpresa, o Grêmio tende a crescer muito pouco. Essa tênue possibilidade de melhora não conseguirá suprir suas graves carências técnicas – a não ser que haja uma surpreendente conjunção de oportunidade, competência e substancial entrada de dinheiro para acertar em contratações pontuais. Ou, então, que a gurizada do Sub-20 suba já com maturidade emocional e força física suficientes para segurar o rojão.

Não mudo a minha opinião: atualmente, Paulo Autuori é o melhor técnico que o dinheiro do Grêmio pode pagar. Se Celso Roth não servia (e o fraco Atlético-MG não deverá mais durar muito tempo no G4, mesmo que tenda a terminar pelo menos o 1º turno bem à frente do Tricolor dos Pampas), Marcelo Rospide também não: afinal de contas, postou a equipe, escalou e substituiu à imagem e semelhança do seu antecessor (e, por que não dizer também, seu mentor).

Considero a negociação de Ruy e as prováveis saídas também de Orteman e de Jadílson necessárias em função da economia e justas por causa da péssima relação custo/benefício desses jogadores. Todavia, não vejo mais como dispensar um monte de jogadores ruins nem como substituí-los à altura. Primeiro, porque o plantel ficaria numericamente carente – o que seria uma passagem de ida rumo ao rebaixamento. E segundo porque o cacife do Grêmio é muito baixo para bancar jogadores velozes E de ótimo aproveitamento nas conclusões.

Bruno Coelho do blog Grêmio 1983 defende Tcheco. Eu só defendo o Tcheco do Brasileirão 2006 e o da Libertadores 2007 até a semifinal. Fora isso, ele só atuou decentemente no último Grenal. Tcheco já possui idade avançada, preparo físico deficiente (sem arranque nem imposição física), dificilmente consegue cobrar bem uma falta ou escanteio, mais erra do que acerta na sua sensibilidade de acertar o momento de acelerar ou de segurar a bola e já declarou que as chances de encerrar a carreira ao final desta temporada são grandes. Contudo, o pior de tudo é a sua instabilidade emocional.

Jamais vaiei um jogador do meu time. Tampouco os xingo. Afinal de contas, quando os erros são frequentes, normalmente é porque ou o jogador está atuando em uma posição indequada dentro de campo, ou porque suas condições físicas e/ou técnicas são precárias.

Túlio, por sua vez, apesar de ter dado algum equilíbrio na marcação e de não levar cartões em todos os jogos, mesmo que tenha melhorado um pouco o passe e que sua solidez tenha ajudado a liberar o cada vez melhor Adílson para apoiar, nunca me agradou por ser desleal. Nunca esqueço aquele covarde chute na cara que ele deu no rosto de um jogador do São Paulo no Maracanã durante o Brasileirão de 2007, quando o Botafogo ainda era líder e, a partir dali, degringolou de vez. Hoje, contra o mesmo São Paulo e na marcação de um jogador que não era o mesmo daquela ocasião, bateu boca e quase agrediu o adversário em um momento e, na sequencia, sem bola, deu um leve porém sempre irritante tapa na cara. Por sorte, não foi flagrado pela arbitragem.

Se é pra sanar as dívidas e não enganar ninguém, mesmo que a classificação final do clube no certame fique muito aquém daquilo que a maior parte da torcida almejava, estou de acordo com a direção. Participei de uma conversa com o vice-presidente de finanças Irany Sant’Anna Jr., que é comprovadamente competente, honesto e transparente.

O que me importa é, primeiro, que o Grêmio não quebre. Depois, que possua um crescimento até uma estabilidade em alto nível de maneira gradual e sustentável, para que não tenha picos enganosos com plantéis que irão quebrar as finanças para, depois, a gestão seguinte juntar os cacos e ser taxada de incompetente ou de pé-fria.

Pra terminar, duas coisas:

1) Meus amigos Guga e Valentim do Alma da Geral que me perdoem, mas o ídolo-mor do Tricolor, Renato Portaluppi, não é técnico de futebol. Se ele quisesse MESMO ser técnico, jamais poderia dizer, como disse ao final da derrota de ontem para o Palmeiras, que “Jogamos bem, mas a bola não entrou. Quando a bola começar a entrar, vai ser outra história.”  Isso é papo de quem não entende nada de tática. Além disso, muito me incomoda quem diz “o MEU jogador”. Isso é autocrático e demonstra ou excesso de autosuficiência, ou de imaturidade, na tentativa de se impor perante o grupo. Não importa se ele se expressou mal ou se ninguém entendeu o que ele quis dizer na época da final da Libertadores de 2008 (“O Tricolor está a cinco metros da Libertadores do ano que vem“) – ele foi muito imprudente e municiou os equatorianos. No mais, por que ele não aceita treinar times de fora do RJ por menos de 250 ou 300 mil reais e aceita trabalhar nos clubes do Rio ou no Grêmio por 150 mil?! Por que ele rejeitou ofertas do Japão e do Oriente Médio?!

2) A verdade é muito dura…

GRÊMIO 2009: PERGUNTAS SOBRE CATEGORIAS DE BASE

Se política é a “arte” do possível, então não seria um bom político, pois penso diferente. Pra mim, a boa política consiste em ter como norte o clelebre ditado de Sir Bernard Shaw: “Você vê as coisas como elas são e pergunta “Por que?”, mas eu sonho com coisas que nunca foram e pergunto: POR QUE NÃO?”

Como associado e como alguém interessado na política do clube, mantenho relações cordiais com quem quer que seja, mas sem jamais fazer média. Por isso, além de não negar a opinião a nenhum integrante de qualquer movimento político de dentro do clube, obviamente posso tanto discordar redondamente daqueles a quem apoiei como também posso concordar com pessoas ligadas a próceres dos quais discordo frequentemente.

Pois é exatamente em momentos de crise como o atual que mais se deve ouvir opiniões de fora do Conselho. A crise, todos sabem, não é apenas técnica nem de relacionamento. Não é da torcida e não tem como principais responsáveis o Duda, o Odone, os “velhos”, os “noviços”, a imprensa ou os paulistas: a crise é de todos – inclusive da falta de senso crítico resultante do alento pelo alento, da crença na imortalidade, do consumismo pelo consumismo e da acomodação da maior parte dos setores do clube em função desse apoio incondicional e acrítico.

Nós torcemos e nos preocupamos com a prosperidade de uma instituição tão apaixonante quanto complexa. Por isso, tudo o que vem do mundo para o Grêmio e sai do Grêmio para o mundo repercute em escala planetária. Sem meias palavras, a oscilante cultura administrativa feudal é a maior responsável pelas ISLs, pelos Obinos, pela transformação de Fábio Koff e de Cacalo em eminências pardas e pela cooptação informal de novos movimentos a partir de uma relação de suserania e vassalagem como se o surgimento de novos valores fosse uma mera concessão do senado romano.

Vendo de fora sem me deixar influenciar pelo interesse puramente comercial de jornalistas que pensam que nosso ouvido é penico e que o que escrevem serve para algo mais nobre do que embrulhar peixe no mercado, procuro participar de algumas incursões informais junto ao que se passa nos bastidores do clube. Não me interessa denunciar, concordar nem discordar de pessoas pura e simplesmente a partir de informações como, por exemplo, quem é dono do que, quem é filho de quem ou quem é vassalo e quem é suserano. Em termos de articulação política, de expectativa em relação à atuação de A ou B em determinado cargo e por mera curiosidade, isso é interessante. Porém, JAMAIS sairá deste blog algo que atente contra a honra de alguém. Não vejo valor nenhum em fazer fofoca nem em criar amizades ou inimizades com base em critérios estamentais.

Como diria o Arnaldo, a regra é clara: basta revelar seu nome verdadeiro, oferecer depoimentos não-fantasiosos e não-depreciativos que, ao entrar em contato comigo, terá sua opinião publicada neste blog. Nada me fará ignorar, desmerecer ou distorcer a opinião de quem quer que seja. Quem achar que a informação de alguma fonte deste blog estiver equivocada, por favor, que envie a sua versão dos fatos.

Desdta vez, o conselheiro Jeferson Thomas do Movimento Grêmio Novo comentou no post em que defendo a solvência financeira da gestão Duda mas critico a conduta do futebol o seguinte:

“Helio, me perdoa, mas teu texto parte de uma premissa equivocada: a da solvência financeira. Um dos requisitos básicos que a gestão Odone tinha estipulado era limites orçamentários para despesas com futebol (na questão, a folha de pagamento não podia ultrapassar a arrecadação da cota da TV).

Na atual gestão, esse valor foi desrespeitado desde janeiro. Atualmente, é desrespeitado em R$ 1,8 milhão. Não há como tornar um clube superavitário desrespeitando regras orçamentárias ou ignorando o controle do fluxo de caixa. O Irany – com sua visão de auditor do Banco Central – deve estar maluco com o descaso de pagar a todo custo.

Quanto a empresários na base, apenas mudaram os empresários. Temos conselheiros (?!) e filhos de próceres do clube empresários e/ou ligados a empresários FIFA atuando na base e com portas abertas no clube (é só pesquisar no site da FIFA sobre isso). Te digo, por ter visto muita coisa na gestão passada (que inequivocamente possuía graves vicissitudes, há que se reconhecer isso), que o quadro atual é muito pior. E isso não é apenas uma visão de oposicionista (que tu sabes que sou), mas sim de alguém preocupado com a continuidade do clube.

Grande abraço.”

Embora não goste do modelo de negócio da Arena e não tenha visto com bons olhos a participação na gestão Odone, não posso, de maneira alguma, negar o trabalho do MGN. O Quadro Social estava melhor na gestão Odone. O trabalho do Sérgio Bombassaro, do Ronei Krolow e do Jorginho foi excelente. E acho que essa foi uma contribuição coletiva bastante significativa naquele momento de penúria e de rejunte dos cacos.

Independentemente da juventude e do pouco tempo de conselho, afirmo que o Jeferson é um cara extremamente agradável de se tratar, assim como o Jorge Bastos. Sei também que ele é um profissional muito respeitado na sua área e que, independentemente das panelinhas de dentro do CD tricolor, ele tem uma participação interessante. Digo isso também do Carlos Josias e do Cacaio Azambuja, mesmo que discorde de algumas explosões do primeiro e do excesso de zelo pela proteção dos próceres do segundo.

Enfim… São três pessoas de atitudes e de correntes que pensam o Grêmio de maneiras diferentes, com as quais concordo em alguns pontos e discordo em outros. Da mesma forma, embora pequena demais para o meu gosto, foi legal a renovação de 2006 que trouxe novas cabeças (não necessariamente em idade e não necessariamente desconhecidas). Do contrário, entre odonistas e anti-odonistas, entre obinistas e anti-obinistas, a questão da Arena teria passado em branco.

Por tudo isso, como muito me interessa a questão das categorias de base por eu acreditar que, mais do que qualquer outra fonte de receita, é ela quem dará a partida em times vencedores e que sustentará o clube. Pelo menos enquanto não tivermos 100 mil sócios + pelo menos 20% do montante do que os principais clubes da Espanha, da Itália, da Inglaterra ou da Alemanha recebem pelos direitos de televisionamento.

Então, gostaria muito que alguém da atual gestão pudesse responder às seguintes perguntas:

1) Em que pontos o conselheiro Jeferson Thomas está correto ou não e por que?

2) Existe alguma avaliação da inevitável evasão nas categorias de base em função da livre cooptação de futuros valores por parte desses empresários?

3) Quais as vantagens e desvantagens PARA O CLUBE entre a atuação dos empresários que atuavam em parceria com a gestão Odone e entre os que atuam agora na gestão Duda?

4) Sabemos que o Grêmio não é juridicamente nem uma empresa de capital aberto, nem um órgão público e tampouco uma entidade filantrópica. Porém, em função do elevado número de associados e de consumidores que contribui mensalmente com milhões de reais na receita do clube, isso significa que há um gigantesco apelo midiático acerca dos fatos e da imagem do clube na sociedade. Isso posto, após seis meses de resultados vergonhosos nas categorias de base e da não-entrega de jovens de personalidade e força física suficientemente preparados para trabalhar na categoria profissional, o Departamento de Futebol não teria que tornar público o grande calcanhar de Aquiles desta gestão que é a atuação dos garimpeiros das escolinhas e da administração de Mauro Galvão no lugar de Rodrigo Caetano?

5) Certamente, o processo de intromissão dos agentes de futebol no clube deve ter iniciado bem antes disso, mas uma tentativa extremamente frustrada foi a do balaio de pernas-de-pau trazido pelo filho do então diretor remunerado de péssima lembrança e ex-jogador de agradabilíssimas recordações Mário Sérgio no início da gestão Odone. Sabe-se também que clubes como o Barueri e o Santo André são times de aluguel e que tanto o método de Paulo Pelaipe mostrou-se pouco cortês como o método de André Krieger mostrou-se extremamente ineficiente por este último conhecer muito pouco de futebol. Dados esses fatos e lembrando sempre que a dívida do Grêmio possui um montante assustador, o Grêmio está dando uma de índio fascinado com os espelhinhos e miçangas trazidos pelos portugueses porque desconhece outra solução ou o motivo dessa dependência não pode vir a público?

Minhas perguntas são pesadas. Mas eu não sou nenhum inquisidor e tampouco quero mal a essas pessoas. Me interessa tão-somente conhecer melhor o Grêmio e tentar colaborar. Perguntar não ofende. Porém, se não quiserem responder às questões de um associado, é sinal de que algo não muito bom pode estar acontecendo…