UM SIMPÓSIO PARA REINVENTAR O GRÊMIO

Pessoalmente, acho que o Grêmio possui pessoas brilhantes que, por amizade, acabam ocupando cargos para os quais não estão devidamente preparadas. Por outro lado, delegar a maior parte da gestão do clube nas mãos de consultorias não é economicamente saudável e não garante continuidade nem envolvimento a longo prazo.

Fazemos reuniões, redigimos documentos, nos reunimos, grupos fazem alianças ou posicionam-se de maneira oposta… Mas, no frigir dos ovos, independentemente dos resultados do futebol, os nossos profissionais de carteira assinada e as boas consultorias de trabalho com curto prazo de duração que têm nos ajudado bastante acabam muitas vezes sendo relegados a um segundo plano.

Sabemos que nenhum lado possui inimizade ou inconformidade total perante o outro. E, justamente por uma série de intersecções (várias delas interessantes, outras nem tanto), não haveria exatamente uma “terceira via” muito diferente. Por outro lado, a ausência de oposição é nociva do ponto-de-vista da falta de propostas, do excesso de “economia interna” e da preservação dos mesmos nomes de sempre.

Nesse sentido, à exceção das reuniões legislativas e deliberativas do CD; às comissões temáticas profissionalizantes do Planejamento Estratégico e às reuniões dos diversos movimentos organizadas de maneira estritamente interna ou, então, voltadas ao estabelecimento e à manutenção de alianças políticas, considero que:

- É chegado o momento de realizarmos um simpósio de dois dias com sumidades (técnicos, dirigentes de fora, ex-jogadores vitoriosos, marketing esportivo, categorias de base, jurídico, financeiro, etc.) que nos ensinem e que nos proporcionem um debate, após o qual teremos elementos suficientes para podermos refletir sobre o que é o Grêmio? Como será o Grêmio que queremos?

Um evento onde cada um de nós poderá pensar e se manifestar de maneira individual, onde não exista o filtro dos movimentos nem a institucionalidade que protege a uns e ataca a outros.

O GRÊMIO E SUA GOVERNANÇA AMADORESCA

Essa de “exército de ferro, exército espartano com a alma castelhana” inventada pelo Pedro Ernesto Denardin é uma construção midiática sensacionalista que forjou uma maneira de pensar o clube como se bastasse ter jogadores baratos e brigadores pra se montar um time. Os resultados comprovam que, infelizmente, o futebol contemporâneo não permite mais competir em pé de igualdade com clubes ricos.

Hoje, o Grêmio é um clube rico em história. Contudo, o que muitos consideram como um valor atávico, intrínseco e naturalizado do nosso tricolor não passa de uma mera construção baseada em coincidências.

A primeira delas conta que o técnico precisa ser gaúcho pro time conquistar campeonatos de nível nacional e internacional. Nunca pararam pra pensar que eestão embutidos dois problemas graves nessa máxima? a) Tal pensamento desestabiliza a confiança e o apoio a um profissional de fora. Resultado: ele acaba ficando menos tempo aqui porque não recebe suporte suficiente para compreender a cultura da instituição e tampouco um plantel minimamente confiável; e b) Sempre que se contrata um treinador gaúcho de competência duvidosa, ele também acaba tendo uma sobrevida que perdoa demais uma série além do tolerável de resultados esquálidos obtidos sob a sua coordenação.

Outra mera coincidência é a de que, para se ganhar uma Libertadores, é necessário ter um “xerife” de origem castelhana: o mais “macho”, o mais forte, aquele que distribui mais pontapés, o mais malandro. De León era bandido?! Arce era mal encarado?!

A terceira grande bobagem tida como virtude: costuma-se dizer que basta termos um centromédio “espanador” e “macho”. Tirando Lucas Leiva e o atual ocupante da posição Adilson, me digam, depois de Dinho (que batia, sim, mas passava que era uma beleza) um outro centromédio que soubesse jogar bola e eu dou um Sonho de Valsa de presente. Nessa posição, é CRUCIAL saber retomar a bola e tocá-la para o armador ou, então, lançá-la para o ataque sem rompantes de Prof. Pardal. Onde se começa a impor o ritmo de jogo e onde se começa a proteger a zaga não se pode contar apenas com a virilidade. Finalmente, mais do que no miolo de zaga ou na armação, a pior posição para se ter um titular expulso ou lesionado é a de centromédio.

Pois bem: tais mitos foram repetidos à exaustão por muitas gestões sem nenhuma comprovação estatística ou científica de sucesso CONTINUADO. A curto prazo, essas escolhas obtiveram resultado. Contudo, trata-se de um modelo que desgasta-se rapidamente. Portanto, a qualidade técnica e a atitude são os fatores que realmente importam na montagem de um plantel vitorioso.

Meu medo no início da temporada está se concretizando: na base da garra sob a  tentativa de montar um time de qualidade juntando um bando de jogadores ruins e sem atitude, a botafoguização do Grêmio é iminente. Com Ruy, Túlio e outros “símbolos” de uma torcida há muito carente, o alvinegro carioca desperdiçou muitas chances de obter uma vaga à Libertadores ou de decidir uma Copa do Brasil nos últimos quatro anos em função da base emocionalmente instável que ora trabalha no Olímpico.

Como já falei no post anterior sobre a questão Maxi López, um olheiro experiente e poliglota com uma rede social ampla (técnicos, dirigentes, jogadores e jornalistas) é um cargo importantíssimo que não pode mais ser negligenciado justamente por poupar muito mais tempo e dinheiro do que se possa imaginar.

Logo, não vou me enganar e nem ao gremista que me dá o privilégio de ler meus textos: o plantel é fraco demais. Ponto. Como diria Mino Carta, é sabido até pelo mundo mineral que o clube está estendendo a latinha na calçada e que, salvo momentos esparsos de contratações baratas e certeiras, essa medida tem que ser vista como um paliativo e não como uma política permanente. Ela é o possível apenas neste triste período pós-ISL tdo qual talvez ainda levemos mais uma década  inteira até podermos nos equiparar a um São Paulo, Cruzeiro ou Inter em termos de frequencia e continuidade no pódio.

O Grêmio não vai à Libertadores em 2010. O Grêmio não vai passar pelo Cruzeiro. E não é porque eu não quero, nem porque eu sou vidente: é porque depende da sorte e não de sua competência. Mas eu não deixo de ir aos jogos. Por que? Porque, ao invés da “imortalidade” e do “alento custe lo que custe”, eu adoro correr o risco de ter dito uma grande besteira, de estar redondamente enganado, de ver o time, o técnico e a direção me fazerem morder a língua.

Enfim: pensamentos mágicos não são de agora. E não são coisa do presidente Duda, assim como segui-los não representou nenhum sucesso absoluto da gestão Odone. Em 1983, tínhamos pratas da casa (dentre os quais o maior gênio da história do futebol mundial) e craques experientes. Em 1985, tínhamos pratas da casa excepcionais, dois jovens talentos desperdiçados por Vasco e Flamengo (o que é cada vez mais comum naquela “zona” que se chama futebol carioca) e um técnico que dispensa maiores apresentações.

De lá pra cá, se tem gastado muito por jogadores bons a razoáveis que não deram certo no exterior, que ficam somente uma temporada por aqui. Isso nos obriga a remontarmos o plantel para a temporada seguinte. Porém, a falta de um especialista faz com que as negociações sejam lentas e evitam que o Grêmio consiga encontrar todas as opções disponíveis em função do seu escasso orçamento.

Enfim… Nos vemos obrigados a conviver com uma entressafra de idéias e de pessoas dentro de um contexto de penúria financeira. O Grêmio da primeira década do século 21 repete o Inter da década de 1990 e o Inter atual repete o Grêmio da primeira metade da década de 1980 e da segunda metade da década de 1990 porque, lá, houve uma verdadeira renovação. Quem havia ouvido falar de Vittorio Piffero, Fernando Carvalho ou de uma gestão de marketing composta por um vice-presidente e por mais seis ou sete diretores especializados há 10 anos atrás como protagonistas do clube vizinho?

O Grêmio, infelizmente, ainda vive ou de dinastias, ou de agregados dessa dinastias. A pretensa “democracia representativa” é tão farsesca e hipócrita dentro do clube que todo associado interessado em ser conselheiro é praticamente obrigado a rezar a cartilha desses clãs sob pena de não obter apoio para nada.

O Grêmio é um grande PMDB. Quando digo isso, não é necessariamente porque as pessoas sejam predominantemente incompetentes, porque apelem para conchavos e para o “jeitinho” ou porque sejam parentes de velhos conselheiros. Apesar desse fator ser clientelista, paternalista e oportunista, o que mais pesa nessa questão é a falta de objetivos, de plataformas, de metas e de conhecimento técnico qualificado. Quando falo em conhecimento qualificado, não me refiro a advogados, engenheiros, médicos, administradores, comunicadores e economistas mas, sim, de uma visão holística do clube. O que quero dizer com isso? Que uma doença financeira não pode ser curada com uma medida profilática voltada exclusivamente ao simplismo do binômio receita/despesa e do corte de gastos desimportantes mas, sim, a partir da conscientização e do culturamento de funcionários pagos, de dirigentes abnegados e de dirigentes profissionalizados acerca do que é e do que significa o Grêmio. Isso existe, mas precisa ser intensificado e naturalizado.

Ao mesmo tempo, a terceirização de diversos setores para não onerar o pagamento de impostos é uma das maiores mentiras do neoliberalismo econômico: na maioria das empresas públicas ou privadas com no mínimo 30 anos de atuação no mercado, tem-se a média de aumento de gastos na ordem de quase 300% com o custeio de serviços externos em detrimento da montagem de equipes funcionais especializadas dentor do próprio clube. Não, a intenção não é a de criar um cabide de empregos nem de desconfiar da competência dos contratados externos: isso, sim, é economia E investimento, já que o terceirizado, mesmo que seja gremista, não terá a obrigação nem o sentimento de ser e de fazer parte da instituição: quando sua tarefa terminar, é tchau e bênção.

Enquanto isso não mudar, as oscilações e os riscos tenderão a ser maiores do que as estabilidades e os ganhos.

POR QUE LUXA NUNCA TRABALHOU NO SÃO PAULO?

E por que ele talvez não consiga mais voltar a treinar um grande clube de um grande centro europeu:
clipped from globoesporte.globo.com
…Até o quadro de funcionários que forma a comissão técnica de Muricy Ramalho é fixo. O treinador só trouxe ao São Paulo um homem de confiança: Tata, seu auxiliar. Os outros integrantes têm vínculo com o clube e permanecem mesmo que haja troca de treinador, o que não vai acontecer para 2009. Muricy está garantido.

- Aqui o técnico só tem um auxiliar de confiança, os demais membros da comissão técnica fazem parte do clube. Muricy tem mais um ano de contrato e não há qualquer manifestação para que ele saia – completa o dirigente.

blog it

POR QUE O DISCURSO DA PACIFICAÇÃO DO RS FUNCIONA

Foto copiada do blog DIÁRIO GAUCHE, de CRISTÓVÃO FEIL.
Desconheço o nome do fotógrafo

Este é o segundo post da campanha “DIZE-ME COM QUEM ANDAS QUE TE DIREI QUEM ÉS“: à direita, Isabela “Porto Alegre é Demais” Fogaça; a seu lado, o próprio – o prefeito José “Poeta” FOGAÇA, que propôs uma lei contra a pluralidade partidária, que restringiria o número de partidos a não mais do que cinco durante seus longos anos como senador.

À esquerda, a eminência parda do atual desgoverno (que parece ser um articulador e um líder bem mais influente do que uma porrada de políticos aliados a ele – inclusive muitos macacos velhos), o economista Carlos Crusius, marido da desgovernadora Yeda “Meu Palácio” Crusius, mais conhecida como a RAINHA DAS PANTALHAS.

Atrás de Yeda, seu ex-chefe da Casa Civil e atual secretário de sei lá o que (sua secretaria deve ter algum nome semanticamente enganador tipo ‘articulação política’) de Fogaça, CEZAR BUSATTO.

Vamos mudar um pouquinho o antigo ditado “À mulher de César não basta ser honesta: tem que parecer honesta”:

À DIREITA BOVINA NÃO BASTA SER HEGEMÔNICA: TEM QUE PARECER HEGEMÔNICA.

O que quero dizer com isso? Que eles estão sempre unidos e que suas diferenças são tênues e pairam escamoteadas em função do seu uso bem mais  competente do que o da esquerda no uso de MÍDIAS SOCIAIS.

O problema é que o PT é extremamente incompetente em encontrar uma fórmula capaz de fazer com que ele não seja visto com aversão por essa rede social, a ponto de fazer parte dela, ao mesmo tempo em que teria a dificílima tarefa de não fazer média, não mentir, não roubar, não puxar o saco pra ser aceito pela tchurma e, acima de qualquer outra coisa, jamais realizar trocas de favores com eles.

Apesar do pensamento excludente e preconceituoso da oligarquia bovina e de seu séquito de eleitores, o pior para o PT não é o fato de ser “de esquerda”, de ter origem “comunista”, de possuir uma militância “agressiva” ou de apresentar candidatos (alguns, eleitos; outros, não) fisicamente “feios” que falam “difícil demais” ou “fácil demais”: o pior é a manutenção do discurso do confronto entre classes, do objetivo de buscar o poder a partir da “classe operária”, dos “proletários”, do “povo” e, acima de tudo, de ser possível porém de haver raríssimos militantes e candidatos com formação em Administração de Empresas ou, melhor, em ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (ênfase que raríssimos candidatos ao vestibular escolhem, mas que seria importantíssima para o futuro da cidade).

Muito embora a DS tenha prestado serviços inestimáveis nas gestões de OLÍVIO DUTRA e de RAUL PONT, infelizmente esse sub-partido predominante no RS possui um ranço contra as palavras “empreendedorismo”, “economia” e “administração” como se a academia e o mercado de trabalho oferecessem tão-somente a maneira neoliberal e excludente de distribuir renda, de gerar desenvolvimento sustentável e de discursar.

Portanto, o grande erro do PT dominado pela DS (não que a ‘direita’ do partido, que participa do lulo-petismo de resultados) é viver com raiva daquilo que costuma falar mal sem ao menos conhecer.

Se isso explica parte da bovinidade sob um viés um pouco diferente da lenga-lenga de sempre (mídia hegemônica, preconceito, luta de classes, etc.), eis mais uma hipótese.

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