ECONOMIA, CULTURA LOCAL E CRIATIVIDADE

É oportuno retomar o meu post sobre o EMEBEEEÍSMO em conjunto com os filmes A HISTÓRIA DAS COISAS, A CORPORAÇÃO e também com o link do CÃO UIVADOR onde o RODRIGO CARDIA resenha o filme O CORTE, de COSTA-GAVRAS que fala em desespero em função do desemprego e da competitividade desenfreada do turbocapitalismo neoliberal.

 

Por incrível que pareça, cheguei a cursar um ano e meio em um MBA em marketing. Desisti em função de uma série de fatores: a) rodei em Finanças Aplicadas; b) senti que não iria entender patavina de Métodos Quantitativos; c) me estressei ideologicamente com a doutrina deles; d) estava muito contente com a minha primeira experiência docente; e) não consigo ser persistente quando não vejo futuro em alguma coisa.

 

Mesmo tendo financiado o curso durante um ano e meio, creio que aprendi o suficiente pra entender que o mundo que trata gente como estatística, considera como cidadão apenas quem é capaz de consumir e que presta loas ao “deus-mercado” não me serve.

 

À época, um professor afirmou em sala de aula que o objetivo de toda empresa é vender produtos de baixa qualidade em grande quantidade, investindo cada vez menos, sem pagar impostos e sem concorrência.

 

Outro mostrou uma série de slides com fotos de goteiras, material enferrujado e falta de catalogação das peças de reposição para postes e geradores de alta tensão dos tempos de CEEE e, depois, nos levou até uma terceira contratada pela privatizada para fazer a sua logística. Era um mundo maravilhoso de palets, Palms, códigos de barras, empilhadeiras, limpeza, empacotamento e carregamento de caminhões na ordem perfeita para economizar o máximo de gasolina e de tempo.

 

Um terceiro professor disse que o grande negócio não é ter um negócio e fazê-lo crescer mas, sim, ter uma grande idéia e vendê-la para alguém maior. Assim que vender um negócio, a próxima tarefa será a de ter uma outra grande idéia para também vendê-la e assim sucessivamente.

 

Uma colega respondeu-me o seguinte quando questionei a ética da mídia corporativa ao veicular qualquer coisa que, por mais danosa que fosse à vida de uma pessoa quanto à sua restrição do direito de ir e vir: “isso é NATURAL, pois é o que A MÍDIA SEMPRE QUER e cabe a alguém (provavelmente o Estado) estabelecer os limites de até onde pode ir e até onde não pode ir.

 

Já havia ouvido falar sobre algo parecido no MBA. As corporações existem para tão-somente dominar, monopolizar, extrair e, quando a fonte secar, largam tudo como estiver e partem para outro lugar. Então, estão sempre “plantando um verde”: se colar, colou.

 

Gostaria muito que algum economista me fornecesse os dados reais comparando um determinado lugar como era antes da instalação de uma indústria, durante o seu funcionamento e como ficou depois que essa indústria picou a sua mula de lá, a fim de comprovar que as corporações não são a locomotiva do desenvolvimento de um país coisíssima nenhuma mas, sim, a micro e a pequena empresa.

 

A micro e a pequena empresa possuem vínculos culturais e sociais muito mais fortes com uma determinada região. Com elas, o poder público apresenta uma relação linear e não subserviente. Ao mesmo tempo, por mais que os emebeeístas de plantão afirmem sem nenhuma comprovação científica que as corporações proporcionam uma melhor qualidade de vida à maioria de seus funcionários, a teoria da cauda longa em termos de salários e benefícios também ocorre dentro das corporações, mostrando que apenas alguns poucos executivos possuem uma qualidade de vida superior como fruto do seu trabalho dentro da organização.

 

Um exemplo: o latifúndio x os assentamentos. Quanto de movimentação no comércio DO MUNICÍPIO e de geração de IMPOSTOS MUNICIPAIS 1000 pequenas propriedades rurais com dois ou três funcionários cada geram em relação a um mega-agricultor com 50 funcionários?

 

Estou lendo um texto do CELSO FURTADO. Ele diz que o problema da AMÉRICA LATINA é que nunca houve um PROJETO DE NAÇÃO nem um PLANO DE METAS mais ou menos permanente, baseado em um simples termo filosófico capaz de unir o país em torno desses objetivos, que nunca podem ser impostos de fora para dentro, imitando modelos econômicos mas, sim, DEIXANDO A CRIATIVIDADE LOCAL EM FUNÇÃO DA PRÓPRIA CULTURA FAZER O SISTEMA GIRAR.

 

Por que ter como irreversíveis as privatizações?! Por que ter os funcionários públicos como incompetentes, preguiçosos, não-competitivos, não-treinados, sem objetivo?! Por que regular a ação dos grandes é uma arbitrariedade populista e ditatorial?! Por que é um erro emprestar dinheiro a juros baixos aos pequenos e um acerto quando esse empréstimo é para os grandes?!

 

CIDADANIA É COMBATER O PENSAMENTO ÚNICO.