No atual estágio financeiro do futebol masculino profissional jogado pelos clubes brasileiros, é extremamente difícil manter a espinha dorsal titular durante mais de uma temporada. Caso um dos titulares seja oriundo das categorias de base e apresente um desempenho acima da média, este será o primeiro a ser negociado para o exterior.
A repatriação de atletas é cara e de resultado incerto. Os melhores só voltam ao país sob três condições: 1) ou em idade avançada demais, já com uma sobrevida física muito reduzida; 2) ou após terem se comportado como primadonnas em uma cultura que procura abominar o paternalismo ainda custando uma fortuna aos nossos cofres ou, finalmente, 3) retornam “bichados”, sem nenhuma garantia de que seus joelhos, tornozelos, músculos e tendões que lhes proporcionaram cirurgias e muitos meses afastados dos gramados tornem a permitir que o seu rendimento seja no mínimo 80% parecido com aquele que os fez emigrar.
Por não termos uma esmagadora maioria da população composta por imigrantes e descendentes de imigrantes italianos, alemães e espanhóis como ocorre na Argentina, nossos jogadores chegam ao Velho Mundo sem o passaporte da União Européia. Portanto, sem esse diferencial competitivo, salvo raríssimas exceções, nossos clubes tem que vender barato.
Após décadas de planos econômicos fracassados, de um enorme paternalismo e de um clientelismo nojento entre o público e o privado, nossos grandes clubes, em sua maioria, estão à beira da falência. Isso força os jogadores de capacidade medíocre de mais de 25 anos a fazer fortuna no Catar, na Coréia do Sul, na China, no Japão, na Ucrânia, na Suíça, na Turquia e em clubes menores dos grandes centros (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e Portugal, com uma licença poética para França e Holanda).
Nossos jovens das seleções Sub-17 e Sub-20, cuja exposição midática global é garantida pela FIFA, também são bastante acompanhados por intermédio dos olheiros que os euros podem pagar. Além disso, o impedimento institucional (e, em alguns casos, até mesmo legal) de poder negociar diretamente de clube a clube sem o intermédio de um agente-atravessador poliglota e muito bem comissionado contribui vorazmente para a remontagem anual de nossos plantéis.
Até aqui, nenhuma novidade. Mas este post tem a função de servir como um link de contextualização entre o post anterior e o próximo – ambos diretamente relacionados ao trabalho que tem sido feito no Grêmio.