DIGA NÃO À PALMADA

Concordo com o Marcos Donizetti e não tiro nenhuma vírgula do seu argumento.
Discutindo o assunto mais profundamente, considero que toda relação é – ao mesmo tempo – um jogo e uma negociação: o jogo é o recurso lúdico que procura substituir a necessidade de ter que utilizar argumentos demasiadamente complexos que tomariam muito tempo e demandariam uma bagagem cultural extensa demais para ser devidamente compreendidos.
Toda negociação busca satisfazer demandas manifestas ou implícitas. Quando se depende de terceiros para se chegar a um determinado objetivo, a conversação tende a iniciar-se por uma relação mais assertiva. Caso não haja concordância inicial de ambas as partes, o ambiente vai-se tornando tenso, pois os dois lados fazem força para puxar a corda – cada um para o seu respectivo lado.
Portanto, surge uma disputa: caso os dois lados percebam que cada um precisa ceder um pouco para ambos ganharem, é sinal de que sabe-se que não se pode ter tudo ao mesmo tempo. E que abrir mão de alguns pontos não significa uma derrota. A falta de paciência e de respeito faz com que se procure tentar afirmar posições extremadas por meio da agressão.
Se a agressão é aprendida, é sinal de que houve um exemplo – um mau exemplo, diria eu. Se não há uma reação calma e racional apaziguadora e reparadora, para mim parece claro que não está havendo nenhuma sinalização nem pedagógica, nem de arrependimento.
Logo, o entendimento está fora de questão para quem foi o vetor da agressão: desde que seu poder esteja sendo afirmado pela lamentável atitude que exerceu um sentimento negativo junto ao outro, aquilo que o outro sentiu quando sofreu a agressão torna-se irrelevante.
Se um agressor conseguir “ganhar” com frequência utilizando-se frequentemente desse método, a superioridade do seu poder tende a “naturalizar-se” tanto para ele como para os agredidos que não sentem-se emocionalmente preparados para deixarem de ser subjugados.
Porém, ou um dia os agredidos procuram virar a mesa extravasando uma forma de agressão exponencialmente mais violenta do que todo o somatório do seu sofrimento físico ou moral, ou, então, terceiros que apenas conhecem essa relação conturbada poderão reagir sem violência por não estarem nem na condição de opressores, nem na de oprimidos.
Enfim… A desconstrução simbólica da violência, embora lenta e altamente dependente da ação de indivíduos externos ao conflito sempre ocorre – mais cedo ou mais tarde.
[]‘s,
Hélio

Volta e meia, algum tuiteiro me traz algum link muito valioso. Para quem crê nos blogs como ambientes de conversação e de relações transformadoras, um tuíte da minha querida, sensível e inteligente seguidora @jaquelinapacks que, por sua vez, o recebeu de @doni.

As tags deste justificam exatamente a abordagem e os tópicos relacionados ao post do blogueiro Marcos Donizetti sobre a minha concordância sobre a NÃO-validade do uso de palmadas nos filhos como método pedagógico.

Discutindo o assunto mais profundamente, considero que toda relação é – ao mesmo tempo – um jogo e uma negociação: o jogo é o recurso lúdico que procura substituir a necessidade de ter que utilizar argumentos demasiadamente complexos que tomariam muito tempo e demandariam uma bagagem cultural extensa demais para ser devidamente compreendidos.

Toda negociação busca satisfazer demandas manifestas ou implícitas. Quando se depende de terceiros para se chegar a um determinado objetivo, a conversação tende a iniciar-se por uma relação mais assertiva. Caso não haja concordância inicial de ambas as partes, o ambiente vai-se tornando tenso, pois os dois lados fazem força para puxar a corda – cada um para o seu respectivo lado.

Portanto, surge uma disputa: caso os dois lados percebam que cada um precisa ceder um pouco para ambos ganharem, é sinal de que sabe-se que não se pode ter tudo ao mesmo tempo. E que abrir mão de alguns pontos não significa uma derrota. A falta de paciência e de respeito faz com que se procure tentar afirmar posições extremadas por meio da agressão.

Se a agressão é aprendida, é sinal de que houve um exemplo – um mau exemplo, diria eu. Se não há uma reação calma e racional apaziguadora e reparadora, para mim parece claro que não está havendo nenhuma sinalização nem pedagógica, nem de arrependimento.

Logo, o entendimento está fora de questão para quem foi o vetor da agressão: desde que seu poder esteja sendo afirmado pela lamentável atitude que exerceu um sentimento negativo junto ao outro, aquilo que o outro sentiu quando sofreu a agressão torna-se irrelevante.

Se um agressor conseguir “ganhar” com frequência utilizando-se frequentemente desse método, a superioridade do seu poder tende a “naturalizar-se” tanto para ele como para os agredidos que não sentem-se emocionalmente preparados para deixarem de ser subjugados.

Porém, ou um dia os agredidos procuram virar a mesa extravasando uma forma de agressão exponencialmente mais violenta do que todo o somatório do seu sofrimento físico ou moral, ou, então, terceiros que apenas conhecem essa relação conturbada poderão reagir sem violência por não estarem nem na condição de opressores, nem na de oprimidos.

Enfim… A desconstrução simbólica da violência, embora lenta e altamente dependente da ação de indivíduos externos ao conflito sempre ocorre – mais cedo ou mais tarde.

FLAMENGO, O CAVALO PARAGUAIO DE 2008

Celso Meira/Ag O Globo

Nada como um dia após o outro: a passionalidade daqueles que têm como principal “valor” de vida torcer e “dar a vida” por um clube de futebol geralmente resulta em um comportamento bipolar.

Desta vez, não foi a mídia quem criminalizou a ala bipolar da torcida do Flamengo. Também não foi a mídia quem transformou um jogador medíocre em ídolo e, como se tivesse puxado-lhe o tapete em uma fração de segundo, tornado-o um pária da bola para todo o sempre.

Foi a passionalidade de um pichador que, muito provavelmente, costume pensar e agir da mesma forma que os 20 e poucos “torcedores” que atiraram uma bomba em pleno treinamento do time do FLAMENGO.

Nada pessoal nem contra, nem a favor de OBINA: basta entender um pouco de futebol para compreender que ele apresenta falhas de posicionamento e de conclusão que não condizem com um profissional contratado por um dos clubes de futebol mais populares do mundo.

Os números contam a história do espetáculo. Portanto, contra fatos, não há argumentos:

- Qual a média de gols do atleta desde os tempos de VITÓRIA?

- Ele já atuou em algum grande centro da Europa?

- Com que freqüência e com qual montante clubes pouco tradicionais de centros periféricos contactam a diretoria rubro-negra oferecendo alguma proposta pelo centravante?

- Já foi convocado para a seleção?

- Já foi diretamente decisivo na conquista de algum título mais significativo do que um campeonato estadual?

Todas as respostas acima são pífias ou negativas. Portanto, a história de OBINA com a torcida rubro-negra não condiz com sua performance tanto quanto a performance de CARLINHOS PERNALONGA não condizia com o apreço que a torcida do GRÊMIO tinha por esse atacante. O agravante de OBINA é que ele é proporcionalmente algumas centenas de vezes mais caro do que o serelepe perdedor de gols feitos da I Era Segundina e do início do Período Entre-Segundas do GRÊMIO.

O mais engraçado é que triplicaram o salário do técnico CAIO JÚNIOR para cobrir uma proposta do mundo árabe e, certamente, a manutenção do meia IBSON na Gávea não foi obtida em um almoço grátis.

Finalmente, tanto a venda de RENATO AUGUSTO para o BAYER LEVERKUSEN como a de SOUZA para o PANATHINAIKOS escangalharam a qualidade técnica e o entrosamento do MENGÃO, que investiu com critérios pouco técnicos no veterano centroavante uruguaio de 1,96m RICHARD MORALES e ainda estão tentando um articulador vindo do Prata.

Com 20 anos de atraso em relação aos critérios antigos do GRÊMIO e do nosso tradicional adversário, a direção flamenguista adota aquele pensamento mágico de que “se o ‘gringo’ detonou contra a gente pela LIBERTADORES, então ele é bom”.

Enfim… A tendência de queda ladeira abaixo segue em frente.

A RAIVA DA CLASSE MÉDIA GAÚCHA EM AÇÃO

Às vezes, o blogueiro precisa ter sorte pra sustentar seu argumento em uma pauta proposta: eis um gancho para comprovar o que a dona NITA FREIRE, viúva do grande PAULO FREIRE, disse em entrevista ao Jornalista LUIZ CARLOS AZENHA no VI O MUNDO (OUÇA):

Extraí a seguinte conversação de um tópico em uma comunidade do ORKUT. Todos os membros possuem pelo menos 30 anos de idade e não há nenhum pobre ou rico (nomes e link suprimidos):
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1) Dessa vez eu reagi.

Eu não sei se isso é uma boa ou má notícia mas me senti bem mais aliviado, com o que aconteceu.

Lembram-se que no ano passado fui assaltado dentro de um ônibus, certo ? Pois é, aconteceu de novo hoje, pleno sábado, só que dessa vez eu reagi.

O cara fingiu que estava armado, mas não estava. Estava assaltando o cobrador bem na minha frente. Quando eu vi que ele estava blefando, agarrei o braço dele, por cima da roleta e meti um direto de direita que mandou o cara ao chão. Acertei o cara mais ou menos em cheio, o olho direito dele “tapou” na mesma hora. Mas ele tentou se levantar pra fugir.

Daí foi aquilo. Cobrador e motorista e um outro funcionário da empresa “grudaram” ele.

O carinha com o dinheiro na mão e não soltava !

O que esse cara apanhou não está no mapa. Sentaram uma verdadeira surra no cara, até que ele desistiu e entregou a grana. Eu nem fiz coisa nenhuma depois que derrubei o cara. Parecia que havia uma raiva e revolta gerais, não precisava mais ninguém pra conter o chinelão.

E é com um certo constrangimento que digo que fiquei bem contente.

Ele estava visivelmente sob o efeito de drogas, resistiu bastante, mas o ônibus rumou direto pra delegacia e ainda apareceu um carro da brigada pro apoio. Uma passageira ligou do celular e eles foram chamados.

Consegui descer perto da minha casa mesmo e fui caminhando, tranquilamente, de volta ao lar..

A tentativa de assalto aconteceu por volta da 13;30 neste Sábado, dentro do ônibus T2.

Mas dessa vez o final foi diferente.

Um abraço a todos e cuidem-se sempre !!!
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2) Dááá-lhe Balboaaa!!!!!!!!!

é isso aí!
foste muito corajoso.

o direito do cidadão se defender é sagrado.
e pensar que quiseram e querem nos tirar até isso…

abraço
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É isso aí, Mike Tyson!!!

Ser sempre vítima também não dá. Ninguém agüenta mais tanta roubalheira de político, empresas, golpistas e ladrões. Eles estão achando que é fácil roubar, que ninguém faz nada, que ninguém vai reagir. Chega uma hora que a casa cai!

Não fique constrangido, amigo! Você fez o que todo mundo quer fazer.
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Tenho um grande amigo que, ao mesmo tempo em que é voluntário de um curso pré-vestibular para excluídos que obtém bastante resultados e está habituado a fazer trabalho social desde sempre, diz que, se um “vagabundo” atacá-lo no trânsito e ele tiver tempo de reagir com certa segurança, “não quer nem saber: passa por cima”.
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Eu mesmo postei um assalto do qual fui vítima defronte ao edifício ao lado do meu há cerca de 14 ou 15 meses atrás. Acabei com a sensação de otário, sem pena nenhuma de dois guris que não estavam sujos, fedendo, drogados nem mal vestidos e que, provavelmente, também não estavam armados.

O QUE FAZER?! EXISTE TER OU NÃO TER RAZÃO AO REAGIR OU DEIXAR DE REAGIR?!

Por que há formas de violência que matam mais gente no Brasil do que os crimes que não são tidas nem como crime, nem como violência?

A indignação e a falta de noção com o que atinge um único inocente de forma brutal são muito maiores do que a inação perante quem realmente rouba e mata milhares ou até mesmo milhões. Tal nível de ignorância faz com que a classe média (sobretudo a gaúcha, que é a pior do Brasil e uma das piores da América do Sul sem nenhuma dúvida) mantenha-se muito mais próxima da estupidez do que da lucidez.

Portanto, pergunto: à maioria da classe média gaúcha só resta reagir dessa forma porque ela é covarde, maniqueísta, chauvinista, estúpida, covarde e muito ignorante? Ou eu é que sou covarde e sensível demais?! Ou eu é que perdi minha paciência com essas questiúnculas transformadas em questões importantes e estou sendo preconceituoso em função do distanciamento que meu início de carreira como cientista me obriga a ter dos entes sociais a quem, mesmo sem querer, analiso?

A vida é muito complexa para determinismos, maniqueísmos e dicotomias. Por isso, não tenho como aplaudir a reação nem como achar prudente a inação.

De qualquer forma, vivemos em um estado e em uma capital onde o sensível se perdeu. Nesse ponto, a resistência globalizada da multidão pra mim faz muito mais sentido do que me preocupar ou dar mais valor a uma cultura regional que está longe de ser a prioridade do ativismo – embora não possa ser jamais negligenciada.

Em termos de RS e de PORTO ALEGRE, definitivamente, enchi o saco: a maioria não merece meu esforço. Aliás, nem sei se eles querem ou precisam do meu esforço ou se realmente acham que a qualidade de vida deles é ruim.

FODA-SE O RS E VIVA O PLANETA!!!

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