É PRECISO REPENSAR A ARENA DO GRÊMIO

http://globoesporte.globo.com/platb/futebolnordestino/2011/03/17/a-arena-do-sport/

Pontos importantes:

1. Na noite desta quinta-feira, 17, o conselho deliberativo do clube, em assembléia, aprovou o projeto do consórcio Plurisports para a construção da arena do clube. A próxima etapa prevê a votação em ASSEMBLEIA GERAL com todos o sócios em dia, maiores de 18 anos com pelo menos um ano no quadro. A provável data para a realização do novo pleito é o dia 7 de abril.

2. O estádio terá capacidade para 45 mil lugares e toda a obra deve custar R$ 500 milhões.

3. Segundo o presidente do Sport, Gustavo Dubeux, o clube pernambucano terá 100% dos lucros das bilheterias, quadro de associados etc. já nas receitas da arena, que compreendem às cadeiras cativas, eventos, publicidades, são 7% na primeira década e passam a 15% no décimo quinto ano. Com duas décadas, chega aos 25%. O consórcio tem duração de 30 anos.
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- Pra que o estádio da Copa em outro município?! Santa Cruz prefere o velho Arruda, que é enorme e central (ideal p/clube bem povão c/torcida pobre), Sport terá uma Arena excelente NO MESMO LUGAR e torcida do Náutico em geral (que tem +$ do que as de Sport e Santa) já avisou que não irá ocupar aquela arena que fica aonde o diabo perdeu as meias;

- O Olímpico tem capacidade p/51000 espectadores. BM permite vender 45000. Quando estoura a tanga, público total chega a 41, 42 mil e poucos. Será MESMO que, quando a Arena deixar de ser novidade, inclusive com 100000 sócios (sendo a esmagadora maioria de longe de POA e que só pode pagar 18 reais/mês), irá lotar os 57000 lugares projetados (sobretudo sendo funcionário da Globo como diz o analista econômico Luís Nassif aqui)> Conforme este estudo, ainda estamos muito longe de termos uma parcela de nossa população demograficamente capaz de lotar uma Arena elitizada;

- 100% das bilheterias serão do Sport. Enquanto isso, a cada jogo que não pusermos 19000 e poucos torcedores, teremos que devolver parte do adiantamento referente à essa média de público à OAS com CINCO MESES deficitários (férias em dezembro e Gauchão – isso nos obriga a estarmos sempre nas cabeças da Libertadores e com um time de ponta);
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- : o Palmeiras constrói NO MESMO LUGAR do Parque Antarctica e será dono do complexo (cento de convenções, etc.) após 30 anos. Mas há um detalhe importante em que o Grêmio leva desvantagem em relação à OAS onde, na comparação, o Palmeiras ganha junto à W/TORRE:

“Quando o Palmeiras não puder jogar em seu estádio por compromissos da Arena Multiuso com outro tipo de espetáculo, o clube ficará com 100% da renda no estádio alugado e a W. Torre pagará 50% do aluguel desse palco. A única diferença em relação à situação atual do Morumbi é que o São Paulo não tem alguém que pague 50% do aluguel. Semana que vem, o Morumbi estará fechado, apesar de haver São Paulo x Corinthians no domingo, por causa do show do Iron Maiden.”

Já ouvi falar que, gradativamente, os donos de cadeiras que pagam 1200 e poucos reais passarão de 4200 anuais na Arena. E que o ingresso mais barato dificilmente custará menos de 60 reais em Gauchão.

Não estamos na Inglaterra. Portanto, precisamos adaptar o modelo alemão ao Brasil, um país de baixa escolaridade e população pobre, cujos ricos não frequentam futebol na maior parte do tempo porque tem muitas opções de lazer pelas quais podem pagar.

Por isso, reitero a leitura de uma antiga série de posts do meu blog:

<http://heliopaz.com/2010/05/07/por-que-a-arena-nao-pode-elitizar-o-gremio/>

<http://heliopaz.com/2010/05/07/por-que-a-arena-nao-pode-elitizar-o-gremio-ii/>

<http://heliopaz.com/2010/05/07/por-que-a-arena-nao-pode-elitizar-o-gremio-iii/>

Caso haja uma melhora repentina na qualidade de vida do porto-alegrense, mesmo assim, não podemos correr o risco de mudarmos radicalmente o perfil do torcedor: mesmo quando temos um time ruim, o que nos torna mais fortes e diferentes dos outros clubes é uma torcida vibrante e ruidosa. Se perdermos isso, morre o Grêmio como o conhecemos.

O relato sobre o futebol inglês no próximo link é arrasador:

<http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-15/carta-da-inglaterra/o-esporte-que-vendeu-a-sua-alma>

Fala aqui um cara que tinha severas restrições ao modelo de negócio da Arena do Grêmio e que se rendeu à oportunidade antes que a bolha estoure. No entanto, considero que todas as ponderações acima precisem ser levadas a sério.

O QUE O PT, A CLASSE MÉDIA, OS MAIS IDOSOS E O PIG NÃO ENTENDEM

DEPOIS EU EDITO E PONHO LINKS.
A publicidade e o jornalismo offline não têm correspondente discursivo nas mídias sociais. A formação não é adequada, assim como há um preconceito e uma ignorância gigantescos por parte de jornalistas antigos, enquanto os publicitários estão perdidos, pois a sua função dentro desta mídia é pouco relevante e não gera um faturamento satisfatório às agências.
O Azenha escreveu outro dia no Vi o Mundo que o PT errou feio ao continuar sendo pautado pelo #pig. Definitivamente, isso não faz sentido.
Steven Johnson, autor de dois livros seminais para a compreensão das mídias sociais e da sociedade em rede (A Cultura da Interface e Emergência) hoje não lê jornais impressos, não ouve rádio AM e quase não assiste TV: a vida dele não obedece a nenhuma grade de programação e tampouco é pautada por algum gatekeeper.
Michel Maffesoli fala em um dado momento de O Tempo das Tribos que a pós-modernidade é caracterizada (entre tantas outras coisas) pelo neotribalismo: apesar da sociedade de fluxos, da ubiquidade e da onipresença da informação que circula, que é apreendida e, depois, transformada e devolvida para a rede, o outro lado dessa dinâmica aponta para uma cultura de nichos.
A política partidária brasileira não entende a cultura de nichos porque – a meu ver – equivocadamente ainda pensa em povo e em massa quando, na verdade, deveria pensar em MULTIDÃO (Negri e Hardt).
70% da informação que Steven Johnson acessa vem da sua timeline do Facebook. No meu caso, todos os links que me chamam a atenção para ler ou assistir chegam muito mais até a minha timeline do Twitter (e acho que isso também tem ocorrido recentemente com grande parte dos internautas brasileiros).
O crescimento econômico do Brasil e o monstruoso crescimento das igrejas midiáticas são muito mais velozes do que o resultado cultural e educacional pelo qual a maioria dos beneficiados pelas políticas públicas do Governo Lula consegue atingir.
Por isso, o uso mais frequente do Orkut é para publicizar a própria vida ou para vincular-se a comunidades meramente identitárias ou de protesto frívolo (Amantes da Pastelina ou Eu Odeio Galvão Bueno) e o uso predominante do Twitter apresenta poucos links e chamadas e mais a exposição do sentimento ou do que o usuário faz naquele dado momento.
O e-mail e os fóruns de discussão atingem pessoas mais maduras e menos versadas no domínio da apropriação de cada mídia digital. É aí que atacam os panfletos apócrifos digitais.
A Igreja Católica Apostólica Romana e as igrejas protestantes consideradas tradicionais, mais éticas e mais sérias perderam muito terreno para essas vertentes “evangélicas” ou “pentecostais” que as superaram porque pregam na e para a mídia: a Igreja Universal do Reino de Deus, a Assembléia de Deus e outras menos votadas adquirem jornais, revistas, emissoras de rádio e de televisão e postam sermões na internet porque entendem que a igreja, a comunidade e a gramática da liturgia tradicional não atingem à maioria da população.
Quando comecei a dar aula na Agência da Boa Notícia Guajuviras (Pronasci, Territórios da Paz, Canoas/RS) http://guajuvirasterritoriodepaz.blogspot.com , me disseram que pegaria alunos que teriam que aprender a ligar o computador.
QUE NADA!!! Há 12 LAN houses regulamentadas e dezenas de LANs clandestinas no Guaju!!! Passei em algumas delas pra divulgar o projeto e vi PCs lotados de meninos bem pobres usando Orkut e MSN direto!
Outra coisa: lá, há mais de 70.000 habitantes e mais de 70 igrejas. Uma das minhas alunas baixa os hinos pra treinar, pois ela canta no coral da igreja que frequenta.
Mesmo que eles estejam conosco graças a uma política pública de governo baseada em um projeto de deenvolvimento que não pode ser repetido e que não será superado por Serra em função da índole da sua aliança, um menino já me disse que Dilma é terrorista e outro disse que ela havia dito que “nem Deus a venceria na eleição”.
E aí?! Eu tô lá pra ensiná-los a blogar, a tuitar, a falar sobre a realidade deles de uma maneira mais positiva do que a que o #pig utiliza pra apresentar o bairro, estou dentro de um projeto do PT e, como professor da Unisinos, não deveria incentivar discussões partidarizadas e nem tampouco questionar o credo deles.
Definitivamente, a coisa não é nada fácil. Mas o PT não soube usar o conhecimento do Ben Self e o Marcelo Branco (que é muito bom, porém não é comunicólogo nem sociólogo) não pensou em atacar a todos os nichos na internet – ainda mais para defender a candidatura de Dilma.
Este 2º turno é a última chance do #pig: se perder, então teremos a esperança de mudanças reais – apesar de grande parte do pessoal que faz a CONFECOM não entender patavina de mídias sociais porque eles só pensam em termos de emissor, receptor e mensagem ao invés de pensar em redes descentralizadas, bancos de dados relacionais, informação ubíqua e no papel dos interagentes.

TEMPO AO GRÊMIO, TEMPO PELO GRÊMIO

Sobre o Tempo
(Pato Fu)

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã

Tempo, tempo, tempo mano velho
Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai

Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final

Ah-ah-ah ah-ah
Ah-ah-ah ah-ah

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã

Tempo, tempo, tempo mano velho
Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai

Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final… oh-oh… oh-oh ah…

Uh… uh… ah au
Uh… uh… ah au
Vai, vai, vai, vai, vai, vai

ARENA DO GRÊMIO: POLÍTICA, ECONOMIA, NEGÓCIO E TORCIDA

1) Teimosia, mau humor, preconceito ou desconfiança na questão da Arena do Grêmio? Por que?

Ser teimoso não é uma falta de qualidade: depende de como, quando, por que e por quem. O mau humor resulta de uma impaciência que precisa ser constantemente reavaliada. O preconceito deve ser abolido em todas as suas formas. E a desconfiança jamais pode ser fruto ou resultar em alguma injustiça, ignorância, ou julgamento pessoal.

Todos devemos ser capazes de aceitar, de compreender, de reconhecer e de pedir desculpas públicas caso sejamos convencidos do contrário em qualquer questão. A teimosia vem da necessidade de querer conhecer cada vez mais temas com uma profundidade maior. É preciso ser eternamente curioso quando se busca conhecer e solucionar um problema qualquer. Por isso, novas amizades, discordâncias e desconfianças são coisas normais. Gosto de fazer novos amigos e de rir bastante – aliás, cultivo o raro e fundamental hábito de rir de mim mesmo.

2) Já assististi a quatro exposições do Adalberto Preis em ambientes e em contextos distintos. Ainda assim, possuo alguma desconfiança. Mais especificamente, sobre quem e/ou sobre o que?

Quero desfazer, de uma vez por todas, os mal-entendidos sobre a minha posição estritamente pessoal. Afinal de contas, o meu ofício depende de saber lidar com as palavras, a fim de poder me comunicar melhor (o que não me impede de incorrer no erro da preguiça, da falta de tempo e/ou da falta de revisão, pois é fácil comer palavras ou deixar que o humor do momento se sobreponha à razão):

2.1 Tenho Adalberto Preis na mais alta consideração. Me criei com ele como vice-presidente de futebol em um período vitorioso do clube, onde outros integrantes do seu repeitável movimento (Grêmio Sempre) também encabeçavam postos-chave na administração do Grêmio: em 1985-1986, ele, o diretor de futebol Saul Berdichevski e o saudoso presidente Irany Sant’Anna (pai do atual e melhor vice de finanças da história do clube – uma pessoa acessível, afável e extremamente competente) ajudaram a recuperar a hegemonia estadual em uma década que terminou fabulosa.

2.2 O fato de crer no gremismo, na honestidade e na competência de Preis, Saul e Evandro Krebs (todos do Grêmio Sempre e integrantes da Grêmio Empreendimentos Ltda.) não implica que eu não possa desconfiar de partes do seu discurso. Ao contrário do que o conselheiro Alexandre Aguiar (do mesmo movimento e também na GE) considerou acerca da minha posição a partir de vários comentários que trocamos em alguns posts do blog Sempre Imortal, desconfiar de partes do discurso evangelizador sobre a Arena e desconfiar de algumas afirmações nas quais eles creem não significa – e nem JAMAIS significou para mim – deixar de crer na integridade, no esforço e na eloquência de nenhum desses conselheiros de relevantes serviços prestados. Nunca me referi à pessoa de nenhum deles com desdém, raiva ou coisa parecida. E, sempre que fui irônico, o fiz por inconformidade ou até mesmo por impaciência e mau humor resultante da maneira com que se insiste em simplificar uma questão a meu ver ainda distante e incerta que não pode ser concluída de uma forma taxativa.

Desconfiar da forma com que certas questões são afirmadas não significa em dicionário algum que se desconfie da integridade de homens maduros, responsáveis e que possuem tantas qualidades. Falo isso porque creio nisso, jamais teria vocação para “vaselina”. Levantar qualquer suspeita nesse sentido seria um equívoco tanto meu em relação a eles como de qualquer pessoa em relação a mim.

Finalmente, nenhuma regra gramatical afirma que o uso da palavra desconfiança precise necessariamente estar ligado nem à confirmação nem à ausência de qualidades como honestidade, integridade ou coerência. Da mesma forma, desconfiança não é sinônimo e nem sempre deve acompanhar falhas humanas comumente entendidas por ingenuidade ou por irresponsabilidade. Se não fui bem compreendido anteriormente, espero que isso fique claro daqui para a frente.

2.3 Sempre disse que sinto-me aliviado por ter grande parte do Grêmio Sempre ao invés de alguma liderança ligada ao presidente Odone na condução direta e visível da Grêmio Empreendimentos. Essa afirmação tampouco significa que eu considere que Odone e seus correligionários de Grêmio tenham faltado com a honestidade ou com a competência sobre assuntos tricolores. Saliento esse detalhe sobretudo porque não possuo prova alguma sobre nada que os desabone dentro do Grêmio ou em relação às suas famílias ou trabalho. E nem tampouco a investigação dessas questões chegou algum dia a passar perto do meu interesse como associado interessado na política do clube e disposto a colaborar com as minhas habilidades.

Contudo, a forma com que esse grupo articulou e conduziu a política e a administração do clube me pareceu autocrática. Odone disse na mídia “Queiram ou não, a Arena vai sair na marra.” Alguém perguntou a ele por que? A existência imediata do Grêmio depende dela? Como? De que maneira? Uma imposição dessas sem maiores explicações não é de assustar?!

Embora tenham se tratado de manifestações expressamente pessoais, a responsabilidade sobre eventuais prejuízos que o Grêmio possa ter sofrido em função delas é, a meu juízo, responsabilidade de quem está hierarquicamente acima. Falo das sempre arriscadas bravatas deselegantes de Paulo Pelaipe, que injetou ânimo em vários adversários: desde os inexpressivos (Santa Cruz de Recife) aos médios (Caxias e Atlético-PR) e – pior – passando pelo até então gigante Boca Juniors. Em função da Batalha dos Aflitos (muito mais do que um drama ou um medo, passar por ela não era nada mais do que a obrigação de um bicampeão brasileiro, tetra da Copa do Brasil, bi da Libertadores e uma vez Mundial), todos toleraram esse comportamento que prejudicou a imagem do clube.

O outro aspecto diretamente ligado ao Grêmio que me torna descrente em relação a qualquer gestão que conte com os movimentos que costumeiramente apóiam Odone (e que também apoiaram Guerreiro) é o de que eles preferem apostar um dinheiro do qual não dispõem à procura de um lucro mais político e pessoal do que propriamente para os cofres do clube mais adiante.

Novamente, um outro parêntese: quando falo em apostar um dinheiro que não é deles não afirmo – em nenhum momento – que o dinheiro vá para os seus bolsos mas, sim, que costumam montar times numérica e tecnicamente muito mais desparelhos do que verificamos na atualidade, extrapolando o orçamento do futebol em um patamar quase inadministrável. Falo da Libertadores 2007, quando tal medida só poderia ter sido bem-sucedida em caso de título. Como fomos apenas vice-campeões, não veio a premiação da CONMEBOL, nem os convites para torneios amistosos na Europa e tampouco um aumento nas cotas de televisão e de patrocínio a serem percebidos na temporada seguinte.

Antes que me interpretem de forma errada mais uma vez, quando falo em lucro político me refiro ao uso antiético do Grêmio como trampolim para uma candidatura partidária. E quando falo em lucro pessoal, neste caso, refiro-me tão-somente às vantagens profissionais que resultam da superexposição midiática de uma personagem específica que, não-raro, utiliza-se do trabalho de muitas pessoas para apresentar-se como o “pai da criança”. Sob qualquer hipótese, o Grêmio deveria ser muito maior do que isso.

Até posso sofrer a influência da minha militância política de esquerda quando cito tal fato. Ao mesmo tempo, se, por um lado, alguns dizem que a política partidária deve ser banida de toda e qualquer discussão clubística, considero-a indissociável das decisões e das articulações que implicam na postura e na atuação de quem fecha negócios em nome do Grêmio ou com o Grêmio.

Odone foi um importante defensor do fracassado governo Britto. Hoje, apoia Yeda. Como bem apontou o ex-governador Alceu Collares em recente entrevista, deduzo que, se Odone quis Britto no Grêmio e se ele queria ser o executivo remunerado da Grêmio Empreendimentos, assim como o Estado foi muito mal privatizado por Britto e como Yeda está explodindo as dívidas anteriormente multiplicadas por Britto e como ainda estamos muito longe de poder honrar com todos os compromissos herdados de Guerreiro, não tenho como pensar diferente do velho sábio discípulo de Brizola:

Os integrantes PMDB não são administradores – Não tem uma obra do Fogaça que se veja. Consideremos os governos depois da redemocratização, o Jair Soares, o Pedro Simon, depois o Antônio Britto e Olívio Dutra. O Jair conseguiu um PIB, o Produto Interno Bruto gaúcho, de 14% em relação ao mandato anterior. O Simon foi 0,5% negativo. Tanto que eu digo que o do Simon é um Pibizinho e o meu é um Pibizão. No meu governo, foi de 23,43%.

A soma do PIB dos governos do PMDB não chega a 6% – Então, depois vem o Britto, fez 2%, o Olívio fez 12% e o Rigotto 2,5%. Ou seja, a soma do PIB de 12 anos de governo do PMDB não chega a seis. Ou eles não tiveram sorte ou eram incompetentes. E esse rapaz, o Fogaça, eu tenho medo que seja a mesma coisa. Porque aqui em Porto Alegre ele não fez nada. Qual o projeto que ele tem aqui? O meu mandato foi de três anos e fiz a Usina do Gasômetro, a Avenida Beira-Rio, o prédio da Câmara de Vereadores, a iluminação do Centro, 19 centros integrados de educação, o Ginásio Tesourinha. Um monte de obras em três anos.

Embora Odone jamais tenha tido nenhuma relação com a corrupção e com a apropriação indébita comprovadamente realizadas por Antônio Dorneu Maciel, Flávio Vaz Netto e pelo conselheiro Luiz Paulo Germano, todos os três participaram da sua gestão no Grêmio de maneira direta ou indireta. Um equívoco dessa magnitude felizmente ainda não trouxe consequências no nosso clube (e – tomara – isso nem deva ocorrer). Todavia, seria necessário ter tido muito mais cuidado sobre quem nomear e a quem confiar tamanha responsabilidade. E, nesse caso, a responsabilidade pela desvinculação total desse tipo de suspeita é um tpo de responsabilidade presidencial bastante semelhante à de policiar um discurso de vestiáriomais favorável aos nossos adversários do que a nós mesmos.

Apesar disso, é fato que nada impede legalmente que empresários, políticos, profissionais e religiosos de todos os vieses façam parte da vida político-administrativa do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Inclusive não possuo nenhum sentimento que me impeça de conversar, de rir, de trocar ideias com pessoas que defendam essa forma de administrar. Não preciso olhar feio e nem tampouco esperar ou forçar para que isso ocorra da parte deles em relação a mim. Apenas não irei concordar com a maioria dos pontos que eles defendem de maneira democrática.

Isso posto, mesmo que acredite na competência profissional e na honestidade de propósito de Preis et. al na GE e mesmo que uma grande quantidade de conselheiros de todos os movimentos sejam magistrados e juízes, é inegável que grande parte do acordo com a OAS foi selado a partir das conversações firmadas conforme o modelo de gestão e de trabalho com que os grupos costumeiramente apoiadores desse jeito de governar preferem trabalhar.

3. Isso não é pensar demais de maneira ideológica? Afinal de contas, a política partidária não faz parte da vida o tempo inteiro?

Seja como situação, seja como oposição, a política é a arte do possível. Porém, o possível precisa necessariamente visar o bem comum, não o bem de poucos. Não é preciso ser filiado a algum partido nem dominar teoricamente alguma ideologia para sabermos que, querendo ou não, somos todos atores e coadjuvantes de um processo do qual somos todos responsáveis. Não é preciso ser dicotômico pra entender que o consenso e que o pensamento único representam uma falsa unidade, pois trata-se de um consentimento para evitar dissabores quando falta vontade, tempo ou ânimo para uma discussão de fôlego.

4) Tu és contra a Arena? Ser contra a Arena não seria ser contra o Grêmio?

Desejo MUITO que a Arena dê certo. Quero – mais do que tudo em relação à minha vivência tricolor – que eu esteja completamente enganado. Porém, ainda falta poder crer que possa dormir despreocupado em relação ao nosso futuro. Por uma série de erros políticos, jurídicos, midiáticos e técnicos (falta de conhecimento suficientemente técnico em arquitetura, engenharia, marketing e comunicação) sobretudo do nosso Movimento Grêmio Acima de Tudo (MGAT), foi impossível tentar opor-se com maior veemência ao modelo de negócio e ao contrato assinado a partir de uma proposta alternativa.

Não houve nenhum planejamento que visasse rever esse processo de uma maneira que a sua consecução fosse benéfica para o meio ambiente, para o trânsito e para a qualidade de vida da cidade. Seja na expulsão de pobres do Humaitá, seja na forma artificial de se tentar povoar aquela região quase rural; seja nas desapropriações ao longo das vias do entorno do muito em breve ex-Estádio Olímpico Monumental ou na forçação de barra rumo ao superpovoamento daquela área, considero que o Grêmio não deveria ser o principal vetor de uma mudança socioeconômica e cultural que dificilmente trará uma urbe mais salubre e tranquila seja na Azenha, seja no Humaitá.

Eu não sou mais contra a Arena nem contra a ida do Grêmio para outro bairro como assim defendia anteriormente. Porém, a visão que tenho de Grêmio e a visão que tenho da cidade parecem não coincidir com as visões de quem trabalha para que este empreendimento siga as diretrizes da OAS e não do Grêmio. Pesa muito para mim o fato de que toda a origem do Projeto Arena foi imposta ao CD e, depois de finalmente discutida, está sendo imposta à sociedade. Nem pelo Grêmio se pode passar por cima da democracia quando milhares de famílias terão que mudar de vida num piscar de olhos.

Ainda não foi possível arregimentar massa crítica suficiente a ponto de fazer com que a aparentemente pouca disposição de contestar e de pensar em um Grêmio menos subserviente àquilo que fora acordado por quem tratou a questão antes do presidente Duda assumir possa ser discutida em outros termos pelos amigos da Grêmio Empreendimentos. Para mim (que, ao contrário da esmagadora maioria dos atuais integrantes do Conselho Deliberativo do Grêmio, li o contrato e também tive acesso aos seus anexos), embora jamais desejável, é possível, sim, que o que eles entendem como vantajoso para o Grêmio possa tragicamente vir a ser um negócio da China para a OAS e não uma relação ganha-ganha.

5) Por que escolheste o Movimento Grêmio Acima de Tudo?

Por que? Porque, mesmo que exista o máximo de gremismo, de profissionalismo e de inteligências reunidas em todos os demais movimentos, fui acolhido e convidado com o máximo de consideração, de carinho e de camaradagem. Muito embora tais qualidades também pudessem ser encontradas em outros movimentos, muito me incomoda o papel de claque ao qual muitos bons gremistas tem-se prestado em relação a tudo o que foi respondido acima. Mas me incomoda mais ainda o cunho neoliberal da atual oposição.

Está claro que há muitos pontos em comum entre vários movimentos. Sabe-se que há muitas divergências entre si, mas que falta imposição, conhecimento do clube e até mesmo coragem para dizê-las “na lata”. Quando a rebeldia e a indignação é guardada apenas junto de seus pares, então não existe franqueza.

Hoje, o MGAT trabalha mais próximo dos interesses do associado que paga em dia e que mais consome produtos oficiais do clube do que aqueles que se dizem novos ou independentes (com todo o respeito às pessoas, discordo muito de grande parte de suas ideias). E eu aprendo e admiro cada vez mais à maior lenda viva do nosso clube, que é o eterno presidente Hélio Dourado.

6) Se muitas das etapas às quais tu te posicionas com temor e com severas críticas não podem mais ser revertidas, como fazer com que o Grêmio FBPA possa ter maior poder de decisão sobre o seu futuro mesmo tendo em breve como o seu maior credor a construtora OAS?

Se houver um mínimo de sensibilidade, gostaria muito que as questões que levantei acerca da nada razoável iminência da elitização do clube em função da Arena pudessem ser avaliadas com carinho e atenção. A quem quiser lê-las, deixo o meu convite:

http://heliopaz.com/2010/05/07/por-que-a-arena-nao-pode-elitizar-o-gremio/
http://heliopaz.com/2010/05/07/por-que-a-arena-nao-pode-elitizar-o-gremio-ii/
http://heliopaz.com/2010/05/07/por-que-a-arena-nao-pode-elitizar-o-gremio-iii/

A bandeira que levanto a partir desses posts resulta de uma compreensão maior acerca do papel da nossa casa como um fator diferencial único a nosso favor, que resulta na aceitação da importância do lado positivo das manifestações de alento e de entusiasmo do Sócio Torcedor da Geral, que é o verdadeiro trem pagador do clube, do qual não podemos correr o menor risco de abrir mão: se esses jovens não puderem fazer a nossa casa rugir, não importará mais onde nem como ela será.

Pra terminar, dois recados especiais aos amigos de dois jovens movimentos de associados entusiasmados e atentos que deejam também poder decidir as questões a favor do clube:

– Ao Grêmio do Prata: as crenças de vocês são nobres e as suas dúvidas e desconfianças são legítimas. Fiquem atentos e mantenham o foco! A impetuosidade de vocês é extremamente benéfica para o clube!

– Ao Grêmio Democrático: tão importante quanto manter ótimas relações com todos os movimentos e manter a cativante cortesia e fidalguia de vocês é crer que, mesmo diante de excelentes intenções, problemas acontecem e é necessário sermos propositivos e críticos. Vocês têm tido uma postura admirável!

POR QUE A ARENA NÃO PODE ELITIZAR O GRÊMIO III

Aparentemente, não existe público pra lotar aquelas dependências na Grande POA. E é muito difícil o valor pago pelas cadeiras gold e camarotes subsidiar valores semelhantes ou apenas um pouco mais elevados do que os de hoje.

Caso já houvesse um volume de público classe AB suficiente, duvido que ainda não tivesse havido um clamor público para a) “Encadeirar” todo o anel inferior e b) Melhorar substancialmente a qualidade dos serviços oferecidos pelo clube. Se o Olímpico fosse assim, as cadeiras lotariam sempre.

No entanto, não é o que podemos verificar no estádio: o último Grenal teve o maior público do Olímpico desde 2007. Foram pouco mais de 44000 pessoas. A capacidade total é de pouco mais de 55000 expectadores. Por medida de segurança, não se pode pôr mais do que 51000. 90% dos 7000 lugares vagos estavam nas cadeiras (cativas, centrais e laterais).

Se o valor dos ingressos fosse viável, como era início de mês, decisão de campeonato e clássico em um horário acessível, teria que ter lotado.

Na Arena, pode-se garantir receita para o clube e obter tanto quanto possível o Lucro Líquido Ajustado, a fim de evitar prejuízos (leia-se devolver parte dos 7 milhões anuais subsidiados pela OAS) desde que seja possível não apenas conquistar mas, sim, manter pelo menos o dobro de sócios em relação à quantidade de assentos da Arena.

O problema é que futebol = resultado. Uma maneira de compensar esse problema é o que o marketing está acertadamente proporcionando ao associado: a percepção de que a soma de descontos em serviços relevantes oferecidos por parceiros de qualidade seja maior do que o valor da mensalidade do clube.

Então, para que o Grêmio realmente fature pra valer (isto é, obtenha lucro independentemente do repasse da OAS e de eventuais devoluções a esta quando o público for baixo), será fundamental que, passado o inferno das férias de verão, da fase que leva do nada a lugar nenhum no Gauchão e da ausência de jogos de volta contra adversários inexpressivos das duas primeiras fases da Copa do Brasil ou de um ou dois jogos pela fase de grupos da Libertadores contra galinhas mortas, lá pela metade/fim de março até o fim de novembro (quando termina a temporada), a média de público terá que superar quase sempre 65%-70% da lotação da Arena.

É esse o problema de se dizer amém para quase tudo o que a OAS exige.

O momento é de ajuste dessas questões. Se isso não for visto agora, a trolha estourará somente do lado do Grêmio. Nos sete primeiros anos, o Lucro Líquido Ajustado será todo do Grêmio. Só que isso não significa que tenhamos LLA todos os meses. A brincadeira só começará a ficar boa a partir da metade de abril. Ou, seja, na melhor das hipóteses (se o time estiver bem), serão quatro meses sem lucro, mesmo que o prejuízo não venha a ser significativo e possa ser compensado depois.

No frigir dos ovos, o problema é o tamanho das obrigações e o custo muito maior do que o esperado (ou imaginado) para o Grêmio. Afinal de contas, Marketing, Comunicação, Quadro Social, Finanças… Todos esses departamentos precisarão rebolar pra valer pra poderem manter toda a estrutura acima em um patamar viável.

O público que vai ao estádio é classe C+ e B-. Além disso, não temos a questão da violência nos estádios em um nível de barbárie nem uma classe AB suficientemente numerosa pra considerar o futebol como o seu lazer primordial. Portanto, a elitização seria um tiro no pé.

Será que, além das preocupações jurídicas, contábeis, de engenharia e de arquitetura houve algum tipo de estudo de impacto mercadológico? Será que houve alguma preocupação minuciosa a respeito da demografia e da cultura do extrato social que compõe o público predominante na Arena?

Segundo as palavras do conselheiro Cacaio Azambuja, até segunda ordem, gostaria de estar enganado:

Há, entre algumas informações cifradas que colhi para informar algumas partes do meu livro, uma afirmativa interessante, a qual irrelevei porque o tema então abordado era tangente ao assunto.
Trata-se de um estudo de marketing – o mercado do estádio Arena – que deveria ter sido incorporado ao tal Plano de Negócios e não foi., ou, pelo menos, teria deixado de revestir-se de mais extensão e profundidade. A incumbência era de  uma empresa, designada como  Gismarket. Se houve ou não esse trabalho tampouco tenho notícias.

O mundo liberal dos negociantes e dos rentistas não prevê o lado humano que define as prioridades pessoais e familiares responsáveis pelo sustento da economia: afinal de contas, eles se esquecem de que a soma dos pequenos é sempre maior do que o todo…