FUÇANDO NA INTERFACE DO BLOG

Como todos sabem, dentre o admirável volume de blogueiros ativistas políticos, sociais, ambientalistas e de esquerda (ou não) da Grande POA, este blog, o CÃO UIVADOR, o AMIGOS DA GONÇALO DE CARVALHO e o POA VIVE, estão entre alguns exemplos de uso da plataforma de gerenciamento de conteúdo (CMS ou Content Management System, em inglês) WORDPRESS. Outros blogs de extremo impacto na informação ativista que também utilizam o WP são o ÁRVORES VIVAS, o ECOTECNOLOGIA, o FOLHA VERDE (isso me lembra os tempos de matrícula analógica na UFRGS – folha verde era a folha pra preencher os códigos das disciplinas obrigatórias do curso; folha branca era para pedir matrícula em disciplinas optativas e a folha rosa era para solicitar disciplinas de outro curso ou curso dois – bons tempos…).

Como todo produto de qualquer área ou origem e dependendo do ponto-de-vista e da necessidade de cada um, o WP possui uma série de vantagens e de desvantagens em relação a outras plataformas.

A plataforma de CMS mais utilizada pelos blogueiros é o BLOGGER que começou sua história e ajudou a popularizar a blogosfera mundo afora em 1999. Hoje, o filho mais bem-sucedido do lendário PYRA LABS pertence ao Big Brother do conteúdo da web chamado GOOGLE.

O WORDPRESS, por sua vez, é uma iniciativa baseada em SOFTWARE LIVRE. O desenvolvimento do código e da ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO (visões 1, 2 e 3) desembocam em um trabalho de DESIGN de IHC [Interface e – não interação – Homem-Computador) robusto e extremamente intuitivo, baseado em pesquisas de opinião de seus próprios usuários via web e também através de grupos (focus groups) de testadores da interface. A empresa que gerencia e atualiza a plataforma WP chama-se AUTTOMATIC.

Ao contrário do BLOGGER, que permite copiar e editar o código em CSS (Cascading Style Sheets ou Folhas de Estilo em Cascata – v. DICAS AVANÇADAS), a versão gratuita do WORDPRESS (.COM) não o permite. Isso significa que o usuário do BLOGGER pode adicionar quaisquer “tranqueiras” desenvolvidas em JAVASCRIPT direto no seu blog gratuitamente. Na versão gratuita do WP, só dá pra adicionar nos WIDGETS de texto as “tranqueiras” que NÃO possuam Javascript. Apesar da liberdade em poder editar o código para adicionar novas funcionalidades ao seu blog, a concorrência do WP fez com que a GOOGLE se mexesse, preocupando-se em adicionar cada vez mais GADGETS (o nome bloggeriano para widgets) a fim de evitar que o seu usuário tenha que sujar as mãos em código.

A habilidade total para mexer no código só existe na versão paga. Já o domínio WORDPRESS.ORG apresenta FAQs, fora (plural de forum) e uma infinidade de dicas, widgets e templates. O ponto alto do .org é permitir download do CMS para a máquina do usuário, com direito a instalar zilhões de widgets também de graça. Neste caso, é a hospedagem em algum provedor e o registro de domínio que permitem liberdade total. de fuçar no código e em widgets. Particularmente, acho que vale muito a pena para quem deseja que seu blog seja um canal de relacionamento efetivo. Dessa forma, o usuário poderá baixar todo o CMS para o seu computador, atualizando seu blog de maneira mais rápida do que acessando o site e logando nos servidores da empresa – mesmo com o uso de um template gratuito.

Aparentemente, isso seria uma desvantagem. Contudo, a AUTTOMATIC não é a GOOGLE e precisa sobreviver de alguma forma. A versão gratuita do WP só é possível porque a robustez, a confiabilidade e a possibilidade do próprio usuário ou de uma empresa hospedeira são reconhecidos e amplamente utilizados por empresas e universidades, que pagam caro por isso. A UNISINOS é um exemplo de uso do WP em quase todos os blogs oficiais de seus grupos de pesquisa, publicações e cursos (DESIGN, PPGCC, COMDIGI, etc.).

Aqui no Brasil, alguns usuários com domínio e servidor pagos que servem como referências em suas respectivas áreas são: o prof. ALEX PRIMO, coordenador do LIMC/UFRGS (Laboratório de Interação Mediada por Computador); e o blog MACMAGAZINE, coordenado pelo meu amigo RAFAEL FISCHMANN. Nos EUA, a esmagadora maioria dos principais blogs profissionais sobre tecnologia, política e jornalismo de dentro e de fora da Grande Mídia utilizam o WP (THE NEW YORK TIMES, FORD, por exemplo). Confiram o SHOWCASE de blogs gerenciados através do WP.

Porém, os usuários do WP no Brasil que considero mais felizes em termos de auto-organização e de diversidade no uso tão customizado quanto diferente desse CMS são os blogueiros do coletivo INSANUS (dentre os quais um blog sempre visitado e citado por mim tanto para o bem como para o mal, o NOVA CORJA).

Nesse sentido, até mesmo a versão gratuita do WP apresenta uma série de vantagens significativas que o BLOGGER não oferece. O WP apresenta uma capacidade de armazenagem de dados, a possibilidade de backup do blog (para sevidores situados em outras cidades ou até mesmo países) e, acima de tudo, aceita uma quantidade de usuários simultâneos bem superior. Tais quesitos são muito importantes para quem pretende ampliar o público-alvo de seu respectivo blog para atingir maior audiência – independentemente do fato de pretender viver do blog ou não.

De maneira geral, a grande maioria de nossos blogs recebe apenas algumas poucas centenas de visitantes/dia. O BLOGGER segura alguns milhares de visitantes simultâneos numa boa. Mas quando o volume de visitas ultrapassa os cinco dígitos diários, o gargalo começa a espantar visitantes que não têm saco pra esperar o conteúdo carregar de maneira lenta. Pior: nesse caso, o blog pode até ficar momentaneamente inacessível até o tráfego dar uma reduzida.

Um detalhe que parece irrelevante mas não é: os templates do BLOGGER oferecidos em seu próprio site são utilizados por dezenas de milhões de blogueiros no planeta inteiro. Outros templates de terceiros normalmente apresentam uma estética muito brega e uma interface muito pobre em termos de intuitividade e de recursos padrão. Mesmo os templates mais chinfrins do WORDPRESS costumam oferecer uma maior organização nesse sentido. Como exemplo, cito uma jovem designer que costumava criar templates para o BLOGGER e, hoje, possui um blog oficial no WORDPRESS chamado simplesmente BY MARINA. Aliás, o template que a Marina utiliza é uma livre adaptação do layout e da interface criados por outra jovem talentosa, a DANI DANCZUK do SINOPSE.

Em suma: satisfeitos ou não com o CMS de cada um de vocês, pelo menos aos mais curiosos eu recomendo que, no mínimo, dêem uma olhadinha no site do WORDPRESS. Vocês irão se surpreender com a quantidade e com a seriedade das informações contidas nos FAQs e em como funciona

Falando nisso, estou pensando seriamente ou em voltar a utilizar o template anterior ou em testar algum outro, pois este aqui está me tirando audiência ao invés de aumentá-la. Eu gosto de layouts com imagem no cabeçalho e é um enorme risco utilizar uma interface com menos de três colunas ou com os widgets abaixo do conteúdo, pois as pessoas não irão rolar a página até o fim. Talvez o problema esteja na nova organização do conteúdo: por um lado, pensei que juntar ativismo + CMC + futebol fosse aglutinar os diferentes públicos, mas parece que os ativistas estão mais presentes, os acadêmicos mal se manifestam e o futebol definitivamente perdeu bastante.

Quanto aos acadêmicos, na minha área as pessoas não costumam gostar muito de futebol. E o segmento que gosta de política não se envolve muito, observando à distância pra criticar depois. Como eu ainda não participei de nenhum congresso, não publiquei nenhum artigo, não recebi meu título e, no momento, estou impedido de lecionar, sou um reles desconhecido. O ano pra esse público crescer é 2009. Porém, só na metade para o fim do 2º semestre.

O que vai mudar? 1) O número de links no meu BLOGROLL será muito menor: a seleção de sites por mim considerados como “coisa muito fina” e os blogs que eu acesso constantemente passará por um pente fino e abrangerá três temas: academia, futebol (+ GRÊMIO) e ativismo e b) Outras formas de me encontrar pra um bate-papo ou de acompanhar o que eu gosto, o que eu recomendo ou o que eu faço na rede (PLURK e TWITTER, entre outras TICs).

Mas essa é uma tarefa para os próximos dias, já que NETNOGRAFIA é tudo pra mim! :)

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A MÍDIA CORPORATIVA DENTRO DE UM SISTEMA CONSERVADOR

A mídia corporativa, Grande Mídia ou MSM (Mainstream Media) é um problema. Porém, não é exatamente um problema para todos. Mesmo com os Trump, Murdoch, Berlusconi e Marinho da vida atuando em muitos países, há um incontável contingente de seguidores dos valores irradiados por esses protagonistas. O problema maior é a forma como a mídia corporativa estabeleceu-se no Brasil. As corporações de mídia daqui estabeleceram-se através de oligopólios familiares associados a grupos midiáticos estado-unidenses, banqueiros, megacorporações globais, latifundiários e políticos corruptos. Essa casta jamais irá regular o setor do qual tomam conta em prol da sociedade.

Tal modo de produção baseado nesse modelo econômico é extremamente nocivo e espraia-se através de milhares de tentáculos pelo mundo inteiro. No entanto, é preciso perceber que, apesar disso, não é exatamente a mídia corporativa (recursos financeiros + meios técnicos + mentalidade de seus donos + competência técnica, perspicácias e artimanhas dos editores) o principal problema da democracia. Dentre tantos problemas poíticos, econômicos e sociais, embora este seja um problema que, de certa maneira, interfere nos demais, ao mesmo tempo, essa mídia não representa o pior dos problemas que nos afligem.

Contraditório? Não: é apenas uma constatação. O problema maior é o baixo grau de solidariedade, de compaixão, de capacidade de desenvolvimento sustentável, de auto-estima, de confiança e de empreendedorismo consciente e responsável. Embora os valores dos donos do capital sejam reverberados pela mídia corporativa, caso houvesse interesse em promover o esporte, a cultura e o respeito, já teriam sido adotados valores capazes de originar um verdadeiro projeto de nação.

A mídia corporativa não manda nada: ninguém lê, ouve ou assiste o seu conteúdo com uma arma apontada para a cabeça. Mesmo na falta de qualidade conteudística, ninguém é obrigado a manter seus olhos e ouvidos antenados para a mensagem dela: há várias outras formas de lazer, cultura e informação disponíveis – mesmo sem dinheiro, há muito o que ver pela cidade e muita gente para conversar. Quem acredita ou deixa de acreditar em alguém ou em alguma coisa, ou acredita que acredita e sente-se bem com esse condicionamento, ou acredita que não acredita e vai buscar outra coisa pra fazer.

Como não existe unanimidade nem consenso (apenas uma tentativa discursiva de), seus donos e editores conseguem apenas um determinado grau de convencimento junto a determinados nichos dentro do universo que julgam compor sua audiência. Assim, o fazer técnico da mídia corporativa busca satisfazer os interesses dos políticos, do latifúndio, dos bancos e das megacorporações globais através de demandas que, caso atingidas, por tabela também irão beneficiar o negócio dos donos da mídia e tornarão mais famosos os seus funcionários mais pelegos.

Obviamente, como o negócio deles é grana a qualquer custo, se eles não tivessem uma ampla base de consumidores conservadores, mesmo que jamais pendesse à esquerda, seu discurso seria menos extremista, a fim de evitar perder pontos na audiência. Conseqüentemente, os abusos da mídia corporativa só ocorrem porque a sociedade em geral não é necessariamente influenciada mas, sim, porque ela alimenta o conservadorismo e os valores neoliberais de volta para a mesma mídia corporativa. Esta, por sua vez, aperfeiçoa e modifica o seu discurso em função do retorno (feedback) desse receptor, seja ele conservador ou não, procurando agradar mais ao perfil dos conservadores.

O procedimento técnico e a ideologia escolhidos para defender os interesses dessas oligarquias (manipulação, mentira, omissão, espetacularização, etc.), por sua vez, também é utilizado pela mídia dita pequena, seja esta militante de esquerda ou não. Afinal de contas, todos têm um lado e isso não pode ser escondido. A única verdade é que a maioria dos indivíduos deseja convencer o outro de que estão certos. Todos adorariam que houvesse um pensamento único voltado para a preservação dos seus próprios valores e do status quo. Em uma análise sincera e sem hipocrisia, o mundo seria muito mais tranqüilo, seguro e a vida seria muito mais fácil se não houvesse necessidade de discutirmos, certo?

As únicas regras
estabelecidas pela mídia são as regras que ela impõe aos integrantes de outros campos sociais para discursarem sob a formatação de suas técnicas e enunciados quando precisam aparecer através dela. Isso posto, a mídia como um todo (até mesmo a pequena, alternativa ou não-corporativa) serve como um megafone para espraiar toda e qualquer
ideologia, pois a política, a economia e a comunicação estão presentes em tudo e em todos. Ela serve de tradutora do discurso dos vários campos sociais através de uma gramática (falas, gestos, entonação, vocabulário)
didaticamente genérica, a fim de que os mais diversos segmentos da
sociedade laica conheçam aquilo que cada campo deseja revelar de si ou
como os seus mediadores acham que enxergam esses campos sociais.

Dessa forma, a denúncia e a investigação sobre tudo e sobre todos não faz parte desse modelo econômico. A pluralidade, a neutralidade e a objetividade não passam de simples mitos, já que o jornalismo não exprime “A” verdade mas, sim, uma dentre tantas verdades possíveis contada e editada por alguém que, como sujeito, interfere na sociedade e é afetado por ela, de tal sorte que essa vivência define a forma que sua história irá tomar e para quem ela será contada.

Então, os veículos que EU escolho para me dar a sensação de estar bem informado ou os veículos que EU escolho para criticar através de suas contradições que fazem com que eu me sinta mal informado também dependem da minha vivência, das minhas influências e do meu poder individual e exclusivo de intervir em meu próprio ambiente.

O fato de eu acreditar que acredito ou de acreditar que não acredito em algo ou em alguém pode mudar. Porém, esta mudança, na maior parte das vezes, far-se-á de maneira lenta e gradual. Mudando ou não, nada garante que eu esteja certo depois de mudar, ou que eu estivesse certo enquanto pensava da maneira anterior. Ao mesmo tempo, os valores são tantos que há diferentes pesos entre certezas e incertezas. Portanto, mesmo um analfabeto faminto perdido no meio do mato com uma TV onde só pega o canal 12 não é necessariamente influenciável por todos os enunciados da mídia.

O cerne da discussão não deve
ser técnico mas, sim, de uso: não importa se a mídia é grande ou
pequena, se é militante ou não, se é declaradamente de esquerda ou de
direita e nem tampouco se é plurigenérica ou se transmite um único
gênero específico: o que não pode é haver o abuso de práticas que
prejudiquem a vida, que julguem, que rotulem ou que defendam um lado
sem apresentar ou – pior – demonizar o outro.

O poder da mídia corporativa é
menor na pós-modernidade – pelo menos nas grandes metrópoles do planeta
altamente conectadas. Mesmo no Brasil nota-se essa perda de poder. Caso
contrário, o “nordestino preto analfabeto desempregado feio e burro”
teria dado ouvidos às milhares de emissoras de rádio e TV, revistas e
jornais que circulam neste imenso país.

Por conseguinte, quem decide o que é notícia, quem deve ser promovido, quem deve ser defenestrado, a quem defender, a quem atacar, quando, como, aonde, por que e a quem investigar e denunciar possui a mesma formação conservadora dos patrocinadores, de seus chefes e de boa parte da sua audiência. Essa questão explica parcialmente o fato de que o gaúcho médio não
é “tapado” do jeito que é pura e simplesmente por causa da atividade
midiática: ele é “tapado” porque, antes de existir a mídia, já haviam a
retórica, o discurso, a boataria e a coerção.

O quarto poder atribuído às corporações de mídia não existe como tal. Nem o discurso e nem as personas dos editores e dos donos das corporações de mídia possuem controle sobre a audiência e sobre o seu próprio modo de fazer. O verdadeiro primeiro poder (e não segundo, terceiro ou quarto) está muito acima do executivo, do legislativo e do judiciário. Trata-se do poder simbólico circulante na rede, onde os bancos, o latifúndio, as indústrias de armamentos, tabaco, bebidas alcoólicas, medicamentos, a indústria farmacêutica, parte do crime organizado (contrabando e tráfico de drogas, animais silvestres, plantas e pedras preciosas), políticos corruptos com as costas quentes e políticos donos de concessões das afiliadas das nove famílias articulam-se em rede. Todos se conhecem. Todos fazem negócios entre si. Todos pedem coisas uns aos outros e se esforçam ao máximo para atender e ser atendidos, custe o que custar. E todos possuem patrimônio, investimentos, perdas e ganhos em diferentes segmentos econômicos.

A questão é: como desconstruir esse sistema de redes sociais altamente profissional, competente, ágil e adaptável? Em toda a história da civilização ocidental, sempre houve uma casta nababesca e excludente que só pôde ser derrubada pela parte mais ambiciosa e mais esclarecida da casta colocada imediatamente abaixo da primeira. Ambas as castas precisam deum grande volume de pessoas, a fim de defender um lado ou outro. A massa é constituída por uma série de inocentes úteis, que não passam de meras buchas de canhão. Quem luta pelo poder político e simbólico fica na retaguarda, pois não vai correr o risco de morrer. Feita a troca de bastão, no período histórico seguinte, a mesma massa permanecerá sendo excluída. A única diferença é que a aristocracia anterior agora é decadente e serve muito bem à burguesia emergente como referência de dominação. Isso sempre ocorreu, com ou sem mídia de massa, com ou sem internet, com ou sem naves espaciais, com ou sem cavalos.

Com base na teoria dos campos sociais de Pierre Bourdieu, na caracterização dos mídias (grande, pequena, ruim, boa) como um campo social (Adriano Duarte Rodrigues) e na midiatização da sociedade (Eliseo Verón), chega-se à conclusão de que o campo dos mídias é o único campo social que atravessa e é atravessado pelos outros campos. Essa intromissão dos mídias nos demais campos sociais (jurídico, esportivo, médico, político, científico, religioso, militar, etc.) não necessariamente coincide com uma posição de maior poder (seja ele econômico ou simbólico).

O papel da mídia não é nem deseducar, nem educar. A mídia é tão-somente um instrumento técnico. O tipo de uso que se faz dela depende da intenção das pessoas que a patrocinam. E a crença sobre como deve-se “ensinar” a audiência a viver depende sobremaneira da ideologia e dos valores dos produtores de cada programa.

É preciso mudar a maneira de pensar e de viver como um todo. Afinal de contas, se há desinformação, omissão, manipulação descarada, tentativa de consenso através de um pensamento político e econômico único, é porque existe tanto um grupo de financiadores, de produtores e de legisladores como sobretudo uma enorme parcela de público cidadão e consumidor como protagonistas desse processo. A mídia corporativa alimenta sua audiência…

…Mas também é fartamente alimentada por ela.

PROJETO PALANQUE DO BLACKÃO 2009

No dia 13/05/2008, data da “abolição” da escravatura assinada pela PRINCESA ISABEL em 1888 e aniversário da queridíssima ativista e amiga CLÁUDIA CARDOSO do DIALÓGICO, o PALANQUE DO BLACKÃO atingiu a marca de 50.000 visitas, desde 14/10/2006.

50.000 visitas em 19 meses de blog é um nada perto de blogueiros independentes experientes, conhecidos em diversos meios e pertencentes a redes sociais bastante amplas. Não os considero concorrentes e, se chegar a 20% do que eles possuem hoje, sei que não estarei retirando audiência deles mas, sim, tornando-me, mais do que agora, um parceiro de conversação e de opinião mais próximo.

Em relação aos blogs políticos da mídia corporativa, todos nós (até mesmo o RS URGENTE e o CIDADANIA.COM) são nanicos, com algo entre 700.000 e 850.000 visitas em todos os tempos, ao passo que estima-se a audiência de NOBLAT, REINALDO AZEVEDO, DIOGO MAINARDI e outros em algo entre 1,5 e 3 MILHÕES/MÊS.

Até mesmo POLÍBIO BRAGA, DIEGO CASAGRANDE e outros possuem, no RS, algumas dezenas de page views a mais do que os melhores blogs independentes de esquerda.

Apesar de tudo, meu “nada”, ao mesmo tempo, não deixa de ser uma pequena conquista, pois não sou filiado a partido nenhum; não sou sindicalizado; não pertenço a nenhuma ONG; falo do campo sem ser do campo; falo do empresariado sem pertencer a esse meio; não sou funcionário público e critico o jornalismo sem ser jornalista.

Eu trabalho com metas. Porém, fiquem sossegados: não vou virar um barão capitalista nem um pelego vendido. Afinal de contas, dentre meus objetivos com o blog definitivamente não estão os de tornar-me famoso, de virar comentarista da mídia corporativa e nem tampouco de escrever somente para agradar aos outros, pois eu sei que blog não é mídia de massa e que suas duas principais funções são a de divulgar um pensamento próprio que diverge da mídia corporativa e, acima de tudo, de funcionar como um espaço de conversação e debate informal representativo de um substrato mínimo da sociedade.

Não é um modelo grandioso mas, sim, gratificante de se aprender a produzir conteúdo utilizando as técnicas midiáticas e de se interagir com pessoas que, em condições presenciais normais, infelizmente jamais fariam parte de nosso círculo de convívio, amizade e trabalho.

Em 19 meses, obtive 50.000 visitas. Arredondando, é uma média de pouco mais de 78 acessos diários. Pois hoje, dia 21/06/2008, cheguei aos 60.000. Esses 10.000 acessos a mais em apenas 39 dias representam 20% do que eu havia demorado 19 meses para obter anteriormente. Portanto, houve um crescimento vertiginoso (que, por falta de investimento, ainda não pude detectar claramente como se deu) para mais de 256 page views diários desde a última comemoração/reflexão anual acerca da LEI ÁUREA.

Preciso aprender, acima de tudo, a gerenciar a audiência do PALANQUE como deveria. O primeiro passo será o de elaborar uma estratégia para que a audiência cresça substancialmente nos fins de semana: o público atual é um nicho muito específico que viaja bastante, ou, simplesmente, sabe que é raro ocorrer alguma notícia relevante sobre política aos sábados e domingos para discuti-las com o devido interesse? Qual tema poderia utilizar nos finais de semana a fim de atrair um público diferente, que utiliza a internet durante o sábado e o domingo?

Preciso correr atrás de anunciantes, pois o blog toma tempo, desvia a atenção da minha prioridade pessoal e profissional mais imediata e eu acho que mereço ser remunerado por isso de alguma forma. Contudo, quais seriam esses anunciantes, de forma que meu discurso e minha prática não fossem comprometidos? Não vou evitar criticar nem elogiar a quem EU acho que deve ser criticado ou elogiado, sem desculpas para o fato de estar financiando este espaço ou não.

Também preciso aprender a por o blog no topo das ferramentas de busca, através da inclusão de alguns pequenos comandos de linguagens de programação de páginas web conhecidas como HTML, CSS, Javascript e outras.

Ainda, preciso aprender a utilizar melhor e a disseminar entre os blogueiros ferramentas de multiplicação da audiência e da busca de posts e de blogs, tais como GOOGLE, YAHOO, DIGG, TECHNORATI, STUMBLE UPON, DEL.ICIO.US, MAG.NOLIA e outras.

Porém, como o layout influencia diretamente na leitura e na permanência do internauta dentro de um site ou de um blog tanto quanto o seu teor conteudístico, várias dessas possibilidades ainda estão em banho-maria porque eu fiz a escolha de trabalhar com o WORDPRESS, que, depois de muitas experiências com uma série de outras ferramentas de blogagem, considero a mais completa e flexível.

Porém, o WORDPRESS só é realmente completo e flexível em sua modalidade paga: seu único defeito (coisa que o BLOGGER oferece sem custos) é o de ter que investir 15 dólares/ano para poder mexer no código-fonte do meu template. Sem mexer no código-fonte, não posso, por exemplo, mudar as cores dos links, nem redefinir a fonte-padrão dos posts (caso não esteja satisfeito com as opções ora disponíveis). Tampouco posso adicionar anúncios (como do GOOGLE AD SENSE) ou badges (ícones) dos serviços acima citados.

Tenho, ainda, a idéia de pagar para utilizar um layout mais parecido com o de um portal de notícias, que costuma atrair mais audiência. Contudo, um bom layout WORDPRESS criado por terceiros custa 75 dólares sem exclusividade e quase 300 dólares com exclusividade.

Também estou em processo de escolha de um provedor de acesso nos EUA, parceiro da WORDPRESS, que me possibilite o máximo de vantagens possíveis (espaço em disco, tamanho de caixas postais, quantidade, meticulosidade e qualidade de ferramentas de gestão de audiência) a um baixo custo. Isso teria um custo médio de R$270,00 a cada dois anos.

Incluída na escolha do provedor está a mudança de domínio de todos os meus blogs para um só: assim que possível, PALANQUE DO BLACKÃO (política, sociedade, cidadania e midiatização – heliopaz.wordpress.com), APITO DO BLACKÃO (futebol – blackao.wordpress.com) e BASTANTÃO DO BLACKÃO (acadêmico, cibercultura – bastantao.wordpress.com) todos serão reunidos sob um único domínio, HELIOPAZ.COM. Haverá três abas diferentes direcionando para páginas de layouts parecidos, porém ligeiramente diferentes na imagem de topo e nas cores dos links. Minha previsão para que eu possa promover tais alterações é maio de 2009.

Todas essas medidas ajudarão sensivelmente a multiplicar exponencialmente a audiência para além dos limites de parte da esquerda gaúcha que desenvolve seu senso ativista político através da blogosfera. E tão importante quanto isso é expandir a rede social.

Finalmente, por falta de experiência, de tempo e de dedicação suficientes para isso, ainda faço um uso muito tênue do coletivo de blogs SIVUCA, de um contato mais próximo com o simpático pessoal do LE MONDE DIPLOMATIQUE BRASIL, da AGÊNCIA CARTA MAIOR, das revistas FORUM, CARTA CAPITAL, CAROS AMIGOS, do portal VERMELHO e, sobretudo, do GLOBAL VOICES ONLINE. Esses contatos não podem ser jamais desperdiçados ou desvalorizados.

Os valores não são altos. Todavia, não tenho como pagar, pois não posso ter vínculo empregatício por causa da bolsa CAPES e sequer tenho tempo ou vontade (confesso) de fazer trabalhos como free lancer, pois não me considero mais um publicitário ou um web designer e, sim, um aspirante a comunicólogo.

MUITO OBRIGADO A TODOS! ESPERO CONTINUAR CONTANDO COM VOCÊS!!! ;)

Blogged with the Flock Browser

+ DE 50.000 VISITAS!!!

Agradeço enormemente ao meu pequeno punhado de leitores fiéis, que acham que eu tenho algo inteligente a dizer sobre sociedade, política, mídia, educação e tecnologia por este blog ter ultrapassado a marca de 50.000 visitas desde seu lançamento, na longínqüa data internética de 14/10/2006. :D

Não sou político, não sou jornalista, não sou programador de linguagens web, não sou marqueteiro, não sou artista, não sou desportista e nem sequer executivo ou clérigo. Bem que gostaria, mas não ganho um centavo pra manter o PALANQUE DO BLACKÃO. Se isso for uma questão de honra para garantir a minha independência, que assim o seja.

Infelizmente, não possuo muitos contatos nos movimentos sociais e não consigo nenhuma repercussão dentro da mídia corporativa (nem mesmo para incomodá-la – o que seria o ideal). Meus conhecidos de classe média e alta dão de ombros para a minha visão de mundo.

Por tudo isso, considero uma vitória inestimável o fato de ter uma audiência média diária que, nos últimos tempos, têm crescido de maneira estável que chega a cerca de quatro grandes salas de aula cheias.

Ultimamente, estou em débito com todos vocês, pois tenho andado doente em função da verdadeira quimioterapia que é o tratamento para a hepatite C com injeções semanais de Interferon peguilado e quatro comprimidos de Ribavirina por dia.

Ao mesmo tempo, minha banca de qualificação de mestrado está próxima e eu tenho muito trabalho pela frente, que só é prejudicado pelo tempo que eu perco quando preciso ficar em repouso.

Aos poucos, tudo se ajeita. Aos blogueiros gaúchos de esquerda, em particular, saibam que eu os visito diariamente, assim como também a outros blogs listados na coluna à esquerda. Por mais prazer que me dê escrever e comentar posts, eventualmente estarei menos assíduo em função da saúde e, acima de tudo, do meu grande sonho e do meu grande objetivo de vida que é me sentir verdadeiramente gratificado e útil à sociedade cumprindo com a função social e política de ser professor e pesquisador acadêmico.

Acho que o Noblat tem uns 200000 visitantes/dia (quatro vezes mais o que eu consegui em um ano e meio). Mas isso não me importa, pois é melhor ser coerente do que ser popstar internético. A quantidade só é encorpada se houver uma massa crítica de qualidade.

E pode haver qualidade mesmo na discordância, que nunca foi negada por mim. ;)

MUITO OBRIGADO PELOS 50000! RUMO AOS 100000!!! :D