[B'09 3ª] GRÊMIO 2×0 BOTAFOGO

Eis minhas cotações para o Almômetro e meu parecer geral sobre a atuação do Grêmio e do Botafogo, com atenção especial aos técnicos Paulo Autuori e Ney Franco:

Victor, 7,5: Seu costumeiro bom trabalho mostrou uma defesas difícil e decisiva, duas intervenções que mostram o quão bem sabe sair jogando com as mãos e que sempre podemos contar com ele. Porém, como a zaga foi tão bem e a armação do meio para a frente funcionou melhor do que o habitual, desta vez, felizmente não posso considerá-lo o melhor em campo, já que, depois de muito tempo, o goleiro da Seleção da CBF passou quase o jogo como um privilegiado expectador.

Rui Geodésico, 5,5: Apesar de ter errado diversos passes curtos e de não saber marcar direito como sempre, desta vez percebi uma evolução no seu posicionamento dentro de campo. O mais importante para Ruy e para os armadores foi o fato de ele não ter “viajado” na maionese trocando de lado como costumava fazer nos tempos de Roth e Rospide.

Léo, 7,0: Espero que esta atuação tenha sido o início da volta do excelente Léo de 2007 e 2007, que esteve sumido desde então. Aquele menino selecionável e por vezes capitão do time parece ter reencontrado sua autoestima. Foi mais atento e mais preciso do que de costume e, nas poucas vezes em que subiu, foi melhor do que Ruy Geodésico no apoio.

Rafael Marques, 5,0: cumpriu sua função com menos erros do que normalmente costuma apresentar. No entanto, cometeu uma das faltas desnecessárias que quase nos fizeram sofrer um gol e não pode, nem em sonho, sair jogando com a bola nos pés. Na área adversária, somente para cabecear nos escanteios. Normalmente, levaria um 4,5 ou 4,0. Foi premiado pelo conjunto da solidez compartilhada com seus companheiros de defesa. Só não levou um 6 porque, mesmo de boa vontade, deu um arremate desnecessário e bisonho. Além disso, lançou-se ao ataque em duas oportunidades tentando resolver sozinho e falhando feio quando poderia ter passado a bola para um dentre vários homens do meio para a frente disponíveis tanto na entrada da área quanto abertos pelas laterais.

Réver, 7,5: um dos melhores zagueiros do país que, mais uma vez, confirmou sua condição com uma atuação segura e sem alarde. No apoio, foi bem melhor do que Rafael Marques e pau a pau com Léo, porém mais contundente. A aparente volta de seu colega aos bons tempos fez com que ele deixasse de ser o centro das atenções por não ter tido a necessidade de cobrir falhas de posicionamento de Léo.

Thiego, sem nota: Jogou muito pouco tempo. Mas é um rapaz que faz por merecer seu bicho mesmo quando entra nessa condição.

Fábio Santos, 6,5: percebi uma evolução nítida na personalidade e no posicionamento deste experiente jogador que, não por acaso, está trabalhando pela quarta vez em sua carreira com Paulo Autuori. Marcou o gol do desafogo, foi voluntarioso e facilitou a vida de Réver pela esquerda do setor defensivo. Vai evoluir.

Túlio, 7,5: tornou o passe no meio de campo um pouco menos pior do que quando conduzido por Adilson e marcou muito melhor. Porém, não apresentou aquela voluntariedade toda dos tempos de Botafogo, onde até arriscava alguns bons chutes de fora da área. Caso tivesse apoiado um pouquinho que fosse, teria evitado o constrangimento de vermos Rafael Marques isolando a bola. Nesse caso, Túlio teria sido quase perfeito.

Jonas, 7,0: A falta de frieza e de antevisão contribui para seus frequentes erros de conclusões. Porém, seu ímpeto, seu posicionamento correto e sua velocidade fazem com que siga merecendo a titularidade no Grêmio. Ontem, mais acertou do que errou e fez o seu golzinho.

Herrera, 6,0: 5 é nota de quem não contribui decisivamente para o resultado (seja de maneira positiva ou negativa). Sem nota é para quem joga muito pouco tempo. No entanto, o argentino errou pouco e ajudou na dinâmica do ataque, pois forçou o Botafogo a centralizar a marcação. Isso abriu espaço para Douglas Costa fazer tanto em tão pouco tempo. Herrera foi uma engrenagem muito importante.

Sousa, 6,0: Ele tentou várias jogadas. Teve chances de gol e deu boas assistências. Até errou menos do que de costume, mas também não chegou a ser contundente. De qualquer maneira, não considero que o habilidoso alagoano de língua afiada e de uma admirável franqueza tenha decaído. O que aconteceu de fato foi que o Grêmio teve um Tcheco excelente e Souza não precisou tentar resolver tudo sozinho.

Douglas Costa, 7,0: cheguei a chorar em uma entortada dele pelo lado direito de ataque rumo à linha de fundo em uma de suas primeiras jogadas. Me lembrou o saudoso Dener. Contribuiu efetivamente para o gol do desafogo, cruzando rasteiro na medida certa para Maxi assistir a Fábio Santos. Se tivesse jogado pelo menos 20 minutos a mais no mesmo nível, garanto que teria dado ao menino no mínimo 8 e ele teria saído de campo consagrado.

TCHECO, 8,0: incentivado a usar sua personalidade para decidir e podendo apresentar suas melhores características físico-técnicas na posição em que, de fato, produz melhor ofensivamente, o capitão segue merecendo sua faixa e fez passes brilhantes. Fez a bola correr e bateu escanteios melhor do que de costume. Foi ousado nos tiros de longa distância e indignou-se com seus próprios erros. O melhor em campo, sem sombra de dúvida.

Maxi López, 7,5: La Barbie toca pouco na bola, mas é perigo constante à zaga adversária devido à sua movimentação e à sua técnica. Seu segundo tempo foi muito bom. Caso tivesse produzido com a mesma intensidade na primeira etapa e caso tivesse ou dado uma outra assistência ou marcado pelo menos um gol, teria levado um admirável 8,5.

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AUTUORI, 7,5: não é o salvador da pátria, mas, em uma semana de discursos francos e extremamente convictos, seguiu à risca tudo o que disse. Ainda falta tempo para o plantel assimilar uma nova cultura tática. De início, fico satisfeito com a zaga reorganizada, com o ímpeto de Ruy Geodésico devidamente controlado e com a recuperação de Léo e Tcheco. A tendência é a de que, mesmo sem reforços de peso, seja possível sonhar com a Libertadores e terminarmos o Brasileirão 2009 classificados à competição maior do continente em 2010. Ele não enrola, não demonstra insegurança, não procura justificar o injustificável e assume sua responsabilidade. Não interessa a ele aparecer mais do que o jogador. Liderança serena porém muito forte. Tem gente que grita e que cobra com veemência que não impõe respeito.

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Também é importante ressaltar que o Botafogo não é nenhuma galinha morta: afinal de contas, Ney Franco é um dos melhores técnicos do país – embora ainda não seja possível identificar se ele não incentiva tanto a ousadia de seus comandados porque nunca teve craques à sua disposição ou se é porque ainda possui um resquício de seus anos de clube pequeno ainda não muito distantes no tempo.

Fisicamente, o alvinegro de Marechal Hermes também demonstrou muita força: como ambos os times marcaram adiantado, mesmo que a iniciativa e o controle das ações tenham sido predominantemente gremistas ao longo de todos os 90 minutos, o Botafogo apertou pra valer, mas com lealdade. Tecnicamente inferior ao Grêmio, em nenhum momento se acovardou. Sequer resignou-se com o resultado adverso. Nisso, vejo um mérito especial para a atuação do Grêmio que, caso tivesse sido comandado por Roth ou por Rospide, dificilmente teria vencido, pois o Botafogo, mesmo com um ataque pior do que o do Santos, apresentou um equilíbrio entre os três setores mais nítido do que o do nosso último visitante.