Ao contrário do que muitos pensam, todo homem é político.
Todo homem é político porque é obrigado a fazer escolhas.
Toda escolha envolve a opção entre uma perda e um ganho, pois não se pode ganhar nem perder tudo: obrigatoriamente, deve-se abrir mão de uma coisa para poder ter outra.
A sociedade é coletiva: as pessoas não são iguais, mas compartilham o mesmo espaço e umas dependem das outras para sobreviver. É por isso que cada um tem uma habilidade diferente – para que a sociedade seja rica, plural, diversa, de forma que todos aprendam e, na medida do possível, dividam tarefas sem que a maioria precise ser sobrecarregada em benefício de poucos.
Por uma questão de sobrevivência, devemos tornar o ambiente pacífico. Para isso, é fundamental que as diferenças individuais sejam postas em segundo plano para que a prioridade represente um conjunto de ações e de normas que permeiem um interesse comum.
Mas que fique bem claro: a decisão da maioria não irá agradar a todos e nem tampouco resolver todos os problemas. Porém, é preciso ser respeitada sempre que for legítima.
E por falar em decisão, é sempre melhor que todos tenham direito de escolha do que deixar a decisão nas mãos de um ou de poucos. Afinal de contas, a decisão de uma minoria não raro consiste em uns poucos advogando em causa própria com o uso da boa fé da maioria.
Logo, é muito mais seguro ser representante de si e ter a consciência dos motivos pelos quais se outorga a representação da tua palavra a um punhado de escolhidos do que omitir-se de reivindicar e de propor algo diretamente.
A quem se considera “apolítico”, afirmo que vocês gostam e precisam de política o tempo inteiro. Sabem por que?
1) Porque a briga com o irmão menor pelo colo da mãe ou por um brinquedo e é mediada para evitar que um bata no outro é política;
2) Porque, independentemente do gosto pessoal na hora de optar entre um saco de feijão e um quilo de carne no supermercado, quando não se pode ter os dois em função da falta de dinheiro, essa escolha econômica tem origem na política que não permite que todos os cidadãos brasileiros tenham direito a comer nem mesmo os alimentos mais prosaicos;
3) Porque o governo que faz vista grossa para o tráfico de drogas aumenta exponencialmente a chance de te apontarem uma arma pra roubar o teu carro;
4) Porque a decisão de quem permite que se construa um arranha-céu defronte da tua casa impedindo o sol de alcançar a tua janela traz várias consequências ruins para a tua vida como, por exemplo: a) aumenta o teu custo com detergente pra limpar o mofo; b) aumenta os gastos com remédios e consultas médicas (pele, doenças respiratórias, alergias); c) te obriga a usar mais roupas e assim por diante.
Embora a propaganda eleitoral e os debates pouco expliquem as diferenças entre pessoas e partidos; e embora o noticiário da mídia corporativa sempre penda para o mesmo lado sem que tu percebas isso, independentemente das tuas referências, é muito importante que tu entendas que, do presidente da república ao vereador, é fundamental votar em pessoas da mesma coligação ou – de preferência – do mesmo partido.
Por que? Porque eles seguem um conjunto de crenças e de práticas permeados pela mesma linha de pensamento. E se tu acreditas que há uma forma de fazer com que a vida de todos melhore (não apenas a tua; não sejas egoísta, por favor – afinal de contas, ninguém ganha ou perde sozinho), desejo que tu te definas pela visão de mundo que mais se aproxima da tua.
Te informa.
Participa.
Não te omite.
Entendas tu que não há neutralidade nem isenção de lado algum e que, se tu não te definires; se tu não mostrares o que defendes e o que não defendes e por que, estarás deixando livre o caminho para que decidam por ti sem que tu tomes conhecimento sobre uma série de decisões que, no conjunto, jamais contribuirão para a melhora da tua vida e da vida da tua coletividade.
PENSA NISSO.
Eu tenho lado: o meu lado está no vídeo acima.
Tenho meus motivos pra acreditar nessa proposta. Mas não irei discuti-los neste post.
Também não me interessa fazer a tua cabeça. Afinal de contas, não mando em ti e não estou te julgando como alguém incapaz de tomar alguma decisão desse vulto.
No entanto, este blog está repleto de posts que mostram a minha visão política, econômica, social, esportiva e afetiva.
Eu não sou o dono da verdade.
Mas, caso tu me consideres como uma pessoa cuja opinião é válida, pode ser que tenhamos mais pontos em comum do que podemos imaginar. Afinal de contas, a afinidade aumenta a empatia.
Por outro lado, não faz o menor sentido eu te desvalorizar ou tu me desvalorizares caso pensemos a sociedade de uma maneira bem diferente.
Eu te respeito e tu me respeitas.
A única coisa que eu não posso fazer é me furtar de demonstrar por que eu acredito em A e não acredito em B. E, do meu lado, também não posso te negar o direito de expressares a tua posição.
Caso te interesse discutir essa questão comigo, poderemos levar essa pauta para um patamar mais alto: assim, ambos iremos expor as nossas visões de mundo sem xingamentos. Nesse instante, um procurará esclarecer o outro com fatos verdadeiros e detalhados.
Assim se faz política em alto nível.
E é assim que se aprende a conviver pacificamente com o oposto.
Contudo, é preciso saber que nem sempre se perde e nem sempre se ganha. E que, quando se perde, não se pode torcer contra o desenvolvimento da sociedade. Não se pode torcer para estar certo acerca das mazelas e dos erros que se vê no oposto vitorioso.
Não se pode deixar de propor, de acompanhar e de fiscalizar pra fazer patrulha e fofoca.
Afinal de contas, estamos todos no mesmo barco: se houver um rombo no convés, das duas, uma: ou afundamos todos juntos, ou todos ajudam a tapar o buraco.
Eu tenho lado e não me omito. Não te obrigo a te declarar, mas caso queiras tocar nesse assunto comigo, gostaria muito que deixasses bem claro:
– Em que acreditas e por que;
– Em que não acreditas e por que;
– De quais pontos dessa ideologia tu não abres mão;
– O que tu conheces sobre a minha ideologia e a partir de quais fontes;
– O que te faria mudar de ideia;
– Por que tu achas que vale a pena tentar me convencer sobre o teu ponto de vista;
– Até que ponto tu achas que podes me ensinar algo;
– Até que ponto tu achas que podes aprender comigo;
– Como tu achas que podemos conciliar os pontos em comum sobre as nossas ideologias diferentes?
O objetivo de toda esta longa conversa é podermos concordar integralmente acerca de determinados pontos. Mas para que isso aconteça, cada um de nós precisará ceder um pouco.
Infelizmente, não podemos resolver os problemas do mundo de uma vez por todas. Porém, só o fato de haver desprendimento e de um não querer impor suas ideias ao outro com o reprovável uso da desonestidade, da agressividade e do oportunismo significa que queremos verdadeiramente o melhor para a maioria.
Isso feito, saibas que às vezes, estaremos juntos. Mas, na maioria das vezes, não. De qualquer forma, respeito, admiração e solidariedade precisam ser os eixos que compartilharemos sempre.
Justamente por isso, não faz o menor sentido nos afastarmos. Afinal de contas, é mais do que certo de que precisamos uns dos outros – por menos que isso seja percebido no dia a dia…
