O BRASIL INTEIRO RUMO AO BLOGPROG!

O I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas (sigam @blogueirosprog e acompanhem a timeline da hashtag #blogprog no Twitter) já causa uma enorme repercussão na web. No momento em que fiz a busca pelo nome do congresso no Google, já haviam sido registrados 63.200 links sobre o assunto.

Não apenas pela inspiração como pela organização incansável e também por uma repeitável fatia destinada aos subsídios que puderam fazer com que um cara como eu, um professor universitário horista iniciante, pudesse participar, agradeço enormemente à Maria Frô, à Conceição Lemes, ao Guto Carvalho, ao Luiz Carlos Azenha, ao Renato Rovai, ao Rodrigo Vianna, ao Paulo Henrique Amorim e ao Eduardo Guimarães, que foram incansáveis para organizar um evento que, por mais simples que seja, exige custos, logística e muita dedicação! :)

Como já falei em um post anterior, será fantástico poder conhecer pessoalmente quase todos os principais blogueiros independentes de esquerda em um evento de confraternização, aprendizagem e compartilhamento de ideias e de experiências. No final das contas, por intermédio de outros caminhos, aquela ideia inicial do Azenha trazida das suas vivências nos EUA como correspondente internacional de criar um blogring (o finado Sivuca que, de início, teve tanta serventia e foi tão inspirador que virou a base do meu objeto-tema na pesquisa da dissertação) finalmente concretiza-se presencialmente.

A mim, sempre interessou pesquisar redes sociais, emergência, política, blogs e crítica da mídia de massa (sobretudo a corporativa, relacionada a esportes e política). Porém, o que me interessa é fazer parte do grupo não como um mero espectador e nem tampouco como um pesquisador distante, frio e calculista.

A permeabilidade entre os ambientes de interação online (nas mídias digitais) e offline (isto é, presencial) é o que gera o verdadeiro sentido da sociabilidade aqui estabelecida. Todos temos muitos problemas relacionados à dificuldade de expandir ainda mais os nossos laços; de denunciar as mazelas da sociedade e de informarmos sobre aquilo que o jornalismo corporativo não informa; e de nos protegermos da patrulha e da censura, tanto a pretensamente legal como da ilegal.

Nós não somos as moscas que comem e espalham os coliformes: essas são as operárias mal intencionadas ou medrosas do PIG. Nós somos aquele outro tipo de mosca – mais poético, mais lúdico e mais consciente. Somos do tipo que pousou na sopa e que veio pra “zumbizar”, como diria o saudoso Raulzito! ;)
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Eis o release escrito pela queridíssima Conceição Lemes, talvez a melhor jornalista especializada em saúde do país, no Vi o Mundo (também já postado por tantos outros grandes blogueiros, como o Renato Rovai e o Guto Carvalho, por exemplo):

Tudo pronto para o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas

por Conceição Lemes

“A liberdade da internet é ainda maior que a liberdade de imprensa.” Ayres Britto, ministro STF.

Com esse lema, acontece na próxima semana o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Será em São Paulo, no Sindicato dos Engenheiros.

Show do grupo de Luis Nassif, na sexta às 20h,  abre o evento. No repertório, choro, samba e MPB.

No sábado,  as atividades da parte da manhã vão das 9h às 12h. Programação prevista:

9h, mesa de abertura: Rodrigo Vianna (SP, Escrevinhador ) e Leandro Fortes (BSB, Brasília eu vi) falam sobre os objetivos e a dinâmica do encontro.

9h30 às 12h, debate: O papel da internet e os desafios da internet, com Paulo Henrique Amorim (SP, Conversa Afiada), Luis Nassif (SP, Luis Nassif Online ) e Débora da Silva (Santos, blog do Movimento Mães de Maio). Moderadores: Rodrigo Vianna e Leandro Fortes.

No sábado à tarde, a partir das 14h, temas que envolvem o dia a dia dos blogueiros:

14h, painel: Ameaças à internet, neutralidade na rede e questões jurídicas, com  Túlio Vianna, professor da Faculdade de Direito da UFMG (MG, tuliovianna.wordpress.com), Paulo Rená  (BSB, Hiperfície ) e Marcel Leonardi, especialista em direito digital e professor da Escola de Direito da FGV-SP. Moderador: Diego Casaes (SP, Global Voices Online).

15h, painel: Como financiar a blogosfera, com Geórgia Pinheiro (Conversa Afiada)  e Leandro Guedes (Café Azul Agência Digital). Moderador: Renato Rovai (Revista Fórum).

16h, oficina: Narrativas na internet (blogs, twitter,tvweb), com Luiz Carlos Azenha (Viomundo), Conceição Oliveira (Maria-frô) e Emerson Luis (Nas Retinas). Moderador  Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania)

No domingo, as atividades também começam às 9h. O objetivo é a troca de experiências. Os participantes serão divididos em seis grupos. Cada um terá dois moderadores, que relatarão seus trabalhos, abrindo espaço para que outros blogueiros façam o mesmo, debatam e proponham sugestões.

Grupo 1: Altino Machado (AC, altino.blogspot.comBlog da Amazonia, da Terra Magazine) e Claudia Cardoso (Dialógico)

Grupo 2: Antonio Mello (RJ, Blog do Mello) e  Lola Aronovich (CE, EscrevaLolaEscreva).

Grupo 3:  Lucio Flávio Pinto (AM, Jornal Pessoal) e Carlos Latuff (RJ,
latuff2.deviantart.com)

Grupo 4: Leonardo Sakamoto (SP, blog do Sakamoto) e e Daniel Pearl Bezerra (CE, Dilma 13Desabafo Brasil).

Grupo 5: Emílio Gusmão (BA, Blog do Gusmão) e Cloaca (RS, Cloaca News)

Grupo 6: Helio Paz (RS, Helio Paz) e Rogério Tomaz Jr (BSB, Brasília-Maranhão).

Desde já, convidamos você a visitar esses blogs, para conhecer um pouco mais os nossos palestrantes. Tem de tudo: economia, política, direitos humanos, meio ambiente,  mulher, questões jurídicas, movimentos sociais, internet. No início da próxima semana, postaremos um texto com mais informações sobre eles.

Aliás, neste final de semana, postaremos a proposta inicial da Carta dos Blogueiros. Leiam, comentem e enviem sugestões para contato@baraodeitarare.org.br

HOSPEDAGEM E ALMOÇO GARANTIDOS; ESTUDANTES PAGARÃO 20 REAIS

Como dissemos desde o início, a comissão organizadora faria de tudo para garantir a participação de blogueiros de fora da capital paulista.

Pois – felizmente!!! – com as cotas de patrocínio vendidas esta semana, temos ótimas notícias.

Primeira:  vamos bancar a hospedagem dos blogueiros do interior de São Paulo e dos demais estados. Será no hotel Braston, da rua Augusta. São quartos com duas camas. O café da manhã está incluído no pacote.

Segunda: a comida está garantida. No sábado, será um almoço num restaurante próximo ao Sindicato dos Engenheiros. No domingo, haverá um superlanche, que incluirá frutas, sucos, lanches naturais. Ele será antes da plenária, quando serão lidos os relatórios dos grupos da manhã. Em seguida, será votada e aprovada a Carta dos Blogueiros.

Terceira ótima notícia: todo estudante pagará 20 reais. Atendendo à reivindicação de vários blogueiros, o desconto não será exclusivo aos alunos de comunicação. Quem pagou além, terá o dinheiro devolvido.

Importante: as inscrições devem ser pagas IMPRETERIVELMENTE até segunda-feira, 16 de agosto, na conta abaixo:

Banco do Brasil
Ag. 4300-1
C/C. 50141-7
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
CNPJ. 12.250.292/0001-08 (é necessário, caso a transferência seja eletrônica)

Por favor, envie o comprovante por e-mail  para contato@baraodeitarare.org.br ou via fax para (011) 3054-1848. Escreva no documento o seu nome, cidade e estado. É para consolidar a inscrição. Indique se precisará de hospedagem.

HELIOPAZ (ARTIGO) BLOG: UMA UNIDADE DE CONVERSAÇÕES REMEDIADAS

2009_heliopaz_cibersociedad

Este artigo aceito e originalmente publicado nos anais (aqui) do IV Congreso de la Cibersociedad (iniciativa online de instituições de fomento e de universidades espanholas, mais especificamente da Galícia e da Catalunha), cujo público era bastante eclético. No Brasil, normalmente os congressos que envolvem os acadêmicos das áreas de Comunicação e Educação normalmente são organizados separadamente por cada área do conhecimento que investiga fenômenos ciberculturais cada uma à sua maneira. Aqui, a interface é mais holística.

Este artigo é uma reescrita do capítulo 2 da minha dissertação, onde busquei em vários autores e em vários conceitos diferentes uma forma particular de definir o que considero como blog. A “descoberta” desse conceito foi fundamental para nortear a pesquisa empírica e para construir os procedimentos metodológicos.

Inicialmente, foi uma enorme surpresa que, logo, transformou-se em uma intensa satisfação ter tido um artigo aprovado para um evento internacional.

ENJOY! ;)

HELIOPAZ (ARTIGO) MODELO DE CRUZAMENTO DE CONVERSAÇÕES ONLINE E OFFLINE A PARTIR DOS AMBIENTES DOS BLOGS E DO ENCONTRO PRESENCIAL

2009_heliopaz_abciber_artigo

Este artigo foi adaptado do capítulo 6 (Procedimentos Metodológicos, pp. 79 a 102 da dissertação) para caber em um artigo científico com no máximo 15 páginas – contando resumo, palavras-chave e referências bibliográficas. Eliminei parte das considerações pessoais e as tabelas referentes aos cruzamentos das informações observadas nos blogs.

Parece complicado, mas cada critério foi – naquele momento – rigorosamente fundamental para a compreensão do contexto. Como a leitura deste artigo é impossível sem as tabelas correspondentes, baixe-as aqui. É interesssante abrir mais de um PDF ao mesmo tempo para poder compará-los: amplie e reduza-os à vontade na sua tela.

Isso justifica uma explicação inicial que dei no capítulo 1 da dissertação, onde justifiquei o porquê de não ter impresso as tabelas em anexo como novas páginas da pesquisa maior. ;)

Agradeço muitíssimo às professoras Sandra Montardo (FEEVALE) e Adriana Amaral (UTP) pela aceitação deste trabalho no simpósio III ABCIBER (São Paulo, 2009). Foi o primeiro momento no qual encontrei confiança e um espaço para poder submeter um trabalho acadêmico em nível nacional.

O original encontra-se aqui.

TCHECO E A TORCIDA

TCHECO deve toda a sua carreira a uma torcida que lhe deu muito carinho

Dada a comoção e a polêmica gerada pela saída do jogador Tcheco do Grêmio em vários blogs, como Grêmio Sempre ImortalAlma da Geral, Blog do Torcedor do Globoesporte.com, Grêmio Libertador e Grêmio 1983, resolvi deixar meus dois centavos de contribuição para esse debate.

Embora reconheça que Tcheco me deixou contente em diversas situações, a sua primeira passagem pelo Grêmio foi a única na qual poder-se-ia depositar confiança e esperança nele como o pivô das virtudes que nos faltam há tantos anos. Todavia, apesar das palavras duras que o Impedimento (v. 12º parágrafo) certa vez emitiu a seu respeito, infelizmente, a segunda passagem do jogador paranaense pelo clube apenas comprova que, com ou sem parceria de qualidade, trata-se de um coadjuvante que acabou ganhando o papel principal com a impossibilidade de formar novos valores ou de contratar alguém de peso em uma época de guaiaca furada.

Adianto que não seco o meu próprio time sob hipótese alguma e respeito muito o cidadão, o pai e o profissional. Certamente a sua passagem pelo nosso Tricolor dos Pampas não passará em branco. E todo este fuzuê na blogosfera servirá como ponto de partida para conversarmos sobre Tcheco com nossos filhos e netos.

Adianto que nunca o achei ruim, mas tampouco o considerei insubstituível, marcante ou histórico. Foi útil durante um bom tempo. Porém, quando o corpo cobra, não há perhaps. Logo, apóio integralmente a diretoria do clube, assim como apoiei quando da não-renovação com Sandro Goiano (outro falso ídolo, de muita vontade, muito carinho, porém – ao contrário de Tcheco – extremamente fraco tecnicamente, que jogava muito menos do que Dinho e Luiz Carlos Goiano, só para ficarmos na mesma posição).

Embora o atleta Anderson Simas Luciano tenha sido duas vezes campeão asiático, duas vezes campeão paranaense, duas vezes campeão gaúcho, vicecampeão brasileiro e vicecampeão da Libertadores, apesar da sua experiência e tempo de clube, independentemente das imponderáveis “sorte” e “azar” relacionado à dependência de se estar na hora certa, no lugar certo e cercado pelas pessoas certas, considero que sua personalidade e o seu currículo não o credenciaram para ter sido capitão do Grêmio durante tanto tempo. Isso demonstra HÁ QUANTOS ANOS O GRÊMIO ESTÁ CARENTE DE UMA LIDERANÇA VITORIOSA, EQUILIBRADA, OTIMISTA E VIBRANTE QUE SEJA CATALIZADORA DE VITÓRIAS E GERE UMA “CORRENTE DO BEM” CONTAGIANDO TODO O PLANTEL.

Tcheco ERA um jogador razoável que – no seu tempo – foi um dos melhores em função de o clube estar pobre. Como ainda estará no clube por mais dois jogos em 2009, ainda trata-se do ídolo pálido de uma geração que mal e porcamente havia visto o Grêmio de Felipão.

A carência de ídolos DE VERDADE faz com que, em momentos de penúria, se agarre no primeiro que é boa gente e diz que gosta do clube.

Considero esse fenômeno como uma tentativa de busca de uma identidade tricolor independente da forma com que as gerações anteriores de torcedores enxergam a sua experiência como adeptos do Grêmio. De maneira bem simplista, digo que, quando um atleta não-vitorioso nem aqui e nem na China (com todo o respeito aos chineses e desconsiderando a inutilidade dos campeonatos regionais), com idade avançada, lentidão física, demonstrações de que não consegue mais cobrar escanteios e faltas que o tornavam diferenciado na sua primeira passagem pelo clube é o ídolo-mor de uma espantosa geração de torcedores que vibram “como nunca antes na história deste clube®”, é sinal de que algo vai MUITO MAL.

Vou além de Tcheco nessa “eleição” de popularidade na busca de um espelho para a torcida dentro de campo: mesmo quando se conta com o melhor goleiro do mundo, um cara quase milagreiro e altamente discreto, se ele é o principal jogador do time, cqd, algo vai MUITO MAL.

Faço uma análise sem dar nem tirar o mérito de técnicos, dirigentes ou da qualidade (ou falta de) ao lado dele. Mesmo na atualidade, caso o Grêmio tivesse um pouco melhor financeiramente, Tcheco não teria passado de um mero coadjuvante.

Na última quarta no Olímpico Monumental contra o Palmeiras, provou-se que o Grêmio segue o seu caminho e tem um futuro mais promissor sem jogadores caros cuja principal virtude não passa de uma entrega que nem é total, mas, sim, seletiva, como Tcheco, Túlio, Souza e Herrera. Os meninos Maylson e Douglas Costa jogaram um bom futebol. Não exatamente encantador, não exatamente eficaz, mas comprovadamente melhor do que o do quarteto da “vontade” acima citado. cqd, A FILA ANDA.

ACRESCENTO: embora não haja muita lógica na comparação entre jogadores de épocas diferentes que tiveram o seu sucesso ou o seu fracasso determinado por condições completamente diferentes (parceria melhor ou pior dentro de campo; clube mais endinheirado; melhor planejamento da gestão do futebol; técnico de alta capacidade identificado com o clube, etc.), Tcheco NUNCA jogou (à exceção das eventuais partidas de exceção dele ou dos demais citados, refiro-me à MÉDIA de desempenho de suas atuações) o que jogavam dois jogadores que JAMAIS teriam lugar em quase nenhuma Seleção Brasileira, tais como Arílson e Carlos Miguel, por exemplo.

RECORDO que, quando Tcheco saiu do Grêmio para o mundo árabe, todos compreenderam e aceitaram numa boa. Caso ele não tivesse voltado ao clube novamente, teria sido um atleta pouquíssimo comentado. Seria mais ou menos como lembrarmos do Darci “Passarinho” do final da década de 1980 e comecinho dos anos 1990s, por exemplo.

Não nego o que ele fez de bom pelo clube e tampouco desdenho do seu gremismo. É um cara que eu adoraria ver como dirigente de algum projeto especial ou como um supervisor, caso tenha aptidão e interesse na função. Porém, como jogador, há pelo menos um ano e meio, já deu o que tinha que dar.

Seja como for, pelo menos para os jogos no Pacaembu, Mano Menezes terá um jogador que poderá ajudar MUITO a Ronaldo Fofômeno em LA10. O  problema será fora de casa: será que os deuses dos estádios irão agraciar ou punir o alvinegro do Parque São Jorge no sorteio de grupos?

Independentemente da performance do Grêmio em 2010 e da comoção da volta de Tcheco ao Olímpico pelo próximo Brasileirão como adversário, mantenho a minha coerência.

Em termos de idolatria, ainda sou mais chegar no pátio do Olímpico e bater um papinho com o Tarciso ou com o João Antônio que, como coadjuvantes, foram anos-luz mais jogadores e são incomparavelmente mais identificados com o Grêmio do que Tcheco.

PÚBLICO x PRIVADO + PROCESSOS: LIÇÃO PARA BLOGUEIROS

Presta muita atenção ao depoimento acima. O ator Pedro Cardoso é um cidadão de primeiríssima qualidade, altamente consciente e nada afetado. O fato de ser carioca da zona sul, de vir de família abonada, de ser ator televisivo exclusivo da Rede Globo e de ser primo do ex-presidente FHC não podem, de maneira nenhuma, desautorizar a sua posição. Até porque ele aparece rarissimamente no programa paparazzo da sua empregadora, o Video Show.

A chamada classe artística deveria mirar-se nesse espelho e aprender a diferenciar o que é notícia de interesse público e o que é prestar-se ao papel de um mero objeto vendável. A bem da verdade, há o predomínio de artistas, jornalistas e políticos que comportam-se como “celebridades”: infelizmente, sujeitam-se a aparecer de qualquer jeito só para ganhar dinheiro. Sua crença na máxima “quem não é visto, não é lembrado” os faz esquecer de que, do mesmo cume do vulcão de onde se mira o horizonte, pode-se morrer com um simples escorregão. E, para chegar a esse triste fim, não é preciso sequer tocar a lava…

A função social dessas criaturas dinheiristas, egocêntricas e – não-raro – de questionável qualidade profissional e cultural remete apenas ao entretenimento: pouco aprendem e pouco ensinam. Nesse sentido, impera a mediocridade responsável pela longa demora do país em poder finalmente alcançar um nível mais alto em sua evolução civilizatória.

Incontáveis exemplos me levam além nessa discussão. Dois deles, em particular:

– MARADONA E A IMPRENSA: longe de mim concordar, aceitar ou incitar a agressão ou a violência. PORÉM, é necessário compreender minimamente o porquê de um Diego Maradona ter ameaçado “periodistas” com um rifle defronte a sua mansão em Buenos Aires num momento delicadíssimo do seu primeiro casamento durante o auge da sua drogadição;

A MORTE DA PRINCESA DIANA: ela e seu namorado Dodi Al-Fayed morreram em um acidente automobilístico em 1997 durante tentativa de fuga não de bandidos, da polícia ou da justiça mas – pasmem – dos infames e onipresentes paparazzi.

Isso posto, vamos ao terceiro e mais importante exemplo dessa conflituosa relação: intrometer-se nos atos de pessoas públicas dentro de seus ambientes privados é fofoca, é ignorância (pelo menos ignorância jurídica), é estupidez (mesmo que não tenha sido movida pela maldade ou pelo oportunismo, o é pelo excesso de parcialidade) e é crime (independentemente da discussão entre o legal e o justo, não se pode corrigir um erro com um outro erro). Mesmo quando essas pessoas são suspeitas ou até mesmo formalmente acusadas de crimes graves e amplamente conhecidos, tal intromissão na vida privada não se justifica.

Nesse ponto, que me perdoem meus amigos blogueiros que estão sofrendo processo em nome dos netos da economista e (momentaneamente) política Yeda Crusius: hoje, o que menos importa é especular se ela quer levar algum, se a sua ação foi orquestrada (quer seja pelo seu advogado, pela classe que a sustenta no poder, pelo seu partido ou, ainda, pela intervenção de sua filha – a mãe das crianças). Importa menos ainda se ela processou inclusive o intelectual orgânico do poder econômico que transforma boa parte da classe média gaúcha em classe mérdia bovina a fim de supostamente devolver ao PIG guasca parte da sua credibilidade perdida…

…Na frieza dos códigos de lei sacramentados e atualmente válidos que determinam direitos e deveres relacionados à essa linha tênue que separa o interesse público do privado, seja para quem torce a favor, seja para quem torce contra ela e as forças que a sustentam no poder, é preciso admitir, respeitar, aceitar e acatar o fato de que –pelo menos neste caso (mesmo que, no frigir dos ovos, possa ser tão-somente neste caso) – ela tem toda a razão social e técnica a seu lado.

Sei que é indignante e quase impossível resistir ao impulso de querer fazer justiça com o próprio teclado. Todavia, há um gigantesco desconhecimento jurídico por parte de jornalistas profissionais (funcionários do PIG ou não) e de opinionistas em geral – principalmente os hoje dispostos na blogosfera, como muitos de nós.

A resistência contra um poder hegemônico (econômico, político e coercitivo) conservador, reacionário, oportunista e ignorante é fundamental. Porém, é preciso municiar-se de todas as armas disponíveis para, ao invés de ser um Flik, não passar de um pobre Don Quijote de La Mancha. O risco de errar, de pagar mico, de ser obrigado a gastar um dinheiro que não se tem e de virar a vida de cabeça para baixo em termos profissionais, afetivos e financeiros é muito grande quando não há interesse em buscar assessoria técnica adequada.

Deixo aqui a contribuição de um professor fantástico que me ensina bastante. O conheci graças às amizades que fiz pelo Twitter. Pra quem não conhece, o prof. de Direito da UFMG dr. TÚLIO VIANNA possui um blog no qual discute uma série de questões sobre direitos humanos, cidadania, política, software livre e as imbricações dessas questões com as práticas jornalísticas.

Sigam-no e leiam atentamente o artigo que escreveu junto com Cintia Semiramis sobre calúnia, difamação e injúria.