“SE ENTREGÁ PROS HOME” É COISA DE GAÚCHO

O vídeo acima com o depoimento do ex-presidente Cacalo é uma forma extremamente honesta e digna de eliminar a velhacaria reinante na blogosfera e nas comunidades do Grêmio no Orkut: a responsabilidade e a necessidade são tanto o bônus quanto o ônus de quem disputa a ponta. Afinal de contas, ao contrário do Cacalo, considero a fórmula de pontos corridos em turno e returno a ideal e a mais justa, mesmo propondo uma pequena alteração nos critérios de desempate e torcendo para que a maior chaga do futebol brasileiro seja erradicada do calendário, a fim de torná-lo ainda mais emocionante. Logo, é preciso ser regular e pensar no somatório. Não se pode tentar enxergar cada jogo isoladamente.

Além dos compromissos sérios (burocracia urbana, orçamentária e familiar) do dia, passei os dois últimos dias acompanhando uma infinidade de links que contém tanto os motivos para o Grêmio achar “justo” entregar o jogo para o Flamengo com o intuito de impedir diretamente o Tradicional Adversário de ser tetracampeão brasileiro no ano do seu centenário como aqueles que evocam a importância, a seriedade e o respeito a todos os demais postulantes ao título caso o Tricolor dos Pampas opte por encerrar a sua participação nesta temporada dando o melhor que puder.

Pra entender o que eu quis dizer com o título deste post, vou situá-los pra que não achem que estou sendo belicoso, revanchista, preconceituoso ou generalista com o Rio Grande do Sul inteiro, é preciso LER BASTANTE*.

Vou pegar pesado com todos aqueles que defendem que o Grêmio entregue o jogo para o Flamengo. Guardem a minha citação e leiam com atenção ao texto abaixo:

SE O GRÊMIO TIVER O ESPÍRITO HONRADO E CORAJOSO DO SUL-RIOGRANDENSE, SERÁ DIGNO. MAS SE PENSAR COMO GAÚCHO, SERÁ VERGONHOSAMENTE VIL E INDIGNO.

O que realmente interessa neste discurso é alertar para o fato de que o comportamento de preferir secar do que torcer ou de considerar a rivalidade com o vizinho mais importante do que buscar as melhores práticas de gestão de futebol mundiais como parâmetro de evolução traz à tona as piores reações possíveis em termos socioculturais já vistas nesta terra.

Tanto a suposta “vingança” como o suposto “bom caráter” possuem várias justificativas nas próprias contradições históricas apresentadas pelos desvios de conduta do  próprio T.A.

Apesar dos atuais profissionais inteligentes e com personalidade do outro lado, o moral da instituição é uma cueca cheia de batom e patacas secas. Infelizmente, o apoio aparentemente brincalhão ou passional às pequenas hipocrisias da sociedade sempre evolui para as grandes corrupções – se não financeiras, claramente de caráter. De qualquer forma, virou um vergonhoso hábito o de procurar corrigir um erro com outro erro.

Se formos enxergar o lado lúdico e menos grave da questão, podemos dizer que a) este episódio entra pro anedotário popular e b) que existe justiça e coerência em cada um defender única e exclusivamente o seu lado porque a sua “vida” é mais importante do que a vida do outro.

No atual episódio, não estou dizendo que se deva ajudar T.A., Flamengo, São Paulo ou Palmeiras. Mas também não gosto da idéia de prejudicar dois por tabela quando a intenção é ferrar um.

A leviandade e a mesquinharia refletem a falência moral completa de ambas as torcidas. De maneira geral, parte significativa de ambas prefere sentir orgasmos com o aparelho reprodutor do vizinho ou negar a torcida pelo T.A. (da parte deles, no caso; ou nossa, eventualmente) quando isso pode levar o seu próprio clube a algo verdadeiramente importante. O maniqueísmo, o conservadorismo reacionário e a crença em dois contos da carochinha (o ‘tradicionalismo’ e a ‘Revolução Farroupilha’) se refletem diretamente nesse pensamento de arreios com esparadrapos nos olhos.

Não sou moralista e, como qualquer indivíduo, possuo o anjo e o demônio se digladiando sobre meus ombros. Da mesma forma, somos multifacetados. Por isso, não há como cobrar retidão, equilíbrio, convicção ou coerência absoluta de qualquer indivíduo. Mas acho importante procurar tentar enxergar o contexto sob um espectro mais amplo com o distanciamento que a análise merece.

O futebol é a faceta popular mais escancarada para provar que o pensamento médio do gaúcho é o do endosso à máfia do Detran, ao desgoverno Yeda e à crença na RBS. O pensamento médio do gaúcho é majoritariamente igual à conduta de seus representantes tão legítimos quanto dignos. A crença neste modelo de poder econômico, coercitivo, político e midiático é a sua imagem e semelhança. Quem paga vale pra malandro é malandro também.

Caiu-se de 3º para 17º estado em termos econômicos não direta ou exatamente por causa do fim do milagre brasileiro, da maxidesvalorização do cruzeiro ou coisa parecida mas, sim, porque prevalece o espírito de porco, o masoquismo, o coitadismo e a mais profunda canalhice neste estado. Isso vai muito além da política partidária: é um atraso de mentalidade que vem – ao contrário do que se pensa – de cima para baixo.

Enfim, acostumou-se a defender o indefensável e a justificar o injustificável.\

Logo, o Grêmio pode muito bem se virar sozinho, assim como o T.A. pode se enterrar sozinho. Afinal de contas, Victor, Rever, Mário Fernandes, Maylson e Douglas Costa tem nomes fortíssimos e um futuro brilhante pela frente.

Secar, definitivamente, não deveria ser a coisa mais importante da vida de gremistas e colorados. E o RS está mal porque essa mania de secar o país quando temos um Governo Federal que finalmente é respeitado internacionalmente comprova o quanto o gaúcho médio está se tornando culturalmente baixo.

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NOTAS:

*Poucos conhecem o verdadeiro significado de gaúcho. Como a esmagadora maioria da população do RS não é composta por tropeiros e – dentre estes – raríssimos são homens livres, autônomos ou ladrões de gado, não refiro-me à maioria da população do Rio Grande do Sul e nem tampouco à maioria dos torcedores do Grêmio e do Tradicional Adversário.

Além disso, há um desconhecimento absurdo acerca da história social e política do RS. Nesse ponto, o mote do resultado de uma revolução agropastoril promovida por latifundiários decadentes não foi o de libertar a província nem tampouco de fazer com que ela evoluísse para todos mas, sim, apenas para preservar o controle nas mãos de quem fazia grilagem, matava e expulsava índios, negros e pobres e tomava posse de terras que não seriam suas.

Por isso, eu prefiro ser chamado de sul-riograndense e chamar o lado honesto da nossa sociedade de sul-riograndense. Gaúcho é o gentílico que eu utilizo para toda sorte de picaretagem.

Enfim… Pra poder pensar assim, as fontes são muitas e é preciso ler muito para poder tomar pé da história e da sociologia da região. Poucos terão interesse ou paciência e muitos seguirão acreditando no mito do gaúcho. Recomendo a série de posts “Por que o Rio Grande do Sul é assim?” do sociólogo Cristóvão Feil para mais informações:

http://diariogauche.blogspot.com/2008/09/i-por-que-o-rio-grande-do-sul-assim.html

http://diariogauche.blogspot.com/2008/09/ii-por-que-o-rio-grande-do-sul-assim.html

http://diariogauche.blogspot.com/2008/09/iii-por-que-o-rio-grande-do-sul-assim.html

http://diariogauche.blogspot.com/2008/09/iv-por-que-o-rio-grande-do-sul-assim.html

http://diariogauche.blogspot.com/2008/09/v-por-que-o-rio-grande-do-sul-assim.html

http://diariogauche.blogspot.com/2008/09/vi-por-que-o-rio-grande-do-sul-assim.html

http://diariogauche.blogspot.com/2008/09/vii-por-que-o-rio-grande-do-sul-assim.html

http://diariogauche.blogspot.com/2008/09/viii-por-que-o-rio-grande-do-sul-assim.html

http://diariogauche.blogspot.com/2008/10/ix-por-que-o-rio-grande-do-sul-assim.html

http://diariogauche.blogspot.com/2008/10/x-por-que-o-rio-grande-do-sul-assim.html

Quanto ao título deste post, é o título de uma letra do músico Leopoldo Rassier. Percebam como o seu conteúdo defende o latifúndio e mistura alhos com bugalhos para, na enganação da “bravura”, exaltar o espírito do capataz subserviente que deve aceitar a grilagem e a “otoridade” dos “senhores de terras”.

[B'08 35ª] GRÊMIO 2×1 CORITIBA

Tcheco gol Grêmio

O fotógrafo da agência que fornece as imagens dos jogos de PORTO ALEGRE para o GLOBOESPORTE.COM teve muita sorte, técnica e experiência ao capturar o momento acima por várias razões:

1) O capitão TCHECO (esquerda) e o centroavante MARCEL (direita) foram os protagonistas do difícil embate antes mesmo do apito do senhor MARCELO DE LIMA HENRIQUE, auxiliado pelos excelentes HILTON MOUTINHO RODRIGUES e DILBERT PEDROSA MOISÉS. Sem sombra de dúvida, a melhor arbitragem de uma partida do TRICOLOR DOS PAMPAS em todos o campeonato;

2) TCHECO e MARCEL são ex-jogadores projetados para o futebol pelo próprio CORITIBA;

3) TCHECO e MARCEL foram os responsáveis por liderar o grito de guerra no túnel antes do time entrar em campo;

4) TCHECO esteve quase impecável: pouquíssimos passes errados, posicionamento perfeito e abriu o placar no momento mais tenso da partida – aos 28′, logo após alguns sustos proporcionados pelos velozes e qualificados contra-ataques do COXA, sobretudo pela brilhante atuação de uma das minhas indicações para o presidente DUDA KROEFF, para o cobiçado gerente de futebol RODRIGO CAETANO, para o diretor de futebol ANDRÉ KRIEGER e, por último e mais importante, para o técnico CELSO ROTH em 2009. Trata-se do atacante movediço, veloz e técnico chamado MARLOS, o nº 11;

5) MARCEL teve poucas chances de gol. A rigor, apenas um perigoso cabeceio para baixo quase no canto, porém sem o quique fatal e sem tanta força defendido pelo goleiro VANDERLEI. Todavia, posicionou-se maravilhosamente bem como pivô, ganhando a maioria dos balões do quase milagreiro VICTOR (que nos salvou em pelo menos duas oportunidades da metade para o final do 1º tempo), dominando e abrindo para quem viesse pelos lados.

Foi um jogo difícil. Uma dificuldade proporcionada por um adversário respeitável e de qualidade. ROTH conhecia MARLOS. E os auxiliares do nosso técnico responsáveis pela gravação dos jogos e pelas estatísticas trabalharam bem outra vez: só no 1º tempo, o atacante tocou 14 vezes na bola, obtendo vitórias pessoais sucessivas sobre o bom RAFAEL CARIOCA (que, até então, só havia sofrido – e muito – para marcar VÁGNER do CRUZEIRO). Isso explica por que CARIOCA foi substituído pelo bom ADILSON (que, para mim, terá um 2009 brilhante antes mesmo da possível negociação ou do próprio RAFAEL CARIOCA, ou de seu parceiro WILLIAN MAGRÃO após a LIBERTADORES) no final do jogo.

O CORITIBA também melhorou com a entrada de CARLINHOS PARAÍBA (que alguns torcedores excessivamente passionais e pouco informados confundiram com o ex-colorado PERDIGÃO em função de sua pele morena, de sua longa cabeleira crespa em forma de rabo de cavalo, considerando-o ‘gordo’ – coisa que, definitivamente, não o é). Causou-me estranheza o fato de um jogador tão combativo, de bom passe e de excelente chute de fora da área ter iniciado no banco de reservas. Embora goste muito do técnico DORIVAL JÚNIOR (que afirmou nesta semana que o GRÊMIO merecia ser campeão por causa do trabalho de CELSO ROTH), não entendi essa escolha. Mas foi bom para nós e é isso o que importa.

Mais uma vez, a zaga formada por AMARAL, RÉVER e pelo menino HEVERTON (de personalidade madura e bastante espirituoso) foi ótima. Só não contavam com uma falha do até então também excelente WILLIAN MAGRÃO, que foi traído pela sua afobação de jovem distraído pelos irritantes gritos de “OLÉ!” ao final do jogo, cedendo espaço para o gol de ARIEL NAHUELPAN aos 90′+1.

Antes disso, HEVERTON conferiu e a bola desviou no zagueiro para tranqüilizar a torcida. Foi um dos maiores públicos no OLÍMPICO desde a final da LIBERTADORES de 2007 contra o BOCA (de triste lembrança). Contudo, apesar do apoio e dos cânticos em quantidade e volume bem maiores do que nas últimas cinco ou seis rodadas em casa, me parece menos pior para o GRÊMIO quando ele está engrenado jogar fora de casa no contra-ataque do que em seus domínios com a obrigação de pressionar o adversário, pois a cornetagem anti-ROTH anda muito impaciente ao invés de torcer com maior capacidade de compreensão dos severos limites de nosso plantel em posições-chave (traduzindo: laterais, reservas dos centromédios, atacantes mais eficazes e um meia de ligação à moda antiga) que tanto tenho descrito neste blog.

Façam suas apostas: temos VITÓRIA (F), IPATINGA (F) e ATLÉTICO-MG (C). O SÃO PAULO tem VASCO (F), FLUMINENSE (C) e encerra sua participação contra o GOIÁS (F). Pessoalmente, acho que nem nós e nem os comandados de MURICY RAMALHO iremos vencer todos os jogos daqui para a frente. Tenho o palpite de que o GRÊMIO empata uma e ganha duas e o SÃO PAULO empata duas e ganha uma.

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