Com toda a sinceridade do mundo, sempre apoiei o máximo possível a todos os técnicos que trabalharam no nosso Grêmio. Porém, assim como meu amigo Bruno Saraiva, também considero que o peso da função de treinador é supervalorizada.
Temos muitas carências no plantel. Sobre elas, tendo em vista que cada um tem a sua própria opinião e tendemos a levar a passionalidade sobressair-se em relação a qualquer observação mais racional, pelo menos hoje me abstenho de me definir acerca dos piores.
Adoro falar sobre por que considero A ou B “bom” ou “ruim”, mas deixo essa pauta para outro dia. Hoje, quero falar de coisas boas. Nada ainda consolidado nem tampouco encaminhado, mas há boas tendências que não vislumbrávamos há bastante tempo.
Vanderlei Luxemburgo chegou cercado de desconfiança. Primeiro, dentro de campo: a rivalidade dele contra o “nosso” Felipão sempre exacerbou o bairrismo e tornou difícil podermos considerá-lo como “amigo”. Depois, a sua péssima performance na Seleção Olímpica e, mais recentemente, seus trabalhos muito aquém do esperado no Atlético-MG e no Flamengo. Fora de campo, a sua vida pessoal bastante controversa do ponto de vista ético tomou conta dos noticiários.
O cara conhece. E muito: ele consegue enxergar com rapidez as principais carências e as maiores qualidades de cada jogador e (salvo o 3-5-2 devidamente justificado porém, difícil de engolir em Ipatinga), por mais que muitos reclamem, eu prefiro ver o Grêmio perder arriscando do que empatar sem tentar. Certa vez, o próprio Luxa disse que “o medo de perder tira a vontade de ganhar”. Ao contrário de muitos, se o sistema defensivo não puder ser corrigido por falta de dinheiro ou de bons nomes sem contrato, eu prefiro levar dois gols e fazer três, quatro ou cinco do que ganhar de 1×0 ou 2×1.
Creio que haja alguns nomes que, infelizmente, não tem mais tempo para aprender fundamentos ou posicionamento porque parece lhes faltar inteligência suficiente para entender quando acelerar, quando cadenciar, quando chutar, quando passar e como se posicionar dentro de campo. Por outro lado, embora não tenhamos um plantel completo em termos de paridade técnica, tática, física e anímica, absolutamente nenhum grande clube brasileiro o possui. Se tanto, o T.A., o Peixe, o Timão e o Pó de Arroz. Entre os mais promissores, seja pela aplicação, seja pela ausência de jogadores efetivamente ruins e seja pela tentativa de impor-se mesmo correndo sérios riscos, vejo Palmeiras, São Paulo e Grêmio ali, loucos pra beliscar.
Mas tudo isso pode mudar em função das variáveis de sempre: as janelas de transferências, a rotatividade dos técnicos e a iminência de lesões e suspensões em momentos decisivos.
Obviamente, não escapo da passionalidade nem da bipolaridade. Mas ainda considero justo ter paciência com todos: afinal de contas, a maioria das piores atuações do Grêmio – não por acaso – ocorrem no último jogo pelo Gauchão que antecede a uma importante jornada pela Copa do Brasil. Nesse ponto, não sou louco de cobrar que os boleiros tirem o pé de uma dividida em meio a tantas lesões subsequentes.
Quarta vem aí. E o bicho vai ter que pegar. ;)
