[BR13 28ª] FLUMINENSE 1×1 GRÊMIO

Fiquei bastante impressionado com a diferença da atuação do nosso GRÊMIO contra o Fluminense no primeiro tempo da partida no Maracanã em relação aos últimos três adversários enfrentados tanto dentro quanto fora de casa pelo Brasileirão 2013.

O TRICOLOR DOS PAMPAS ousou, arriscou… Enfim, foi protagonista: ainda que com uma posse de bola menor do que a do mandante e também sofrendo vários ataques contra si, tivemos mais coragem e mais velocidade, pois o FLURANJA MECÂNICA dava bastante espaço para os nossos contragolpes.

Saímos vencendo. Novamente, a partir de uma bola parada: o zagueiro Bressan finalmente desencantou, de cabeça. A partir daí, entre perigosíssimas alvejadas sobre Marcelo Grohe (que substituiu com grandeza o titular Dida) e alguns contra-ataques velozes e muito bem encaixados (sobretudo pelo lado direito com Pará), pressentíamos aquela alegre tendência de vitória gremista em solo hostil.

Infelizmente, deixamos de “matar” o jogo ainda na primeira etapa do cotejo, pois perdemos alguns gols feitos – como de costume. Mais uma vez, apenas para provar que o Princípio de Muricy (“a bola pune”) é mais verdadeiro do que nunca, sofremos o gol de empate aos 45′ do segundo tempo.

A tirada de pé de Souza – que teve medo de cometer pênalti em Rafael Sobis – foi decisiva, assim como o desvio no calcanhar do sempre regular Rhodolfo, que culminou no golpe de vista equivocado do goleiro Grohe. De qualquer forma, foi um lance que serve de lição para que a nossa zaga não desista nunca, não pare, não acredite de antemão na trajetória que a bola poderá vir a percorrer.

Como consequência desse gol, após cinco rodadas, o GRÊMIO perdeu a segunda colocação no Brasileirão para o Botafogo, que venceu o Flamengo no clássico que ocorreu no mesmíssimo Maracanã, porém, no domingo.

Apesar da boa atuação e do gol de empate ter sido marcado do jeito que foi, Renato pecou por ter apenas trocado o seis pelo meia dúzia nas três alterações, além de tê-las efetuado muito tardiamente. Como agravante, tínhamos um homem a mais durante cerca de metade da segunda etapa e essa vantagem não foi explorada.

Portanto, aos 51 anos de idade e já com uma bagagem considerável como técnico, Renato Portaluppi ainda precisa amadurecer bastante, a fim de ampliar o seu leque de opções e de tornar as suas convicções menos cristalizadas.

A pior de todas as consequências dos últimos jogos (derrota em plena Arena para o Criciúma e empate contra o Fluminense) não foi a perda da segunda colocação para a Estrela Solitária pelo quarto critério de desempate (gols pró): foi a repetição de um erro recorrente que  não poderia mais acontecer.

Quarta-feira, contra o Corinthians, há uma grande chance de empate em 0×0 ou de vitória macérrima para quem quer que seja, em um confronto muito parelho: além de ambos os sistemas defensivos serem muito fortes, as duas equipes costumam marcar poucos gols.

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[BR13 26ª] BOTAFOGO 0×1 GRÊMIO

Acima: o gol mais bonito do GRÊMIO no Brasileirão 2013. Percebam o detalhe da excelente assistência do importantíssimo volante Riveros para o jovem lateral-esquerdo Alex Telles, que deu um drible/ajeitada para estilingar com o peito do pé no ângulo oposto do goleiro Jefferson, sem nenhuma chance de defesa. A torcida tricolor dos pampas silenciou o estádio Mário Filho (Maracanã), em uma doce rotina de campeão carioca moral para o exército de ferro com a alma castelhana.

A exemplo da vitória anterior contra o São Paulo Futebol Clube em pleno estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi) no final de semana anterior, estabelecemos uma rotina bastante árdua: como sói nesta temporada, o pragmatismo portaluppiano tem-nos proporcionado vitórias muito doídas. Mas, acima de tudo, VITÓRIAS.

Alguns jornalistas fazem enquetes pra descobrir se a amostragem de gremistas que as responde prefere que o time jogue bonito mas nem sempre ganhe ou se prefere que o time jogue “feio” e seja capaz de conquistar títulos.

Pessoalmente, prefiro jogar bonito E ser campeão. Essa é a utopia a ser perseguida em um esporte cuja presença massiva de público nos estádios e de audiência televisiva depende cada vez mais da sua capacidade de proporcionar LAZER e ENTRETENIMENTO.

O entretenimento não pode ser cansativo nem angustiante: ele deve, sim, trazer consigo fortes componentes de dramaticidade, equilíbrio e momentos de superação. Contudo, ele precisa proporcionar muito mais do que o mero alívio – deve, acima de tudo, oferecer esperança e gozo com uma certa dose de plasticidade.

No entanto, ainda precisamos pesquisar (a partir de uma metodologia científica adequada) sobre o que a maioria dos gremistas entende por lazer, entretenimento, vitória, título, alegria, satisfação, resultado positivo e prazer.

Eu ainda não sei dizer o que a maioria dos gremistas prefere. Por enquanto, definir o que a maioria pensa sem uma pesquisa não passa de uma visão deturpada via senso comum.

Também vejo uma imensa dificuldade em entendermos como um time  – aparentemente (?!) – tão limitado  tem conseguido manter-se há 15 rodadas consecutivas no G4, sendo vice-líder há três rodadas e estar garantido nesta posição por pelo menos mais uma.

Segundo o comentarista dos canais ESPN e colunista da Folha Paulo Vinicius Coelho, a cada Copa do Mundo, há uma mudança de comportamento tático generalizada no mundo inteiro, refletida não apenas pelas seleções, mas também pelos clubes: se o futebol vitorioso for mais ofensivo, a maioria procura imitá-lo; se for defensivo, ocorre o mesmo fenômeno. Basta vermos o que ocorreu nas fases decisivas da Libertadores e da UEFA Champions League dos anos subsequentes aos das Copas em comparação com o estilo de jogo dos campeões mundiais recentes… ;)

Pois bem: ao contrário do que o Grêmio tem demonstrado em campo – por incrível que pareça –, tanto a média de gols por partida quanto uma maior ou menor facilidade em obter-se pontos é extremamente parecida, seja nas ligas de cultura mais ofensiva, seja nas de hábitos mais frequentemente defensivos. Portanto, em termos de sucesso, a plasticidade pouco importa.

Outra comparação descabida é a de times que não atuam no mesmo contexto espaço-temporal: não se pode comparar a Seleção de 1970 com a de 1982, nem a de 1994 com a de 2002, ou a de 1990 com a de 2010. Afinal de contas, o preparo físico, a alimentação, a facilidade de obtenção de informação e a mensuração estatística da performance baseada em valências individuais e coletivas evoluíram assombrosamente na última década.

O único dado objetivo que temos para medir este Grêmio de Renato é que ele está mantendo uma sequência de vitórias muito maior do que os empates e derrotas, que – felizmente – surgem como eventuais.

Acredito que a bola não entre por acaso: assim, não podemos nos preocuparmos com a distância que o Cruzeiro (que joga bonito, vence e convence) abriu como virtual campeão brasileiro da temporada 2013. O que realmente conta é o Grêmio dar o seu máximo, a fim de podermos terminar com um honroso vicecampeonato, que nos garantirá uma vaga direta à Libertadores 2014, sem precisarmos passar por uma fase preliminar.

Assim como escrevi no post anterior, precisamos depositar esperança no amadurecimento físico, tático, técnico e emocional de nossos mais jovens jogadores. Além deles, outros irão surgir. Outra boa notícia é a de que o Grêmio tem conseguido manter seus principais jogadores já há algumas temporadas. E, em 2014, tendo o mesmo técnico e a mesma direção trabalhando juntos pela primeira vez em muitos anos, Renato poderá, enfim, indicar contratações pontuais para posições carentes.

Por exemplo: não temos um meia maduro e consagrado, suficientemente confiável para lapidar e deixar como legado um comportamento confiante, criativo e autônomo para Maxi Rodríguez e Guilherme Biteco poderem tornar-se protagonistas do nosso time.

Também não temos um lateral-direito suficientemente confiável para substituir Pará.

De qualquer forma, percebo uma evolução bastante interessante na forma como o Grêmio pensa a prospecção e a formação de jogadores: assim como o mesmo PVC já citado costuma dizer, a posição mais importante do futebol contemporâneo é a de volante. Então, temos evoluído bastante da visão amadora, imatura e antiquada do jogador “brucutu” para alguém que marque duro sem sofrer cartões em demasia, capaz de sair jogando e de concluir, com uma excelente qualidade de passe e de lançamento.

O passe ainda não é uma de nossas maiores virtudes. A eficiência nos contra-ataques, tampouco. Mas vejo este Grêmio que venceu a São Paulo e Botafogo quase de maneira “criminosa” para muitos e que venceu com segurança (porém sem traduzir a sua vantagem em gols) como mandante contra o Atlético-PR um time transicional, que está longe de ser o que dele se espera, mas que tende a ser bastante melhor no ano que vem.

[B'13 16ª] FLAMENGO 0×1 GRÊMIO

A cada rodada, o GRÊMIO demonstra um padrão de jogo cada vez mais estável dentro e fora de casa. \o/

Vejam como tem sido positiva a nossa mudança de rumo: tanto na transmissão do SporTV quanto na cotação do GloboEsporte.com, a mídia que mais repercute [1] tem elogiado bastante o nosso time nas últimas semanas. \o/

Não lembro de o TRICOLOR DOS PAMPAS já ter vencido todos os três grandes cariocas no mesmo turno do mesmo campeonato anteriormente: então, hoje, podemos “cornetá-los” à vontade: GRÊMIO CAMPEÃO DA TAÇA GUANABARA 2013b [2]! \o/

A diferença na cotação dos jogadores do Grêmio contra o Flamengo não reflete o placar: o 1×0 para nós saiu baratíssimo para o rubro-negro carioca. Basta observar as estatísticas.

Outro dado interessante: o Grêmio apresenta segurança e sabe o que quer mesmo quando não detém a posse da bola por mais tempo. Percebam como @maurocezarespn detona a falta de organização do time de @manomenezes e Paulo Pelaipe:

O Flamengo perdeu com 62% no mais escancarado exemplo de que não adianta tê-la sem saber o que fazer quando a pelota está aos seus pés.

Terminamos a rodada em terceiro novamente. E nos mantivemos pela quarta rodada consecutiva no G4.

É nessas horas que pergunto: como será que esse nosso 3-5-2 bastante peculiar tem funcionado se quase não encontra eco em nenhuma outra grande liga nacional?

É bom ser original e ver a roda girando a nosso favor, né? ;)

______ [1] RBS, Record, Band RS e Pampa são, nacional e internacionalmente falando, apenas fontes de informação periférica, pois mais de 40% da população, dos anunciantes, do dinheiro e da repercussão brasileira no exterior é oriunda da megalópole Rio de Janeiro-São Paulo. Portanto, quando a ala bairrista e torcedora da mídia de massa nacional (alguns profissionais de Globo, Band, Record e SBT) não tem como ignorar o público do RS, torna-se impossível desvalorizar, omitir ou distorcer o bom trabalho que é feito por aqui. Sem subserviência alguma, quando isso acontece, devemos valorizar – e muito! ;)

[2] Justiça seja feita: o vicecampeão desta “Taça Guanabara” dentro do Brasileirão 2013 também não seria carioca mas, sim, o nosso Tradicional Adversário (T.A.). Salvo o Botafogo, Fluminense, Flamengo e Vasco têm apresentado um futebol muito fraco.

[B'13 15ª] VASCO 2×3 GRÊMIO

Tigrada querida,

Hoje, em função do péssimo horário para um sábado e de um compromisso inadiável com meus maiores amigos, só pude acompanhar Vasco 2×3 GRÊMIO via minuto a minuto no 3G.

Agora há pouco, assisti ao compacto bem editado do Globoesporte.com.

Barcos voltou a sorrir. Barcos voltou a jingar na frente dos zagueiros. Barcos voltou a chutar forte e cruzado. O argentino vibrou muito. Seus dois golos foram importantíssimos. \o/

E a bucha do Ramirinho?! NOSSA! Esse menino é titularíssimo: quem diria que a maioria dos contestados jogadores que vieram por um valor absurdamente barato do Juventude, que eram de um clube da Série D, iriam se dar tão bem no Grêmio!

Alex Telles, Bressan e Ramiro são titulares. O Paulinho, sim, parece estar alguns degraus abaixo dos demais.

Bem… Voltando: Kléber está jogando cada vez melhor. Sua contribuição para o time tem sido muito maior do que a de Vargas. E tanto ele quanto Barcos não se limitam a jogar dentro da área. Eles buscam, armam o jogo, contribuem demais do meio para a frente.

Confesso minha preocupação com a ausência de Zé Roberto. Porém, depois de ler a sua entrevista concedida para o Correio do Povo deste domingo, percebo novamente um outro detalhe do qual poucos jogadores brasileiros que passaram a maior parte de suas respectivas carreiras no exterior têm coragem de expressar: a de que, no Brasil, os treinos físicos são exageradamente puxados em quantidade e em intensidade.

Notei também que Werley, apesar de ter dado condição para o segundo gol vascaíno convertido pelo perigoso centroavante André (de início bastante promissor no Santos em 2010, com passagens apagadas pelo Dínamo de Kiev e pelo Atlético-MG), jogou melhor e vibrou com os companheiros em todos os gols.

Foi um pecado os dois golos perdidos por Souza, que não conseguiu alcançar com sua cabeça um ótimo cruzamento da esquerda, e também aquela excelente jogada do Parazinho (tão contestado, inclusive por mim, já que o considero tecnicamente fraco, além de lhe faltar ousadia e insistência para ir até a linha de fundo quando tem liberdade, afora o seu senso defensivo pouco apurado que sempre exige uma cobertura redobrada), onde o lateral cortou para dentro e bateu de canhota no pé da trave.

Foi mais um bom momento, em uma partida que serviu para nos trazer nossa segunda vitória em casa, para quebrar um tabu de quase uma década e meia sem vencermos o Vasco em São Januário e, acima de tudo, para que o Tricolor dos Pampas demonstrasse poder de fogo.

Esta primeira sequência de nove pontos consecutivos nos alçou ao terceiro lugar do certame pela primeira vez nesta temporada. Após tantas semanas de várias tentativas que permaneceram no quase em função da irregularidade, finalmente conseguimos encaixar três vitórias.

Isso significa que o astral que Renato trouxe ao plantel é outro: ele encoraja o time a buscar o resultado e, não-raro, consegue consertar o time no intervalo.

Não temos um time de craques. Não temos um plantel equilibrado. Mas temos bastante vontade. E, por outro lado, não podemos considerar nenhum jogador uma naba completa, como há bem pouco tempo ainda podíamos encontrar algunas delas com imerecido excesso de oportunidades de atuar.

Aos poucos, o enorme tempo perdido com Vanderlei Luxemburgo e seu preparador físico Antônio Mello vai sendo substituído por um melhor aproveitamento físico, técnico, tático e emocional de tantas horas de trabalho e de convivência.

Futebol tem disso: um plantel como o do Grêmio, que só conta com os inexperientes Calysson e Guilherme Biteco como meias e está repleto de volantes, obriga qualquer treinador a tentar encontrar outras soluções.

Por isso, não foi à toa que Renato fez uso do 3-5-2 e que o repetirá sempre que sentir que o time não vai aparentar conseguir resolver as coisas com tranquilidade lá na frente: esse desenho tático é um paliativo para evitar que o Grêmio perca contra certos adversários que possuem atacantes velozes e meias que tocam bastante a bola. É um meio de se obter contra-ataques quando não há quem os puxe por dentro, ao tentar transformar os laterais em alas e ao congestionar o meio-campo com vários volantes.

Hoje, no 4-4-2, o Grêmio foi mais corajoso e mais confiante: acho que esta deve ser a tendência sempre que o Grêmio estiver jogando com pelo menos 80% dos titulares e recém tiver obtido uma sequência de vitórias.

Renato parece bastante sensível para trabalhar tanto em função daquilo que a casa oferece (que, em certas posições, poderia ser melhor), como também em função mais do momento do que da preocupação com o porte, com o fator local ou com a classificação do adversário do jogo seguinte.

Claro que iremos claudicar em certos momentos. Mas acho que já podemos esperar algo mais, que foi vislumbrado desde que Koff assumiu a presidência do clube.

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