TOME A PÍLULA VERMELHA E VIVA NA MATRIX

Definitivamente, parte dos colorados parece viver sob um campo de distorção da realidade: não apenas quedaram-se 19 pontos atrás do Grêmio (a maior diferença entre ambos nos últimos oito Brasileirões em que ambos disputaram juntos), como também o elemento Andrés D’Alessandro, que inventou que um clube chinês o queria para fazer leilão e passou a receber a bagatela de R$700.000,00 para passar boa parte do ano chupando sangue e, há uma semana atrás, declarou que iria pular fora da barca caso algo passasse a incomodá-lo no clube – pasmem! – foi um verdadeiro ator: não jogou absolutamente nada hoje e ainda foi ovacionado como ídolo pelos OTÁRIOS que compareceram ao Olímpico para assistir a PEQUENEZ de um time com dois expulsos, que tentou provocar vários “bolos” ao longo de toda a partida e que jogou apenas dando BAGOS para fora. Uma mentalidade sem caráter, sem brio, sem inteligência, sem ambição. Se eu fosse colorado, sentiria uma vergonha tão grande que seria capaz de virar gremista. Felizmente, apesar da humilhação de dois rebaixamentos e da estupidez de alguns em considerar a Batalha dos Aflitos maior do que o Mundial de 1983, não lembro, em mais de 39,5 anos de vida e 33 de estádio, de ver o meu Grêmio com jogadores que quiseram fazer a própria torcida de trouxa.

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[B'12 35ª] GRÊMIO 2×1 SÃO PAULO

A vibração sincera do técnico Vanderlei Luxemburgo

Luxemburgo vibra no Olímpico lotado na brilhante virada contra o poderoso São Paulo
pela 35ª rodada do Brasileirão 2012. Agora, o Grêmio é 2º colocado! :)

“Eh, eh! Bixo, são tantas as emoções…” BRAGA, Roberto Carlos.

Dizem que um gremista deve acreditar sempre e que não pode desistir jamais. Antes que vocês me batam, prefiro ser franco e honesto: sim, eu estava BORRADO DE MEDO do SPFC antes do jogo. Sim, na véspera, em conversa com amigos tricolores, não apenas eu, mas eles também estavam.

Quem provou que eu sou um asno e que a fala do sociólogo italiano Domenico DE MASI é mais do que pertinente foi a minha sempre incrível @Lubelskina , que disse que o Grêmio de 2012 tem sido muito maior contra os grandes e que ela não estava preocupada.

“O OTIMISMO É A FORMA DE INTELIGÊNCIA MAIS GENEROSA.” DE MASI, Domenico.

Pois ao invés de adotar uma postura de “gato mestre”, eu AMO DE PAIXÃO quando sou contrariado para o bem! Foi assim que mudei de opinião em relação à Arena e também sobre a importância de que um projeto necessariamente precise ser tocado por um líder carismático que represente uma marca consagrada pelo imaginário em função de uma reputação inabalável. \o/

Aprender e reconhecer é fundamental para crescer. E esses fatos que tenho vivenciado e que me ensinam muito também remetem a uma série de aprendizados que este Grêmio de 2012 tem tido ao longo do tempo.

Marcelo Grohe aprendeu a ser líder. Como diz o querido amigo @cajosias , todo bom goleiro precisa ser meio louco. Senão, não pode ser goleiro. Hoje, ele é um dos melhores do país. Diria que, neste Brasileirão, apenas o campeão Diego Cavalieri do Fluminense foi melhor do que ele, que assumiu a titularidade após uma (excelente, diga-se de passagem) inesperada venda de Victor.

Aprendemos a respeitar, entender e admirar o trabalho do técnico Vanderlei Luxemburgo. Sempre defendi que jogador, técnico, preparador físico, esquema tático e dirigente precisam ser BONS, ÓTIMOS, EXCELENTES. Essa de personalidade e “cara” de Grêmio não significam que se deva bater, dar carrinho a torto e a direito pra demonstrar valentia e dedicação. Também não acho nada positivo considerar que só se for sofrido é que é o jeito do Grêmio vencer. Está desfeito o preconceito contra técnicos que não são gaúchos simplesmente porque Luxa é… BOM! Diga-se de passagem, Tarciso, Tita, Paulo Nunes, Jardel e Paulo Paixão (apenas para ficar entre os mais marcantes), vieram ao Tricolor direto do Rio de Janeiro.

Naldo, Léo Gago, Marquinhos: todos são jogadores limitados, mas que demonstraram uma surpreendende recuperação após várias partidas em que suas falhas nos trouxeram desconfiança. Jamais poderia afirmar que são essenciais ao Grêmio, mas, sim, que não existe time, grupo, plantel ou elenco formado única e exclusivamente por craques. Entender as suas qualidades e as suas falhas físicas, técnicas e emocionais e esforçar-se diariamente para superar a si mesmos é uma demonstração elogiável de inteligência e de profissionalismo.

Pois foi assim que Marcelo Grohe esperou até a fração de segundo ideal para interromper um chute do consagrado Luís Fabiano; foi assim que o segundo gol, de Marcelo Moreno, surgiu a partir de uma progressão do “gordinho” Pico que, de esquerda, lançou Parazinho que, também de esquerda, pôs a bola com açúcar e com afeto na cabeça do boliviano.

Aliás, Moreno estava irritante: desistia de correr atrás da bola, mal posicionado, perdeu chances de gol por displicência às pampas no primeiro tempo. Foi a paciência de Luxemburgo (ou a aceitação de que qualquer opção disponível no banco seria inócua) que o manteve em campo quase até o final. Pois não é que ele decidiu o jogo?!

Por fim, o tão contestado “cone” André Lima também superou-se ao entender que, mesmo tropeçando na bola; sem saber driblar direito; sem ser muito veloz… Suas principais qualidades precisam aparecer rapidamente e ele precisa fazer tudo certo em um curto período de tempo: é a parede, é o último passe, é saber usar o corpo, a cabeça e projetar mentalmente a FRIEZA nas conclusões.

O penúltimo jogo no Olímpico fez a criança torcer com atenção e revelar uma maturidade suficiente pra não se desesperar e pra não cair na tentação da “corneta”. Fez a mulher demonstrar raiva e indignação sem perder a ternura. E fez os velhinhos tricolores chorarem como crianças diante de tamanha emoção!

O São Paulo é o clube mais vezes campeão brasileiro por pontos corridos. É o único clube tricampeão mundial do Brasil. E foi o nosso primeiro adversário de primeira grandeza em uma decisão que alçou o Grêmio do semianonimato estadual para um reconhecimento nacional, continental e mundial.

2013 será ainda melhor. Mas 2012 ainda não terminou: temos Portuguesa e Figueirense fora de casa e o clássico Grenal na despedida do Olímpico. AH! E ainda queremos a Copa Sul-Americana. Contra tudo e contra todos os que não são gremistas, quem é tricolor dos pampas sabe que, entre nós, é “um por todos e todos por um”.

O mosqueteiro tem poder! :)

NÃO SEI MAIS O QUE PENSAR SOBRE O GRÊMIO EM 2012

Meu querido amigo Rodrigo Cardia postou e eu endosso: que esta tenha sido a última derrota em casa do Grêmio na história do Estádio Olímpico Monumental.

Troquei uma série de tweets com outros amigos queridos pós-jogo: @helenfvargas e @andersonkegler . De maneira geral, não vejo um ranço contra o técnico @vluxemburgo ou contra jogadores em particular: PARECE que boa parte dos gremistas mais assíduos no Twitter (pelo menos parte dos cerca de 200 que acompanho na minha timeline) tende a pensar mais ou menos da seguinte forma:

1 Nosso plantel está longe de estar entre os piores da Série A, mas também estamos muito longe de nos dar uma consistência que não apenas nos garanta no G4, mas também nos traga a confiança de darmos um salto de nível na competição;

2 Apesar da sensível melhora do meio para a frente (e também para trás) a partir da chegada de @elano_blumer e Zé Roberto, ainda assim cultivamos uma enorme disparidade técnica, tática e emocional ao longo de todo o plantel. Não pretendo me alongar nos problemas cada vez mais manjados pelos nossos adversários – mais precisamente em ambas as laterais e nos reservas imediatos de todos os setores. Essa questão torna-se mais grave à medida que aumenta a necessidade de reposição por causa das lesões e das suspensões;

3 A aceitação do que a casa oferece nos leva a uma adaptação da Máxima de Tostines: num contexto suficientemente satisfatório, estamos conformados porque o pouco de habilidades extras das quais dispomos está acima da média ou o fato de as habilidades extras das quais dispomos estarem acima da média nos parece suficientemente satisfatória para o contexto?

Apesar da “corneta” estar muitos níveis acima daquele com o qual nos acostumamos e de até mesmo o entusiasmo da @geralp10oficial estar bastante reduzido, percebo que a raiva é menor do que a vontade de acreditar que – apesar de tudo, mesmo assim – seremos deliciosamente surpreendidos.

Pois bem: estamos com uma campanha muito superior à dos últimos anos e os preços ainda não são os da Arena. Temos mais jogos aos domingos do que em temporadas recentes. Apesar de algumas dispensas e outras contratações serem bastante questionáveis, mantemos a crença de que a direção faz tudo para melhorar o plantel e que a nossa evolução recente seja fruto de algum tipo de planejamento que nunca foi revelado por Odone ou por Pelaipe.

Pois, apesar de tudo isso, graças à didática, à personalidade forte, à demonstração de paciência e à convicção acerca do rumo de seu trabalho, ainda diante de algumas “invenções”, Luxa funciona como uma espécie de parecerista qualificado e sempre disposto ao debate em substituição aos seus superiores.

Além da provável candidatura à reeleição, Odone se exime dos microfones para que a torcida não enjoe da sua voz. E, para combater as críticas constantes, o diretor Paulo Pelaipe, que também andava afastado, agora tem participado sempre das últimas coletivas.

Contudo, nota-se que todas as explicações de Luxemburgo, por mais tergiversantes que sejam, “colam” porque a sua principal virtude discursiva é a de saber driblar a imprensa sem demonstrar facilmente a sua raiva ou o seu rancor. Para uma imprensa acostumada com o nosso difícil amigo @juarezroth ou com vários profissionais de baixa qualificação, torna-se muito difícil contestá-lo e cobrar dele olho no olho. Isso pode também ser um indicativo de subserviência ou de uma prejudicial “amizade” entre jornalista e fonte, mas eu mesmo confesso que, caso repórter fosse, estaria a correr atrás de uma fórmula para dobrar o treinador até agora.

Consequentemente, o estádio não lota e poucos são os torcedores dispostos a fazer de cada jogo uma despedida, uma última vez em que qualquer fato diferente ou habitual seja observado no Estádio Olímpico Monumental. Vários gremistas devem se perguntar:

– O que é que eu ganho indo a todos os jogos?

– O que é que eu perco quando não vou aos jogos?

– O que é que me encanta neste time do Grêmio?

– O que e que me irrita neste time do Grêmio?

– Até que ponto a minha paciência me leva a ter a esperança de que algo bom irá acontecer para o Grêmio dentro de campo em 2012?

 Será que dá pra pensar tudo o que tentei discutir aqui nesses termos?! Como entender que Odone possa candiadar-se à reeleição? E como entender um retorno de Fábio Koff correr o risco de ser barrado pelo Conselho Deliberativo?

2012 está sendo um ano muito complicado…

A ALUCINAÇÃO DOS FISCAIS DO GREMISMO

Tem gremista propondo invadir o Olímpico a fim de evitar que o Tradicional Adversário possa sagrar-se campeão brasileiro dentro da nossa casa, partindo do pressuposto de que o estádio será posto abaixo e que o Grêmio não sofreria a punição da perda do mando de campo na Arena.

Não domino os códigos de Justiça Desportiva, mas acho muito difícil que a punição seja restrita ao aparelho (estádio) onde o delito foi cometido. Me parece que a punição será para o clube.

Partindo dessa premissa, se alguém ligado à Grêmio Empreendimentos Ltda. e à Arena Porto Alegrense conhecedores dos contratos que regem a parceria entre o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e a OAS puderem esclarecer, por favor, me ajudem!

Corrijam-me se necessário. Mas, em princípio, entendo que, na possibilidade dessa invasão orquestrada, o Grêmio iniciaria a sua vida na Arena tendo que pagar para a OAS pelo fato de, contratualmente durante os próximos 20 anos, ter que pagar para a sócia um valor xis sempre que não puder ou não quiser utilizar o estádio como mandante desde que o impedimento do uso não se dê por causa da OAS ou de uma negativa a partir da fiscalização de um órgão público.

Enfim… Imatura, irresponsável e estapafúrdia essa proposta. Defender os interesses do clube não significa passar por cima do que é racional, do que é legal, do que é justo. É preciso arcar com as consequências de termos tido gestões incompetentes, perdulárias e sem nenhuma obediência ao lado financeiro e ao investimento nas categorias de base que constam no Planejamento Estratégico do clube.

Se for para o T.A. ser campeão dentro do Olímpico na última rodada ou antes, a culpa será predominantemente do Grêmio por tamanha incompetência. Lembro que isso pode muito bem não acontecer. Porém, como a hipótese da invasão tem sido discutida no Twitter, no Facebook e em blogs (pior: por caras com mais de 30 anos, pais e profissionais supostamente respeitáveis), registro aqui o meu repúdio.

Afinal de contas, vários desses proponentes também costumam ser fiscais do “gremismo”, isto é, avaliam e apontam o dedo para gremistas que não utilizam a paixão para cometer atos estúpidos. Olha… Desde quando há como avaliar se alguém é “mais” ou “menos” gremista?! O estágio atual de desespero e de ignorância é assustador e esse quadro não pode prevalecer, para o bem do Grêmio.

Porque, se isso acontecer e essa proposta insana for bem sucedida, as consequências poderão ser perigosíssimas para a frequência saudável e segura dos estádios em Porto Alegre: haverá retaliações. E, certamente, tudo o que qualquer dirigente do futebol ou patrocinador deseja é esvaziar as futuras arenas. Social e economicamente, é necessário promover sempre o progresso emocional e cultural da civilização e não um retrocesso.

O GRÊMIO PODE SER UM ÓTIMO CAMPEÃO SEM PRECISAR TER O MELHOR TIME

Com toda a sinceridade do mundo, sempre apoiei o máximo possível a todos os técnicos que trabalharam no nosso Grêmio. Porém, assim como meu amigo Bruno Saraiva, também considero que o peso da função de treinador é supervalorizada.

Temos muitas carências no plantel. Sobre elas, tendo em vista que cada um tem a sua própria opinião e tendemos a levar a passionalidade sobressair-se em relação a qualquer observação mais racional, pelo menos hoje me abstenho de me definir acerca dos piores.

Adoro falar sobre por que considero A ou B “bom” ou “ruim”, mas deixo essa pauta para outro dia. Hoje, quero falar de coisas boas. Nada ainda consolidado nem tampouco encaminhado, mas há boas tendências que não vislumbrávamos há bastante tempo.

Vanderlei Luxemburgo chegou cercado de desconfiança. Primeiro, dentro de campo: a rivalidade dele contra o “nosso” Felipão sempre exacerbou o bairrismo e tornou difícil podermos considerá-lo como “amigo”. Depois, a sua péssima performance na Seleção Olímpica e, mais recentemente, seus trabalhos muito aquém do esperado no Atlético-MG e no Flamengo. Fora de campo, a sua vida pessoal bastante controversa do ponto de vista ético tomou conta dos noticiários.

O cara conhece. E muito: ele consegue enxergar com rapidez as principais carências e as maiores qualidades de cada jogador e (salvo o 3-5-2 devidamente justificado porém, difícil de engolir em Ipatinga), por mais que muitos reclamem, eu prefiro ver o Grêmio perder arriscando do que empatar sem tentar. Certa vez, o próprio Luxa disse que “o medo de perder tira a vontade de ganhar”. Ao contrário de muitos, se o sistema defensivo não puder ser corrigido por falta de dinheiro ou de bons nomes sem contrato, eu prefiro levar dois gols e fazer três, quatro ou cinco do que ganhar de 1×0 ou 2×1.

Creio que haja alguns nomes que, infelizmente, não tem mais tempo para aprender fundamentos ou posicionamento porque parece lhes faltar inteligência suficiente para entender quando acelerar, quando cadenciar, quando chutar, quando passar e como se posicionar dentro de campo. Por outro lado, embora não tenhamos um plantel completo em termos de paridade técnica, tática, física e anímica, absolutamente nenhum grande clube brasileiro o possui. Se tanto, o T.A., o Peixe, o Timão e o Pó de Arroz. Entre os mais promissores, seja pela aplicação, seja pela ausência de jogadores efetivamente ruins e seja pela tentativa de impor-se mesmo correndo sérios riscos, vejo Palmeiras, São Paulo e Grêmio ali, loucos pra beliscar.

Mas tudo isso pode mudar em função das variáveis de sempre: as janelas de transferências, a rotatividade dos técnicos e a iminência de lesões e suspensões em momentos decisivos.

Obviamente, não escapo da passionalidade nem da bipolaridade. Mas ainda considero justo ter paciência com todos: afinal de contas, a maioria das piores atuações do Grêmio – não por acaso – ocorrem no último jogo pelo Gauchão que antecede a uma importante jornada pela Copa do Brasil. Nesse ponto, não sou louco de cobrar que os boleiros tirem o pé de uma dividida em meio a tantas lesões subsequentes.

Quarta vem aí. E o bicho vai ter que pegar. ;)

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