[B14 24ª] FLUMINENSE 0x0 GRÊMIO

Conforme o previsto no post anterior à partida, felizmente, minha pré-observação não me traiu e não perdemos. Mais do que isso: jogamos melhor do que o Fluminense em grande parte do jogo da última quinta-feira. \o/

Apesar da defasagem tática e técnica da visão estagnada de Felipão sobre o futebol mundial na contemporaneidade, é inegável que ele faz um bom trabalho com o plantel limitado que o Grêmio lhe disponibiliza: a nossa zaga (que é muito mais do que “apenas” o excelente goleiro Marcelo Grohe) não sofre gols há sete partidas.

O Grêmio possui a melhor defesa do Brasileirão 2014 com apenas 14 gols sofridos em 24 partidas. Essa incrível média de reles 0,583 gols/partida.

Todavia, o Tricolor dos Pampas tem o 23º ataque ou o segundo pior ataque de todo o campeonato, com pífios 19 gols marcados – média de 0,7916 gols marcados por jogo. O líder Cruzeiro encabeça esta estatística com 49 gols feitos (2,0416/jogo).

O fato de atuarmos quase sempre com três centromédios [1] tende a proteger mais a defesa. Contudo, a falta de um lateral bom no apoio, de dois bons meias (porque um só é nada quando ele estiver bem marcado, estiver lesionado ou suspenso) e a imensa imprecisão nas conclusões por parte de TODOS os nossos atacantes nos deixa com um desempenho ofensivo à frente apenas do “glorioso” Criciúma, que conferiu as redes adversárias em vergonhosas 12 oportunidades (0,5/partida).

Lamentos por não estarmos consolidados no G4 – apesar de termos um time que não deva nada a quase ninguém – à parte, tivemos uma apresentação quase de gala: conforme havia imaginado, o lateral-direito do Flu não estava à altura do seu conhecido colega do lado esquerdo (que, por sinal, não pôde atuar), Carlinhos.

A falta de Darío Conca (um dos raríssimos “enganches” que atuam no futebol brasileiro) nos beneficiou bastante, pois a bola chegava esticada ou rifada para quem estivesse na área.

Outro importante mérito defensivo de Felipão foi o de conseguir fazer com que Pará, Fellipe Bastos e Walace parassem Rafael Sobis. Isso fez com que as poucas chances de assustar Marcelo Grohe que o Flu apresentou não interferissem na nossa sétima clean sheet consecutiva. Esse fato possui grande significado, pois Sobis tem sido mais regular do que em 2013, além de, historicamente, costumar se dar bem contra nós.

Porém, apesar de uma bela cabeceada de Barcos no travessão e de um chute cruzado sensacional de fora da área que o mesmo Pirata desferiu com a sua perna esquerda obrigando Diego Cavalieri a esticar-se todo para defendê-la, Dudu e Luan foram pouco participativos – além da irregularidade e do nervosismo que ambos ainda muito jovens tendem a apresentar durante algum tempo, mérito para o técnico Cristóvão Borges em também conseguir impedi-los de trabalhar com liberdade.

Fiquei bastante satisfeito com a velocidade dos contra-ataques e com a imensa dificuldade da zaga do Tricolor das Laranjeiras em acompanhar os nossos jogadores.

Meu destaque foi o incrível Zé Roberto, que está muito melhor e é titular indiscutível na sua posição de origem, a lateral-esquerda: seu corpo de 40 anos ainda lhe permite trabalhar com uma boa velocidade, além de apresentar um vigor físico raro em muitos jovens com a metade da sua idade.

Domingo, no mesmo palco da final da Copa do Mundo recém terminada, enfrentaremos o traiçoeiro Botafogo, que está em 15º lugar, a apenas três pontos do “lanterna”. Os alvinegros cariocas obtiveram a sua primeira vitória em cinco jogos após terem superado o razoável Goiás por 1×0, num gol de xiripa do ex-zagueiro colorado Bolívar.

Os salários atrasados e a falta de jogadores de ponta manterá a Estrela Solitária em um calvário que poderá resultar em seu segundo rebaixamento em menos de uma década. E é contra o time do malandro atacante Emerson Sheik e da revelação na meia (Daniel) que precisamos superar dentro de 36 horas.

Vamos com tudo: afinal de contas, quem está na chuva é pra se “queimar”, não é mesmo?!

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1 Sou velho: para mim, é sinônimo de bilhete de aposta(s) em loterias. :P

[B14 24ª] FLUMINENSE x GRÊMIO (pré-jogo)

Diego Cavalieri é um grande goleiro. Carlinhos é um ótimo lateral-esquerdo. Cícero e Wagner são bons meias. E Fred e Rafael Sobis formam uma dupla de ataque perigosa.

Contudo, apesar dos cuidados que precisamos ter com o quarteto do meio para a frente, tenho um ótimo pressentimento sobre a nossa capacidade de marcação: mesmo com Ramiro e Werley em lugar de Riveros e Pedro Geromel, creio que não haverá uma queda de qualidade brusca.

Não temos como afirmar que o Grêmio passará pela sua sétima partida consecutiva em clean sheet, como os ingleses chamam quando a defesa não sofre gols durante a partida. Porém, a solidez demonstrada recentemente mantém forte a crença de que, apesar de Sobis (que marca gols contra nós com uma certa frequência), do selecionável Fred e de jogarmos no Maracanã, em uma situação normal, poderemos repetir a dose novamente.

Do nosso lado, noto que a cobertura de Pará será muito importante, pois é por ali que Wagner e Carlinhos costumam articular o jogo. Do outro lado, com Cícero e um lateral um pouco menos qualificado, levo mais fé em Zé Roberto.

Minha preocupação é com o pequeno porte físico e com a alta quantidade de passes errados de Ramiro. Contudo, ele está bem acompanhado por Walace (apesar de lento e de destruidor, não brinca e costuma estar na posição planejada por Felipão) e por Fellipe Bastos (que tem sido muito regular, apesar da má partida atípica contra a Chapecoense).

A entrada do menino Walace remonta a meados dá década de 1990, quando tínhamos o lateral-esquerdo Roger quase como um terceiro zagueiro. Porém, Walace é mais recuado do que Dinho e Goiano e atua mais centralizado à frente de Rhodolfo e Werley (ou, normalmente, do titular Pedro Geromel, que cresceu horrores desde que Scolari voltou)

Vejo que há ainda uma impaciência com outros meninos – Luan e Dudu.

O primeiro é um meia-atacante que não possui características de “enganche” (o armador argentino que costura, lança e chuta de longe, que tanta falta nos faz), mas é um ponta-de-lança típico, mas que carece de maior confiança e de maior velocidade. Precisamos levar em conta que ele tem apenas 21 anos e que é convocado frequentemente para as Seleções Sub-20 e Sub-21, com boas chances de ser lembrado futuramente para a Sub-23, (Seleção Olímpica).

Já Dudu, apesar da sua dificuldade no arremate (o que é crucial para os resultados), é muito veloz.

Barcos melhorou bastante: mais presente na área e com maior aproximação da jovem dupla acima, é o terceiro maior goleador do Brasileirão 2014, com nove gols, atrás apenas dos cruzeirenses Ricardo Goulart e Marcelo Moreno, ambos com onze.

Mesmo com um diferente contexto proporcionado por algumas alterações no plantel e pelo técnico que todo gremista adora, podemos repetir a dose de 2013: além de classificarmo-nos novamente à Libertadores, poderemos ser “bicampeões cariocas” dentro do Nacional. Com dois jogos a menos, devido à queda do Vasco à Série B, mas, ainda assim, com ótimos resultados lá e cá contra Fluminense (o mais qualificado), Flamengo (o medíocre) e Botafogo (supostamente o mais fraco).

A nosso favor, conta a impossibilidade de atuar do zagueiro Henrique e do meia Conca: estes, sim, reconhecidamente eficientes.

Na torcida, como sempre. :)

[B14 23ª] GRÊMIO 1×0 CHAPECOENSE

Na noite em que Pará foi o melhor em campo [1], o Grêmio quase arriscou uma vitória certa, dificultando no final uma partida que tinha tudo para ter sido muito fácil.

Quando Luan fez uma jogada sensacional para deixar Dudu livre para marcar o único gol que definiu o jogo a nosso favor, o próprio jogador cometeu uma série de erros de avaliações que reduziram muito as nossas chances de gol.

Quando Barcos quase não cometeu erros bisonhos de posicionamento, de arremate ou de passe, faltaram companheiros bem posicionados para aproveitarem o seu bom trabalho de pivô.

Quando o decisivo Dudu perdeu outras oportunidades fáceis e perdeu a confiança de Luan em outra situação na qual poderia ter recebido livre por recém ter feito uma conclusão desnecessária com a perna errada no canto errado ao invés de servir a um de dois companheiros mais bem posicionados do que ele, o time inteiro foi punido.

Mas isso não foi o que mais me preocupou: a opção do técnico Scolari ao sacar Luan nos deixou sem meias: foram três volantes (Walace, Matheus Biteco e Fellipe Bastos -> Riveros) e três atacantes (Luan -> Fernandinho, Barcos -> Lucas Coelho e Dudu). A partir dessa estratégia equivocada, perdemos o meio-de-campo para a Chapecoense, que passou a deter a posse de bola e nos ameaçou bastante no final.

O Grêmio teve um momento importante, no qual parecia que teríamos uma vitória tranquila: a Chapecoense perdia passes bobos; Dudu e Luan voltavam até a lateral para cobrir Pará e Zé Roberto, ajudando os volantes a permanecerem em suas posições de origem e demonstrando muita garra nos desarmes.

Isso foi muito importante, pois Walace é lento e sua única função é a de desarmar – muito pouco para um time com o tamanho do Tricolor dos Pampas. Além disso, Fellipe Bastos jogou mal pela primeira vez desde que chegou ao clube: ele errou quase tantos passes quantos o hoje reserva Ramiro costuma errar, mas foi surpreendentemente envolvido pelos meias do time de verde do oeste de Santa Catarina. Depois, Riveros não melhorou muita coisa, pois entrou completamente fora de ritmo de jogo, recuperado de uma lesão.

Pois creio ter sido esse desarranjo entre os volantes o responsável pelo crescimento e pelo protagonismo de Pará pela direita: ele foi mais do que lateral, partindo para cima com menos erros de passe do que de costume. Hoje, inclusive, não foi possível criticá-lo por não ir à linha de fundo, pois seus cruzamentos foram bons, com mira, pausa, força, altura, efeito e intensidade regularmente satisfatórios. O que complicou foi o mau posicionamento dos atacantes na hora de recebê-los.

Zé Roberto atirou-se contra a bola como um soldado kamikaze e ouviu-se lá de cima do quarto anel da Arena o estrondo da bola sobre o seu corpo. Essa bola nos salvou de um melancólico empate.

Marcelo Grohe felizmente completou 628 minutos e mais de seis partidas sem sofrer gols. Aqui, ao contrário dos erros do meio para a frente, noto um mérito rotundo do treinador Felipão, que organizou a defesa com rara competência e afirmou o acerto do diretor remunerado de futebol Rui Costa na contratação de Pedro Geromel, além da troca em definitivo do volante Souza pelo outro zagueiro, Rhodolfo.

A Chapecoense demonstrou um nervosismo atroz durante quase todo o primeiro tempo: apesar da lealdade de seus jogadores (que não bateram), notava-se desde o início que, naquele momento de ampla superioridade do Grêmio (infelizmente convertido em um único golzinho), eles espanavam e rifavam a bola de qualquer jeito, no susto, mesmo. Mas não era no estilo “bola pro mato que o jogo é de campeonato”, não: eles estavam quase entregando a rapadura, pois, apesar da dificuldade do trio de volantes tricolor, eles perdiam a bola exatamente no momento em que poderiam servir perigosamente a seus atacantes sozinhos. Perderam para si próprios.

Depois, no final, quando o estrago da ausência de um meia nos retirou a supremacia de jogarmos com a bola no nosso pé, nós só não sofremos o empate porque os alviverdes de Chapecó ou arrematavam muito mal, ou perdiam o tempo da bola de maneira bisonha.

O pior de tudo é que a Chapecoense está muito longe de ter sido o pior time que eu vi atuar por este Brasileirão. E o melhor de tudo é que o Grêmio, depois de muito tempo, agora enxerga o G4 muito, muito próximo, a uma distância de apenas um pontinho.

Tempo louco em que nossa equipe alterna rompantes de extrema competência com falhas graves para um time do nosso porte.

E tempo ainda mais louco em que o nosso teto parece ficar mais alto mas, apesar da distância bastante curta para conseguirmos tocá-lo e tentarmos elevá-lo mais um pouco, o enxergamos como se estivéssemos debaixo de um lago congelado: o sol está ali. A crosta parece não ser muito espessa. Mas, mesmo assim, ainda não conseguimos atingir a força necessária para quebrar esse gelo.

Vamos ver o que rola em dois compromissos como visitantes: na quarta, às 22h, o jogo nacional da TV é contra o perigoso Fluminense, no Maracanã. Depois, temos o Botafogo às 16h de domingo no mesmo palco da final da última Copa do Mundo. Esta é mais uma chance para tentarmos nos sagrar “bicampeões cariocas” dentro do Brasileirão.

Seguimos sonhando… ;)

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[1] Pará está muito longe de ser um jogador digno dos melhores laterais-direitos que o Grêmio já teve. Também muito me incomoda não termos um reserva minimamente capaz de fazer-lhe uma “sombrinha” que seja. Mesmo assim, para o seu nível de qualidade, ele realmente saiu-se bem. E essa foi a minha opinião. Obviamente, todos estão liberados para discordar, democrática e dialeticamente. ;)

O 1º TURNO DO BRASILEIRÃO 2014

Mais uma vez, o excelente trabalho do Footstats nos revela impressões bastante significativas sobre o que todos os nossos clubes viveram nas primeiras 19 rodadas, após a primeira de duas pernas de todos contra todos.

O nosso Grêmio parece estar em um momento crescente. Contudo, o líder Cruzeiro e o novo vice líder São Paulo apresentam uma consistência impressionante. Creio que nosso campeonato seja o de – novamente – brigarmos “apenas” por uma vaga à Libertadores 2015.

Nesse miolo, temos como oponentes: 1) o nosso Tradicional Adversário (ou T.A. – este blog evita ao máximo pronunciar o seu nome); 2) o Fluminense (que, a exemplo da Raposa e do S.P.F.C., também é ofensiva e possui boa qualidade equivalente em várias posições de seu plantel); 3) o Corinthians, que possui muita consistência defensiva, um belo meio-de-campo, mas dificilmente consegue jogar por mais de uma bola por jogo no ataque.

Felipão parece estar muito bem assessorado e motivado: apesar de eu achá-lo defasado (nada a ver com a Copa do Mundo, que foi apenas a “cereja do bolo” em meio a uma série de vários trabalhos insuficientes que o rebaixaram da Europa para o Brasil) e de ter considerada injusta a demissão de Enderson Moreira (que – por sinal – começou muito bem no Santos), parece que a gestão Koff finalmente apresenta uma comissão técnica em sinergia com a cultura do clube e também com o modelo de futebol no qual a direção acredita.

Enfim… Matematicamente, tudo é possível. Contudo, apenas o “campeão” do turno (entre aspas porque tal título é meramente simbólico, pois é somente um indicativo de sucesso que precisa ser confirmado na longa segunda metade do certame) está garantido na Série A para a temporada 2015.

Não duvido da capacidade do Tricolor. Porém, sou muito mais realista, objetivo e pragmático, pois prefiro esperar o tempo rolar: por isso, HOJE, acho tão irreal quanto megalomaníaco pensar no título. Claro que irei torcer MUITO para que isso aconteça. No entanto, a pontuação, a quantidade de gols marcados, o saldo de gols e a grande quantidade de pontos perdidos (ainda que antes de Felipão, por uma série de circunstâncias que todos podemos recordar, jogo a jogo) infelizmente não nos dá esse alento.

Analisemos as tabelas abaixo:

panorama1

Tirar 21% de aproveitamento da Raposa é muito. Quem sabe se melhorarmos em 11% e os mineiros perderem 11%? Por outro lado, é absolutamente plausível podermos tirar 8,8% dos são-paulinos, 5,2% dos colorados, 3,5% dos corintianos e ultrapassarmos os pó-de-arroz pela diferença mínima.

Sendo um pouco mais realista, o Tricolor Paulista vem num momento crescente semelhante ao nosso e é difícil crer que piorem. Além disso, todos os clubes que estão à nossa frente possuem – conforme a avaliação da Bola de Prata Placar/ESPN – vários jogadores mais bem posicionados do que o nosso Tricolor dos Pampas.

Por hora, nosso saldo de gols é risível: somos o oitavo e último time do BR14 com saldo positivo. Ainda assim, é um reles +3, enquanto Cruzeiro (+23), Corinthians e Fluminense (+12), São Paulo (+11), T.A. (+9), Santos (+6) e Atlético-MG (+5) estão à nossa frente.

Por sinal, essa segunda tabela do Footstats – a do saldo de gols – revela exatamente todos os times cujos planteis possuem uma qualidade acima da (baixa) média do nosso futebol nacional: não exatamente nessa ordem, são aqueles que podem até oscilar, mas dificilmente darão mole para os times que estão na rabeira da tabela.

Uma prova disso é que o Flamengo, ainda que venha em uma crescente após amargar a zona do rebaixamento por mais de dois terços do turno, perdeu para todos os seis primeiros colocados, apresentando contra eles um saldo negativo de -16. E que o desgarramento do T.A. para o Cruzeiro resulte de algumas derrotas bisonhas para times da rabeira da tabela.

Somos o terceiro melhor mandante: nosso percentual de pontos obtidos na Arena (74,1%) equivale ao do Botafogo (75% – imediatamente à nossa frente) e é ótimo. O líder Cruzeiro é um ponto fora da curva, com seus monstruosos 92,6%, tendo perdido apenas dois pontinhos em um empate contra o – não por acaso – vice líder São Paulo.

O Grêmio precisa mesmo é melhorar o seu desempenho como visitante: embora até estejamos bem posicionados em oitavo lugar, nosso percentual pode melhorar bastante. Nossos atuais 36,7% podem muito bem chegar até uns 45%. Esse crescimento é bem mais difícil do que melhorarmos o aproveitamento como mandantes em 5%, pois precisaremos crescer como visitantes 8,3% com um índice de trabalho de praticamente o dobro disso para que possamos atingir essa meta.

É bom lembrarmo-nos de que há alguns times seguramente inferiores a nós superando-nos neste quesito: o Figueirense (com 53,3%, em terceiro) e o Flamengo em sétimo, com 37%. No caso de ambos, são franco-atiradores, pois não cairão nem irão à Libertadores do ano que vem. Essa falta de responsabilidade aliada à necessidade de não caírem para a Zona Perigosa (©Luxa 2014) lhes possibilita surpreender fora de casa, pois podem jogar “fechadinhos” explorando os contra-ataques. Inclusive o próprio Figueira provou no último domingo que toda a “faceirice” será castigada (LOL).

Saliento esta tabela: o Cruzeiro tem 60% de aproveitamento como visitante. Na sequência, o São Paulo tem 55,6% (mais uma vez, um indicativo importante do porquê ter finalizado a sua participação no turno em 2º); o Figueirense (53,3%); o Corinthians (51,9% – e tivemos o mérito de vencê-lo bem aqui em Porto Alegre); o T.A., com 48,1% (excelente para o padrão deles, que é bom mas muito menor do que seus irritados fãs imaginam que seja); a dupla Fla-Flu, ambos com 37%… E só aí viemos nós. Precisamos admitir que ainda é pouco.

Em gols marcados, somos apenas o 10º colocado, com apenas 17. O líder Cruzeiro marcou 41 em 19 jogos (média superior a dois/partida). Portanto, ao passo que não chegamos a marcar um gol por jogo (afinal, nossos 17 gols foram marcados em apenas 10 jogos, pois deixamos o placar em branco em quase metade dos confrontos, 9).

Desses 17, gols, quase metade foi assinalada pelo nosso centroavante Barcos (7) que, apesar de tantas críticas devido à perda de vários gols fáceis dentro da área adversária, é o 3º lugar entre os goleadores, perdendo apenas para os cruzeirenses Marcelo Moreno (que é nosso e está emprestado) com 10 e Ricardo Goulart (merecidamente convocado para a Seleção), com 9 gols.

Definitivamente, o que nos deixa bem posicionados e com uma boa margem de crescimento no segundo turno é a nossa estupenda defesa: apesar das justíssimas queixas sobre Pará e sobre Werley pelo lado direito; da inconstância de Geromel; da desconfiança sobre Saimon, após tanto tempo fora do futebol; e do medo que Bressan desperte em muitos torcedores, é preciso notarmos que não é apenas pela regularidade de Rhodolfo, pelo início brilhante do já negociado Wendell ou pelo retorno de Zé Roberto à sua posição original: agora, nós temos volantes que são muito mais do que meros “quebradores de bola”, como os meninos Matheus Biteco e Wallace, além da melhor contratação da temporada, Fellipe Bastos. O pequenino Dudu, apesar de concluir muito mal, é quem mais e melhor prente a bola no campo de ataque, mantendo-a longe da nossa zaga.

E de novo volto para elogiar e reconhecer o esforço do Pirata: além de conferir na frente (menos do que precisamos e gostaríamos, seja dita a verdade), ele é inteligente e muito lúcido na ajuda à defesa nos escanteios contra o Grêmio, pois é quem mais “espana” as cobranças para longe da nossa área.

De novo: o equilíbrio que precisamos atingir graças a um aproveitamento melhor fora de casa e a uma maior eficiência no ataque é a chave para o sucesso. Há clubes com um ataque melhor do que o nosso mas com uma zaga bem mais vazada, cuja classificação é risível e desalentadora. Para provar que nada é por acaso, apenas ter uma defesa fraca não é sinônimo de Z4, desde que o ataque seja bastante eficiente. Por outro lado, o topo da tabela reserva um lugar para quem marca muito e sofre poucos gols. Logo, cada vez mais a antiga assertiva de que “caso sofra três gols, desde que faça cinco, está tudo bem” mostra-se menos verdadeira.

Apenas seis clubes passaram mais jogos do que o Tricolor dos Pampas sem marcar gols no primeiro turno. Ao mesmo tempo, fomos quem teve mais partidas com a ficha limpa. Precisamos ao menos manter essa razão de pouco mais de 0,5 gol sofrido/jogo, mas temos que lutar muito para chegarmos o mais próximos possível dos 2 gols marcados/partida. Se chegarmos a 1,6 feitos e não passarmos de 0,7 tomados, dá pra crescermos horrores.

Após tantos comentários, creio que podemos finalizar o Brasileirão 2014 entre 2º e 4º lugar. Para isso, teremos que passar por uma peleia das brabas. ;)

[B14 18ª] GRÊMIO 1×0 BAHIA

A vitória do nosso GRÊMIO FBPA sobre o EC BAHIA ontem à noite na Arena traz consigo uma lição óbvia do futebol. No entanto, não custa nada repeti-la antes que tenhamos uma recaída e voltemos a cometer os mesmos erros observados nos técnicos anteriores.

A maior virtude de quem reconhece suas próprias limitações dentro de campo é entender que, mais do que procurar driblar e tocar a bola em velocidade quando a marcação adversária não permite tal demonstração de habilidade, deve procurar resolver o placar a seu favor por meio da vontade e da insistência rumo à meta adversária: afinal de contas, uma hora a bola tende a entrar.

Ao mesmo tempo, é fundamental não “inventar” atrás: defensivamente, o dito popular “bola pro mato que o jogo é de campeonato” deve ser um mantra, a fim de garantir que “mais vale um pássaro na mão do que dois voando” [1].

Todo erro é admissível quando se entende que a maioria dos jogadores do plantel não apresenta as valências que deles se esperaria caso tivéssemos um time de técnica incontestável. O que não deve haver é a repetição de jogadas que determinados jogadores são incapazes de realizá-las: afinal de contas, perder a bola dominada com o time todo adiantado pode representar um contra-ataque fatal contra si próprio.

Por exemplo: se Barcos não possui o drible em velocidade como elemento característico da motricidade de seu corpo, a tendência é a de que ele erre 90% das tentativas. Ele sabe fazer a parede, distribuir o jogo, cabecear e cutucar a bola para o fundo das redes. Portanto, seu maior trabalho deve ser o de atrair a marcação de mais de um homem, a fim de deixar algum companheiro desmarcado.

Dudu, por sua vez, não pode abusar das tentativas de passe de calcanhar. Alan Ruiz, um jogador que não acelera a bola com o ritmo que dele se esperaria, deve procurar manter-se pela faixa intermediária central de ataque, visando o chute de longa distância ou a distribuição aberta para o lateral ou meia que avança pelos lados do campo.

Acredito que Felipão esteja vendo tudo isso. Todavia, por estar no clube há muito pouco tempo, parece que o técnico ainda tentará, ao longo de mais algumas semanas de treinamento, procurar aprimorar aquilo que – a meu ver – não se pode aprimorar em uma série de jogadores do nosso plantel.

Pois bem: Zé Roberto mantém uma regularidade incrível aos 40 anos, atuando na posição em que tornou-se referência mundial durante a sua juventude. Foi pela lateral-esquerda que foi vendido pela Portuguesa para o Real Madrid. Depois, foi assim que adaptou-se à Bundesliga e virou ídolo no Bayer Leverkusen e no Bayern München. No Hamburgo não tinha como dar certo, pois o time era muito fraco. Logo, com Zé não se inventa. Ele sabe o quanto o seu corpo pode aguentar e, sempre que tenta infiltrar-se em diagonal como um meia, costuma dar certo. Mas isso não significa que ele possa ou deva jogar como volante ou como meia, pois essas são posições que exigem maior correria e vigor na marcação. Como lateral-esquerdo, ele é insubstituível. E que bom que Felipão observou isso.

Fellipe Bastos é um volante que coube como uma luva no nosso escrete principal: ele desarma com lealdade e firmeza; possui boa visão de jogo e também aproxima-se dos meias, além de cobrir o avanço do lateral e saber triangular com meia e lateral na hora de avançar. Trata-se de um jogador inteligente, que dificilmente fica fora de posição.

No entanto, considero que, além dos “furos” já bastante reconhecidos pela torcida tricolor (os laterais Pará, Matías Fernández e Breno; os volantes Edinho e Riveros e o centroavante Ronan) vou levantar um outro jovem, que, apesar de querido e extremamente sério, erra passes demais, não apresenta velocidade nem vigor nos desarmes. Sua principal virtude tem sido cada vez menos explorada – o chute de longa distância. Enfim… Percebo que Ramiro tornou-se “bruxo” de Felipão, mas só é titular porque os demais são muito menos vigorosos do que ele.

Ontem, o desarme, a arrancada e o passe preciso para o drible de Dudu cujo arremate respingou no zagueiro e sobrou para o decisivo gol de Barcos foram dados por Matheus Biteco, que é o único volante que o Grêmio possui com a possibilidade de tornar-se um jogador completo em nível mundial: ele marca, dribla, desarma, é veloz, sabe driblar e possui excelente visão de jogo

Aliás, é preciso ressaltar que o “Pirata” é terceiro goleador do Brasileirão 2014, com oito gols. À sua frente, estão Ricardo Goulart e Marcelo Moreno do Cruzeiro, com nove gols.

A posição de centroavante apresenta cada vez menos jogadores com uma alta média de gols. Messi e Cristiano Ronaldo, que não são homens de área, não são os melhores do mundo à toa, pois sua média de gols no facílimo campeonato espanhol supera um gol por partida. Aqui no Brasil, na saudosa década de 1980, quando tivemos muitos grandes times e a distribuição de títulos nacionais foi mais sortida, os maiores tinham média de aproximadamente 0,7 gols/jogo. Pois hoje, na Europa, verifica-se que avantes que tenham 0,4 gols/partida sejam tidos como muito bons.

Por essa razão, não pego mais no pé dos gols perdidos por Barcos com veemência nem com irritação. Ao mesmo tempo, o que importa é por a bola pra dentro: se é de esquerda, de direita, de voleio, de cabeça, de pênalti, de fora da área, com a bunda, depois de ricochetear na defesa adversária feito fliperama… Enfim… Gostaria de valorizar o gol, a feitura do gol.

Afinal de contas, vencemos. ;)

Que venha o Flamengo no fim de semana que vem no Maracanã: depois de cinco vitórias consecutivas de Luxa e de um perde-e-ganha que Felipão salientou na coletiva de ontem ainda precisar de mais tempo para atingir a desejada regularidade, vamos ver como nos saímos fora de casa, em um momento de inferioridade de retrospecto no campeonato frente a um adversário tradicional que está motivado.

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[1] Por mais antiecológica que essa frase seja, vocês entenderam que eu não defendo literalmente esse pensamento mas, sim, que o seu sentido figurado é o de não arriscarmos perder tudo, certo? ;)
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