[B'10 19ª] BOTAFOGO 2×2 GRÊMIO

Eu estava muito, mas muito pessimista durante o jogo (via Twitter). Ainda acho que, caso Renato não passe a escalar Pessali como enganche; deixe Souza e Douglas FORA DO BANCO em pelo menos três partidas consecutivas com ambos saudáveis e sem estar pendurados com dois cartões amarelos… Seremos candidatos seriíssimos ao rebaixamento.

Não credito ao mero pessimismo, ao não-reconhecimento de um empate com sabor de vitória como o de ontem ou a uma eventual miopia em relação às mudanças empreendidas pela visão e pela personalidade de Renato sobre o plantel. E, até determinado ponto, é preciso entender que muitos oposicionistas têm razão quando o seu comentário é técnico-tático.

Ainda vejo o Grêmio muito a perigo. O nosso campeonato é tão-somente escapar do rebaixamento. Nada mais almejamos porque não temos jogadores de personalidade – e os de pior atitude são os mais caros, os mais experientes (à exceção de Victor, Rochemback e Jonas).

Não há virtude pessoal em quem deveria servir de exemplo tanto aos recém chegados com currículos ainda incipientes quanto àqueles que deveriam ser encarados com muito mais carinho e responsabilidade por todos – os guris oriundos das categorias de base.

Quando é que uma criança irá comer salada? Quando vir seus pais comendo salada. Quando é que uma criança será querida mesmo quando estiver triste ou de mau humor? Quando não tiver pais gritões e quando tiver em seus pais tutores e também uma plateia atenta aos seus feitos.

Souza e Douglas já contaminaram o ambiente de uma maneira quase irreversível: eles são como tênias que minam a energia do corpo que lhes dá a vida.

O Brasileirão não é um campeonato difícil de se sobreviver: o Avaí está aí para provar. Uma gestão de futebol correta implica em disciplina, atenção e participação dos dirigentes no vestiário. Podem mudar os jogadores, pode não haver formação de atacantes de velocidade nem de meias de ligação na base e pode faltar dinheiro para contratar esses homens decisivos, mas dá pra aplicar um padrão “feijão com arroz” na preparação física (isto é, sem pôr toda a carga em um único semestre pra apostar todas as fichas do clube em uma única competição e estourar o grupo no semestre seguinte) e também taticamente (jogadores medíocres com tendência a APRENDER treinam mais motivados e demonstram PERSONALIDADE em momentos decisivos).

Pra cair, tem que querer. E, infelizmente, mesmo tendo apoiado Duda, Meira e Silas enquanto eles ainda não haviam sido suficientemente incompetentes, teimosos e sem atitude, ainda não sei se é isso o que o presidente quer.

Claro, falo em querer cair no sentido figurado: afinal de contas, ninguém deseja isso para si, para quem trabalha consigo e nem tampouco para quem financia o clube e, acima de tudo, para quem enxerga no clube um poço de paixão e de virtude que define grande parte da identidade sociocultural de tantas pessoas que vivem de maneira heterogênea mas que encontram no futebol um ponto de união.

Eu já vi batatas podres e um aproveitamento insuficiente dos meninos da base em 1991. Já vi uma falta de atitude melancolidamente parecida com a de 2010 em 2004.

Ainda não vi aquele brilho no olhar da maioria do plantel e nem aquela força emocional no departamento de futebol que nos levaram à reação de 13 pontos em 15 nas cinco rodadas finais de 2003.

Ontem, eu vi uma centelha de reação na iniciativa de Jonas e na escalação do único lateral esquerdo que sabe cruzar uma bola alta disponível no plantel do Grêmio: Lúcio. Também vi um progresso no fato de não termos levado um gol nos acréscimos do 2º tempo e de nós termos buscado um ponto quase aos 41′ do 2º tempo.

Esse é o dado positivo de um festival de horrores, de mais uma atuação lastimável, que não condiz com a grandeza do Grêmio.

Aliás, estamos no limiar de nos transformarmos durante décadas em um clube que só vive do passado, como Atlético-MG (que eu não considero grande), Santos (que demorou três décadas para voltar a ser grande) e Botafogo (que é menor do que nós mas que se comporta de maneira tão claudicante quanto o Tricolor dos Pampas).

O Grêmio precisa mudar ONTEM. Ainda estou desconfiado de que seremos rebaixados – a não ser que as batatas podres sejam eliminadas do saco e que o sangue novo seja imediatamente aproveitado.

Por que insisto nisso? Porque não há mais comprometimento nem identificação da esmagadora maioria dos jogadores com a torcida, com as cores, com a cidade, com a história do clube. Quem ainda sente isso são os jogadores criados pelo clube.

Já está muito cansativo (diria até insalubre) viver pressionado, correndo riscos graves sem uma compensação contundente.

GRÊMIO, TU NÃO PRESTAS. MAS EU TE AMO, PORRA!!!

[B'10 17ª] ATLÉTICO-PR 1×1 GRÊMIO

Há muito tempo, afirmo que Renato Portaluppi é um treinador meramente motivador; que não é um técnico tático; que não sabe falar outra língua; que não acompanha os campeonatos estrangeiros de ponta e que, por tratar-se de um mito, não poderia jamais ter a sua imortalidade maculada.
Renato já esteve diretamente envolvido em um dos rebaixamentos do Fluminense e também no do Vasco. Embora ache que o vice na Libertadores de 2008 e o título da Copa do Brasil de 2007 não tenham ocorrido por acidente, ainda assim ele não conseguiu superar um patamar mais baixo da carreira que decidiu abraçar fora dos gramados.
Ele está inventando quase tanto quanto Silas (aliás, pobre do meu cunhado e dos meus sobrinhos, que irão sofrer com ele no rubro-negro). Esse menino Gílson, que estreou completamente fora da sua posição, é um jovem imaturo que veio da Série B para um dos maiores clubes do hemisfério ocidental em um piscar de olhos, sendo posto na fogueira. Faltou sensibilidade ao nosso ídolo-mor. Uma falta de sensibilidade de deixar o lado ruim de Celso Roth corado de vergonha.
Assisti ao jogo twittando junto a vários associados, acompanhado da minha Lu, que passou o dia lendo a Odisséia de Homero (mesmo pra quem não é aluno de História Antiga do venerável prof. dr. Francisco Marshall no IFCH da UFRGS, recomendo!). Depois, fui até o blog Sempre Imortal para colher os comentários de vários amigos gremistas e, finalmente, assisti ao Bate-Bola da TV Com.
Claro que já tinha a minha opinião formada. Porém, um detalhe ou outro sempre escapa – e é aí que considero fundamental utilizar as mídias sociais na internet para colaborar com este fluxo contínuo de conhecimento gremista.
Da estreia de Gílson, já falei: o rapaz não pode ser avaliado por um erro crasso do treinador, que deu uma de prof. Pardal e só corrigiu o time ao pôr o sempre questionado “alemão” Adílson, que combate bem mas passa mal. Justiça seja feita, ele já foi muito pior em ambos os quesitos e ainda é jovem.
Como a minha Lu bem disse, é melhor um Roca que se joga sobre a bola mesmo de maneira atabalhoada do que um Douglas que entrega um contra-ataque aos 40′ do 2º tempo após um desnecessário passe errado de calcanhar. Isso é hora pra inventar?!
Mérito para Roca e para o Alemão Adílson que, apesar de seus erros, não desistem jamais. Quanto ao meia tido como habilidoso, bem… Render-se e desistir parecem ser as suas atitudes prediletas quando recebe um salário nababesco e vive a apenas a 1h de avião da sua São Paulo.
Outro erro de Renato: Souza e Douglas comprovam a cada rodada que não podem mais ser escalados juntos. Eles tornam o meio-campo um latifúndio improdutivo e sobrecarregam os volantes. Aí, não há zaga que resolva…
Ao mesmo tempo Souza + Douglas = garantia alguma de um ataque bem municiado, pois Jonas (que, movediço, parece uma barata tonta – aliás, sob a batuta de Renato, ele tem jogado cada vez pior) e Borges (na maioria das vezes isolado, apesar do bom chute de hoje na trave).
Tento entender o que leva qualquer técnico meia-boca (poderia ser Silas, poderia ser o próprio Renato, o auxiliar técnico de plantão ou qualquer outro entre Vágner Mancini e Hélio dos Anjos passando por Paulo Bonamigo e Péricles Chamusca) a manter Edílson e Fábio Santos na titularidade das laterais. A dificuldade de ambos os jogadores no trato íntimo da bola é pública e notória: nenhum deles está autorizado a chamá-la de algo mais familiar do que MILADY. Esses dois laterais têm uma grande dificuldade de entender a mecânica que envolve o posicionamento deles, o ritmo que devem trazer à cadência da bola e à relação disso com a movimentação de seus companheiros mais próximos.
Talvez Renato ainda tenha uma boa vontade com Leandro que eu não consigo mais ter. Eu só sei que ele não é lateral, zagueiro, goleiro e nem tampouco centroavante. Mas não sei especificar se ele é um volante movediço, um meia de ligação ou um atacante aberto. E se ele for tudo isso, na verdade, é de tudo um nada.
Bem lembrado por Maurício Saraiva que o Grêmio possui Saimon, o zagueiro e capitão da Seleção Sub-20; Pessali, um habilidoso meia também da Seleção Sub-20; e Maylson, tão contestado, que era o quarto jogador em importância no último Mundial Sub-20 que o Brasil sagrou-se vice-campeão nos pênaltis contra Gana. Melhores do que Maylson (titular e sempre útil) eram Walter, do Porto (ex-T.A.), Paulo Henrique Ganso do Santos e Giuliano do T.A. Portanto, esse menino não pode ser “queimado” nem tratado como “pouca bosta”.
Pois um único meia de ligação mais habilidoso e movediço e um outro meia que seja capaz de marcar e também de se aproximar dos atacantes formados nas categorias de base certamente são mais capazes de DAR O SEU SANGUE PELO GRÊMIO ao invés da má vontade dos multimilionários Souza e Douglas, dois preguiçosos em final de carreira que recebem por mês algo entre 3000 e 4000 vezes o valor que um sócio proprietário paga de mensalidade – R$60,00. Portanto, seria necessário quase lotarmos a Social a cada jogo pelo menos duas vezes por mês somente para pagarmos os salários desses dois, mais de Jonas e Rochemback, quando a solução está debaixo dos narizes da direção e do treinador!!!
A propósito: Oséia (lento e pesado) e Rafael Marques (excelente pessoa, profissional obediente, porém um jogador limitadíssimo) não podem ser titulares quando temos Neuton e Mário Fernandes. Apesar de ambos os meninos estarem momentaneamente fora de combate, isso só mostra o tamanho da dificuldade do Tricolor dos Pampas em montar um plantel o mais homogêneo possível em função das opções de compra, de dispensa e de salários definida por Luiz Onofre Meira e avalizadas pelo presidente Duda Kroeff, apesar dos inúmeros apelos do vice de Finanças, Irany Sant’Anna Júnior, e de tantos conselheiros que procuraram persuadir o presidente de trocar o comando do futebol muito tempo antes da consumação da sua troca.
Se isso não mudar, seremos rebaixados novamente. Pela terceira vez, estamos repetindo uma espiral viciosa que começa com derrotas para os ponteiros da tabela dentro de nossos domínios; derrotas para quem está no limbo fora de casa e empates contra os últimos. Nessa balada, jogamos melhor vários jogos mas não ganhamos, além de termos que nos conformarmos em ver os mesmos tipos de chutes fáceis errados por nossos jogadores serem convertidos em gol pelos pés da concorência.
Pobre do Grêmio e pobres de nós: envoltos em uma guerra eleitoral autofágica rumo a um futuro cada vez mais inseguro, o objetivo-fim deste clube de quase 107 anos de glórias está jogado às traças. Ou, melhor: enquanto o capitão e o imediato estão na taverna mais próxima enchendo a cara de rum, os ratos estão tomando conta da nau.
Triste. Muito triste…

[B'10 14ª] GRÊMIO 2×0 GOIÁS I

Este post divide-se em duas dimensões: a primeira (esta) é a afetiva. Abaixo, vocês entenderão bem por que. A segunda dimensão, a futebolística, será publicada em seguida.

Meu amigo Rodrigo Cardia que, normalmente, senta comigo e com a Lúcia no lugar sagrado (defronte ao bar mais antigo da Social, no escanteio pelo lado direito da goleira que dá para a Carlos Barbosa – com visão privilegiada para o lugar sagrado dos Bernardon Eduardo e Luís Felipe) ontem veio junto de sua mãe, cujo prazer tive de conhecer pessoalmente (o pai, Cesar, é um grande combatente pela causa ambiental e pela qualidade de vida no trânsito em POA). A pedido da senhora, ficaram mais próximos do centro do estádio, nas imediações das escadas que sobem para as cadeiras pelo portão 2.

Ficamos com o Bernardon pai, pois o filho infelizmente não compareceu e fez falta. Também havia a senhora que quase sempre fica junto ao Bernardon, excelente conhecedora do nobre esporte bretão. Meu enteado Leandro (a quem chamo de Leonídio) também veio, além de uma grata surpresa: nosso grande amigo Márcio Uberti, sócio remido, que esteve conosco em quase toda a gigantesca campanha vitoriosa de 50 e poucos jogos de invencibilidade. Ele apareceu sem avisar e nos encontrou por acaso, assim como do primeiro jogo em que nos conhecemos (na triste final da Libertadores de 2007, a Lu foi procurar o Leandro – que gostava de ficar perto da Geral – e, no meio do caminho, achou seu velho colega da faculdade de Matemática na UFRGS e companheiro de chapa no DAEMA).

Seja com ou sem grande público, todos costumamos sentar bem próximos. Eventualmente, contamos também com os queridos amigos Guga e Eraldo Türck, filho e pai, também nas imediações. Quando não sentamos juntos, nos visitamos antes, no intervalo e após os jogos (aliás, recomendo seriamente conhecer o trabalho de comunicação de Gustavo e seus amigos e também o trabalho de assistência social da Graça, sua mãe, que, de certa forma, se assemelham bastante à Agência da Boa Notícia Guajuviras que iniciarei em breve junto à Unisinos e à Secretaria Municipal de Segurança Pública e Cidadania de Canoas/RS).

Hoje, o Márcio (que já foi dono de pizzaria em Gravataí e já foi chefe do Léo – Leandro, Leonídio, é o mesmo guri), voltou ao ramo de seguros e foi morar em Passo Fundo pra chefiar uma equipe da Sul América e treinar a equipe de securitários da região Missões. Mas vem a POA quase todos os finais de semana.

A velha e boa corrente está restabelecida!!!

PESQUISA SOBRE TV E FUTEBOL NO BRASIL

Caríssimo interagente,

Gostaria de saber se estás disposto a financiar esse projeto, pois irei tocá-lo adiante independentemente de conseguir entrar no doutorado ou não e independentemente do fato de obter uma bolsa de estudos ou não, caso aprovado. Trata-se de um trabalho investigativo que exige dedicação exclusiva e demanda algumas viagens para entrevistas e para apresentação de artigos em congressos nacionais e internacionais da área da Comunicação, investimento na aquisição de livros e – obviamente – um certo valor para subsistir dignamente.

Creio que há uma parcela substancial do pequeno comércio local, das apaixonadas torcidas, de grande parte dos dirigentes e até mesmo da mídia corporativa com dificuldade de conseguir compreender uma maneira diferente de mudar a correlação de forças dentro dessa disputa. É um trabalho que – certamente – interessa tanto à academia quanto ao mercado.

Há poucas semanas, escrevi três posts sobre a economia política da comunicação no futebol brasileiro. Sugiro a leitura dessas partes (I, II e III) a fim de te situares dentro da abordagem preliminar de onde parte a investigação do meu projeto de tese de doutorado.

Minha intenção é proporcionar aos clubes brasileiros uma chance real de contribuir para que eles deixem de ser o lado mais fraco da corda ou por conveniência, ou por subserviência a outros interesses contidos dentro dessa relação com a TV – imagino eu sob condições que podem trazer-lhes vantagens a curto ou a longo prazo que ora desconhecemos.

Embora saiba que há uma ampla gama de profissionais das áreas do Direito, da Economia e da Administração diretamente envolvidos nessa dinâmica, creio que posso oferecer uma contribuição diferenciada.

Na tese (que durará entre 30 e 48 meses) abordarei as relações econômicas e políticas entre o cartel que transmite o Brasileirão composto pela Rede Globo (SporTV, Net, Sky, GloboEsporte.com) + Band. Ainda não sei ao certo se haverá tempo e conteúdo suficiente para poder abordar vários – ou até mesmo todos – os integrantes do Clube dos 13 e se poderei estender a pesquisa também para quem transmite os principais campeonatos estaduais, a Copa do Brasil e a Libertadores da América (isto é, a totalidade das competições televisionadas para todo o território nacional envolvendo os grandes clubes do futebol brasileiro).

Muito provavelmente, deverei me restringir ou apenas ao Brasileirão, ou apenas à relação entre Grêmio, mídia especializada, torcedor/associado/consumidor nessa dinâmica de tensão econômica e social entre o esporte que representa um dos maiores fatores de identidade regional e nacional em relação ao campo social que potencializa a publicização dos atos do campo futebolístico.

Caso parta para a investigação acerca das relações entre TV e clubes que envolvam outros campeonatos, terei então que analisar a dinâmica que envolve outros atores. Por exemplo: a Rede Globo transmite Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores; os clássicos e as finais dos campeonatos Paulista e Carioca para todo o país. Já os campeonatos Gaúcho, Catarinense, Paranaense, Carioca, Paulista, Mineiro, Baiano e Pernambucano são transmitidos pelas emissoras locais, todas elas afiliadas à Rede Globo. Com isso, a estrutura do Pay-Per-View (Pague Para Ver) vinculada à Net (operadora de TV a cabo com parte de seu capital proveniente da Rede Globo) permanece verticalizada. No caso do RS, a RBS  – que já foi detentora dos direitos do Gauchão com exclusividade – hoje precisa dividir espaço  com a Rede Record. E, recentemente, a Globo também precisou dividir com a Record e com a ESPN Brasil a transmissão da Copa do Brasil pelo menos até 2011.

No caso da Copa Libertadores (principal certame de clubes das Américas), a exclusividade da Globo é bastante prejudicial aos interesses dos torcedores dos clubes brasileiros nela envolvidos: embora o SporTV transmita toda a competição – inclusive jogos entre clubes estrangeiros – sem vender jogos pelo sistema PPV, os jogos em TV aberta pela Rede Globo e suas afiliadas contemplam quase sempre os mercados demográfica e economicamente mais prósperos do Brasil, veiculando massivamente apenas os jogos de ou entre clubes do eixo RJ-SP, deixando de lado até mesmo clubes tradicionais na competição vindos de outros estados, em prejuízo dos clientes e dos aficcionados de Grêmio, Cruzeiro e do Tradicional Adversário.

Meu trabalho certamente estará concluído antes da Copa de 2014. A título de comparação, certamente trarei dados acerca da relação entre os clubes das séries A da Argentina, da Itália, da Espanha, da Alemanha, de Portugal e da Inglaterra (os mercados mais midiatizados do futebol mundial). Afinal de contas, todos os movimentos dos atores refletem a correlação de forças determinada pelos atores hegemônicos em nível global.

Contudo, a entrada do Estado como protagonista retirando das corporações midiáticas o monopólio das transmissões esportivas na Argentina significa o começo de um novo fenômeno que, de uma maneira ou de outra, poderá até alterar a correlação de forças entre a TV e os clubes não apenas no Brasil, como em outros países.

Ainda munido de poucas informações, já é possível tecer algumas considerações não-conclusivas sobre o trabalho nas indústrias da comunicação e – consequentemente – também sobre o papel da comunicação na criação de uma divisão internacional do trabalho (Mosco 1999 p. 97) nesse nicho relacionado às transmissões dos jogos de futebol profissional dos grandes clubes brasileiros.

Por exemplo:

Ainda sob uma forma muito incipiente, colhi algumas informações junto ao diretor de marketing do Grêmio Cesar Pacheco as quais já postei anteriormente (repito os links novamente: aqui, aqui e aqui). Em um primeiro momento, descobri que:

– Os clubes, sempre endividados, entraram no círculo vicioso de antecipar as receitas de TV que lhes cabem no ano seguinte para fechar o orçamento do exercício atual com o menor prejuízo possível. Assim, tornam-se reféns da corporação midiática, que exige em troca renovações praticamente “automáticas” do contrato, mantendo o monopólio (ou oligopólio) intacto e repleto de poderes;

– A TV exige gramados verdejantes e supõe que, quanto menos jogos forem disputados, menos buracos haverá. Dessa forma, os clubes estão impossibilitados de realizar partidas preliminares com as suas categorias de base. Isso impede que o consumidor direto (isto é, quem paga ingresso e/ou mensalidade de sócio e comparece aos estádios) reconheça as revelações do futuro e impede os clubes de exporem seu patrimônio móvel e intangível para o grande público. De certa forma, esse poder de fogo da televisão detentora dos direitos de transmissão das partidas de um determinado certame retarda ou até mesmo reduz o potencial de venda das revelações que poderão render aos cofres das agremiações de futebol profissional um montante capaz de proporcionar a elas um percentual na estimativa de receitas anual bem mais gordo do que aquele que é pago pelas emissoras;

– Segundo pesquisa de mercado elaborada por uma ampla rede de marketing ligada ao Grêmio, um dos grandes atrativos para os pais de pequenos torcedores fomentarem a sua paixão (que, consequentemente, gerará mais consumo dos produtos do clube) é a possibilidade de o clube proporcionar uma recordação inesquecível: permitir que os pequenos entrem em campo junto com os jogadores antes do início das partidas. Essa pequena atitude pode render a associação de muitos torcedores que vivem em cidades distantes da sede do time de coração. Até recentemente, pelo menos o Grêmio e o Tradicional Adversário costumavam permitir a entrada de algumas centenas de torcedores mirins com os seus times em campo. Informações ainda desencontradas que chegaram até mim dizem que ou o consórcio detentor dos direitos televisivos ou o Ministério Público Federal (ou ambos – talvez até mesmo com influência de um sobre o outro) só permitem agora que os clubes só deixem 22 crianças entrarem em campo.

Acho que é necessário investigar mais as tensões entre os poderes de quem banca e de quem faz o futebol. Os dados divulgados e o atual rateio para os clubes leva a conclusões simplistas. Afinal de contas, o assunto é extremamente complexo e possui relevância e seriedade absolutas em função do fato de alterar profundamente relações políticas, socioeconômicas, ambientais e culturais de variados sistemas, desde a cidade-sede de um clube de futebol até um estado ou até mesmo um país.

Isso sem contar que seremos sede de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíada na próxima década, em um intervalo de apenas dois anos.

Repito novamente o pedido inicial: gostaria de saber se há alguém disposto a financiar esse projeto, pois irei tocá-lo adiante independentemente de conseguir entrar no doutorado ou não e independentemente do fato de obter uma bolsa de estudos ou não, caso aprovado.

[B'09 34ª] GRÊMIO 1×1 SÃO PAULO

Pra quem já se acostumou comigo, desta vez os comentários serão bastante curtos:

1) TCHECO: chega. Cansei. Foi o único que jogou mal quase o tempo inteiro;

2) THIEGO: um menino que é o segundo melhor zagueiro que temos depois de Réver está sendo queimado na lateral por falta de opções;

3) LÚCIO: 25 minutos de ótima marcação, falta força física e seus cruzamentos foram bisonhos. Ainda bem que Fábio Santos está de volta;

4) TÚLIO: finalmente atuou como jogador de futebol, apesar de sua lentidão e das constantes fugas do seu posicionamento original;

5) MAXI: caso tivesse feito um gol, teria sido sua melhor atuação pelo Grêmio. Porém, não tem cintura e seu passe é um tijolaço. Útil, mas não vale nem metade do que ganha: apesar do tamanho, não é finalizador nem possui bom índice de acerto nos cabeceios;

6) DOUGLAS COSTA: não sai mais do time;

7) AUTUORI: foi suficientemente inteligente pra acertar a defesa com Fábio Santos, deslocar Thiego para a zaga, inverter Rafael Marques (que, apesar do gol, assustava atrás) e Réver e, finalmente, puxar Thiego para o meio de campo sempre que Adílson e Túlio saíam jogando. Perea e Herrera foram tentativas de abafa. Porém, nenhum dos dois joga absolutamente nada.

UM ÚLTIMO RECADO: FORA MEIRA!!! FORA MAURO GALVÃO!!!