[B'09 34ª] GRÊMIO 1×1 SÃO PAULO

Pra quem já se acostumou comigo, desta vez os comentários serão bastante curtos:

1) TCHECO: chega. Cansei. Foi o único que jogou mal quase o tempo inteiro;

2) THIEGO: um menino que é o segundo melhor zagueiro que temos depois de Réver está sendo queimado na lateral por falta de opções;

3) LÚCIO: 25 minutos de ótima marcação, falta força física e seus cruzamentos foram bisonhos. Ainda bem que Fábio Santos está de volta;

4) TÚLIO: finalmente atuou como jogador de futebol, apesar de sua lentidão e das constantes fugas do seu posicionamento original;

5) MAXI: caso tivesse feito um gol, teria sido sua melhor atuação pelo Grêmio. Porém, não tem cintura e seu passe é um tijolaço. Útil, mas não vale nem metade do que ganha: apesar do tamanho, não é finalizador nem possui bom índice de acerto nos cabeceios;

6) DOUGLAS COSTA: não sai mais do time;

7) AUTUORI: foi suficientemente inteligente pra acertar a defesa com Fábio Santos, deslocar Thiego para a zaga, inverter Rafael Marques (que, apesar do gol, assustava atrás) e Réver e, finalmente, puxar Thiego para o meio de campo sempre que Adílson e Túlio saíam jogando. Perea e Herrera foram tentativas de abafa. Porém, nenhum dos dois joga absolutamente nada.

UM ÚLTIMO RECADO: FORA MEIRA!!! FORA MAURO GALVÃO!!!

PRA MELHORAR O BRASILEIRÃO

Já justifiquei por que considero a fórmula turno e returno por pontos corridos sem mata-mata a mais interessante para toda a a indústria do futebol (clubes, torcida, mídia e patrocinadores). Também já falei por que considero excelente o fato de o Brasileirão apresentar quatro rebaixados e quatro debutantes na Série A a partir de decisões baseadas na regularidade e na simplicidade dos resultados verificados única e exclusivamente na temporada corrente.

Obviamente, não estou satisfeito com o nível técnico. Mas a sua carência pode ser compensada por uma pequena alteração nos critérios de desempate: sem mudar as regras do futebol nem a fórmula de disputa, pode-se induzir todos os clubes a planejar um futebol mais ofensivo a partir de algumas medidas muito simples.

Caso a minha proposta seja vista com bons olhos, o Brasil servirá de exemplo a ser seguido pelo mundo inteiro. Eis uma nova ordem nos critérios de desempate:

1º Gols a favor;
2º Confronto direto (entre dois ou mais times contando os jogos de ida e volta na seguinte ordem: PG, saldo e saldo qualificado);
3º Menor número de cartões vermelhos;
4º Menor número de cartões amarelos;
5º Saldo de gols;
6º Maior número de gols marcados fora de casa;
7º Maior número de vitórias;
8º Dois jogos extras (entre dois ou mais times contando os jogos de ida e volta na seguinte ordem: PG, saldo e saldo qualificado).

Um futebol com menos faltas, com mais contra-ataques e praticamente sem retranca sem alterar a sua natureza.

Que tal?

BRASILEIRÃO: CAEM 4, SOBEM 4 = JUSTIÇA + EMOÇÃO

O blog Azul, Preto e Branco também prefere a fórmula de pontos corridos. No entanto, questiona o formato de acesso e descenso entre divisões. Pessoalmente, discordo da sugestão do Thiago por uma série de questões. Vamos a elas.

Comparo o modelo de acesso e descenso da Inglaterra com quem passou de ano por média e recebe o mesmíssimo tratamento dado a alguém que pegou recuperação, não passou e acaba tendo que fazer dependência. A Barclay’s Premier League tem 20 clubes. Os dois últimos são automaticamente rebaixados para a Coca-Cola The Football League Championship (a Série B da Terra da Rainha, com 24 clubes). O 18º colocado da Premier League diputará um mata-mata (ou play-off) com o vencedor do play-off entre o 3º e o 4º colocados da Football League para decidir a terceira e última vaga de acesso à Premier League (que poderá resultar até mesmo na manutenção da vaga do 18º colocado da última temporada).

Esse critério apresenta duas falhas: primeiro, demanda mais datas no calendário e oferece duas chances em três (66%) de o terceiro colocado da Football League ter toda a sua regularidade de 46 rodadas ser jogada fora; segundo, possibilita ao terceiro pior clube da Premier League uma espécie de “dependência” ou de repescagem, premiando um modelo hipócrita de meritocracia.

Na Argentina, a Primera División conta com 18 clubes. Para o acesso e o descenso, disputa-se um play-off entre os vencedores de campeão da Primera B x 18º da Primera División e vice da Primera B x 17º da Primera. Porém, os dois últimos colocados da Primera División podem não ser necessariamente os dois últimos colocados na classificação geral da temporada, pois as posições de descenso são baseadas na soma total de pontos obtidos pelos clubes da Primera División nos três últimos campeonatos cheios (Clausura e Apertura de três anos consecutivos).

Neste caso, dificulta-se ainda mais a vida de quem subiu nesta ou na temporada anterior porque a sua pontuação em um ou nos dois anos anteriores por ele obtidas na Primera B  valem quase nada no somatório. Ao mesmo tempo, a prática presume um interesse da AFA, da televisão e dos patrocinadores em manter tanto quanto possível a presença de clubes tradicionais na Primera División. Imaginem esse regulamento aplicado no Brasil: o Grêmio, o Botafogo, o Palmeiras, o Corinthians e o Vasco não teriam tido que “se puxar” pra reduzir a malversação de verbas em suas respectivas gestões, perpetuando modelos falidos e afastando patrocinadores e associados da vida do clube. Na atual temporada, seria um estímulo para que o Fluminense permanecesse totalmente esculhambado, dando ao Tricolor das Laranjeiras a possibilidade de sair impune dessa.

Futebol de sucesso é igual a boa gestão, criatividade e – acima de tudo – simplicidade e valorização do momento aliado à um máximo possível de regularidade durante a temporada. Esses são os degraus de construção de uma tradição.

Normalmente, que tem mais dinheiro + planejamento minimamente decente não tem por que se preocupar com a Série B. Corrupção e má gestão não merecem nenhum respeito ou pena: trabalhou mal, caiu. Senão, vai-se voltar aos tempos do absolutismo, no qual se dizia que os reis possuíam um “poder divino” e se perpetuavam no poder.

Um país de futebol saudável precisa ter clubes de tradição rebaixados senão todos os anos, pelo menos a cada dois anos. Pra aprender, tem que cair. E, eventualmente, um grade clube que cai pode comprovar a sua incompetência ao não conseguir chegar em quarto lugar na Série B dentro de uma competição na qual a esmagadora maioria de seus adversários possui menor torcida e patrocinadores muito mais modestos.

Quanto ao baixo nível técnico: até mesmo entre os sete ou oito que ainda disputam uma vaga à Libertadores e entre os quatro ou cinco que ainda disputam o título o futebol é muito fraco. Basta ver que todas as defesas tem média de gols sofridos superior a um por partida. Salvo o Grêmio, todos os últimos colocados estão entre aqueles de pior desempenho como visitantes.

Se caem quatro e sobem quatro ao invés de três ou dois e se não existe “dependência” nem absolutismo, a fórmula é simples e mantém tão-somente quatro clubes ao invés de cinco ou seis no limbo, isto é, sem Sul-Americana nem rebaixamento. Esse é o principal fator que mantém o campeonato atraente para quase todas as torcidas durante toda a temporada.

Pra terminar, hoje em dia, considero o número de grandes clubes brasileiros bem menor do que a tradição demarca. Hoje, vejo apenas São Paulo, Cruzeiro, Tradicional Adversário, Flamengo, Grêmio, Corinthians, Palmeiras, Vasco e Santos como grandes clubes. Fluminense, Botafogo, Atlético-MG e Bahia são clubes médios, assim como Atlético-PR, Coritiba, Vitória e Goiás. Um pouco mais abaixo, Guarani e Ponte Preta. O resto não possui massa nem tradição em nível nacional.

No próximo post, proporei uma alteraçãozinha mínima nos critérios de desempate, a fim de tornar os campeonatos mais ofensivos e – consequentemente – mais atraentes para o torcedor da arquibancada, do bar e de casa e para que os patrocinadores e a transmissão midiática sejam produtos ainda mais valorizados no mercado internacional.

GRÊMIO LUTA SÓ PELA SUL-AMERICANA

O Grêmio está melhorando fora de casa e, com os jogadores disponíveis, não pode mais atuar no 3-5-2 nem que queira. No entanto, as deficiências no ataque, nas laterais e na meia-armação tornam-se mais explícitos do que nunca sempre que atuamos fora de casa.

Porém, em função do resultado negativo de hoje contra o São Paulo, salvo uma agradável e inesperada surpresa, o Grêmio tende a crescer muito pouco. Essa tênue possibilidade de melhora não conseguirá suprir suas graves carências técnicas – a não ser que haja uma surpreendente conjunção de oportunidade, competência e substancial entrada de dinheiro para acertar em contratações pontuais. Ou, então, que a gurizada do Sub-20 suba já com maturidade emocional e força física suficientes para segurar o rojão.

Não mudo a minha opinião: atualmente, Paulo Autuori é o melhor técnico que o dinheiro do Grêmio pode pagar. Se Celso Roth não servia (e o fraco Atlético-MG não deverá mais durar muito tempo no G4, mesmo que tenda a terminar pelo menos o 1º turno bem à frente do Tricolor dos Pampas), Marcelo Rospide também não: afinal de contas, postou a equipe, escalou e substituiu à imagem e semelhança do seu antecessor (e, por que não dizer também, seu mentor).

Considero a negociação de Ruy e as prováveis saídas também de Orteman e de Jadílson necessárias em função da economia e justas por causa da péssima relação custo/benefício desses jogadores. Todavia, não vejo mais como dispensar um monte de jogadores ruins nem como substituí-los à altura. Primeiro, porque o plantel ficaria numericamente carente – o que seria uma passagem de ida rumo ao rebaixamento. E segundo porque o cacife do Grêmio é muito baixo para bancar jogadores velozes E de ótimo aproveitamento nas conclusões.

Bruno Coelho do blog Grêmio 1983 defende Tcheco. Eu só defendo o Tcheco do Brasileirão 2006 e o da Libertadores 2007 até a semifinal. Fora isso, ele só atuou decentemente no último Grenal. Tcheco já possui idade avançada, preparo físico deficiente (sem arranque nem imposição física), dificilmente consegue cobrar bem uma falta ou escanteio, mais erra do que acerta na sua sensibilidade de acertar o momento de acelerar ou de segurar a bola e já declarou que as chances de encerrar a carreira ao final desta temporada são grandes. Contudo, o pior de tudo é a sua instabilidade emocional.

Jamais vaiei um jogador do meu time. Tampouco os xingo. Afinal de contas, quando os erros são frequentes, normalmente é porque ou o jogador está atuando em uma posição indequada dentro de campo, ou porque suas condições físicas e/ou técnicas são precárias.

Túlio, por sua vez, apesar de ter dado algum equilíbrio na marcação e de não levar cartões em todos os jogos, mesmo que tenha melhorado um pouco o passe e que sua solidez tenha ajudado a liberar o cada vez melhor Adílson para apoiar, nunca me agradou por ser desleal. Nunca esqueço aquele covarde chute na cara que ele deu no rosto de um jogador do São Paulo no Maracanã durante o Brasileirão de 2007, quando o Botafogo ainda era líder e, a partir dali, degringolou de vez. Hoje, contra o mesmo São Paulo e na marcação de um jogador que não era o mesmo daquela ocasião, bateu boca e quase agrediu o adversário em um momento e, na sequencia, sem bola, deu um leve porém sempre irritante tapa na cara. Por sorte, não foi flagrado pela arbitragem.

Se é pra sanar as dívidas e não enganar ninguém, mesmo que a classificação final do clube no certame fique muito aquém daquilo que a maior parte da torcida almejava, estou de acordo com a direção. Participei de uma conversa com o vice-presidente de finanças Irany Sant’Anna Jr., que é comprovadamente competente, honesto e transparente.

O que me importa é, primeiro, que o Grêmio não quebre. Depois, que possua um crescimento até uma estabilidade em alto nível de maneira gradual e sustentável, para que não tenha picos enganosos com plantéis que irão quebrar as finanças para, depois, a gestão seguinte juntar os cacos e ser taxada de incompetente ou de pé-fria.

Pra terminar, duas coisas:

1) Meus amigos Guga e Valentim do Alma da Geral que me perdoem, mas o ídolo-mor do Tricolor, Renato Portaluppi, não é técnico de futebol. Se ele quisesse MESMO ser técnico, jamais poderia dizer, como disse ao final da derrota de ontem para o Palmeiras, que “Jogamos bem, mas a bola não entrou. Quando a bola começar a entrar, vai ser outra história.”  Isso é papo de quem não entende nada de tática. Além disso, muito me incomoda quem diz “o MEU jogador”. Isso é autocrático e demonstra ou excesso de autosuficiência, ou de imaturidade, na tentativa de se impor perante o grupo. Não importa se ele se expressou mal ou se ninguém entendeu o que ele quis dizer na época da final da Libertadores de 2008 (“O Tricolor está a cinco metros da Libertadores do ano que vem“) – ele foi muito imprudente e municiou os equatorianos. No mais, por que ele não aceita treinar times de fora do RJ por menos de 250 ou 300 mil reais e aceita trabalhar nos clubes do Rio ou no Grêmio por 150 mil?! Por que ele rejeitou ofertas do Japão e do Oriente Médio?!

2) A verdade é muito dura…

RUINDADE DO GRÊMIO REFLETE RUINDADE DO FUTEBOL BRASILEIRO

Não tem a desculpa do fator local, do foco na Libertadores, do time reserva e nem do cansaço da viagem: ninguém pode dar jeito desse plantel fraquíssimo.

Enquanto o Grêmio for um clube endividado e preocupado com os especuladores imobiliários e com o desmanche consentido do Plano Diretor de Porto Alegre em função da Arena, seremos pobres.

Isso não é pessimismo nem cabeça quente: só lembro de times piores do que este na Série B de 1992 e nos que caíram em 1991 e em 2004.

Tá certo que os tempos são outros e que não se pode comparar alhos com bugalhos. Mas eu gosto de por as coisas nos seus devidos lugares: muitos pensam que “medíocre” significa “abaixo da média” só porque se trata de uma palavra “estranha”. Porém, medíocre não é nem acima, nem abaixo da média – é exatamente algo que está na média. Logo, o plantel do Grêmio é ruim, mesmo.

Nunca entendi a idolatria pelo “capitão” Tcheco: sou como o pessoal do Impedimento, que diz que um cara instável emocionalmente e de pouquíssimo brilho técnico não pode ser capitão de time grande.

Cada vez mais me convenço de que Celso Roth estava corretíssimo em relação a Douglas Costa. Não temos laterais (no máximo dos máximos um, Joílson) e o problema do Grêmio não é o 3-5-2 nem o 4-4-2 mas, sim, a necessidade de inventar por causa da tremenda falta de opções.

Muitos podem discordar de mim. Mas eu não passo a mão, não puxo o saco e não faço média.

Quando estava na 7ª série, disse a meu grande amigo Márcio De Camillis que eu não deixaria de ir aos jogos do Grêmio nem que ele caísse para a Segunda Divisão. Pois eu ainda não conheci um gremista que não tenha sido conselheiro ou parente de conselheiro que tenha ido a TODOS os jogos nas DUAS segundas divisões.

Vou ao Olímpico desde 1979, quando tinha 6 anos. Desde 1981, fora os meses em que morei no Rio de Janeiro (entre junho de 2000 e março de 2001), tenho uma assiduidade MÉDIA de 95% de presenças no estádio. Nunca xingo o time, nunca vaio o técnico e puxo o bonde. Muitos agregados (amigos próximos ou quase-parentes) que não teriam o porquê serem gremistas ou, então, que viraram a casaca, o fizeram por gostarem muito de mim e por sentirem-se contagiados pela minha paixão.

Eu vi o Flamengo de Zico, o Grêmio de Renato, o São Paulo de Cilinho, o Flamengo de Carlinhos, o São Paulo de Telê, o Cruzeiro de Ênio Andrade, o Grêmio de Felipão e o primeiro Palmeiras de Luxemburgo. De 39 edições do Brasileirão, sou testemunha atenta de 29.