OUÇAM E APRENDAM.
ESFORCEM-SE PARA SEREM PESSOAS MELHORES.
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Assim como preferem aquele ridículo fórum das cidades no qual a população em geral é alijada das discussões e o Cezar Busatto até chorou pela apropriação indébita do Orçamento Participativo que ele está ajudando a diluir como espaço de debate e de deliberação das demandas das comunidades de Porto Alegre, o FRONTEIRAS DO PENSAMENTO é outro espaço no qual a opinião de muitos intelectuais de respeito (outros nem tanto) lidos, pesquisados e freqüentemente citados por CENTENAS de graduandos, mestrandos e doutorandos em qualquer curso de Ciências Humanas do hemisfério ocidental foi privatizada para o consumo de gente que pouco ou quase nada irá refletir a respeito das informações trazidas por tanta gente importante.
Como o prof. Juremir Machado da Silva da PUCRS fala francês, fez doutorado em Paris e possui amizade e inteligência verdadeiramente sintonizadas com muitos dos franceses que vêm pronunciar-se aqui na capital da Republiqueta Reaça dos Gaudérios, ele é o jornalista mais indicado para cobrir o evento pelo CORREIO DO POVO.
A RBS, por sua vez, dá como espaço de maior visibilidade ao evento o tratamento de coluna social, pois não possui sequer um intelectual que preste capaz de diferenciar um pouquinho que seja o discurso vazio de significado proferido pela escola RBS de jornacríticos.
Pois foi nesse espaço que descobri que o grande assunto do último ciclo de debates do FRONTEIRAS foi o entrevero entre o polêmico dramaturgo GERALD THOMAS (judeu estado-unidense que viveu muito tempo no Brasil) e seu colega espanhol FERNANDO ARRABAL (supostamente franquista).
A colonista (bela expressão do PAULO HENRIQUE AMORIM) da RBS fez o papel necessário para agradar a seus patrões: postou um comunicado do presidente da Federação Israelita do RS, Zalmir Chwartzmann, condenando o fato de um judeu (THOMAS) ser contrário ao ESTADO DE ISRAEL.
Ora, vejamos: ser branco, preto, índio, árabe, israelita, católico, protestante, ateu, muçulmano, judeu, etc. não tem e nem pode ter em qualquer lugar do mundo nenhuma conotação de superioridade/inferioridade, inteligência/burrice, certo/errado, bonito/feio, trabalhador/preguiçoso e assim por diante.
No entanto, a ficha não caiu para os críticos de THOMAS que ele nunca deixou e jamais deixará de ser judeu pelo fato de criticar o sionismo, que é uma corrente radical de extrema direita que domina as finanças e a gestão de empresas e dos governos mais ricos do planeta, seja de maneira direta ou indireta. É um estilo de vida que prega a intolerância, a diferença a concentração de renda.
Foi contra isso que GERALD THOMAS se insurgiu. E assim como boa parte daqueles que simpatizam e praticam até hoje o nazismo, o fascismo, o presbiterianismo e o militarismo, o sionismo é um caminho muito perigoso e bastante parecido.
Eu adoro o Bonfim. Tenho muita vontade de conhecer Israel. Tenho uma porrada de amigos muito queridos que são judeus, assim como tenho amigos muito pobres, amigos negros e amigos índios. Mas não compactuo com nenhuma forma de política, religião, teoria social ou modelo de gestão excludente e violento.
Não pus link nenhum para as fontes porque excepcionalmente considero que nenhuma delas mereça “ibope”. Pelo menos os otários endinheirados que bancaram os caros ingressos para seus funcionários e para si próprios ficaram com a impressão de terem sido lesados por causa de um debate que não houve e de uma palestrinha de apenas 20 min. de duração.
Os gênios do marketing e da administração também erram. E feio: gastaram um caminhão de dinheiro pra trazer dois caras que não são sociólogos nem filósofos e que se detestam de tal forma que não é possível conciliar a presença de ambos sob o mesmo teto.
Enquanto isso, eu dou risada. Garanto que se fosse barato, a academia estaria lá em peso. E GERALDO THOMAS teria sido mais aplaudido do que vaiado.