12/05/2006. 11 dias antes de eu completar 33 anos de idade e 29 dias antes do início da competição. Lembro com muito orgulho e saudade do início deste blog, que deu-se às vésperas da Copa do Mundo 2006. O Brasil mudou. O mundo mudou. O Grêmio mudou. O futebol mudou. Em 2010, assistiremos à primeira Copa no continente africano.
Estou bastante esperançoso: apesar dos importantes desfalques em várias seleções, ainda penso que o futebol atual está mais repleto de jogadores ofensivos e com melhor qualidade de passe do que em 2006.
Coincidentemente, tem-se constituído uma lógica bastante estranha desde a Copa de 1982: uma Copa é vencida por uma seleção pragmática demais, outra por uma seleção que possui um craque que desequilibra como poucos assessorado por um plantel imperfeito porém ousado.
Pois a exemplo de 1986 (a melhor Copa que eu vi e o maior craque que eu conheci), 1994 (digam o que disserem, Romário e Bebeto deram show; e tivemos as inesquecíveis seleções de Camarões, Bulgária e Romênia, além de lances espetaculares que vocês são obrigados a assistir ao clicarem nos links inclusos no seguinte post) e 2002 (a melhor defesa brasileira de todos os tempos, o melhor ataque de todos os tempos, a segunda maior média de gols de um Brasil campeão em todos os tempos, barba e cabelo com goleador e vice), vejo um futebol muito mais veloz e ofensivo do que em 2006.
Sobre 1990, um relato excelente do Rodrigo aqui.
A exceção em termos de jogo eficiente capitaneado por um craque foi a França de 1998. Muitos poderiam dizer que não houve aquele brilhantismo todo, mas os galos azuis mostraram que, dentro de um seletíssimo grupo de grandes seleções que ainda não haviam sido campeãs do mundo, o fizeram por merecer.
Mesmo diante de um trabalho tão prazeroso e gratificante quanto volumoso e criterioso neste final de semestre na nossa querida ComDig Unisinos, pretendo fazer tudo o que estiver ao meu alcance para poder assistir a todos os 64 jogos do mundial da África do Sul – nem que seja em videotape, nem que acumule meia dúzia de jogos por dia nos fins de semana.
Torço por poucos cartões, poucas faltas, poucos erros de arbitragem, muita velocidade, dribles, marcação muito intensa porém leal e pelo predomínio do 4-4-2 em duas linhas ao invés do 3-5-2. Acho muito simpático o 4-3-3 holandês, mas seria um sonho feliz vê-lo brilhar.
O querido Milton Ribeiro, embora colorado, é um dos melhores blogueiros do país. Em uma de suas tantas análises críticas de rara competência, brasileiro que é, pergunta: para quem torcer? O não menos querido amigo Rodrigo Cardia, nosso Cão Uivador, manifesta a mesma preocupação com a distância geográfica e afetiva do plantel montado por Dunga a serviço da CBF e de seus 10 patrocinadores e elege Uruguai, Argentina e Holanda como seleções mais simpáticas do que a do Brasil.
Para quem me conhece, nenhuma novidade: não torço pelo Brasil em função de um trauma que este então guri de nove anos sofreu em função de um ufanismo exacerbado e da sua paixão por futebol que aflorou pra valer um ano antes com o primeiro Brasileirão do Grêmio, a Libertadores e o Mundial do Flamengo e uma série de amistosos da Seleção narrados na antiga TV Record e retransmitidos para o Rio Grande do Sul pela TV2 Guaíba pelo (felizmente) interminável Silvio Luiz.
Por um lado, eu sou um torcedor do mundo. Mas, de coração, eu sou camaronês. Sim, eu me lembro do time de 1982. Tanto é que escrevi sobre eles aqui. Sim, eu chorei copiosamente após a nossa eliminação contra a Inglaterra em 1990.
Afinal de contas, o futebol foi feito pra ser um lazer e uma paixão. A bola rola em forma de drama, comédia e documentário. Mesmo sendo uma verdade documentada (e, portanto, historicamente registrável), cada um de nós escreve a sua própria peça de ficção a cada jogo.
E eu não acho que valha a pena queimar energia com aquilo que magoa, que entristece, que irrita, que indigna, que revolta: minhas lágrimas de emoção só merecem ser derramadas por gente do bem, por fatos que me façam aprender, por quem me traga alegria e conforto.
De todas as Copas da história, aquela em que eu mais gostaria de estar, não estarei: justamente a da África do Sul. Como pretendo estar vivo, saudável e com uma carreira já com um bom andamento daqui a quatro anos, torcerei para que Porto Alegre seja a sede da Argentina, da Holanda e/ou de Camarões.
Porque futebol é bom e eu gosto! ;)