GRÊMIO CAMPEÃO GAÚCHO DE 2010

Vou falar agora sobre o que interessa, que são os dois grenais. Não sobe cada jogo individualmente mas, sim, sobre as escalações e organizações táticas que fizeram com que as duas partes de uma mesma decisão que coroou a vontade maior do Grêmio fossem tão diferentes.

Começo por ontem: sinceramente, não vejo como ruim, constrangedora e nem tampouco vergonhosa a derrota para eles ontem em casa, em meio a uma festa preparada.

Eles tiveram uma única chance real de gol e não conseguiram forçar o suficiente a ponto de fazer com que o Grêmio errasse ainda mais do que errou. Bem ou mal, a dupla de zaga funcionou. Por outro lado, os nossos dois laterais – a meu ver – fracassaram. Porém, isso não se deu por falhas individuais gritantes mas, sim, pelo fato de não ter havido uma cobertura mais sólida a ambos.

O plantel do Tradicional Adversário é, sim, de muita qualidade. A eles, falta um centroavante de área, pois o pivô movediço tão perigoso e eficiente quanto o nosso satisfatório e perigoso Borges é Walter. A eles, falta alguém equivalente ao Jonas (por favor, não comecem de novo), isto é, alguém veloz porém consciente na hora de prender a bola e eficiente nos cruzamentos e tabelamentos.

Mesmo que Ozéia tenha jogado direitinho ontem e que também tenha correspondido às expectativas no Maracanã diante do Flu, ainda assim o entrosamento de Victor aos volantes (setor predominantemente defensivo), é notável o desentrosamento gerado pela ausência de Mário Fernandes.

Como se isso não bastasse, não foi apenas a falta de um único titular incontestável que fez a diferença no posicionamento, no tempo da bola e na decisão sobre a iniciativa de exercer a carga sobre o adversário X ou Y mas, sim, o retorno de um antigo titular cujo futebol só funciona em uma curtíssima faixa do campo, pois ele não é alto, não é veloz, não é habilidoso e é menos forte do que sua posição normalmente exigiria de um jogador. Falo de Ferdinando.

O retorno do volante ex-Avaí prejudicou severamente a movimentação tricolor: afinal de contas, ele é uma peça que altera – e muito – o posicionamento e a movimentação de quase meio time. Ficou claro que o único volante que conseguiu sair jogando com poucos erros e com bastante efetividade foi o “alemão” Adílson. Willian Magrão esteve totalmente perdido, pois sua única postura eficiente foi ao fechar a entrada da área pelo meio, a fim de evitar novos arremates de longa distância.

Se Magrão não conseguia progredir nem permanecer em uma faixa do campo mais ou menos determinada, isso interferiu também no aproveitamento de Douglas: faltou ao nosso meia de ligação verdadeiramente habilidoso a necessária parceria capaz de fazer com que o time obtivesse mais espaços para municiar Jonas e Borges mais frequentemente.

Aí, chegou no segundo ponto de desarranjo no meio-campo: Leandro, que não é meia de ligação nem atacante, que possui habilidade mas que não possui nem uma posição definida, nem é capaz de flutuar livremente com uma boa coordenação associada à dinâmica da movimentação de todos do meio para a frente.

Isso posto, considero imprescindível hoje a presença de – pasmem – Fábio Rochemback no lugar de Ferdinando e de, na impossibilidade do titular absoluta Maylson, Hugo.

Hugo foi o nome do Grêmio no 2º tempo: ele alterou o jogo a nosso favor, pois minimizou muito a forte marcação exercida pelo gigante Sandro sobre Douglas.

Voltemos à escalação do T.A. ontem: eles não escalaram a “reba” ou a “baba” mas, sim, homens que proporcionaram um conjunto de opções táticas e técnicas bastante diferentes, como uma tentativa de nos surpreender. Comparem com outros clássicos: por acaso alguém viu alguma lógica quando o Mano Menezes inventou aquele 3-6-1 apenas com Rômulo no ataque e a invenção do lateral Alessandro naquele grenal em que Diego Souza destruiu com eles no Aterro? Lembrem-se de que, até então, Alessandro vinha sendo contestado, pois era um lateral que não apertava na marcação e que não apoiava decentemente.

Todos os reinos (animal, vegetal, mineral, etc.) estão carecas de saber como eles jogam com Andrezinho e/ou D’Alessandro e com Guiñazu: leveza do meio para a frente sem marcação na saída de bola do adversário, cruzamentos perigosíssimos pingados entre a marca do pênalti e a pequena área (exatamente no ponto onde é quase impossível um goleiro conseguir sair) e muitos chutes de fora da área. Reparem também na grande diferença de estatura que o Grêmio enfrentou ontem: foi um T.A. bem mais alto em todos os setores do campo, exceto pela opção por Taison.

Ronaldo fez um bom Brasileirão. E ele é bem mais jovem do que Índio, Bolívar e Fabiano Eller. Se é mais fácil destruir do que construir, ao invés de atuar num 4-4-2 com a iniciativa de atacar como o fez no Beira-Rio, Fossati optou por um 3-5-2, sabendo que precisava experimentar jogar no contra-ataque superpovoando a defesa com medo de Jonas e Borges, além de tentar brecar a qualidade de Douglas.

Apesar de ter inventado o desesperado 4-2-4 nunca treinado ao final do clássico anterior e também contra o Banfield, vocês poderão até me jogar ovos (não, não façam isso: há muita gente faminta e essa brincadeira não tem graça!), mas considero Fossati um bom técnico, sim.

Mesmo que tenha entrado apenas ao final da partida, o meia Tiago Humberto, também foi muito bem no hoje Grêmio Prudente (ex-Barueri). Foi uma tentativa válida de tentar mudar o toque e a cadência da bola, pois eles precisavam de outro gol e a marcação do Grêmio foi bem-sucedida, principalmente no 2º tempo. Felizmente, também não deu certo.

Eu vi Sandro e Giuliano em todos os jogos do Mundial Sub-20 no ano passado. A maturidade e a qualidade técnica de ambos sobra. Hoje, diria que são muito mais jogadores do que Andrezinho e D’Alessandro (no caso de Giuliano) e que, a exemplo da possível intromissão de um jogador menos qualificado do que outro em uma posição adjacente, diria que, sim, o idolatrado Guiñazu atrapalha – e muito – os movimentos de Sandro.

O Grêmio celebrou o fato de que – aparentemente – a ausência dos meias de ligação considerados titulares (D’Alessandro e o injustiçado 12º jogador colorado, Andrezinho) não nos ameaçariam. Por desconhecimento do vasto plantel vermelho, não houve, por parte da nossa comissão técnica, uma rápida percepção acerca da dinâmica completamente inesperada posta por Jorge Fossati em campo ontem no Olímpico.

Após muito tempo de críticas às vezes até injustas, passei a perceber que Silas costuma arrumar melhor o time no intervalo. E, como de costume, assim o foi: Hugo fez Jonas (muito, muito marcado) jogar um pouquinho mais, assim como também colaborou com uma aparição mais perigosa de Borges (este, uma peça diferenciada em nível nacional). Douglas, por sua vez, ainda deixava a desejar, graças à atuação de Sandro. Porém, Hugo trouxe ao Grêmio uma presença ofensiva maior e uma posse de bola que poupou a nossa zaga dos erros e de um desgaste físico maior ao final da partida.

Neuton não foi surpreendente nem ofensivo como o fora no Beira-Rio. Também não foi notado dentro de campo como ocorrera no Maracanã. Contudo, não atuou mal: embora não tenha a mesma velocidade nem o estupendo tempo de bola do Mário Fernandes, foi excelente ao impedir que Taison conseguisse ser veloz e perigoso.

Enfim… Conquistamos nosso 36º Gauchão em nossa 13ª decisão direta contra eles e, a exemplo dos tempos de Dorinho, eles ganharam o último clássico sem uma vantagem suficientemente capaz de retirar o nosso título.

Hoje, começa uma nova caminhada: os quatro primeiros meses do ano, que significaram a adaptação de uma porção de novos atletas e de uma nova comissão técnica à cultura do clube, da mídia e da nossa sociedade, acabou. O torneio que representa a primeira etapa em um processo de desenvolvimento físico, técnico e tático contra adversários pouco expressivos agora retorna somente em 2011.

Silas pediu reforços. Ele sabe que outros meninos além dos dez que ora são profissionais precisarão ser maturados e que o nosso celeiro de craques tende a nos trazer novas revelações quase na metade do segundo semestre. Também ficou claro que alguns dos jogadores trazidos para compor o grupo são insuficientes para a exigência do Brasileirão. Como se isso não fosse uma exigência suficientemente forte, também estamos diante da primeira Copa do Brasil em vários anos cujos oito remanescentes hoje à espera da partida de volta das quartas-de-final são todos times de Série A. Como há muito não se via, há um Atlético-MG com um plantel experiente, com um Luxa motivado e com uma massa ávida por um título após o pesadelo da Série B. Como há muito não se via, há um grande clube carioca procurando mudar a sua maneira de pensar o futebol buscando dar um salto de qualidade (o Fluminense de Muricy) e, finalmente, como há muito não se via, há um time muito chato, veloz, insinuante, correndo como franco atirador, que irá incomodar muita gente durante o resto do ano (o Atlético-GO, de Geninho).

Os Meninos da Vila, que formam o time de futebol mais ofensivo, bonito e assustador do país, estão no caminho do Galo, assim como o Tricolor das Laranjeiras está no nosso. Fora esses, vimos, com a final do Gauchão, que não se pode tirar o Tradicional Adversário para compadre sob hipótese alguma. Há ainda Mano Menezes tentando se consagrar com um Brasileirão em um clube que investiu muito neste ano d centenário, assim como a manutenção da espinha dorsal do São Paulo dos últimos anos.

Ainda não estamos prontos. Mas o nosso norte é, após muito tempo, bastante nítido.

GRÊMIO CAMPEÃO MUNDIAL 1983

O dia mais feliz da vida de todos os gremistas até aqui.A atuação mais perfeita do maior jogador de futebol que a humanidade já viu: RENATO PORTALUPPI!Parabéns a todos nós pelos 25 anos de nossa maior conquista!

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GRÊMIO CAMPEÃO GAÚCHO 1985

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BONAMIGO e CAIO JÚNIOR. MAZAROPI; RAUL; RUBENS MINELLI; GILBERTO TIM; IRANY SANT’ANNA; ADALBERTO PREIS; SAUL BERDICHEWSKI. Gremistas ilustres e jogadores que deixaram saudade.

Todas essas lembranças com a voz do melhor narrador de futebol gaúcho em todos os tempos, o hoje pacato pescador CELESTINO VALENZUELA, com todo o se carisma e simpatia low profile.Na época, eu tinha apenas 12 anos de idade.

Depois de uma infância complicada em nível estadual e nacional, depois do BRASILEIRÃO de 1981, da LIBERTADORES e do MUNDIAL em 1983, minha adolescência como torcedor passou a ser um céu de brigadeiro.

Muita saudade daquela época!

SÃO PAULO HEXA 2008

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Independentemente de qualquer fator verdadeiro ou de qualquer factóide extra-campo, o campeão foi o melhor: o mais rico, o que mais acerta do que erra nas contratações e, acima de tudo, aquele que consegue tirar um coelho da cartola quando menos se espera.

Plantel de atitude, o melhor técnico do país e o capitão que qualquer time do mundo adoraria ter.

Pontos corridos tem graça, sim, senhor. É mais justo, sim, senhor. É mais disputado, sim, senhor. É mais emocionante, sim, senhor.E mantém os clubes girando dinheiro e produzindo trabalho para si, para seus torcedores, mídia, patrocinadores, empresas aéreas, aluguel de ônibus de viagem, hotelaria, restaurantes e logística durante o ano inteiro.

Melhorem o nível da arbitragem, acostumem-se a tirar os velhacos dos conselhos deliberativos dos clubes e racionalizem em cima de sua paixão pelo esporte.Basta isso. Parabéns ao BAYERN MÜNCHEN brasileiro! :)