POR UM NOVO DISCURSO SINDICAL

 

Tenho me preocupado bastante com o uso de linguagens assertivas para comunicar ideias que façam com que os cidadãos de todas as idades ajam presencialmente para aperfeiçoar cada vez mais o mundo em que vivemos. Muito embora a realidade indique que as revoltas em cascata que permeiam os ambientes online e presencial neste ano de 2011 decorrem do abandono do estado e da especulação liberal que acarretam na precarização do trabalho, percebo que o discurso partidário e sindical está desencaixado de quase todos os demais setores da sociedade, que não possuem o menor interesse em abraçar qualquer causa política sob esses termos.

Os sindicatos são fundamentais para garantir direitos trabalhistas que protejam o cidadão. Diria que eles são muito mais importantes do que os partidos. No entanto, eles precisam atualizar o seu discurso, a fim de voltá-lo para uma parcela da população que não os conhecem, ou os tratam com preconceito e criminalização.

Embora eu mesmo viva cometendo a grave falha de discutir política sob condições hoje tidas como antiquadas porque envolvem muita raiva e muita paixão, procuro verificar nos discursos jornalístico e publicitário voltados para as mídias sociais digitais alguma solução capaz de atingir à classe média urbana e de trazer aquela energia da juventude à tona.

A publicidade e o jornalismo ensinam muito a todos os que conseguem compreender tecnicamente a produção e o objetivo voltados à satisfação dos interesses de quem encomenda cada peça ou cada matéria. Em função dessa faceta comercial e ideológica, a mídia corporativa e as agências que atendem as contas dos anunciantes hegemônicos desenvolvem produtos que, de maneira subliminar, apresentam objetivos que vão muito além da compreensão média daquilo que chamamos de senso comum.

A questão de fundo refere-se à processualidade e ao cotidiano das práticas jornalísticas e publicitárias submetidas a uma indústria que atravessa e é atravessada por uma lógica socioeconômica e cultural de preservação do status quo protagonizada por uma minoria hegemônica. Portanto, tratar toda a publicidade e todo o jornalismo como a encarnação do “mal” é um erro crasso: primeiro, porque a divulgação de uma ideia qualquer a partir de um discurso que sempre visa o convencimento do público nem sempre está a serviço do neoliberalismo e do consumismo; segundo, porque a sutileza e a subjetividade (com ou sem o uso de mensagens subliminares) nem sempre são artifícios voltados para enganar as pessoas e para esconder a verdade; terceiro, porque não é nada fácil prospectar clientes para viver por conta própria e as vagas dentro dos veículos e das agências consolidadas são escassas mesmo em temos de economia crescente; e quarto porque é preciso entender que o dono, o editor, o diretor de criação e o marqueteiro não são exatamente desonestos porque não creem que o sejam; e, finalmente, em quinto lugar, é fundamental lembrar-se que os funcionários subalternos de várias áreas dentro do jornalismo e da publicidade obedecem ordens, memorandos, diretrizes, manuais e briefings não como pequenas cobras criadas nem como seres ingênuos mas, sim, como profissionais que vendem a sua força de trabalho, a sua produção técnica e intelectual. Infelizmente, nem todos possuem o empreendedorismo, a oportunidade, aptidão ou talento para criarem um coletivo de comunicação que funcione como uma cooperativa.

Sem querer generalizar mas já generalizando, os sindicatos são estruturas burocráticas que, mesmo atuando em defesa do trabalhador e possuindo informação correta sobre questões políticas, econômicas e jurídicas além da sempre importante crítica da mídia corporativa, pecam por defender partidos e por tentarem manter uma atitude purista em termos ideológicos.

E é para sair desse purismo que insisto na necessidade de aceitar que é preciso ter um discurso mais espetacularizado, voltado ao consumo de suas ideias expostas de maneira simplista e bombástica, porém assertiva. É preciso descomplicar para buscar atingir a classe média urbana sem exatamente confrontá-la com as suas aspirações neoliberais nem com o conservadorismo que a caracteriza. É preciso investir em um padrão técnico-estético contemporâneo, mais dinâmico, de cortes secos, de imagens frenéticas, de músicas de fundo com batida forte, com o uso de um vocabulário mais jovem.

Cada público e cada contexto socioeconômico e cultural demandam diferentes discursos. A sociedade não é mais de massas mas, sim, de nichos que, ao aglomerarem-se eventualmente para a consecução de demandas bastante pontuais, torna-se uma multidão. A multidão é multifacetada e não necessariamente segue os mesmos valores ou sente a necessidade de manter o mesmo nível de envolvimento para demandas diferentes. Segundo Negri e Hardt, a multidão diferencia-se bastante da massa, do povo e da classe operária: a massa seria uníssona; o povo seria homogêneo e a classe operária não possui mais um papel hegemônico nem protagonista como organizadora das formas de luta e de resistência em uma sociedade eminentemente urbana. Afinal de contas, o mundo contemporâneo move uma economia do capital social, do mérito, dos commons e da solidariedade não-ideologizadas cujo produto/moeda de troca é essencialmente o trabalho imaterial.

Dessa forma, vejo como fundamental a inserção do sindicalismo nas mídias sociais como um ator conversacional, dialógico e interagente, que precisa ler, ver e ouvir não mais o seu público-alvo direto (o operariado) mas, sim, buscar a compreensão da sociedade como um todo para as suas causas legítimas, que são deslegitimadas não apenas pelos donos dos meios de produção mas, sobretudo, por uma sociedade que não se identifica com o sindicalismo.

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NOTAS

[1] V. págs. 80 a 84 item 3.2 “A Legitimação do Campo Jornalístico”; págs. 84 a 86 item 3.2.1 “A Esfera Pública” e págs. 86 a item 3.2.2 “Campos Sociais” (baixe aqui)

O FUTURO DO JORNAL IMPRESSO PASSA PELO DESIGN ESTRATÉGICO

Grande parte dos argumentos de Juan Luís Cebrián, diretor do jornal espanhol EL PAÍS, entrevistado da Cris Rodrigues no Somos Andando possuem um imenso valor – sobretudo por ele ainda conseguir ser tão crítico e analítico em relação às transformações radicais que a sua indústria (mídia impressa) tem sofrido em tão pouco tempo sem fazer uma defesa “parnasiana” à indústria do jornal em papel. Portanto, trata-se de um homem de negócios bastante honesto e interessado em evoluir permanentemente para não ter que fazer como a Carolina de Chico Buarque – coisa rara nesse meio. Justamente por causa dessa observação, me surpreendo negativamente ao ver professores de Jornalismo antigos ainda falando única e exclusivamente em mídias analógicas per se: afinal de contas, o contexto socioeconômico e cultural que atravessa e é irreversivelmente atravessado pelas TIC não facilita de maneira alguma a sobrevivência mercadológica do modus operandi fordista, que separa as redações em linhas de montagem e faz do departamento comercial e dos editores gatekeepers de alcance extremamente limitado em função da amplitude de pautas e de visões possíveis acerca das mesmas pautas.

No livro Uma História Social da Mídia de Asa Briggs e Peter Burke (leia, pois ele abre portas), eles falam sobre todas as (r)evoluções industriais. O paralelo que os autores estabelecem entre as (r)evoluções nos transportes e nas telecomunicações é absolutamente coerente e temporalmente quase simultânea.

Esse mesmo paralelo serve para a Economia, a Administração e o Marketing explicarem por que um determinado modelo industrial é superado por outro. Por exemplo: quem tinha uma indústria de trens e fomentava uma economia baseada nas estradas de ferro e definia o seu core business (negócio prioritário) como “indústria de trens movidos por motor a vapor” normalmente sucumbia, pois tinha como valores e objetivos a manutenção dessa indústria. Por outro lado, aqueles que entenderam que estradas para veículos com pneus e movidos por motor a combustão não seriam o seu fim e poderiam competir contra os novos players (atores) introduzindo a sua expertise (conhecimento) no ramo de TRANSPORTES EM GERAL também puderam prosperar.

Em função disso, creio que a grande possibilidade não apenas de sobrevivência como também de valorização do jornalismo impresso direciona-se para duas possibilidades já observadas no mercado:

1) Assim como tem ocorrido com as revistas, os jornais também tendem a aderir à hipersegmentação de veículos independentes financiados por patrocinadores de nicho e vendidos por um valor diferenciado para um público bastante especializado em uma ponta;

2) Na outra ponta, patrocinadores mais – digamos – “massivos” irão bancar jornais mais genéricos como os secularmente produzidos pela mídia corporativa, porém com uma tiragem menor e com o privilégio do design como forma de valorizar a informação;

3) O jornal e a revista aproximar-se-ão em termos morfológicos e de uso ao serem portados para tablets sob a forma de aplicativos com interfaces e funções diferenciadas de acordo com o interesse do editor a partir dos resultados de uma sociabilidade efetiva junto a seus antigos consumidores e, agora, interagentes, que são também produsers em ambientes digitais semelhantes encontrados em outras mídias sociais;

4) Em um grau de interface menos elaborada, mais leve e mais barata para se compartilhar, prevalecerá o formato e-book: PDFs de fácil navegação, mesmíssimas dimensões físicas e layout idêntico ao de uma possível versão impressa – provavelmente com o acréscimo de podermos assinalar, fichar e comentar os trechos que considerarmos mais importantes para as nossas necessidades.

Mais acima no texto, conforme brevíssima descrição das transformações sociotécnicas relacionadas à minha compreensão acerca da abordagem de Briggs e Burke (também aí contando com Castells), concluo que a mudança do suporte redefine a economia, a cultura e modifica dramaticamente as relações sociais a partir do modelo de transporte, de armazenagem e de compartilhamento da informação.

Todavia, o sempre contestado e pouco aceito sociólogo italiano DOMENICO DE MASI (O Ócio Criativo, O Futuro do Trabalho, Criatividade e Grupos Criativos vols. 1 e 2) dentro da maioria dos grupos de discussão dentro das Ciências Sociais Aplicadas na academia brasileira salienta que convivemos, dentro de um mesmo país, com culturas extremamente localizadas que fogem da compreensão do cidadão das megalópoles hiperconectadas. Temos então relações informais do ponto-de-vista socioeconômico e cultural que oscilam entre o feudalismo, o coronelismo, a teocracia, o absolutismo, o fordismo e a pós-modernidade (em HARVEY; poderia ser Era Pós-Industrial em CASTELLS ou Modernidade Líquida em BAUMAN).

Esse anacronismo torna necessário compreender que o papel do comunicador é o de tornar o discurso compreensível para cada tipo de público. Logo, torna-se imperioso deixar de lado tanto o discurso luddita (o de que a tecnologia por si causa desemprego, êxodo e obriga a desenvolver habilidades diferentes de uma hora para a outra a fim de não ser excluído) como o tecnófilo (para o qual todo o tipo de aparato tecnológico sempre soluciona por si todas as questões socioeconômicas e culturais rumo a uma evolução constante e pacífica). Com isso, entendo que nenhuma mídia morre mas, sim, vai sendo adaptada ao contexto.

Por que? Porque quem define como, quando, aonde, por que, sob quais condições, com quais liberdades e limites práticos, teóricos e legais um determinado produto é utilizado somos nós, seres humanos. Uma determinada tecnologia só adquire um papel verdadeiramente transformador quando é apropriada de forma a tornar a vida mais fácil a partir de características que proporcionam às comunidades uma conveniência maior, isto é, quando se torna claro que o seu uso irá fazer com que a maioria dos indivíduos supere dificuldades de transporte, de comunicação, de energia, de alimentação, de comércio, lazer, estudo, trabalho, cultura e entretenimento.

Isso posto, o jornal impresso ainda será uma mídia protagonista em uma quantidade incontável de nichos – sendo que, em determinadas culturas, permanecerá durante algum tempo como o principal suporte de informação textual sob os gêneros notícia e opinião.

…Numa época em que o conhecimento é a principal mercadoria do mundo, o  design pode projetar, além do produto, sua estratégia. Projetar significado, forma e percurso de produtos, serviços, comunicação e experiência é o que ensinamos.

É sob o aporte teórico acima que justifico este post: o designer polonês JACEK UTKO demonstra que o meio jornal pode sobreviver com bastante valor se a ele for dado o peso de um projeto no qual as regras básicas da Gestalt se sobressaiam à eterna vontade arcaica da má arquitetura da informação secular presente na maioria dos jornais do mundo capitalista de ocupar cada espaço com blocos e mais blocos de texto e com fotos delimitadas e sufocadas. O design de revistas ensina que a valorização do espaço em branco e as preocupações com a similaridade e com a pregnância dos elementos visuais contidos na área útil das páginas (isto é, dentro da “mancha” – gíria para a área do papel que será contida pelo tamanho da máquina impressora) faz parte da comunicação.

A comunicação está cada vez mais longe de restringir-se apenas à mensagem contida no texto associada ou não a imagens e ilustrações: uma comunicação efetiva também é defini-se pela determinação racional E emocional que traz consigo uma bagagem cultural capaz de alterar a relação do interagente com o conteúdo a partir da forma do seu continente.

Indo um passo mais além, design é continente E conteúdo: a fonte, as cores, as formas… A diagramação do texto também é desenho. A diagramação também é mensagem: e uma sociedade retangular, cercada, blocada, fechada, individualista e pouco atraente dificilmente terá condições de ser mais plural se não souber representar visualmente que assim é que deseja interagir: de uma forma fluida, aberta, democrática, inclusiva e multicultural.

Infelizmente, o modo fordista (tanto por parte de quem detém o capital como de quem está subordinado a esses em condição de inferioridade social) e o moral judaico-cristão ainda não entendem o design como constituinte, como conteúdo e continente: a estética e a usabilidade da informação a tornam mais funcional e amplamente mais digerível e, consequentemente, mais fácil de compartilhar. Não é apenas tornar a informação textual e ilustrativa mais bonita mas, sim, mais funcional. E, acima de tudo, o design é informação, não é moldura nem fundo para a informação. O design traz personalidade. O design organiza, o design transforma a maneira de enxergar a mesma coisa.

O design do início do século XX e do período Entre-Guerras é um design eminentemente formal e sóbrio, voltado à durabilidade e à economia de bens escassos. O design pós-moderno voltado ao consumismo é o design da obsolescência programada. E o design que a indústria da mídia analógica precisa é um design que represente a necessidade de o homem contemporâneo transcender os limites de um suporte que não apresenta um modelo de interação mais abrangente do que o um-todos – típico da mídia de massa.

Estética e função caminham juntos: estética não é “frescura” e a função não deve ser sisuda nem pragmática. O design é, sim, ideológico. Porém, a ideologia não deve ser meramente partidária nem financeira mas, sim, um reflexo da sociabilidade cotidiana.

O jornal é moldado por uma indústria fordista. E a informática moldada por organizadores matemáticos de conteúdo e de funções. Faltam comunicadores no design e designers na Comunicação para preenchermos essa lacuna.

O MANIFESTO ING

A proposta do Manifesto ING (Indivíduo Não-Governamental) tem a minha cara e a cara de muitos dos criadores, divulgadores e apoiadores das causas postadas no PORTO ALEGRE.CC: é preciso ter iniciativa, crença e um forte espírito de solidariedade.

Isso é muito mais importante do que qualquer ideologia formal, pois as ideologias separam, dividem, desagregam em função de postulados incompletos e contraditórios.

Grande parte dos valores nos quais acredito e das ideias e utopias que motivam a minha participação política e social são conhecidas (do contrário, leiam aqui). Penso que o mundo atual depende muito da libertação das pessoas de certas amarras que geram dicotomias e as fazem conduzir o seu cotidiano pensando primeiro no pior em termos de viabilidade de seus sonhos.

Até segunda ordem, creio que a maioria seja pessimista, descrente, desmotivada e pouco participativa muito mais por causa da ignorância retórica, discursiva e pedagógica acerca da maneira de comunicar da juventude que será a classe dirigente de amanhã.

US NOW: SOCIABILIDADE, PARTICIPAÇÃO VOLUNTÁRIA,POLÍTICA E ECONOMIA NO ESPAÇO PÚBLICO DIGITAL

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O QUE O PT, A CLASSE MÉDIA, OS MAIS IDOSOS E O PIG NÃO ENTENDEM

DEPOIS EU EDITO E PONHO LINKS.
A publicidade e o jornalismo offline não têm correspondente discursivo nas mídias sociais. A formação não é adequada, assim como há um preconceito e uma ignorância gigantescos por parte de jornalistas antigos, enquanto os publicitários estão perdidos, pois a sua função dentro desta mídia é pouco relevante e não gera um faturamento satisfatório às agências.
O Azenha escreveu outro dia no Vi o Mundo que o PT errou feio ao continuar sendo pautado pelo #pig. Definitivamente, isso não faz sentido.
Steven Johnson, autor de dois livros seminais para a compreensão das mídias sociais e da sociedade em rede (A Cultura da Interface e Emergência) hoje não lê jornais impressos, não ouve rádio AM e quase não assiste TV: a vida dele não obedece a nenhuma grade de programação e tampouco é pautada por algum gatekeeper.
Michel Maffesoli fala em um dado momento de O Tempo das Tribos que a pós-modernidade é caracterizada (entre tantas outras coisas) pelo neotribalismo: apesar da sociedade de fluxos, da ubiquidade e da onipresença da informação que circula, que é apreendida e, depois, transformada e devolvida para a rede, o outro lado dessa dinâmica aponta para uma cultura de nichos.
A política partidária brasileira não entende a cultura de nichos porque – a meu ver – equivocadamente ainda pensa em povo e em massa quando, na verdade, deveria pensar em MULTIDÃO (Negri e Hardt).
70% da informação que Steven Johnson acessa vem da sua timeline do Facebook. No meu caso, todos os links que me chamam a atenção para ler ou assistir chegam muito mais até a minha timeline do Twitter (e acho que isso também tem ocorrido recentemente com grande parte dos internautas brasileiros).
O crescimento econômico do Brasil e o monstruoso crescimento das igrejas midiáticas são muito mais velozes do que o resultado cultural e educacional pelo qual a maioria dos beneficiados pelas políticas públicas do Governo Lula consegue atingir.
Por isso, o uso mais frequente do Orkut é para publicizar a própria vida ou para vincular-se a comunidades meramente identitárias ou de protesto frívolo (Amantes da Pastelina ou Eu Odeio Galvão Bueno) e o uso predominante do Twitter apresenta poucos links e chamadas e mais a exposição do sentimento ou do que o usuário faz naquele dado momento.
O e-mail e os fóruns de discussão atingem pessoas mais maduras e menos versadas no domínio da apropriação de cada mídia digital. É aí que atacam os panfletos apócrifos digitais.
A Igreja Católica Apostólica Romana e as igrejas protestantes consideradas tradicionais, mais éticas e mais sérias perderam muito terreno para essas vertentes “evangélicas” ou “pentecostais” que as superaram porque pregam na e para a mídia: a Igreja Universal do Reino de Deus, a Assembléia de Deus e outras menos votadas adquirem jornais, revistas, emissoras de rádio e de televisão e postam sermões na internet porque entendem que a igreja, a comunidade e a gramática da liturgia tradicional não atingem à maioria da população.
Quando comecei a dar aula na Agência da Boa Notícia Guajuviras (Pronasci, Territórios da Paz, Canoas/RS) http://guajuvirasterritoriodepaz.blogspot.com , me disseram que pegaria alunos que teriam que aprender a ligar o computador.
QUE NADA!!! Há 12 LAN houses regulamentadas e dezenas de LANs clandestinas no Guaju!!! Passei em algumas delas pra divulgar o projeto e vi PCs lotados de meninos bem pobres usando Orkut e MSN direto!
Outra coisa: lá, há mais de 70.000 habitantes e mais de 70 igrejas. Uma das minhas alunas baixa os hinos pra treinar, pois ela canta no coral da igreja que frequenta.
Mesmo que eles estejam conosco graças a uma política pública de governo baseada em um projeto de deenvolvimento que não pode ser repetido e que não será superado por Serra em função da índole da sua aliança, um menino já me disse que Dilma é terrorista e outro disse que ela havia dito que “nem Deus a venceria na eleição”.
E aí?! Eu tô lá pra ensiná-los a blogar, a tuitar, a falar sobre a realidade deles de uma maneira mais positiva do que a que o #pig utiliza pra apresentar o bairro, estou dentro de um projeto do PT e, como professor da Unisinos, não deveria incentivar discussões partidarizadas e nem tampouco questionar o credo deles.
Definitivamente, a coisa não é nada fácil. Mas o PT não soube usar o conhecimento do Ben Self e o Marcelo Branco (que é muito bom, porém não é comunicólogo nem sociólogo) não pensou em atacar a todos os nichos na internet – ainda mais para defender a candidatura de Dilma.
Este 2º turno é a última chance do #pig: se perder, então teremos a esperança de mudanças reais – apesar de grande parte do pessoal que faz a CONFECOM não entender patavina de mídias sociais porque eles só pensam em termos de emissor, receptor e mensagem ao invés de pensar em redes descentralizadas, bancos de dados relacionais, informação ubíqua e no papel dos interagentes.