O FUTURO DOS LIVROS

The Future of the Book. from IDEO on Vimeo.

Meet Nelson, Coupland, and Alice — the faces of tomorrow’s book. Watch global design and innovation consultancy IDEO’s vision for the future of the book. What new experiences might be created by linking diverse discussions, what additional value could be created by connected readers to one another, and what innovative ways we might use to tell our favorite stories and build community around books?

www.ideo.com

Pesquei esta de um post do MacMagazine publicado pelo Halex Pereira que, por sua vez, pescou o vídeo acima de um post do Brainstorm #9 postado pelo @cmerigo. O conceito está postado no Vimeo (site de rede social de vídeos em qualidade HD e com um design “matador”, bem diferente do YouTube). Aliás, vale a pena conferir todo o canal da agência de design IDEO no Vimeo, além de – obviamente – conhecer o trabalho dos caras, que é referência mundial em inovação.

Feito todo esse preâmbulo, não teria muito o que dizer a mais sobre as três propostas convergentes entituladas Nelson, Coupland e Alice além do post original, salvo alguns pitacos:

1) Certamente Nelson vem de uma homenagem a Ted Nelson, um dos patriarcas do hipertexto. A fluência do protótipo e a não-necessidade de se conhecer propriamente o URL de cada link clicado nesse tipo de e-book vão de encontro ao que o tio Ted prega no Projeto Xanadu. Inclusive já falei sobre esse tio numa das aulas na @comdig @unisinos. Pra quem quiser saber mais detalhes, basta baixar a apresentação aqui e se ligar nas lâminas 13 a 17.

A experiência proporcionada pelo protótipo Nelson tem relação direta com os comentários, com as citações e com as referências de cada parágrafo fichado por cada um dos interagentes. Ele instiga a natureza do debate. Sua interface e as apropriações dos diversos ambientes deste modelo de e-book (produso) lembra muito a divisão por ambientes que eu fiz nos blogs durante minha dissertação de mestrado;

2) O Coupland remete a formas mais interativas e visuais de busca dos e-books em especial: segundo o protótipo, a busca é feita a aprtir de um conjunto de comentários, revisões, compartilhamento livre e recomendações de e para grupos de interesses (nichos, comunidades <–> ambiente digital global). Me parece uma superação gráfica e de navegação que funciona como uma espécie de mashup de serviços como o Scribd (rede social de compartilhamento de arquivos de texto), o Digg (rede social de revisão e indicação de links), o LinkedIn (rede social de currículos e relações profissionais) e as comunidades do Orkut. Ele segue bem a lógica dos vídeos Social Networking e Social Media in Plain English (imperdíveis pela didática!);

3) Já o Alice, por sua vez, é um protótipo de engajamento do leitor com a obra e com as personagens das narrativas – sobretudo de ficção. O autor expande o escopo da sua obra beyond the box, isto é, ele segue a produzir mais texto além dos limites da história contida no livro. No exemplo, o leitor recebe spots para interagir com as personagens via iPhone. Além disso, o interagente é instigado a ser um co-autor da obra a partir da dispinibilização de um ambiente específico de interação para agregar conteúdo de maneira que a sua versão seja acrescentada ao livro original, porém sem deletá-lo nem impedir a leitura originalmente proposta pelo autor.

Esta proposta me lembra muito o trabalho da profª @raqlonghi da UFSC, que começou a partir da sua preocupação com o desenvolvimento de narrativas literárias hipertextuais há muito tempo atrás.

Como se vê, a tecnologia digital materializada e as relações práticas das suas apropriações do e no ambiente presencial são pesquisadas, refletidas e alteradas em meio a uma série de teorias e de modelos de interação, de leitura e de sociabilidade que vêm de muito longe. O que ocorre não são revoluções mas, sim, evoluções: cada conjunto de relações estabelecidas anteriormente constitui-se em uma futura superação sociotécnica que jamais anula o efeito produzido pela apropriação sociotécnica de um contexto histórico anterior.

Importante salientar que todos os protótipos têm como suporte para a informação que determina e é determinada pela sua interface as tablets e os smartphones. No caso, uma perspectiva bem Apple de ser! ;)

MY MOM IS ON FACEBOOK

A cibercultura migrou para a cultura pop que, por sua vez, empresta elementos socioculturais à cibercultura: eis o grande nexo dos atravessamentos que se dão na sociedade da transmidialidade resultando, assim, na transculturalidade.

O clipe acima é sucesso absoluto no You Tube, com mais de 200 mil acessos em pouquíssimos dias após o seu lançamento. Chegará aos milhões muito em breve.

A vida tornou-se multidisciplinar. O próximo exemplo, então, nem se fala…

CIBERSOCIEDAD: UM CONGRESSO DIGITAL

Estou participando do congresso mais democrático do mundo conectado: o IV CIBERSOCIEDAD. Nada mais adequado: afinal de contas, se o objetivo é o de discutir as relações entre as TICs* e a sociedade, embora a seriedade e os ritos acadêmicos e institucionais sejam necessários, é fundamental que seja seguido o modelo de descentralização e de desierarquização horizontal cujo objetivo é a colaboratividade em rede.

Esse é um exemplo que pode vingar em todo e qualquer congresso. Afinal de contas, devido ao fato de eu ainda não ter tido a oportunidade de poder voltar a lecionar neste ano de 2009, não consegui dinheiro para poder viajar para participar de algum congresso. No caso desta iniciativa catalã, tenho tido acesso a mais de 500 artigos juntamente com mais de 5000 participantes.

Antes que alguém pense que não é possível organizar um evento ou se entender dessa forma, cada participante pode adicionar como favoritos os artigos de outros pesquisadores em uma página pessoal com o seu perfil. Ao mesmo tempo, todos poderão acompanhar o parecer de cada um sobre um determinado tema.

Dessa forma, passo a integrar uma nova rede social de pesquisadores com uma abordagem mais multidisciplinar.

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*Tecnologias da Informação e da Comunicação: mensageiros instantâneos, (como o Microsoft Messenger, p. ex.) listas de e-mail, condomínios de blogs, web fora (plural de forum em latim), sites de redes sociais (Orkut, Facebook, LinkedIn) e ferramentas colaborativas de troca de informação e de conhecimento (Twitter, YouTube, Flickr Slideshare, Blip.FM)

OBAMA: CAMPANHA ELEITORAL PÓS-MODERNA

O MARCO WEISSHEIMER publicou hoje no RS URGENTE um post sobre a importância do papel da internet na vitoriosa campanha de OBAMA. Claro que ninguém é obrigado a pesquisar ou a desenvolver estratégias integradas de uso da técnica como os executivos das agências digitais ou analisar os fenômenos de sociabilidade, interatividade e comunicação mediada por computador como faz parte do meu trabalho. Mesmo assim, a esquerda brasileira apenas engatinha em relação ao ativismo social e ao empoderamento dos mais pobres quanto ao uso da blogosfera.

E isso ocorre porque a mentalidade da esquerda é meramente sindical e partidária – duas instâncias que, se permanecerem sendo geridas e legisladas sob o modelo atual, não servirão mais para nada dentro em breve. Aliás, diria que, hoje em dia, já servem muito pouco…

Com mais de 40 milhões de internautas que, em média, são os maiores navegadores do planeta (+de 28h/mês), não dá mais pra dizer que a internet no Brasil é elitista: elitista é a banda larga.

A maioria das escolas públicas e dezenas de telecentros nas maiores cidades brasileiras ensina as pessoas da periferia que, mesmo sem computador em casa, podem acessar em banda larga nas baratas LAN houses (R$2,00 a hora).

O programa de inclusão digital brasileiro é o melhor DO MUNDO (provavelmente uma das conquistas mais significativas do Governo Lula), segundo pesquisadores pagos pelos seus governos e universidades da Europa e dos EUA que passam até um ano percorrendo o Brasil para pesquisar o fenômeno, tais como o doutorando JEREMIAH SPENCE, da UNIVERSITY OF TEXAS, que esteve recentemente na UNISINOS palestrando para alunos e professores da MELHOR graduação em COMUNICAÇÃO DIGITAL (existente desde 2003, coordenada pelo meu grande amigo GUSTAVO FISCHER que, por sinal, está de aniversário hoje) e do PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO.

Porém, leis eleitorais retrógradas, arbitrárias e que modificam-se ou são julgadas pelos ventos que sopram à direita aliadas à desequilibradíssima concentração dos mídias brasileiros – praticamente sem igual no resto do planeta – impedem que se conheça essa realidade de maneira apropriada.

Não são apenas os blogs: é preciso dominar todas as possibilidades de interação mediada por computador como mensageiros instantâneos (tipo GTALK, WINDOWS LIVE MESSENGER, ICHAT, YAHOO! MESSENGER, AOL INSTANT MESSENGER), sites de microblogging (TWITTER) e TORPEDOS SMS. O JEREMIAH apresentou um interessantíssimo gráfico que mostra uma espécie de linha do tempo misturada com árvore genealógica dos diferentes MUNDOS VIRTUAIS (de 2005 a 2010).

Parece tecnofilia ou um excesso de informações e de ferramentas, mas não é: essas são as mesmas armas do império. E não se combate o império com armas incompatíveis com as armas das quais ele dispõe.

A campanha de OBAMA (já falei sobre isso AQUI) rolou quase toda via internet: a importância dos debates e das notícias veiculadas na mídia de massa foi maior para pessoas acima de 60 anos que comunicam-se prioritariamente via telefone e ainda consomem jornais e revistas mais do que o público abaixo de 40 anos.

Obama contou com uma assessoria em COMUNICAÇÃO DIGITAL extremamente antenada e ágil, que utilizou ÁLBUM DE FOTOS NO FLICKR (comunidade de fotógrafos amadores e profissionais do mundo inteiro), PERFIL NO FACEBOOK (uma comunidade virtual que deu mais certo lá do que o ORKUT – cujo sucesso restringe-se basicamente ao BRASIL e à ÍNDIA), PERFIL NO LINKEDIN (comunidade de compartilhamento de currículos profisionais p/indicação de postos de trabalho), PERFIL NO MY SPACE (pequenos sites pessoais da Microsoft) e PERFIL NO TWITTER, entre outras ferramentas.

Escrever bifes não basta. Realizar painéis em escolas, auditórios de igrejas, faculdades, sedes de partidos, sindicatos, entidades patronais, órgãos do governo, hospitais, etc. é interessante: porém, não basta; distribuir panfletos é legal, mas também não basta; dar a cara a tapa para o MENDES defronte ao PIRATINI é contundente pro causa do “bolo”, mas igualmente não basta; clamar pela democratização dos mídias me parece mais importante do que as sugestões anteriores mas, ainda não basta…

…Não é que tais reivindicações não sejam importantes ou que sejam inócuas. Porém, tais demandas por si só, pensadas como os secundaristas e universitários do período da ditadura militar no Brasil faziam, são apenas algumas poucas ferramentas de ATIVISMO e de EMPODERAMENTO, cuja eficiência normalmente só costuma ser significativa quando existe um PENSAMENTO EM REDE cujo objetivo jamais vise tomar o poder e que não pode ter uma liderança centralizadora da informação. Dentre os mais significativos coletivos de ativismo em rede através de MÍDIAS SOCIAIS pelo planeta cito: THE REAL NEWS NETWORK, CHANGE, AVAAZ, INDYMEDIA (e seu correspondente brasileiro chamado MÍDIA INDEPENDENTE).

O que importa é PENSAR E AGIR EM REDE, isto é, organizar a comunicação não mais no arcaico e – este, sim – inócuo modelo emissor-receptor-mensagem mas, sim, pensar em REMIDIAÇÃO (Bolter e Grusin),  MIDIATIZAÇÃO (Eliseo Verón) e no PRODUSER (Axel Bruns). Aliás, dicas interessantes pra quem quiser saber um pouco mais de uma forma não-superficial a respeito dessas questões está no post da querida professora SANDRA MONTARDO, coordenadora do MESTRADO PROFISSIONAL EM INCLUSÃO DIGITAL E ACESSIBILIDADE da FEEVALE, que foi extremamente gentil e generosa na minha banca de qualificação.

A rede não é massiva, mas aproxima MILITANTES ANÔNIMOS como qualquer um de nós e FORMADORES DE OPINIÃO que dominam um determinado conhecimento específico e participam intensamente da sociedade civil organizada.

Minha decepção com a esmagadora maioria dos jornalistas, publicitários, médicos, engenheiros, administradores, sociólogos, filósofos, psicólogos, professores e advogados de esquerda reside no fato de que eles  contraditoriamente procedem de maneira resistente e conservadora em relação ao manejo e ao domínio de uma ferramenta como qualquer outra para as quais desenvolveram competências tão banais que, nos casos mais radicais, descamba para a ignorância: parece que a eles basta ter a competência para ler e interpretar nas entrelinhas o que ficou escondido por detrás do discurso midiático através de jornais, revistas, rádios e TVs, mas fogem do manual de instruções ou da orientação de um filho ou de um neto sobre como se usa um videocassete para gravar um programa qualquer…

O ATIVISMO APARTIDÁRIO tem sido muito mais eficiente.

Pra terminar, eis várias opiniões que corroboram o título deste post. Pra quem não lembra, A CAMPANHA ELEITORAL DE BARACK OBAMA FOI A PRIMEIRA CAMPANHA PÓS-MODERNA DO PLANETA:

TIMOTHY MCCARTHY

SMARTMOBS

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

Todo o resto é século passado (ou até mesmo retrasado). Mas não é aquele século passado nostálgico, extremamente útil ou universal. E o pós-moderno não é um mero chavão, nem tampouco uma retórica enganadora da direita e da mídia corporativa: é adaptação, é reinvenção, é usar o passado como impulso para o presente e o presente com o passado como uma forma de antever as práticas sociais do futuro.

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R.E.M.: DEPRESSÃO PÓS-SHOW

56 por você.

Discordo do DANILO FANTINEL do CLICRBS em relação à qualidade do som: nunca antes em Porto Alegre ouvi o vocalista e os acordes dos instrumentos com tamanha clareza – fosse perto do pálco como a média distância ou longe do palco, bem defronte a ele como dos lados esquerdo e direito do gramado, pois circulei bastante durante o show.

Ao contrário da impressão do repórter especializado, achei o som quase cristalino, com pouco abafamento e pouquíssima reverberação, Basta apenas comparar com Olímpico, Beira-Rio, Jóquei, Gigantinho e Anfiteatro Pôr-do-Sol. Pode até ter a ver com a qualidade do equipamento da turnê, mas a parafernália do RUSH  em 2003 me pareceu a mais sofisticada que já passou por aqui. Também assisti à POP MART do U2 no Morumbi em 1998 , ao RED HOT CHILI PEPPERS em 2002 e achei o som do R.E.M. beeem melhor.

A localização do estádio Passo d’Areia é excelente para quem vem do Centro, da Grande POA e via 3ª Perimetral, contemplando a zona norte – disparado a mais populosa da cidade.

Os quatro pontos negativos: ausência de estacionamentos particulares e públicos ao redor do estádio; iluminação pública muito fraca nas ruas do entorno do estádio; inadmissível e excludente “área VIP”, que mata a sociabilidade e a interação, cortando totalmente o clima entre banda e o falso gargarejo; finalmente, a entrada/saída muito estreita: reformando isso, o estádio do “clube mais simpático do país” terá o melhor espaço para shows da cidade.

Confiram MINHAS FOTOS via FLICKR. Só, por favor, ignorem a crise de pressão baixa que tive logo após a palhinha do NENHUM DE NÓS. Quanto a isso, felizmente fiquei bem após 250 ml de soro graças ao pronto, simpático e atento atendimento dos paramédicos – gente muito do bem, que me deixou inteiro pra curtir todo o show.

Gravei em vídeo (daí a comprovação da excelente qualidade do som, pois minha câmera digital não é lá essas coisas, além de eu já ter assistido no site oficial) trechos de MAN-SIZED WREATH (acho que só eu sabia cantar todas as músicas do Accelerate, pois adorei o álbum), DRIVE e IT’S THE END OF THE WORLD AS WE KNOW IT (AND I FEEL FINE). Mas o YOUTUBE tava dando pau na hora do upload. Mais tarde tento outra vez.

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