BRASIL, LULA, 2010, CONSERVADORES DE VOLTA

Primeiro, critiquei, denunciei e culpei o comportamento da maioria da classe média egoísta, elitista, preconceituosa e ignorante (a quem denomino por CLASSE MÉRDIA) em uma série de posts, que podem ser (re)visitados AQUI.

Depois, critiquei a preferência das discussões políticas em todos os ambientes midiatizados voltada para a política formal, partidarizada, congressista e, via de regra, pessimamente representativa. Também sugiro a (re)leitura do principal desses artigos AQUI.

Neste fim de semana (mais precisamente na madrugada de sexta para sábado), passei a ver e a rever posts do DIALÓGICO, onde a CLÁUDIA CARDOSO sempre defende e informa a respeito dos movimentos pela democratização da Comunicação dos quais faz parte; os vídeos do COLETIVO CATARSE do GUGA e da TÊMIS do ALMA DA GERAL e também do JEFFERSON, do ANDRÉ e de outros colegas que prestam um trabalho inestimável ao jornalismo brasileiro ao nos apresentarem o lado cru e sincero da reforma agrária, da busca pela tolerância e pela igualdade legal dos cidadãos de sexualidade não-heterossexual e também da igualdade de cor.

Hoje, me deparei com o depoimento de JOÃO PEDRO STÉDILE à AGÊNCIA CARTA MAIOR, também comentado e parcialmente reproduzido pelo MARCO WEISSHEIMER do RS URGENTE e reproduzido no VI O MUNDO de LUIZ CARLOS AZENHA. E, pouco depois, vi o EDUARDO GUIMARÃES projetar a ameaça quase concreta da volta da direita ao poder.

Infelizmente, isso vai acontecer. E o BRASIL acabará na contramão do momentum sulamericano de tentativa simultânea de quebrar o paradigma do clientelismo, da corrupção e da desobediência lega com total leniência do Judiciário.

Apesar dos avanços históricos, da quantidade e da qualidade de investimento em quase todos os setores, não defendo incondicionalmente o Governo LULA como a maioria do pessoal de centro-esquerda o defende e tampouco jamais o atacaria como a corja e os ignorantes da extrema-direita e da extrema-esquerda o atacam. O apóio, o apoiei e seguirei apoiando-o única e exclusivamente onde pode haver uma revolução continuada de melhoria na qualidade de vida da população como um todo. Contudo,  Além disso, a REFORMA AGRÁRIA é condição sine qua non para que o país deixe de ser um dos líderes (senão o líder) mundial da triste estatística da distribuição de renda mais concentradora do planeta.

Vou fazer uma pequena lista sobre alguns poucos setores da economia e da sociedade que deveriam ser considerados absolutamente estratégicos nos quais verifico ou incompetência, ou clientelismo ou deslumbramento, ou morosidade ou inversão de prioridades neste governo. Vejamos:

– EDUCAÇÃO: embora haja um projeto futuro e tenha-se investido em um piso salarial para o magistério em âmbito nacional e também tenhamos o melhor programa de inclusão digital do mundo, a reciclagem, a qualificação, as cobranças e as gratificações dos professores está muito aquém de um país enorme que precisa, mais do que nunca, erradicar a miséria e a ignorância;

– SAÚDE: continua muito mal, apesar da ampliação dos investimentos em reformas de hospitais e em programas de saúde da família. Ainda predomina a presença de equipamento insuficiente para todos os exames nos hospitais antigos e uma maior qualidade apenas EM ALGUNS dos hospitais cosntruídos neste governo;

– PREVIDÊNCIA SOCIAL: está cada vez mais próxima do modelo neoliberal do que do welfare state;

– SISTEMA BANCÁRIO: ainda não possui uma regulamentação que o impeça de praticar CRIME DE USURA e ainda prevalece uma mentalidade política e técnica que vê esse setor como “a” locomotiva do sistema;

– ESPORTE: falta de cuidado, deslumbramento, submissão. O Governo especializou-se em tapar furos, pôs dois ministros altamente incompetentes na pasta, que não cobram resultados dos investimentos feitos e negociam com políticos, empresários e dirigentes de federações incompetentes, clientelistas e dinheiristas. O esporte, por mais dinheiro que receba e já tenha recebido, ainda não funciona no BRASIL como uma forma positiva de disciplina, competição, organização, cooperação, garra e responsabilidade não sob um aspecto coercitivo mas, sim, a partir do lado lúdico do homem;

– CULTURA: o nome de GILBERTO GIL trouxe exposição midiática e valorização do reconhecimento da existência da pasta. Contudo, o desenvolvimentismo varguista de LULA obviamente não dá a importância pedagógica, social e cidadã que a arte tem na formação de uma sociedade mais sensível, observadora, detalhista, criativa, autônoma, menos preconceituosa e mais integradora;

– MEIO AMBIENTE: considero esse modelo de desenvolvimento predominantemente industrial e exportador extremamente poluente e depredador, pois altera o clima e prejudica a qualidade de vida de milhões de brasileiros transformando de maneira sensível tanto os verões quanto os invernos. O que há de mais grave nesse setor? 1) O DESERTO VERDE do eucalipto na BAHIA, no ESPÍRITO SANTO e no RIO GRANDE DO SUL; 2) a perspectiva do BIOCOMBUSTÍVEL manter o país cada vez mais latifundiário e monocultor; 3) o loteamento da AMAZÔNIA; 4) o dar de ombros para as queimadas e para a invasão de ecossistemas pela agropecuária intensiva; 5) o fato de nenhum plano econômico-social ter sido feito à luz da multidisciplinaridade regida pela HISTÓRIA, pela GEOGRAFIA e pela ANTROPOLOGIA tendo essas disciplinas o mesmo peso técnico e político das tradicionais ECONOMIA, DIREITO e ENGENHARIA. O BRASIL é multifacetado: logo, não temos 27 estados ou 5 regiões geográficas mas, sim, mais de 80 regiões pontuais e específicas cuja produção e cultura não se repetem fora dali;

– REFORMA AGRÁRIA: é condição sine qua non para que o país deixe de ser um dos líderes (senão o líder) mundial da triste estatística da distribuição de renda mais concentradora do planeta. É a forma mais rápida de acelerar o crescimento de pequenos municípios afastados dos grandes centros, de diminuir a superpopulação nas capitais, de reduzir a miséria e a violência e de preservar a natureza e a saúde;

– COMUNICAÇÃO SOCIAL: não pode mais haver leniência do Judiciário em relação aos monopólios e oligopólios formados a partir da ditadura militar e não se pode mais permitir que o espectro de ondas seja loteado uma frequência para um único veículo por todo o país. A Comunicação de qualidade é um direito, pois o setor orienta os movimentos e a compreensão da sociedade a partir da fragmentação na qual cada cidadão forma seus valores. Se a TV BRASIL não for transmitida em canais VHF nem ser obrigatória a sua presença em todos os planos de TV por assinatura do país, então o próprio Governo Federal apresenta a sua alternativa de qualidade através de uma distribuição incompetente.

Sabe-se que o BRASIL foi formado por náufragos, traficantes, deserdados, nobres e ex-nobres corruptos e pusilânimes que aqui foram postos para povoar, extrair recursos naturais e manterem-se ricos porém bem distantes da Coroa Portuguesa para não encherem o saco do imperador e do empresariado lusitano da época. Eles trouxeram consigo um imperdoável sistema de depredação do meio ambiente, de criminalização e extermínio da cultura, da religião e da alteridade das etnias nativas e a escravidão.

No momento em que essa realidade histórica é ignorada pela classe média, ela torna-se o retrato, o exemplo, a visão e a prática do que existe de mais hipócrita e mais repugnante tanto da visão elitista da maioria dos ricos quanto da ignorância da maioria dos pobres. Independentemente da ação midiática e do poder da marca, do consumismo, do status e da futilidade de se preocupar com a vida dos outros, a classe média ora é passiva, ora está ao lado da oligarquia. Vou dar um exemplo:

– O comportamento da classe média é, muitas vezes, bem pior do que o dos ricos do post ENTRANHAS DA ELITE no blog do EDUARDO GUIMARÃES. A denúncia a seguir é baseada em depoimento informal de uma fonte fidedigna beneficiada mais de uma vez pela descrição da seguinte prática: há profissionais liberais (que não precisam ser de curso superior nem viver em bairros chiques; podem ser donos de oficinas mecânicas, de pequenos salões de beleza, empreiteiros, etc.) que funcionam como formadores de opinião dessa corja da direita. Eles prometem ao candidato arranjar-lhe pelo menos 200 votos (e conseguem) em troca de um x da verba de gabinete que o deputado, vereador, etc. tem direito a fazer o que quiser depois de arcar com as despesas do escritório, estadia, viagens, alimentação e salários de colaboradores. É praxe deputados pagarem faculdades particulares para seus formadores de opinião. Pra mim, isso tem uma dimensão maior do que o cabresto. Ocorre mais nas capitais, não no meio da miséria.

Conforme essa situação, concluo que aqueles que beneficiam-se dessa prática não ilegal mas, sim, anticidadã, antiética, amoral, clientelista e indecorosa, agem como os mesmos náufragos, traficantes e deserdados que vieram não colonizar e tampouco desenvolver mas, sim, meramente depredar o BRASIL.

Então, vejo a eleição de SERRA como quase certa, pois as pessoas votam na pessoa, em uma combinação de reconhecimento de marca e de um suposto carisma. Poucos serão os beneficiados por este Governo que atingiram uma ascensão social a reconhecerem isso, já que não irão votar em DILMA como uma forma de continuidade daquilo que vem funcionando.

A volta desse estamento conservador, mesquinho, chauvinista, hipócrita e defensor da ilegalidade ao poder político formal representa uma competência muito maior dessa gente em estabelecer REDES SOCIAIS.

CLASSE MÉDIA e CLASSE MÉRDIA: RETROSPECTIVA

Inspirado no post do ALTAMIRO BORGES sobre SÃO PAULO reproduzido pelo AZENHA, convido-te a ler meus posts antigos a respeito do assunto:

http://heliopaz.wordpress.com/2006/10/16/esquerda-x-direita-no-rs/

http://heliopaz.wordpress.com/2007/02/15/critica-do-pensamento-da-classe-media/

http://heliopaz.wordpress.com/2007/07/19/critica-do-pensamento-da-classe-media-ii/

http://heliopaz.wordpress.com/2007/08/01/211/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/03/07/stupid-white-men-gauderios/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/03/09/classe-media-gaucha-peleguismo-e-montaria-do-poder/

ESQUERDA DE PORTO ALEGRE, REFLITA


A defesa incondicional, acrítica, tendenciosa e desinformada do PT, de LULA e das ações de esquerda baseadas em dicotomias não possui mais o menor sentido.

Dada a enorme dificuldade em vários militantes de partidos e de sindicatos acostumados a enxergar a atividade de esquerda como dependente e idólatra desse modelo ineficiente para o contexto social contemporâneo nas respostas ao excelente post do DIÁRIO GAUCHE do CRISTÓVÃO FEIL ou eu precisemos desenhar para que as pessoas entendam o que nosso amigo blogueiro e sociólogo quis dizer na sua fala, vou tentar dizer mais ou menos o mesmo, só que de uma forma diferente. ;)

1) O mundo está fragmentado e não bipolarizado: não existe mais um povo uno, uma massa uniforme mas, sim, uma MULTIDÃO (NEGRI e HARDT), que se une tão-somente quando lhe interessa atingir determinadas demandas bem pontuais e não municipais, estaduais, nacionais, continentais ou mundiais. Isso significa que pessoas de diferentes profissões, classes sociais, culturas e nacionalidades se juntam apenas quando elas querem, sem nenhuma espécie de filiação, de liderança vertical ou de vínculo político ou ideológico permanente: solucionou o problema? Dispersa! Na emergência de alguma outra demanda pontual, vai haver outros grupos multitudinários diferentes, com alguns indivíduos que participaram de um determinado movimento e outros de outros. É por isso que não dá pra partidarizar, sindicalizar ou ideologizar;

2) As pessoas vivem em REDES SOCIAIS e não isoladas em grupos estanques. Todos os grupos possuem laços que os ligam a todos os outros, mesmo quando discordam deles. Não dá pra pensar em não querer dialogar nem debater com A ou B porque eu penso C. Afinal de contas, A e B podem precisar de mim e eu mais ainda deles na solução de pendengas em comum;

3) Nos grandes centros urbanos, o que menos se tem são “operários”. E a figura do “proletário” não existe mais: serviços e o comércio de bens imateriais oferecem muito mais oportunidades do que a indústria;

4) Fora consultoria jurídica e, em alguns raros e honrosos casos como o do Sindicato dos Engenheiros do RS, que proporciona UNIMED por metade do preço a seus filiados, existe tanto oportunismo, desvio de dinheiro, má gestão, nepotismo e politicagem como em qualquer partido, empresa ou repartição pública. Os sindicatos pedem emprego quando deveriam financiar cursos de empreendedorismo, gestão, noções de direito tributário, recursos humanos e, finalmente, parcerias com os 5S, a fim de evitar que seus filiados permaneçam como “empregados”, “funcionários”, “proletários”. Isso se chama oportunismo, ignorância e preconceito contra ciências como Economia e Administração (coisa de ‘capitalista’ ou de ‘burguês’);

5) O uso da mídia corporativa, o excesso de individualismo, o consumismo e os interesses de quem patrocina essa mídia (latifundiários, grandes industriais, políticos, banqueiros e multinacionais) significam o INTERESSE em despolitizar as questões. Contudo, as pessoas fazem PRODUÇÃO BIOPOLÍTICA ao denunciarem questões como a da GONÇALO DE CARVALHO, do PONTAL DO ESTALEIRO, da ARENA DO GRÊMIO e da VILA SÃO JUDAS TADEU;

6) A esquerda não sabe usar a internet e insiste em dar murro em ponta de faca: a população como um todo está CAGANDO para estudantes, professores, bancários, sindicalistas, sem-terra e assim por diante. Manifestações em espaço público urbano só podem funcionar quando setores de fora dos partidos, dos sindicatos e dos próprios cidadãos prejudicados souberem atrair outros setores da sociedade para dar volume às suas demandas. Sozinhos, nunca conseguirão nada, pois só pensam em confronto e na diferença ao invés de pensarem em parcerias e nos pontos em comum.

Portanto:

- Pra que depender do Estado?!

- Pra que depender da Igreja?!

- Pra que depender dos partidos?!

- Por que depender da boa vontade de quem estiver disposto a dar um peixe ao invés de sentir que assim como está não pode ficar, levantar a bunda da cadeira e procurar ajuda de quem pode ensinar a pescar?!

- Por que confiar e se iludir com esse sistema representativo absurdo?!

Graças a tudo isso, a direita e os cidadãos não-politizados de classe média e alta envolvidos com ONGs + VOLUNTARIADO fazem muito mais do que os governos de esquerda em relação a demandas pontuais e serão muito mais lembrados pelas comunidades as quais ajudam do que qualquer político.

A ESQUERDA PARTIDÁRIA E SINDICAL PORTO-ALEGRENSE TORNOU-SE TÃO CARETA, CARRANCUDA, CONSERVADORA, TENDENCIOSA, OPORTUNISTA E PRECONCEITUOSA COMO O PIG E A DIREITA.

ESQUERDA SE FAZ COM ALEGRIA. ESQUERDA SE FAZ SEM PARTIDOS. ESQUERDA SE FAZ ACEITANDO A PARTICIPAÇÃO DE QUALQUER UM EM TORNO DA MESMA CAUSA.

A ESQUERDA DEVE FISCALIZAR, PROPOR, ACOMPANHAR E FAZER, DE MANEIRA DESINSTITUCIONALIZADA.

SEJAM CIBERATIVISTAS. DO CONTRÁRIO, PERDERÃO NÃO APENAS OS ANÉIS E OS DEDOS, MAS AS MÃOS E OS PÉS.

QUEM NÃO APRENDER A PENSAR ASSIM, QUE SE JOGUE DA COBERTURA…

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APRENDIZADOS DE CAMPANHA PARA O PT-POA

Infelizmente, há nuances político-eleitoreiras que são negligenciadas até mesmo pelas raras pessoas esclarecidas, críticas e socialmente conscientes. Vamos a elas:

1) A mídia corporativa não possui necessariamente o poder que a ela se atribui: caso contrário, não teria havido nenhuma espécie de contestação à administração atual. Portanto, todos os votos não-dados a Fogaça (ou seja, mais da metade dos votos válidos foram destinados a todos os demais candidatos) significam insatisfação – mesmo que seja uma insatisfação predominantemente despolitizada;

2) Tecnicamente, o senso comum confunde marketing, propaganda e publicidade, mas são três técnicas distintas. Ei-las:

- O marketing é um arranjo entre quatro variáveis: produto, preço, escolha dos pontos-de-venda e promoção. Essas quatro variáveis, conhecidas como os 4 P’s (em inglês: product, price, place e promotion), dependem de produção, transporte e transformação material ou produção de um bem intangível como, por exemplo, um site de comércio eletrônico. Portanto, a comunicação (publicidade E/OU propaganda; assessoria de imprensa e relações públicas) é apenas uma parte dentro do composto promocional. Portanto, não existe marketing político;

- Propaganda é a promoção de um produto ou idéia de cunho político-ideológico. Portanto, uma campanha para a Rosário é propaganda, assim como contra o porte de armas ou a favor do presidencialismo. Mas a aparição midiática sob uma linguagem persuasiva, normativa e/ou envolta em um determinado juízo de valores de uma bicicleta, de um perfume ou de um automóvel não são propaganda;

- Finalmente, a publicidade é a promoção de um bem (seja ele simbólico ou material) que precisa ser apresentado e consumido: pacote de viagens, bola de futebol, apartamento, conta bancária, etc. são publicidade e não propaganda.
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Atualmente, a sociedade midiatizada, isto é, a sociedade na qual cerca de 80% de tudo o que se discute é produto de mediações (história premeditadamente editada) e remidiações (atravessamentos entre pautas semelhantes ou contrárias em todos os meios de comunicação), não dá valor nem importância à ágora pública (praças, parques, avenidas). E, sendo predominantemente consumista, pouco letrada e de classe média, não adianta forçar a barra pra tentar “conscientizá-la” acerca do seu papel social, “instruí-la” ou “educá-la” sobre política, cidadania, sociologia, filosofia, psicologia ou pedagogia de maneira informal através de explicações longas. Da mesma forma, é um erro crasso querer impor que a maioria dessas pessoas tenham de crer no discurso de um partido qualquer.

Hoje em dia, os partidos não têm mais cara e todo candidato é um produto. Os pobres, vítimas de racismo, sexismo, maior probabilidade de doenças, subnutrição, ignorância e todo tipo de violência, não são mais a classe operária de Marx, nem tampouco o “povo”: as pessoas podem até se unir em torno de uma causa em comum. Porém, não é por terem-se unido em torno de um determinado objetivo neste instante que terão que unir-se e defender as mesmas demandas sempre, já que não há mais um “povo” uno e nem uma “massa” facilmente manobrável: a sociedade atual é composta por uma MULTIDÃO que não é homogênea e não precisa fazer parte de um determinado grupo classista – é a causa que gera a união e não uma crença e práticas individuais predominantemente comuns, já que todos são diferentes.

Portanto, o desafio é reivindicar por transformações radicais nas leis que regem o sistema político-partidário-eleitoral, as prestações de contas da campanha e repensar o papel da cidadania política separada dos partidos. A falta de consciência a respeito de todos esses fatos fez o PT porto-alegrense parar no tempo em que a sua base militante ainda era formada por uma grande parcela da população representada por operários da indústria e por funcionários públicos moradores da periferia.

Atualmente, os filhos e netos dos operários, dos funcionários públicos e da pequena parcela da classe média que lutou contra a ditadura militar e fez política há 30, 40 ou 50 anos atrás não são mais pobres e compõem a maioria da população da capital sul-riograndense. Distantes do ensino público de qualidade e completamente dissociados da história do país, não possuem a menor identificação com os valores políticos e sociais nos quais seus pais e avós acreditam – ou acreditavam.

A classe média é predominantemente conservadora, pois quer preservar o pouco que possui e almeja ser como os figurões que encontram nos cadernos de “variedades” dos jornais, em revistas de fofocas ou através de programas sensacionalistas de rádio, televisão e portais da internet.

Apesar desse quadro, a esquerda precisa aceitar vender seus candidatos como mercadorias ao mesmo tempo em que deva esmerar-se tecnicamente para saber apresentar suas idéias e suas realizações confrontando as falhas dos seus oponentes com dinamismo, velocidade e sem confrontos contraproducentes.

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NÃO VOTE COM BASE NA RBS E NA RECORD

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“Quem ler os jornais, cheios de faits divers e de escândalos e seguir as televisões, parece que o Brasil está à beira de um colapso. Casos de corrupção, de violência nas cadeias e nas favelas, insegurança generalizada. Ora, não é assim. O Brasil está hoje na maior, para usar uma expressão bem brasileira. A inflação é baixa e está totalmente controlada. O emprego tem subido espectacularmente. A pobreza extrema diminuiu sensivelmente. O Brasil pagou as suas dívidas externas e dispensou os auxílios do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. O real tem uma cotação próxima do dólar. As exportações aumentaram 162 bilhões de dólares nos últimos 12 meses (o maior valor histórico). As reservas internacionais subiram a 162,9 bilhões nos últimos doze meses. Os investimentos externos no Brasil crescem há 14 trimestres consecutivos. Não quero maçar os leitores com os números. Direi tão só que a qualidade de vida dos brasileiros tem vindo a aumentar significativamente. Há um aumento de renda que permite aos mais pobres comprarem frigoríficos, máquinas de lavar, televisões, etc. A agricultura cresceu. Os programas “bolsa de família” e “luz para todos” têm sido um êxito reconhecido. E os brasileiros estão francamente otimistas, quanto ao futuro, como revelou uma sondagem muito completa divulgada, quando eu estava no Brasil. Lula aparece no auge da sua popularidade. Como dizem os brasileiros, com uma expressão característica: “o Brasil está a dar certo”! Não é só um “país emergente”. Tornou-se, realmente, numa grande potência. O que representa um enorme orgulho para Portugal e um parceiro insubstituível. Longe vão os tempos em que, com Stefan Zweig, se escrevia: “Brasil, país de futuro”. Hoje é uma incontornável realidade!”

Mário Soares

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Eis minha singela homenagem ao estamento que decide eleições e que torna o mundo um lugar pior de se viver em função de suas escolhas simplistas e egoístas. Por mais que eu já tenha falado que a política partidária não resolve a maioria dos problemas daqueles que mais precisam e que o sistema de representatividade parlamentar e de financiamento de campanhas esteja totalmente falido, minha linha de resistência permanece firmemente posicionada à esquerda do espectro político.

O meu papel como integrante do estamento conhecido por “classe média” e também como militante das áreas da Comunicação e da Educação em nível superior e de pós-graduação stricto sensu é o de causar estranhamento e provocar as pessoas a refletir sobre a sua atitude como atores sociais. É o de demonstrar como a sociedade anda se movendo e em função de quais crenças e não de impor regras.

Sou totalmente contra políticas normativas e burocráticas. Cada um faz com o seu c… o que bem entender. Apenas adverto através de minhas posições, sempre com o intuito de evitar o pior antes que seja tarde demais.

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