Ontem após o jogo, voltei ouvindo a RÁDIO GAÚCHA. Na entrevista cheia de desânimo e tergiversações tanto por parte do presidente ODONE como do ainda técnico CELSO ROTH e também do ainda diretor de futebol PAULO PELAIPE, fui tomado por um desalento que rapidamente está-se espalhando pela torcida TRICOLOR a partir de uma série de informações nem novas e tampouco interessantes fornecidas pelos entrevistados mas que, por serem reforçadas em um momento tão grave para o clube, assustam ainda mais:
1) ODONE disse que preferia ter saído da presidência do clube em dezembro de 2007 a fim de trabalhar única e exclusivamente na GRÊMIO EMPREENDIMENTOS. Isso me faz deduzir o seguinte:
- ODONE quer ser o principal executivo da ARENA e deve ter o respaldo de vários dirigentes e conselheiros para exercer tal função altamente remunerada e de grande exposição midiática.
HILTOR MOMBACH do CORREIO DO POVO já citou, meses atrás, alguns nomes que poderiam ocupar a GRÊMIO EMPREENDIMENTOS. O jovem executivo CRISTIANO KOEHLER, que era (ou voltou a ser) do MOVIMENTO GRÊMIO NOVO e saiu para prestar serviços de consultoria como contratado pelo clube não voltou mais a ser citado. Ele teve papel importante no planejamento estratégico do MGN, que tem como representante na direção o seguidamente citado EDUARDO ANTONINI, principal articulador do Projeto Arena.
Creio que ANTONINI é o nome técnica e produtivamente mais próximo da direção da GRÊMIO EMPREENDIMENTOS em função de todo o seu trabalho. O que não se sabe é da sua disponibilidade nem se ODONE quer mais do que ele, nem se o presidente do clube impõe essa hierarquia.
Outro nome citado é o do ex-governador do RS, ex-presidente da AZALÉIA e atual vice-presidente da CLARO, ANTÔNIO BRITTO. Quando ODONE mencionou renunciar à presidência e articular a candidatura de BRITTO, um conselheiro que, apesar de dizerem que trabalhou bastante nas articulações políticas e empresariais para a elaboração do Projeto Arena, trata-se de um executivo político incompetente por ter quebrado o RS e beneficiado apenas pequenos setores privilegiados da macroeconomia quando se sabe que o que sustenta a máquina de um Estado é a microeconomia. Por outro lado, para os padrões neoliberais ou “de mercado”, onde homens que não têm capacidade de consumo suficiente para determinados fins são sumariamente excluídos como cidadãos por aqueles que podem consumir, ele pode ser considerado eficiente. Porém, é um caminho de eficiência que não visa o bem comum.
Infelizmente, não é possível dissociar uma coisa da outra: ODONE e BRITTO defendem uma política partidária e ideológica comprometida com a pior prefeitura de Porto Alegre desde a ditadura militar e também com o pior Governo do Estado de todos os tempos. Assim como ODONE entrou no ostracismo durante a derrocada de BRITTO e usou o GRÊMIO para começar tudo de novo como vereador até voltar a ser líder do Governo na Assembléia Legislativa, parece que esse caminho também estaria sendo aberto para BRITTO, um conselheiro omisso que já cansou de faltar a reuniões sem justificativa, sendo que o estatuto do clube possui uma cláusula que prevê substituição do conselheiro que não participar de três reuniões em um mesmo ano. BRITTO foi protegido dessa cláusula não sei quando, por quem ou por que. Quem contemporizou com BRITTO desobedeceu o regimento-mor do clube e deveria ter sido eliminado do Conselho Deliberativo também, independentemente de possuir poder papal ou de ser capitão hereditário. Como isso não ocorreu, tudo indica que a oposição não é tão oposicionista assim.
2) ODONE está cansado e desinteressado porque prefere ser deputado estadual a presidente do clube. Porém, o momento é tão delicado que ele não se impôs aos conselheiros que insistiram ou, como ele mesmo disse ontem na entrevista, “o pressionaram” a ficar em função dos resultados.
Como já escrevi, preferia o presidente ODONE de ANTES dele ser eleito para cargos públicos. Ele era mais combativo e mais engajado com os interesses do clube. Embora várias iniciativas do seu processo de delegação de poderes a vários conselheiros de várias facções situacionistas a fim de que eles melhorassem os processos de gestão direta (no caso do MGN no QUADRO SOCIAL e na ARENA) ou indiretamente através da indicação de empresários conhecidos para terceirizar certos serviços dentro do clube, economizar dinheiro e também criar o consórcio de credores para que o passivo não saísse dos cofres do GRÊMIO em alta velocidade, em alguns setores do clube a eficiência e o engajamento não foram os mesmos. Nesse ponto, seria necessária uma intervenção direta do presidente e dos vices relacionados às áreas nas quais ocorrem problemas.
Todavia, parece que os esforços estão sendo concentrados na ARENA, e não na gestão do futebol. Há uma série de pepinos simultâneos a serem sanados, mas a política adotada infelizmente é a do cobertor curto. E isso não se deve apenas ao tempo que ODONE precisa dedicar à sua atividade parlamentar, nem tampouco à falta de dinheiro: é falta de MOTIVAÇÃO.
3) Falando nisso, na mesma entrevista após a derrota para o ATLÉTICO-GO, o presidente foi questionado pela falta de investimento no futebol. Ele disse que, simplesmente, não há dinheiro em caixa.
Temos aí duas visões de dois comentaristas da RBS. ZINI postou em seu blog no CLICRBS que repercutiu no excelente blog GRÊMIO IMORTAL (assim como alguns de meus posts anteriores no APITO DO BLACKÃO – agradeço imensamente à cortesia e ao interesse do CLÁUDIO ZART, do JOÃO SILVA e de outros gremistas melhores conhecedores do clube do que eu) uma posição muito forte em defesa do diretor de futebol PAULO PELAIPE, evocando a subida da Série B, a classificação à LIBERTADORES logo no primeiro BRASILEIRÃO da SÉRIE A em 2006, dois títulos de um campeonato que não vale absolutamente nada sobre um tradicional adversário que já estava em outro patamar de qualidade, dando-se ao luxo de dar ao GAUCHÃO o devido valor que merece, ZINI também referiu-se a PELAIPE de uma maneira que evoca que o dirigente tivesse que matar um leão por dia, por causa da necessidade de contratar uma série de jogadores medíocres, raros bons e de não poder contar com os jovens valores revelados pelo excelente trabalho da equipe de RODRIGO CAETANO, culminando na dificuldade de ter que montar um novo plantel por ano.
A outra versão, com a qual prefiro concordar, é a de NANDO GROSS: nesta madrugada, durante os comentários sobre a tragédia anunciada e a repercussão das entrevistas, ele bem lembrou que, apesar das dívidas gigantescas e dos credores sempre atentos, por mais que PELAIPE tivesse todos esses méritos e dificuldades, o GRÊMIO também passou a arrecadar MUITO MAIS DINHEIRO. As verbas da televisão cresceram bastante; disputamos uma LIBERTADORES; vendemos jogadores por um valor sensacional (LUCAS e CARLOS EDUARDO) e temos um QUADRO SOCIAL que conta com QUASE 50 MIL PAGANTES MENSAIS.
Para efeito de comparação, embora desconheça favorecimentos políticos e econômicos sejam eles legais ou ilegais, éticos ou anti-éticos, o FLAMENGO também ruiu com a derrocada da ISL, teve dirigentes muito mais incompetentes e folclóricos do que os dirigentes pré-segunda Série B que nós tivemos e – pasmem – está-se recuperando financeira, administrativa e, acima de tudo, NO FUTEBOL mesmo com uma dívida que já foi SUPERIOR A 200 MILHÕES DE REAIS – praticamente O DOBRO DA DÍVIDA DO GRÊMIO, QUE JÁ ESTÁ SENDO AMORTIZADA.
ENTÃO, PERGUNTO, sem provocação nenhuma, porque gostaria MUITO de obter respostas com dados comparativos verdadeiros e atuais entre GRÊMIO e FLAMENGO para poder compreender um fato relevante:
- A REMONTAGEM ANUAL DO PLANTEL, A FALTA DE UM PADRÃO DE JOGO PARA TODAS AS CATEGORIAS DE BASE E PROFISSIONAIS E A FALTA DE CAPACIDADE DE INVESTIMENTO DO GRÊMIO NÃO SERIA UM INDÍCIO DE FALTA DE ATUALIZAÇÃO EM GESTÃO DO FUTEBOL, REQUERENDO PROFISSIONAIS CAPACITADOS AO INVÉS DE MEROS ABNEGADOS AMADORES?!
Não adianta agora especular:
- Se CACALO foi convidado a substituir PELAIPE e não aceitou, como escreveu HILTOR MOMBACH no CORREIO de ontem;
- Se a direção de futebol é um cargo mais político do que técnico (eu acho que não) e, segundo entrevista de ODONE ontem, o excelente executivo RODRIGO CAETANO portanto não serviria para este viés da função;
- Se o excelente RENATO MOREIRA agora não pode ou não quer voltar ao futebol do GRÊMIO seja por motivos profissionais, familiares ou porque não seria mais aliado político de ODONE, como também foi dito pelo colunista do CORREIO DO POVO na edição de hoje;
- Se estão procurando um novo diretor remunerado como o foram, em diferentes gestões mas todos com fracassos retumbantes, DÊNIS ABRAHÃO e MÁRIO SÉRGIO.
PELAIPE confessou, na entrevista, que está tendo problemas profissionais e sua família está sofrendo muito. Mas ele não disse isso quando lançou no ano passado durante a época de eleições uma cortuna de fumaça sugerindo que queria dar uma de PELÉ e sair por cima, nem tampouco quando sentiu-se orgulhoso ao receber a proposta para exercer a direção de futebol do FLUMINENSE no Rio de Janeiro recebendo um salário não divulgado, mas que não seria pouca coisa porque a UNIMED tem muito dinheiro e quer ganhar a LIBERTADORES neste ano.
NANDO GROSS lembrou algo que deixa a todos os gremistas perplexos: as entrevistas desanimadoras foram todas muito parecidas com o papo escorregadio que OBINO costumava lançar quando questionado sobre o futebol em 2003 e 2004. OBINO tinha o site e o ônibus de Primeiro Mundo, enquanto ODONE tem a ARENA.
E agora?! Trocar de técnico três ou quatro vezes por ano resolve quando tudo o que temos é um plantel horroroso e dirigentes desmotivados?!
O brado da torcida ontem na saída do OLÍMPICO MONUMENTAL era quase UNÂNIME:
TIME PRIMEIRO E SEMPRE. ARENA DEPOIS!!!
VEJAM O QUE NOS ESPERA NO BRASILEIRÃO.
Tags: Grêmio, Odone, Pelaipe, Roth, Arena, crise, Grêmio Imortal, Correio do Povo, Hiltor Mombach, Grêmio Novo, MGN, Antonini