POR UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL URBANO NO BRASIL

O Luiz Carlos Azenha postou no Vi o Mundo um post intitulado "O MODELO FALIU. VAMOS CRIAR OUTRO?" Nele, o jornalista convida seus interagentes a assistirem à série de reportagens sobre as mazelas da Marginal Tietê em São Paulo, veiculadas durante esta semana de segunda à sexta no Jornal da Record a partir das 20h em cinco episódios. Os dois primeiros já estão disponíveis no portal R7 aqui.

As últimas semanas tem sido meteorologicamente cruéis com a maior cidade da América Latina por causa do excesso de chuvas. A profusão de concreto e asfalto faz com que o automóvel e a construção civil tenham um valor mais alto do que o da convivialidade. Por isso, as áreas de várzea tem virado habitação de pobres. Por desinteresse das administrações do demotucanato, os alagamentos tem causado perdas irreparáveis para quem mal recebe o suficiente para comer. Pior: tem-lhes trazido doenças medievais. Assistam – porém evitem fazê-lo durante as refeições.


No vídeo do último link, notem que a Globo, apesar de ter feito jornalismo de verdade depois de muito tempo (e de não ter exposto a matéria para o país inteiro - foi apenas no SPTV, o Jornal do Almoço deles), NÃO ENTREVISTOU E SEQUER CITOU O NOME DO PREFEITO, DO GOVERNADOR E NEM TAMPOUCO DE SEUS PARTIDOS.

Mas, para não dizer que não falei de flores, eis o belíssimo exemplo de Seul. Os coreanos, depois de décadas de uma industrialização frenética, pisaram no freio de mão e passaram a considerar o ser humano como fonte de todo desenvolvimento – talvez esteja aí a maior virtude da sua cultura, que não é baseada no moral judaico-cristão e consegue reagir contra o taylorismo-fordismo. A recuperação das margens do rio Han é simplesmente notável e prova que é possível pensarmos assim também para as cidades brasileiras.

Também não poderia deixar de incluir este documentário na discussão, que envolve consumismo e educação. Afinal de contas, a criança precisa deixar de ser a alma do negócio, pois serão eles quem irão tocar adiante o que deixamos para elas.

Em relação a Porto Alegre, digo que se deve difundir essas informações e evitar, a todo pano, que se altere ou se mantenha o já deturpado PDDUA.

Aliás, conheço arquitetos que devem ter passado por obrigação pelas disciplinas de Urbanismo que pensam que o projeto Pontal do Estaleiro devia ter sido aprovado por causa do lixo e dos "marginais"...

Enfim... O problema é que custa tempo e dinheiro fazer o que seria mais plausível para convencer essa massa de consumistas: elaborar projetos alternativos para locais e necessidades públicas e ambientais ainda mais extremas.

O desafio fica para as faculdades de Arquitetura e Urbanismo e também para as de Comunicação, Direito e Ciências Sociais: já que a maioria da classe média precisa tocar a sua vida no comércio e nos serviços, os pesquisadores e os estudantes precisam divulgar para a sociedade e não apenas para os seus pares a sua criatividade e as suas experiências.

Porém, o individualismo e o consumismo geram o descolamento da sensação de comunidade, de rede e do compartilhamento solidário do espaço que verificamos agora.

Costumamos nos reunir dentro de universidades e aprendemos com os palestrantes acadêmicos. Porém, quantas vezes se para para questionar e cobrar da academia uma atitude mais social?

COMUNICAÇÃO MEDIADA POR COMPUTADOR = RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA

Segundo post do DIÁRIO GAUCHE e breve opinião minha no post logo abaixo deste, penso que o BONECO DE VENTRÍLOQUO tem mais chances. Afinal de contas, ninguém nunca falou mal de seu governo (bem mais protegido do que o do POETA e muito menos descalabroso do que DEDO PODRE, PRIVATIZADOR MALUCO e RAINHA DAS PANTALHAS).

O POETA é, ainda, uma reserva técnica – ou, melhor, um é a reserva técnica do outro. Não vejo como a escolha principal dos NEOCONS BOVINÓIDES não ser por um dos dois. Os financiadores, patrocinadores e parceiros em geral da mídia corporativa (não é só a RBS; além disso, quem não quer, sequer a acompanha ou acredita nela, mesmo sendo de direita – cada vez mais as pessoas têm menos tempo pra ler jornal e assistir TV e preferem ouvir músicas do que notícias no rádio) decidirão qual dos dois será o seu homem a tempo.

Ontem, assisti à seção da CÂMARA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE relacionada à votação ou não do PROJETO PONTAL DO ESTALEIRO. Chego à conclusão de que, independentemente da persona com a qual simpatize ou confie e do partido ao qual pertença, tanto o eleitor quanto o parlamentar da nossa capital são politicamente AUTISTAS, segundo a péssima impressão deixada por A, B e, acima de tudo, por C e D.

Percebi que cada um deles, independentemente de trabalhar para interesses econômicos poderosos e excludentes ou pelo bem sincero de uma determinada comunidade, possui deficiências técnicas, intelectuais e, em vários casos, até mesmo déficit de raciocínio lógico e de sensibilidade.

A verba de gabinete mantida por nossos impostos DEVERIA ser utilizada por cada vereador, deputado estadual, federal ou senador de forma que cada um deles contasse com um especialista jurídico, contábil/tributário/econômico, psicológico, médico, urbanístico, ecológico, educacional, artístico e esportivo, de forma que toda e qualquer votação pudesse ser devidamente racionalizada para que seu resultado nos poupasse tempo, dinheiro e, sobretudo, resolvesse de maneira honesta, ética, transparente e com qualidade os problemas prioritários para aqueles que mais precisam de soluções imediatas e definitivas.

Partido nenhum e a persona de qualquer político resolvem quase nada na sociedade. Enquanto a esquerda não aceitar o fato de que é preciso mais do que ser companheiro (deve ser TECNICAMENTE QUALIFICADO) e que deve-se saber dialogar com as forças antagônicas sem vender-se, sem ser convencido mas tampouco repudiá-las, a política partidária perde todo o seu sentido.

A chamada classe operária que foi base do bom PT não é nada significativa na atual sociedade de fluxos, serviços e bens imateriais.

O PTB tomou o lugar do PT como partido comunitário em regiões da CAPITAL BOVINÓIDE e do BOVINÃO nas quais o PT deixou muitos furos quando administrou, depois de dois mandatos e meio de um bom trabalho.

O PT está-se pedetizando (bagaceirando-se e dinossaurando-se) agora para, mais adiante, peemedebecizar-se (virar um saco de gatos no qual todos querem parecer pardos). Isso certamente irá acontecer com o PSOL e com o PSTU, assim como o PC DO B e o PSB já haviam feito anteriormente.

Em função desse quadro estritamente porto-alegrense, não dá mesmo pra lutar diretamente por causas macro, nem tampouco confiar em coerência partidária nem tampouco na defesa incondicional de interesses comuns aos da maioria da população sendo esta multicultural, multifacetada e dotada de alguns interesses comuns, porém não necessariamente todos em relação a toda a cidade.

RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA = FORMA CONTEMPORÂNEA DE COMBATER O IMPÉRIO TRANSNACIONAL COM AS MESMAS ARMAS DAS QUAIS O OPONENTE DISPÕE.

Enquanto os militantes de esquerda mais racionais e mais conscientes não se derem conta de que é muito mais eficiente na atualidade reivindicar por demandas PONTUAIS, PEQUENAS, COMUNITÁRIAS com força e com conhecimento de causa; investigar a diferença entre o que cada um dos entes políticos, econômicos e sociais envolvidos em uma  determinada causa dizem e fazem procurando por maiores informações sobre eles através de sites de redes sociais, comunidades virtuais, associações, sindicatos e entidades da sociedade civil organizada as quais pertencem e postarem tudo aquilo que for devidamente comprovado e que não atentar contra a honra de ninguém em blogs, a sociedade não irá caminhar rumo a um desenvolvimento sustentável e transparente.

Questões do macroambiente e intenções de obter o poder ao invés de fiscalizá-lo e de contestá-lo sempre que necessário devem ser substituídas pela necessidade premente de aproximar o espaço público que detém a hegemonia do debate político contemporâneo (os produtos midiáticos) daquele espaço público verdadeiramente comum e democraticamente reconhecido por lei e pouco praticado pela cidadania desvinculada de vícios partidários ou sindicais que é o da praça, da rua e do parlamento. O que funciona melhor é o conceito COMO PEQUENAS COISAS PODEM FAZER UMA GRANDE DIFERENÇA.

É preciso utilizar as armas que as TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação) disponibilizam tanto para a direita quanto para a esquerda – ainda cética, despreparada e incompetente no BRASIL, pois permanece com um pensamento militante da década de 1960.

Vocês não têm idéia da gigantesca capacidade de mobilização apolítica, impessoal e da diversidade de opiniões e de sugestões que brotam através de espaços ou ambientes de conversação e de debate proporcionados por comunidades no ORKUT; informações breves e urgentes + links no TWITTER; listas de discussão por E-MAIL; diálogos longos em mensageiros instantâneos como MICROSOFT MESSENGER (MSN), ef="http://www.skype.com/">SKYPE ou ICHAT; dialogos curtos em sites como o PLURK; e, finalmente, posts, comentários, intercâmbio de links através de COLETIVOS DE BLOGS.

Grandes exemplos de mídia alternativa global, descentralizada e barata como o THE REAL NEWS NETWORK e alternativas de empoderamento de pequenas comunidades com demandas pontuais espalhadas pelo mundo estão em GLOBAL VOICES ONLINE. São estas as referências que devemos seguir.

O movimento estudantil e os sindicatos fazem um uso ainda muito imaturo, sem estratégia nem articulação social e política suficientemente capazes de estabelecer uma rede de quantidade de participantes, volume e qualidade de informação suficientemente capilarizados a ponto de derrubar senadores e candidatos a ministros da SUPREMA CORTE, tal como ocorreu nos EUA em 2004 e foi relatado no livro BLOG, do jornalista e blogueiro estado-unidense HUGH HEWITT.

Enfim… Se há uma forma extremamente eficiente e atual de se discutir em ambientes mediados e de realizar atos públicos volumosos, esta depende muito da participação online e do uso freqüente e criativo das ferramentas que citei neste post.

NO INTERIOR: – FUTEBOL, + ESPORTE AMADOR

Para que não reste nenhum mal-entendido em relação ao post anterior: não sou contra a existência de clubes pequenos nem contra a existência dos campeonatos estaduais. Contudo, estes certames menores deveriam ser disputados única e exclusivamente pelos clubes que fazem parte apenas das séries C e D do BRASILEIRÃO – e também como forma de classificação à Série D.

O que torna difícil o crescimento e a racionalidade nos clubes pequenos é o paternalismo das federações estaduais e o caciquismo, isto é, apenas o mesmo cacique local e sua turma é que comandam a gestão desses clubes, sem nenhum preparo profissional (administração, direito, economia, marketing, psicologia, educação física, comunicação social e visão empreendedora).

À exceção de rivalidades de bairro e de classes sociais no início do século XX e da necessidade puramente pessoal de pequenos grupos de se fazerem representados no mundo do futebol profissional, não existe nenhum motivo técnico ou racional que justifique a existência de SEIS clubes profissionais em Pelotas e em Rio Grande, CINCO entre Passo Fundo, Ijuí, Erechim e Três Passos, mais OITO na Grande POA (à exceção da Dupla), TRÊS entre Bagé e Alegrete, SETE entre Santa Maria, Cachoeira do Sul e Santa Cruz do Sul, mais alguns na Fronteira Oeste e diversos outros na Serra (além de Esportivo, Caxias e Juventude).

Afinal de contas, de carro ou de ônibus, o tempo de viagem e o trânsito entre essas cidades para assistir a um jogo de futebol seria quase sempre mais curto e mais rápido do que entre bairros dentro de Porto Alegre, por exemplo. E seria um programa barato.

De aproximadamente 40 clubes ditos profissionais de futebol, o RS poderia ter 10, todos com mais torcida, reduzindo a torcida do Grêmio e do tradicional adversário, reforçando os laços de várias comunidades e aumentando enormemente as chances de o RS ter representantes em todas as divisões nacionais e na Copa do Brasil quase sempre.

Tanto a paixão pelos grandes e centenários clubes dos grandes centros como a pequena capacidade econômica de lugares menores impedem que haja futebol competitivo e bem planejado.

Já falei e vou repetir: um belo time de futsal, vôlei, basquete ou handebol, escolas, patrocinadores e clubes sociais aglutinando e oferecendo estrutura para esportes individuais (tiro esportivo, tiro com arco, atletismo e natação) custam centenas de vezes menos, criam novos pólos de referência para atividades específicas e, finalmente, mobilizam uma comunidade inteira para torcer e consumir com mais força do que no futebol em uma série de casos.

Quem sabe não estaria aí também a grande oportunidade de popularizar e desenvolver o futebol feminino no Brasil?

Pra terminar: não seria um belíssimo motivo de incrementar o turismo no interior a partir da atração de entusiastas de esportes com pouca representatividade e com baixa qualidade técnica provenientes da capital e de outros estados e países?

POLÍTICA MUNICIPAL: PESSIMISMO TOTAL

O penúltimo post deste blog recebeu uma série de comentários. Alguns já foram respondidos naquele espaço. Outros, me levam a associar uma série de coisas que eu tenho lido na blogosfera gaúcha independente de esquerda, a fim de estendermos a discussão sobre o futuro de Porto Alegre.

Há várias questões seriíssimas que têm sido levantadas diariamente por vários blogs. Precisamos nos inteirar acerca de fatos globais que interferem diretamente no direcionamento da gestão social, ambiental e econômica do município. Ao mesmo tempo, não podemos nos esquecer de discussões locais importantíssimas que têm sido sucessivamente esvaziadas nos fóruns públicos de debate.

Meu tempo aqui tem sido curto em função das tarefas semanais de elaboração e correção do texto que estou escrevendo para a banca de qualificação no mestrado. Na medida do possível, passo os olhos no Correio do Povo e estou ciente das subjetividades propostas pela RBS e seus mantenedores através do PONTO DE VISTA, do RS URGENTE, do DIALÓGICO, do ALMA DA GERAL, do DIÁRIO GAUCHE, d’A CARAPUÇA, d’A PORTO ALEGRE DE FOGAÇA e, finalmente, de duas descobertas recentes que fiz na blogosfera, logo após os indispensáveis AMIGOS DA GONÇALO DE CARVALHO e CÃO UIVADOR.

O geógrafo Mário Rangel tem feito muito bem em insistir, no blog A GEOGRAFIA EM TUDO, na discussão sobre a especulação imobiliária crescente em PORTO ALEGRE. Em cada um de seus posts recentes, Rangel deixa claro que é inegável que tal modelo econômico, social, urbano e de consumo resulta em uma sensível piora na já caótica distribuição de renda sul-americana, brasileira, gaúcha e porto-alegrense. Conseqüentemente, tal modelo multiplica exponencialmente a exclusão social e reduz enormemente a qualidade de vida da maioria, daqueles que mais precisam, como diria o grande TIO OLÍVIO.

Como funciona tal modelo econômico?

FATO: a PREFEITURA e a CÂMARA MUNICIPAL procrastinam (isto é, empurram com a barriga) as discussões a respeito das reformas no PLANO DIRETOR.

QUEM DEFINE A AÇÃO? Tal morosidade política é articulada pelo poder econômico que, neste caso, parece ser representado por uma parte graúda da indústria da construção civil. O setor anuncia pesada e sistematicamente em todos os veículos da mídia corporativa que atuam preferencialmente na capital. Também não é de se duvidar que possa investir nas campanhas de candidatos a vereador e a prefeito de praticamente todos os partidos para cobrar a conta quando julgar necessário.

COMO SE ESTABELECE A AGENDA “POSITIVA”? Os anunciantes não apenas pagam dinheiro para a mídia corporativa buscando expor seus produtos para venda direta ao consumidor em potencial de seus imóveis: embora comercialmente tal procedimento não seja ilegal, seja lá qual for o preço que a mídia cobra e qual o valor disponível dos anunciantes do setor, estão sendo comprados, além do espaço publicitário, matérias favoráveis ao seu modelo de exploração do meio ambiente e de alteração radical da cultura urbana porto-alegrense.

De maneira indireta, também pode-se supor que três dos mais significativos entre os demais setores que mais anunciam na mídia corporativa também beneficiem-se indiretamente dessa articulação entre o poder público, a mídia corporativa e parte da indústria da construção civil. São eles os bancos, as seguradoras e a indústria automobilística.

Os bancos financiam os empreendimentos imobiliários de quem não possui cacife para bancar terreno, empreiteira, material, etc. As seguradoras faturam alto apenas dentro das classes A e B, que possuem poupança e capacidade de investir na segurança de seus bens. Finalmente, a indústria automobilística (veículos, pneus, óleo, combustível, etc.) também lucra com o fato de que tais complexos imobiliários faraônicos não proporcionam o desenvolvimento sustentável porque seus entornos excluem do trânsito pernas e bicicletas.

Portanto, trata-se de um sistema circular ubíqüo de ciclo constante: a classe AB consome notícias e opiniões de VEJA, ÉPOCA, ISTOÉ, EXAME, VALOR ECONÔMICO, GAZETA MERCANTIL e JORNAL DO COMÉRCIO; a classe BC consome ZERO HORA, CORREIO DO POVO, O SUL, rádios GAÚCHA e GUAÍBA; e a classe CD lê DIÁRIO GAÚCHO e ouve FARROUPILHA e CIDADE.

Todos os citados no parágrafo anterior são veículos de poucos donos. De maneira geral, eles costumam trabalhar unidos em torno de bandeiras cujo interesse é compartilhado por praticamente todos os produtores hegemônicos dessa indústria midiática. Isso significa que também investem em diversos outros mercados, ora criando empresas próprias com outra razão social e nomes que em nada lembram os nomes de suas respectivas corporações de mídia, ora obtendo descontos nos serviços de seus anunciantes através de permutas e barganhas, ora investindo nesses anunciantes como proprietários de títulos de capital. Obviamente, como a mídia corporativa não é nem o quarto poder e nem a dona do mundo, seus anunciantes mais freqüentes em volume de anúncios e de pagamento também demonstram a sua força ao investirem em papéis dessa indústria da mídia.

CONCLUSÃO 1: não há interesse das oligarquias brasileiras em proporcionar ao país um capitalismo concorrencial que conte com uma grande quantidade de atores em cada setor.

CONCLUSÃO 2: todo grande empresário que não se interessa primeiro em gerar a maior satisfação possível ao seu consumidor (qualidade, durabilidade, agilidade, resposta rápida, soluções completas, estética e funcionalidade, consumo maduro e não consumismo) preservando a natureza só quer saber de custo mínimo e de lucro máximo.

CONCLUSÃO 3: o jornalismo deixa de ser um serviço de informação relevante capaz de provocar a diferença e o debate social através do estranhamento do receptor à mensagem emitida pelos meios de comunicação de massa. Bem dizendo, esse tipo de propagação comunicativa deixa de ser jornalismo para se transformar em um serviço de comunicação integrada de relações públicas, de propaganda política e ideológica e de assessoria de imprensa informal.

CONCLUSÃO 4: a política partidária e classista deixa de ser uma atividade séria, democrática e voltada ao bem comum para tornar-se um mero símbolo individual de status obtido através de uma liderança comunitária repleta de interesses meramente pessoais e extra-comunitários. Independentemente de partido, programa ou ideologia, o contexto atual indica o predomínio da prática política dentro de qualquer parlamento, sindicato, partido ou entidade patronal como um reles balcão de negócios.

CONCLUSÃO 5: o exercício da cidadania política direta infelizmente não atrai a atenção da sociedade em função da desilusão total com o modelo representativo legalmente constituído em um país pouco letrado e pouco afeito à solidariedade.

CONCLUSÃO 6: todo foco de resistência precisa ser amplamente publicizado e devidamente vinculado a outros focos comunitários através de ferramentas de comunicação e informação baratas que atinjam em cheio a classe média.

CONCLUSÃO 7: estamos diante de oito fantoches disputando a prefeitura do entreposto mais central do Cone Sul. Os títeres desses fantoches são os velhacos que representam a pior face do capitalismo e eles estão em todas.

CONCLUSÃO 8: os verdadeiros empresários e os verdadeiros empreendedores são aqueles que põem o humano, o sensível, o lado genuinamente criativo, solidário e includente como condição sine qua non para o sucesso de um capitalismo saudável e também de uma democracia transparente. Para os comunistas e socialistas mais ortodoxos que duvidam disso, eles existem, sim. Todavia, por conhecerem bem a articulação graúda institucionalizada, não se envolvem nem na política partidária, nem na política classista de suas respectivas entidades.

BLOGOSFERA E MIDIATIZAÇÃO

Reitero a importância da campanha NÃO SOU BLOGUEIRO DE ALUGUEL lançada pelo FREELANDO PRO DIABO: todo blogueiro amador que leva a sério esse movimento garante a sua preocupação com a ética e com a credibilidade dos blogs que se propõem a falar sobre política e a criticar as escolhas da mídia corporativa.

Essa ética que os blogs clamam para si precisa reconher um fato muito delicado que grande parte da esquerda simplesmente ignora porque esquece que seu telhado possui o mesmo vidro do telhado do vizinho: não há barreiras entre a blogosfera e os meios de comunicação de massa, quer falemos sobre veículos da mídia alternativa, quer falemos sobre a mídia hegemônica. Afinal de contas, as notícias, as críticas, as denúncias, as informações e a disponibilidade de provas documentais estão em um lugar e estão em todos os lugares ao mesmo tempo.

A pós-modernidade é a rede. As relações são encadeadas através de teias, nas quais cada um de nós representa um nó. E cada nó apresenta um número diferente de laços com outros nós, estejam eles geograficamente próximos ou distantes entre si. Ao mesmo tempo, estabelecemos laços mais fortes com alguns nós e laços mais fracos com outros nós, sendo que, em alguns casos, os laços podem simplesmente ser rompidos.

A midiatização está aí. Ela não é palpável, nem tampouco é um bicho-papão. Porém, dela, hoje em dia, praticamente ninguém escapa: afinal de contas, de onde vem tudo o que discutimos em nossos blogs, hein?!

Direta ou indiretamente, quer queiramos ou não, somos nós que apresentamos laços elásticos com a mídia alternativa e também com a mídia hegemônica, sejam eles diretos ou indiretos. Pode-se preferir um tipo de relação a outra. Podemos ignorar ou até mesmo negarmos a existência de um laço com um nó que não partilha da mesma agenda que defendemos em nossos blogs. Contudo, estamos todos ligados.

Vou continuar chovendo no molhado para que vocês entendam melhor o ambiente no qual decidiram se meter no momento em que decidiram publicar seus pensamentos na internet:

a) Mídia hegemônica: possui a seu favor milhões de leitores, ouvintes e telespectadores; nomes de profissionais conhecidos e famosos que lhes dão letras, vozes e imagens; uma gramática discursiva exaustivamente treinada e reconhecida pela massa há várias décadas; muito dinheiro e toda uma rede social arranjada no seio dos poderes econômico, político e coercitivo à sua disposição;

b) Mídia alternativa: possui uma massa crítica diferenciada, porém minoritária. Carece de verba para expansão do seu alcance e, acima de tudo, de aprender a discursar com mais imagens, menos texto e palavras-chave que evoquem a participação em rede;

c) Blogosfera política não-patrocinada: não pode negar a sua responsabilidade como elo em uma cadeia de eventos imprevisíveis, cuja vazão nem a mídia central e nem a mídia periférica têm como controlar.

Também não podemos negar a grande contradição contida nessa relação: sempre que nos interessa, somos oportunistas o suficiente para, eventualmente, deixarmos de lado a crítica e a denúncia do método de produção de subjetividades. Afinal de contas, é absolutamente impossível deixarmos de referenciá-los e de (mesmo negando até a morte) desejarmos ser referenciados por eles porque, bem ou mal, percebemos que blog não é mídia de massa.

Os blogs não são amigos nem inimigos dos meios de comunicação de massa e nem estes são amigos ou inimigos dos blogs: não se pode nem se deve esperar nada deles, muito menos fazê-los esperar de nós um comportamento ou um padrão de cooperação: todos eles, sem exceção, irão publicar pautas que não serão unanimidade na blogosfera. Seja na crítica, seja na denúncia, seja na adesão, seja no aprofundamento de uma questão qualquer, mesmo com muitos pontos em comum, somos multifacetados, multiculturais e diferenciados a partir de nossas referências exclusivamente individuais.

Reflitam bastante sobre o papel dos blogs políticos de esquerda: afinal de contas, a direita não tem obrigação de ser diferente do que ela é. Não tem necessidade de reinventar-se a cada fracasso, pois foi a partir dela que os sistemas econômico e político vigentes foram forjados.

Todo jogo tem suas regras – nem que elas existam para serem quebradas. E todo jogo é uma forma de competir. Infelizmente, são raríssimos os jogos nos quais todos são vencedores ou todos são vencidos.

Quem entra na chuva é pra se molhar: entrou em campo, tem que saber que é pra ganhar ou perder. Em relações sociais desiguais não existe empate nem resultado bom para ambos os oponentes.

Porém, que tal trocarmos “luta” por RESISTÊNCIA e “burguesia x proletariado” por INCLUSÃO + DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL? Que tal reivindicar por demandas bem pontuais ao invés de oferecer um calhamaço que ninguém irá ler até o final?