Detesto conversações estéreis. Mas o que EU considero uma conversação estéril?
Estéril não é igual a fútil. Afinal de contas, a futilidade é um conceito altamente subjetivo. E, quando refiro-me à esterilidade em meio aos assuntos, refiro-me a falsos consensos ou a crenças limitadas pela ausência de uma posição diferenciada.
Diga-se de passagem, uma posição diferenciada não necessariamente precisa ser de total discordância. Por outro lado, a total concordância me parece mais uma questão de deliberação pelo cansaço ou, então, uma solução imediatista viabilizada pelo oportunismo.
Com isso, considero que tudo precisa ser discutido – embora não necessariamente à exaustão. No entanto, o acordo firmado em função do contexto atual pode não servir em um contexto futuro. Dessa forma, creio que nenhum assunto se esgota.
Sem querer ser preconceituoso nem “do contra”, a crença na INcompletude e na eterna possibilidade de alteração das decisões formais costuma ser um verdadeiro pesadelo para quem pretende a calmaria do conservadorismo.
E por falar em conservadorismo: ser conservador não poderia jamais ser um sinônimo de atraso, de velhice, de autoritarismo ou de ignorância. O termo trata sobre a vontade de conservar o status quo como ele é por causa da incerteza da melhora.
A condição inversa (isto é, a que se julga avant garde ou progressista) também não necessariamente pressupõe que a superação de um modelo garanta ou afirme que as mudanças propostas irão proporcionar melhoras e ganhos significativos nem para a maioria, nem para determinados segmentos.
O dinamismo da dicotomia conservadorismo x progresso é forjado a partir de infinitas nuances relacionadas aos incontáveis ítens que devem ou não ser preservados ou transformados. Finalmente, é esse caldo de variáveis que irá definir se o perfil dos debatedores é comodista, medroso, sectarista, autoritário, progressista, classista ou plural. Enfim, ser conservador e ser essencialmente transformador não necessariamente garantem nem o atraso, nem o progresso.
Acredito que sem tensionamento, nenhuma força é exercida. Logo, se nenhuma força é exercida sobre corpo algum, pressuponho que há uma ausência de movimento. E ausência de movimento não garante em hipótese alguma que o que não está bom vai melhorar, nem que o que está bom vá piorar.
Ora, se sempre existem as satisfações incompletas e as insatisfações de toda ordem, tendo a crer que a falta de tensionamento e de debate representam um risco muito mais grave do que o de perder, que é o risco de evitar tentar conquistar algo.
Parto dessa lógica para explicar o que sempre norteou as minhas ações: defendo o movimento constante e a superação de modelos a partir de múltiplos saberes. E, para mim, o exercício pleno da cidadania está acima de tudo.
Quanto aos saberes, vejo várias IMpossibilidades relacionadas a eles:
1) É impossível conhecer tudo;
2) Por mais que se domine um determinado nicho do saber, é impossível conhecer absolutamente tudo sobre ele;
3) Por mais visões que se conheça sobre um determinado saber e por mais que se procure adotar uma postura de magistrado acerca dele, é impossível não ter lado: sempre se ataca E sempre se defende uma série de argumentos que compõem a natureza e o universo desse saber;
4) Todo saber é mediado. Portanto, a mediação é inerente a todo e qualquer processo de comunicação. Não importa se ela é douta ou leiga; se é técnica ou teórica ou, ainda, se é meramente empírica sem nenhum domínio absoluto da técnica ou da teoria: se não houver mediação, ou todos entenderão tudo sobre tudo, ou não entenderão nada sobre nada. Então, NÃO EXISTE A NÃO-MEDIAÇÃO: todo ambiente, toda a troca simbólica é essencialmente mediada.
Vou além: se há escolha, há mediação. E, independentemente de qualquer pressão interna ou externa que ocasiona em pressões que podem ou não induzir alguém a eventualmente considerar que não possui escolha, o ato de ponderar acerca da existência ou não de escolha para os seus atos, na minha opinião, constitui, sim, uma mediação.
Quero deixar claro que a mediação não necessariamente ocorra em função do uso técnico e teórico dos conhecimentos do Jornalismo, da Publicidade, das Relações Públicas, do cinema, da televisão, do rádio, da fotografia, da revista, do jornal, da apropriação do uso de algum suporte ou, finalmente, das TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação) digitais: há um conhecimento acerca da recepção que leva um leigo a dominar as deixas simbólicas dos meios de comunicação que está habituado a consumir.
Digo isso porque todos tem o direito de opinar e porque todos possuem interesses e referenciais únicos. Até mesmo os valores de pessoas das mesmas famílias, da mesma vizinhança, da mesma profissão, do mesmo clube, do mesmo partido e com as mesmas virtudes e defeitos COLETIVOS diferenciam-se a partir da mediação pessoal – portanto, única – de cada indivíduo. Logo, as variáveis são infinitas, pessoais e intransferíveis.
Portanto, considero absolutamente natural a superação do modelo do receptor. Quem recebe, possui valores que, por sua vez, farão com que, independentemente do fato de ser atingido por uma única fonte emissora, pondere e decida se acredita ou não em um determinado conjunto de informações. Ao discutir esses assuntos, estará exercendo a sua própria mediação. Esse procedimento, para mim, configura o papel de interagente.
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A partir das premissas acima, não considero complicado – e nem tampouco ilegítimo – opinar acerca de um tema que eu não domino. Prefiro emitir minhas considerações DE MOMENTO a partir das informações que possuo até agora e seguir descobrindo mesmo que, AGORA, eu erre feio.
Esse procedimento pode ser anticientífico? Depende do ponto de vista. No meu, não é. Afinal de contas, prefiro testar hipóteses e ir acumulando conhecimento ao longo do tempo. O meu parecer ora insuficiente mais adiante terá acumulado informações suficientemente consistentes a ponto de eu poder demonstrar a sua evolução.
Com isso, considero que não sou mais nem menos do que Bill Gates. Ao mesmo tempo, também não sou melhor nem pior do que o político mais corrupto ou o mendigo mais necessitado.
Um dos pensamentos de mais baixo nível, para mim, é o de considerar como demérito ser corrigido. Pior é possuir a vaidade e a falsa competitividade de querer ser o dono da razão. Muitos vestem a máscara de ministros da República das Letras porque creem que sua reputação crescerá escondendo as suas contradições.
Em função dos ritos que se estabelecem a partir dos interesses que atravessam e são atravessados pelas mediações, também considero extremamente chato seguir protocolos. A questão dos protocolos envolve um outro critério subjetivo – o “bom senso”. E o bom senso, por sua vez, é tão abstrato quanto a “opinião pública”.
Que a minha ignorância sobre sociólogos e filósofos clássicos me perdoe, mas, por enquanto, ainda creio que a “opinião pública jamais foi provada empírica ou cientificamente como um pensamento único – ou quase único – representado pela suposta “voz” de umaa maioria que (em tese ) não poderia ser desconstruída após a legitimação (institucionalizada ou não) desse pensamento hegemônico.
Por tudo isso, pretendo sempre lançar mão da perspectiva de onde e quando julgar que as minhas crenças possuem um viés diferente ou mais abrangente. Tem gente que tem medo ou vaidade e considera ganhar um debate o supra-sumo da prova da sua inteligência, mas eu não sou assim.
Conclusão: a melhor aprendizagem é o debate constante.
O próximo post será um exemplo prático sobre um debate que poderia ser mais amplo e mais vantajoso para a sociedade caso determinados representantes tivessem maior facilidade em ser curiosos e menos protecionistas.