GUERREIRO, CONSELHO OMISSO E O GRÊMIO EM 2011

Discordo do caríssimo amigo Fábio Mundstock no post do MGAT quando diz que, mesmo louvável, também pareceu “patético” cerca de 60 associados terem ido gritar palavras de ordem e acompanhar a reunião do CD porque o resultado da votação infelizmente já era conhecido e seria contrário aos interesses da nação tricolor: afinal de contas, o Brasil carece de gente que mostre a sua cara, que tenha coragem de se expor. Toda grande manifestação começa assim, com pouca gente. Aos poucos, quando diferentes grupos sociais se dão conta acerca da causa, ou ela cresce, ou ela diminui.

Independentemente do nível de experiência política e institucional, os cerca de 40 gremistas (essa é a quantidade verdadeira) entre associados sem movimento (uns cinco) e integrantes dos Sócios Livres (um), do Núcleo de Mulheres Gremistas (uma), do Grêmio do Prata (cerca de 3/5 dos manifestantes) e da torcida organizada Geral do Grêmio (não mais do que dez) tiveram o desprendimento de ficarem ao relento sob um frio de sete graus Celsius acompanhando a votação pela Rádio Guaíba, a única que não teve o rabo preso e que entrevistou alguns dos manifestantes.

[Com isso, descobrimos também com quem se pode contar na mídia para podermos receber um apoio desinteressado para questões mais delicadas…]

__________

Alguns, trocavam torpedos. Outros, estavam no Twitter. E outros ainda trocavam ligações telefônicas com conselheiros e ex-conselheiros para manterem-se a par dos acontecimentos. Depois, bradou-se palavras de ordem sem nenhum palavrão contra Guerreiro e contra quem votou a favor da manutenção do arquivamento do caso. Foi um clima pacífico. Um tom de cobrança enérgico, porém sem nenhuma espécie de ameaça a quem quer que fosse. Mesmo assim, quase ao final da votação, “coincidentemente”, chegou uma viatura com policiais do BOE fortemente armados.

__________

Após o relato acima, volto à aparente descrença no resultado das manifestações públicas: se a causa crescer, ela terá, SIM, a capacidade de convencer os “representantes” políticos democraticamente eleitos a agirem de outra forma – no mínimo para que sejam reeleitos.

Só de telefonemas, e-mails, redes sociais na internet e reuniões em pequenas confrarias não há esforço para tentar mudar o mundo para melhor: a interação nas mídias sociais possibilita o compartilhamento e queima etapas, facilitando o encontro e o conhecimento de pessoas e de ideias. Contudo, o meio de comunicação e a armazenagem da informação não são substitutos acabados do espaço público.

Nenhuma ação per se funciona apenas na base da razão: ela precisa necessariamente vir acompanhada da emoção. E a presença física é uma forma de mostrar que há inconformidade.

Voltando no tempo e ligando os fatos: foram essa morosidade e esse excesso de protocolos, de ritos de passagem e de hierarquias que fizeram com que a chapa 2 ficasse de fora do CD. E a chapa 3 só não entrou porque a sua campanha foi muito efêmera. Portanto, a questão é ainda anterior à importância da redução da cláusula de barreira.

Hoje, tenho conhecimento de causa pra afirmar que apenas quatro movimentos teriam a capacidade de dar um sentido soberano, marcadamente baseado em uma forma de atuação característica e significativamente representativa à política do Grêmio: o G4, o G7, a 3ª Via e um quarto grupo formado pelo que de melhor há nos outros três.

Enquanto isso não ocorrer, a formação das chapas seguirá o critério ou do mais velho, ou do que tem mais dinheiro, ou do que tem mais tempo no CD, ou do que tem mais tempo livre, ou do que grita mais alto, ou dos que engraxam melhor as sandálias dos próceres. Assim como estamos, seguiremos vivendo de alianças ideologicamente incompatíveis e de ações entre amigos.

__________

Ah, como tem gente que gosta de uma carteirinha preta! Esses, infelizmente, adoram comer galinha e arrotar faisão: é um desfile de figuras decorativas, pobres de espírito, marias-vão-com-as-outras. Como sinto pena dos verdadeiros representantes do sócio e, acima de tudo, dos VERDADEIROS GREMISTAS… Não deve ser fácil ter que passar pelo constrangimento de querer fazer um trabalho bem feito e cumprir um papel parlamentar dividindo espaço com alguns que nem sabem direito como foram parar lá…

Se um dia o associado gremista me conceder a HONRA e a RESPONSABILIDADE de REPRESENTÁ-LO, continuarei indo na Social, no mesmo lugarzinho onde ia com os meus saudosos pai e avô (ou em posição equivalente na Arena). Afinal de contas, a minha vida não irá mudar por causa de um pedaço de plástico nem por uma responsabilidade a mais que estarei assumindo consciente de seus ônus e bônus por livre e espontânea vontade.

__________

Seguindo na veia irônica, viva o “culto do amador”! Basta apenas amar o Grêmio, ser meu amigo, ser meu médico, meu construtor, meu advogado, meu vizinho ou filho do amigo do meu pai. Vai lá, “bruxo”! Tu és gremistão. Então, podes pegar as categorias de base, a escolinha, o Quadro Social… Tu tens o “pelo peitudo”, então, podes ser diretor de futebol pra chutar a porta do vestiário e encher esses “boleiros analfabetos” de perdigotos!

Ah! E pra aquele “caga-regras” parar de me encher o saco, por favor, manda ele cuidar dos portões!

__________

Agora, falando sério: prestes a completar 108 anos, o Grêmio – salvo raríssimas e extremamente honrosas exceções – tem como regra o modelo de gestão acima interpretado nada condizente com um clube ou com uma empresa séria. Vivemos chuleando pelo triunfo das exceções. Dentre elas, algumas de longa data, como o @adalbertopreis e o @berdichevski; e outras, ainda jovens, como o @giulianovieceli e o @ducker_gremio. Peço a vocês que sigam tendo estômago, boa vontade e a capacidade de ensinar os inexperientes, apesar de tudo.

__________

Enquanto isso, do outro lado, eles passaram cinco anos com João Paulo Medina e hoje, tornaram-se uma potência continental. O Grêmio, por sua vez, não passa de um clube MÉDIO com uma torcida ENORME e um PASSADO CADA VEZ MAIS DISTANTE DE GLÓRIAS.

__________

De qualquer forma, que não se iludam acerca de alguns movimentos que se omitiram e mandaram pouquíssimos representantes à fatídica noite de 01/09/2011. E que não se iludam também nem sobre quem votou em peso a favor de Guerreiro, bem como àqueles que votaram maciçamente contra. Afinal de contas, haverá situações em que será necessário negociar com todos a adesão da maioria para causas de interesse DO FUTEBOL, DO CLUBE e DO SÓCIO.

Conhecer as pessoas, as ideias dos movimentos e, principalmente, quando O DISCURSO É DIFERENTE DA PRÁTICA mostra que não há mocinhos nem bandidos nessa história. Preparar-se para conviver sob essa perspectiva com o intuito de defender os VERDADEIROS interesses do GRÊMIO representando A MAIORIA é uma necessidade…

__________

Pra terminar: leiam o post do Bruno Coelho, gremistaço e jornalista SÉRIO, com uma opinião bastante crível em função da sua distância da aldeia.

E leiam ainda o brilhante post do querido @cajosias, que fala sobre a jurisprudência de Caim e Abel. Neste caso, diria que a fábula do escorpião e do sapo também se encaixa no fato.

GRÊMIO: 2013 JÁ COMEÇOU II

Não pensem que eu irei secar o Grêmio ou a administração do clube só porque a chapa 1 venceu e terá 250/300 conselheiros: eu quero que eles me supreendam e que desmanchem toda a desconfiança, o pessimismo e a falta de esperança de quem preferiu não estar junto a eles a partir da forma com que apresentaram suas ideias – e, em muitos casos, a si mesmos.

A bem da verdade, eu tenho muito mais restrições à pré-candidatura já anunciada e à forma com que já demonstrou definir o Conselho de Administração (deixo aqui um forte abraço às exceções dentro dessa regra, que foram o Jorge Bastos e o Carlos Josias) e ao comportamento adolescente e bravateiro dos soldados rasos (candidatos ou não) do que exatamente do propósito dos movimentos e da maioria de seus integrantes. Mas houve muitos coronéis e majores que agiram de maneira infeliz ao serem amiguinhos nos encontros informais de associados e que conversavam de maneira distante e desconfiada durante a panfletagem nos últimos jogos.

Mas o ponto mais do que gratificante foi a Terceira Via: foram coerentes, corajosos e mantiveram a sua hombridade e personalidade intactas.

Quem os ataca é imbecil. Não há outra palavra. Fiz muitos amigos nesse grupo e eles são melhores do que a maioria dos mais jovens da chapa 1.

De um modo geral, a chapa 2 envelheceu não apenas em idade, mas em pensamento, em gestão, em entusiasmo, em crença e em comportamento.

Como eu não queria permanecer no G7 mas me mantive fiel ao MGAT, que é o mais organizado e preocupado com a memória tricolor, me senti pouco à vontade de ter tido que compor com mais seis grupos.

Não nego que há muita gente boa e que perde-se tremendos profissionais e profundos conhecedores do clube que não possuem o perfil politiqueiro e amadoresco da maioria da chapa. Porém, os justos pagaram pelos pecadores.

Paga-se por preferir dividir espaço por fisiologismo, por amizade e pela infame preservação de nomes “institucionais”, além de não levar-se em consideração que os ricaços e famosos podem ajudar o clube apenas com seu dinheiro e prestígio mas que, se não podem comparecer às reuniões, não possuem o perfil nem o comportamento de um legítimo CON-SE-LHEI-RO.

TEM QUE TER MORAL PRA ACONSELHAR. TEM QUE TER CONHECIMENTO PRA ACONSELHAR. TEM QUE TER HUMILDADE PRA ACONSELHAR. TEM QUE SER PLURAL PARA ACONSELHAR. TEM QUE SER ANALÍTICO PARA ACONSELHAR. TEM QUE SER (BOM) POLÍTICO PARA ACONSELHAR.

De um certo modo, apesar dos temores do pensamento único; da tendência a se gastar muito dinheiro em terceirizações; e da crença acrítica e messiânica em um modelo de condução do Projeto Arena bastante temerário para o futuro do clube, Talvez não tenha sido tão mau assim termos sofrido essa derrota acachapante.

Sinto muito por vários companheiros. Porém, acho que 2/3 da chapa não fariam a menor falta. Os omissos e politiqueiros representam pouca competência e uma insistência absurda em não largarem o osso.

O Grêmio vai melhorar institucionalmente. Tenho certeza disso. Não exatamente em função da chapa 1 mas, sim, em função de a Terceira Via ser o movimento mais espontâneo e menos covarde da história política do nosso Tricolor dos Pampas.

GRÊMIO: 2013 JÁ COMEÇOU I

Como votante e como militante, estivesse do lado que fosse, em todas as eleições anteriores a esta no Grêmio, havia conseguido eleger aqueles a quem havia escolhido.

Como candidato a uma vaga ao Conselho Deliberativo, perdi na primeira oportunidade.

Após muitos dias de expectativa, de intensas discussões e de um trabalho bastante desgastante (muito embora eu não tenha me oferecido e nem tampouco tenha sido convidado para coordenar ou para liderar alguma parcela ou etapa dentro desse processo na chapa 2), bate um certo alívio ao invés de uma decepção.

Me dou o direito de pensar assim porque fui leal aos princípios do Movimento Grêmio Acima de Tudo (MGAT) e porque considero fundamental a relação cortesa e o coleguismo deste grupo. Agi com a razão e não me decepcionei comigo mesmo.

Fui espontâneo e me senti bastante contente pelas amizades e pela grande afinidade com o pessoal do Grêmio do Prata e – logicamente – com o ideal sincero, franco e contundente porém de um radicalismo profundamente responsável empreendido pela corajosa chapa 3, a Terceira Via.

Não quero culpar nominalmente A ou B, e nem tampouco generalizar. Mas torno pública agora a minha manifestação contrária à permanência do MGAT no G7. Fui voto vencido e acatei essa decisão da cúpula. Todavia, me esforcei ao máximo (sempre com a mais absoluta sinceridade e franqueza) junto a alguns companheiros para que pudéssemos ter composto a chapa agora com a Terceira Via.

Nossa cúpula pagou caríssimo por ter optado pelo medo: como diria Vanderlei Luxemburgo, “o medo de perder tira a vontade de ganhar”. O pragmatismo virou comodismo; a parceria virou subserviência; o peso do movimento mais organizado e diversificado da chapa 2, infelizmente, não se transformou nem em protagonismo, nem em independência.

O erro de não apostar na juventude foi fatal. O fisiologismo foi derrotado por uma proposta que, independentemente de quaisquer críticas ideológicas, morais, factuais, conjunturais ou pessoais, fora projetada ao longo de pelo menos quatro anos a partir de uma organização crescente. Concorde-se ou não com uma série de condutas e de promessas, houve competência discursiva mesmo com argumentos obtusos como o de “oposição x situação”.

“Renovação com Qualidade” foi um slogan difícil de engolir para quem não possui vocação para hipócrita ou para mentiroso.

Mais sobre isso no próximo post.

GRÊMIO: PROPOSTA DE ALTERAÇÕES ESTATUTÁRIAS

A discussão  no blog GRÊMIO SEMPRE IMORTAL (que não possui nenhum cunho oficial relacionado nem ao Movimento Grêmio Imortal, nem ao Movimento Grêmio Sempre – que fique bem claro, pois já cometi esse equívoco antes) tem sido riquíssima. Desde as persistentes dúvidas, temores e disputas acerca da Arena do Grêmio como também ao que de mais grave ocorreu nesta semana: ainda não foi desta vez que caiu a cláusula de barreira de 30% para 20%.

Apesar de não utilizar termos jurídicos, sempre estou aberto para receber comentários e correções. O Minwer do Blog do Torcedor no Globoesporte.com já foi bastante sucinto e claro acerca da questão.

Diante de tudo o que foi exposto nos comentários do blog Grêmio Sempre Imortal, a persistir o atual estatuto e a cultura parlamentar bastante conservadora do CD, tenho algumas sugestões:

1) Segundo manifestação de vários comentadores, o art. 66 precisa SIM ser respeitado. Do contrário, hecha la ley, hecha la trampa: se uma lei existe para NÃO ser obedecida, logo, trata-se de um regulamento “pra inglês ver”. Porém, por si só, sem uma pequena alteração, seu efeito ainda não seria o desejado;

2) Às vezes, pode ocorrer de não haver mais do que oito reuniões por ano. Que tal propor reduzir para quatro alternadas, não podendo ser as quatro ausências contabilizadas no mesmo ano (entre 01/01 e 31/12)?

3) Outra mudança estatutária importante: “É vedada a inscrição do mesmo associado em mais de uma chapa concorrente tanto às cadeiras do Conselho Deliberativo como ao Conselho de Administração”;

5) “Caso algum integrante do Conselho de Administração renuncie ou seja destituído do cargo em função de infrações cometidas contra este estatuto, o seu substituto pertencerá necessariamente à respectiva comissão do Conselho Deliberativo responsável pela fiscalização da pasta pela qual o conselheiro administrativo respondia anteriormente”;

O que os amigos gremistas pensam sobre essas sugestões?

GRÊMIO: DÚVIDAS ACERCA PROPOSTA DOS JUBILADOS

Faça parte desta campanha: copie-a no seu blog e divulgue a importância de democratizar o nosso Grêmio!

O conselheiro Antônio Carlos “Cacaio” Azambuja defendeu com argumentos que não podem ser desrespeitados nem tratados como algo que careça de seriedade o direito a voto para conselheiros jubilados. Ele falou sobre a possibilidade de aumentar o número de conselheiros, citando como exemplo o milhar do Flamengo e realmente não lhe pode tirar a razão quando pensa em conselheiros que estão com idade avançada e possuem serviços inestimáveis prestados ao clube. Pensou até na compensação entre a admissão de jubilados e a entrada de novos conselheiros. Nenhum de seus argumentos é injusto ou oportunista. Deve-se observar com bastante atenção os ítens finais de sua explanação – os aspectos formal e de mérito.

Quem é conselheiro está careca de saber que, segundo o site oficial, e conforme o estatuto atual, a instância política máxima do clube é representada pelo

CONSELHO CONSULTIVO – seus integrantes possuem mandato vitalício. É composto pelos ex-presidentes do clube, pelos atuais presidente e vice do Conselho Deliberativo, bem como por todos os ex-presidentes e ex-vice-presidentes do CD. Normalmente, é convocado pelo atual presidente do clube para decisões mais polêmicas e, normalmente, é de caráter fechado, cujo teor dificilmente vem a público. Seria a chamada “câmara alta”, cuja decisão funciona como um desempate. Atualmente, é composta por 15 membros, todos bastante conhecidos:

Adalberto Preis
André Luiz A. Krieger 
Fábio André Koff (1982-83; 1993-94-95-96)
Flávio Obino (1969-70-71, 2003-4)
Hélio Volkmer Dourado (1976-77-78-79-80-81)
Jayme Eduardo Machado 
José Alberto Machado Guerreiro (1999-2000-1-2)
Luiz Carlos P. Silveira Martins (1997-98)
Mauro Knijnik
Oly Érico da Costa Fachin (pres.1972-73)
Paulo Odone Chaves de Araújo Ribeiro (1987-88-89-90; 2005-6-7-8)
Pedro da Silva Pereira Filho (1961-62)
Rafael Bandeira dos Santos (1991-92)
Raul Régis de Freitas Lima
Rudi Armin Petry (pres. 1966-67)

Como se vê, são 10 ex-presidentes, que acumulam 39 anos como mandatários máximos do clube. No caso do Grêmio, é uma feliz coincidência o fato de que todos os presidentes dos anos em que conquistamos nossas maiores glórias ainda estão vivos.

O presidente Hélio Dourado já foi candidato a deputado federal pela ARENA e viajou por vários estados do país coletando a colaboração de milhares de gremistas no fechamento do Olímpico Monumental. Anos depois do seu mandato de seis anos, meu pai que, se vivo fosse, teria a sua idade, não deixava de cumprimentá-lo e de conversar com ele brevemente nos muitos sábados que ele me levava para assistir aos treinos. Assim como meu pai, centenas de sócios faziam a mesma coisa. E o mais impressionante é que o dr. Hélio raramente obteve exposição midiática após o fim de seus anos na presidência do Grêmio.

Isso se chama capital social. O capital social na Sociologia (não no Direito, que é completamente diferente) baseia-se no somatório do reconhecimento de alguém como uma liderança ou referência que surge de várias formas: a partir do seu trabalho, aparência física, carisma ou de um único evento pontual que uma quantidade considerável de pessoas considere como significativo. Trata-se de um valor subjetivo, mas que define o seu peso como formador de opinião.

O ex-presidente Cacalo está no Sala de Redação e no Diário Gaúcho frequentemente. sua personalidade é bem diferente da do dr. Hélio. Cacalo é reconhecido pelo sucesso como vice-presidente de futebol na década mais fantástica da história do Grêmio.

Já outro eterno presidente, Fábio Koff, atingiu um patamar de reputação ainda maior, pois é hoje o presidente do Clube dos 13. Lembro que, na eleição para o CD em 2004, ele contatou o presidente da Vivo, que nos emprestou quatro celulares com tempo livre para podermos fazer ligações do comitê sem custo algum. Sua rede social e o seu poder, exercidos de uma maneira muito discreta, moveu uma ação que, até aquele momento, era complicada porque estava custando muito caro aos voluntários da então chapa 2 Grêmio Vencedor.

O ex-presidente Obino, independentemente dos seus péssimos resultados de campo, já foi presidente do Banrisul e também do Jockey Club do RS. Seus contatos com o alto empresariado gaúcho certamente são bastante amplos.

Como último exemplo, o ex-presidente Odone é um político profissional, que conhece como poucos os poderes econômico, político e coercitivo que dominam a cena gaúcha.

Todos os citados, sem exceção, independentemente de iniciar/incentivar ou não os vários partidos políticos internos do Grêmio, sempre que necessário, procuram intervir ora para aglutinar, ora para dividir, conforme o contexto. A experiência, a liderança e a credibilidade que várias dezenas de conselheiros atribuem a um, a outro ou a vários desses líderes ao mesmo tempo muitas vezes resulta naquilo que chamo de “pensamento único” e que, num sentido inverso, pode ocasionar divisões excessivas.

Esses já estão eternizados no Conselho Consultivo. Com ou sem voto próprio, eles reúnem a adesão da esmagadora maioria dos conselheiros. Ainda, há conselheiros influentes que nunca foram ou serão presidentes que não necessariamente podem ser chamados de seguidores de A, B, C , D ou E. Em um outro nível (eventualmente até superior ao dos “próceres” acima citados), também apresentam um capital social de dimensões amplas.

Como considero a renovação do CD relativamente baixa, pergunto: apesar da proposta bem fundamentada do conselheiro Cacaio Azambuja, será que o direito a voto de uma camada intermediária entre o Consultivo e o Deliberativo não tenderia a tornar ainda mais lento um processo de renovação?