POR UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL URBANO NO BRASIL

O Luiz Carlos Azenha postou no Vi o Mundo um post intitulado "O MODELO FALIU. VAMOS CRIAR OUTRO?" Nele, o jornalista convida seus interagentes a assistirem à série de reportagens sobre as mazelas da Marginal Tietê em São Paulo, veiculadas durante esta semana de segunda à sexta no Jornal da Record a partir das 20h em cinco episódios. Os dois primeiros já estão disponíveis no portal R7 aqui.

As últimas semanas tem sido meteorologicamente cruéis com a maior cidade da América Latina por causa do excesso de chuvas. A profusão de concreto e asfalto faz com que o automóvel e a construção civil tenham um valor mais alto do que o da convivialidade. Por isso, as áreas de várzea tem virado habitação de pobres. Por desinteresse das administrações do demotucanato, os alagamentos tem causado perdas irreparáveis para quem mal recebe o suficiente para comer. Pior: tem-lhes trazido doenças medievais. Assistam – porém evitem fazê-lo durante as refeições.


No vídeo do último link, notem que a Globo, apesar de ter feito jornalismo de verdade depois de muito tempo (e de não ter exposto a matéria para o país inteiro - foi apenas no SPTV, o Jornal do Almoço deles), NÃO ENTREVISTOU E SEQUER CITOU O NOME DO PREFEITO, DO GOVERNADOR E NEM TAMPOUCO DE SEUS PARTIDOS.

Mas, para não dizer que não falei de flores, eis o belíssimo exemplo de Seul. Os coreanos, depois de décadas de uma industrialização frenética, pisaram no freio de mão e passaram a considerar o ser humano como fonte de todo desenvolvimento – talvez esteja aí a maior virtude da sua cultura, que não é baseada no moral judaico-cristão e consegue reagir contra o taylorismo-fordismo. A recuperação das margens do rio Han é simplesmente notável e prova que é possível pensarmos assim também para as cidades brasileiras.

Também não poderia deixar de incluir este documentário na discussão, que envolve consumismo e educação. Afinal de contas, a criança precisa deixar de ser a alma do negócio, pois serão eles quem irão tocar adiante o que deixamos para elas.

Em relação a Porto Alegre, digo que se deve difundir essas informações e evitar, a todo pano, que se altere ou se mantenha o já deturpado PDDUA.

Aliás, conheço arquitetos que devem ter passado por obrigação pelas disciplinas de Urbanismo que pensam que o projeto Pontal do Estaleiro devia ter sido aprovado por causa do lixo e dos "marginais"...

Enfim... O problema é que custa tempo e dinheiro fazer o que seria mais plausível para convencer essa massa de consumistas: elaborar projetos alternativos para locais e necessidades públicas e ambientais ainda mais extremas.

O desafio fica para as faculdades de Arquitetura e Urbanismo e também para as de Comunicação, Direito e Ciências Sociais: já que a maioria da classe média precisa tocar a sua vida no comércio e nos serviços, os pesquisadores e os estudantes precisam divulgar para a sociedade e não apenas para os seus pares a sua criatividade e as suas experiências.

Porém, o individualismo e o consumismo geram o descolamento da sensação de comunidade, de rede e do compartilhamento solidário do espaço que verificamos agora.

Costumamos nos reunir dentro de universidades e aprendemos com os palestrantes acadêmicos. Porém, quantas vezes se para para questionar e cobrar da academia uma atitude mais social?

TRÂNSITO EM PORTO ALEGRE = EUA ANOS 1950′s

A paródia de Walt Disney que transformou o Pateta em uma espécie de Dr. Jeckyll e Mr. Hyde da modernidade taylorista-fordista infelizmente cabe cada vez mais no trânsito de Porto Alegre deste ano de 2009.

Aos 17 anos, me acidentei de carro como caroneiro e sobrevivi por sorte. Desde então, nunca me interessei pelo carro como um símbolo de independência ou de ascensão social. Como pedestre, sinto que a quantidade de vantagens é muito menor do que a quantidade de desvantagens que se pode ter na condição de motorista.

Essa construção antropológica me aproximou muito de dois grupos de pessoas que admiro bastante: a dos cicloativistas e a dos ativistas pela sustentabilidade do planeta.

Nesse sentido, o uso individual, individualista, consumista e pouco – ou nada – solidário de um meio de transporte motorizado inviabiliza até mesmo o seu uso racional e civilizado. A economia de escala tornou a montagem de um veículo a partir de materiais que destroem o meio ambiente e um modo de vida mais saudável e menos veloz muito barata.

O condicionamento gerado por esse tipo de auto-regulamentação econômica dificulta enormemente qualquer tipo de campanha educativa que procure diminuir o peso do automóvel de uso individual no trânsito. Com isso, tudo o que não é veloz nem “bacana” como um carro é automaticamente excluído e intolerado pela classe média urbana.

Há uma série de vídeos e de blogs que tratam sobre o assunto. Mas eu deixo aqui apenas algumas referências: a dos blogs Pedalante e Apocalipse Motorizado.

LULA: COBERTOR CURTO NO MEIO AMBIENTE

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=5tMRZJUPcPU]
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AO DOCUMENTÁRIO “UMA VERDADE INCONVENIENTE”, com AL GORE.
NEM À ANIMAÇÃO WALL•E, da PIXAR.
Como bem abordado pelo CRISTÓVÃO FEIL no DIÁRIO GAUCHE a partir de notícia publicada pela FOLHA, considero, assim como o sociólogo gaúcho e a ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana) brasileira que a pior crise possível e imaginável não é a crise dos papéis podres e da especulação mas, sim, a crise de saúde, da habitação, da produção, do consumo e da educação em função da total perda de todos os padrões meteorológicos anteriormente conhecidos por causa do AQUECIMENTO GLOBAL originado pelas transformações desmedidas da natureza geradas pela especulação imobiliária, pela exportação e importaçào de porcarias feitas de material sintético não-sustentável e da insistência em, ainda hoje, se pensar em usinas hidrelétricas (represamento de rios), usinas termelétricas (carvão), usinas nucleares (morte sofrida, certa e em massa), no empilhamento de seres humanos (quanto mais verticalizadas as habitações e os ambientes de trabalho, mais dependente de terceiros sem necessidade o homem se torna) e, acima de tudo, na prevalência da cidadania plena ao automóvel sobre o homem que é conduzido por ele (agora um pária da sociedade de fluxos).

Com mais tempo disponível, pretendo postar, dentro de alguns dias, soluções técnicas, científicas e econômicas altamente sustentáveis. Embora não seja especialista, sou defensor e ativista incondicional da vida, por uma urbe mais bela e salubre.

O grande problema do egoísmo e da ignorância da maior parte da classe média urbana é aceitar sem questionar tanto a lógica TAYLORISTA e FORDISTA (piores ainda quando JUNTAS) quanto a sua involução para o NEOLIBERALISMO.

clipped from diariogauche.blogspot.com
Documento da Igreja Católica intitulado “Análise da Conjuntura”
critica a ação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva frente à crise econômica e diz que “Lula entregará ao seu sucessor ou sucessora um país em situação tão precária quanto a que recebeu”.
“o presidente continua dando força ao agronegócio e à mineração, sem atentar para os danos ambientais”, e que isso gerará “a crise ecológica” no país.
“Tudo se passa como se o aumento da produção para a exportação fosse uma solução e não um paliativo que adia a crise econômica, mas antecipa a crise ecológica, que é muito mais grave e que prejudicará mais os mais pobres do que os ricos”
Os religiosos indicam que a política industrial do governo “vai no sentido de favorecer a indústria automobilística, como se ela tivesse futuro”.
texto de dez páginas assinado por padres e teólogos assessores da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
“este não é um documento oficial da CNBB”.
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